Câncer de mama hereditário
O câncer de mama é um tumor que se inicia nas mamas devido a mutações em genes importantes para o controle do crescimento celular.
Entre 5 e 10% dos casos são causados por uma mutação herdada dos pais, por isso são chamados de câncer hereditário.
Os testes genéticos da Mendelics servem para identificar mutações germinativas em genes que aumentam o risco de desenvolver a doença, como o BRCA1 e BRCA2. Com o avanço das inovações da Genética no Brasil e no mundo, os testes genéticos para câncer de mama têm se tornado cada vez mais acessíveis.
Entenda neste artigo como os testes genéticos se tornam um novo aliado para prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama.
Quais as principais causas do câncer de mama hereditário?
Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 causam a síndrome de câncer de mama e ovário hereditário, a causa mais frequente de câncer de mama hereditário. Pessoas com mutações nesses genes têm risco de 47%-88% de ter a doença em algum momento da vida.
Outras síndromes de câncer hereditário associadas ao risco de câncer de mama são:
- Síndromes de Peutz-Jeghers (gene STK11)
- Síndrome de Li-Fraumeni (gene TP53)
- Síndrome de Câncer Gástrico Difuso Hereditário (gene CDH1)
- Síndrome de Cowden (gene PTEN).
Mutações em outros genes como o CHEK2, ATM, PALB2 também podem elevar o risco para câncer de mama.
Conheça os fatores de risco para o câncer de mama não hereditário.
O que são testes genéticos para câncer hereditário?
Os testes genéticos analisam o DNA para identificar alterações genéticas que aumentam o risco para câncer de mama hereditário. Essas alterações podem ser identificadas em vários genes diferentes (BRCA1, BRCA2, STK11, TP53, CDH1, PTEN, PALB2, entre outros). Por isso, exames de Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) são hoje o tipo de teste genético mais usado para auxiliar pacientes com câncer de mama.
Um painel genético é um exame que, utilizando o NGS, analisa simultaneamente dois ou mais genes. Um exemplo é o Painel de Câncer de Mama e Ovários Hereditários da Mendelics que analisa dezenas de genes associados ao câncer de mama e ovários.
Além dos painéis, caso o médico suspeite de uma síndrome de câncer hereditário específica (Exemplo: Li-Fraumeni), ele pode solicitar o sequenciamento do único gene responsável pela síndrome. Exames de MLPA também podem ser solicitados para complementar o exame de NGS, principalmente quando esse último teve resultado negativo ou inconclusivo.
Análise poligênica (PRS) para câncer de mama
Testes genéticos para câncer de mama também podem avaliar o risco poligênico, que assim como o risco monogênico, influencia no desenvolvimento da doença.
Qual a diferença entre o risco monogênico e o risco poligênico?
No risco monogênico, variantes costumam ser raras, mas contribuem com um risco moderado a alto para o desenvolvimento de câncer.
No risco poligênico, as variantes são frequentes e, individualmente, estão associadas a um risco baixo na doença. Porém, quando múltiplas variantes poligênicas têm seus efeitos somados, seu conjunto tem um impacto significativo para o risco de desenvolvimento de câncer.
O risco poligênico é um componente importante para avaliar com mais precisão o risco total de um paciente desenvolver câncer.
O que é PRS (Polygenic Risk Score)?
O PRS (Polygenic Risk Score) é uma análise que calcula o efeito de múltiplas variantes que individualmente apresentam baixo impacto mas, quando combinadas, aumentam consideravelmente o risco de câncer.
Para estimar o risco* de uma pessoa ter câncer de mama, a sua pontuação poligênica é comparada com a pontuação da população.
Quando a pontuação poligênica da pessoa é maior do que a média da população, ela tem um risco elevado para câncer de mama (considerando o risco poligênico).

*Diversos fatores além dos genéticos contribuem para o desenvolvimento do câncer.
Análise poligênica (PRS) para a população brasileira
As variações genéticas podem ter efeitos diferentes em diferentes populações, ou seja, o PRS de uma população pode não ser capaz de estimar risco com precisão em outra.
Saiba mais sobre a diversidade genética das populações humanas.
Na Mendelics, identificamos um PRS capaz de estimar risco aumentado para câncer de mama feminino na população brasileira, em um estudo com mais de 15 mil pessoas (Rius et al., 2025, PMID: 40361916).
Essa análise é oferecida no inovador Painel de Câncer Hereditário Padrão-Ouro, exclusivo da Mendelics.
O Painel de Câncer Hereditário Padrão-Ouro da Mendelics é um exame genético inovador que utiliza Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para detectar variantes patogênicas em 100 genes associados ao risco de câncer hereditário, incluindo PRS para câncer de mama feminino, validado na população brasileira.
Quem deve realizar o exame genético para câncer de mama?
A recomendação de realização de teste genético para câncer de mama é baseada em critérios de histórico familiar (1º, 2º e 3º graus) e/ou critérios clínicos, baseados principalmente nas diretrizes do National Comprehensive Cancer Network (NCCN) (3).
Conheça alguns dos vários indícios que podem sugerir a necessidade de uma avaliação com um médico geneticista e a realização de teste genético:
- Idade do aparecimento do tumor (≤ 45 anos),
- Presença de tumor bilateral ou mais de um tumor primário na mama,
- Tumor de mama triplo negativo em mulheres com <60 anos (receptores de estrogênio, progesterona e HER2 negativos),
- Forte histórico familiar de câncer de mama (familiares de 1º, 2º e/ou 3º graus diagnosticados),
- Histórico familiar de outros tipos de tumores (Exemplo: câncer de ovário) na família,
- Familiar do sexo masculino com câncer de mama.
*Nem todos os sinais precisam estar presentes para levantar a suspeita de um câncer hereditário. Apenas um médico pode indicar a realização de um teste genético. Converse com seu médico para saber se você tem indicação para o exame.
Converse com seu médico para saber se você tem indicação para o exame.
Para que servem os testes genéticos para câncer hereditário?
1) Diagnóstico:
O resultado do exame pode indicar se a causa do câncer é hereditária. Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de cura.
2) Procedimentos redutores de risco:
Pessoas diagnosticadas com câncer de mama e que possuem alterações clinicamente relevantes no BRCA1 e BRCA2 têm risco aumentado de desenvolver tumor de mama bilateral e de câncer de ovário.
Assim, pacientes portadores de alterações, podem realizar mastectomia profilática bilateral (cirurgia de retirada de ambas as mamas) e a salpingo-ooforectomia redutora de risco (SORR, remoção do ovário e das trompas de Falópio).
Além do BRCA1 e BRCA2, pacientes portadores de alterações em outros genes também podem ser beneficiados com procedimentos redutores de risco.
3) Tratamento personalizado
Recentemente, resultados de testes genéticos passaram a ser utilizados também na escolha do melhor tratamento.
Portadoras de mutações no BRCA1 e BRCA2, que atendam determinados critérios clínicos, podem se beneficiar de uma nova classe de medicações: os inibidores de PARP. Trata-se de medicações capazes de ‘atacar’ apenas as células do tumor (deficientes em BRCA1 ou BRCA2) e não as células saudáveis, por isso são consideradas uma terapia alvo.
O primeiro inibidor de PARP foi aprovado pela FDA em 2017 (7, 8). No Brasil, o medicamento olaparibe (Lynparza) está aprovado para uso pela ANVISA para o tratamento de câncer de mama metastático em portadoras de mutações nos genes BRCA1/2.
4) Avaliação de risco em mulheres assintomáticas
Pessoas saudáveis com forte histórico familiar da doença ou com um familiar que possui mutação que causa câncer de mama podem, pelos testes genéticos, saber se herdaram a predisposição.
A presença da predisposição genética permite a adoção de uma série de estratégias de prevenção e diminuição dos riscos de desenvolvimento de tumores (Exemplo: exames de rastreamento em idades mais jovens, realização de ressonância magnética periódica, prevenção por quimioterapia com tamoxifeno e cirurgias profiláticas)
Mas é importante lembrar que ter a mutação não significa que a pessoa, necessariamente, terá a doença, mas sim que ela tem risco aumentado em comparação a outras pessoas sem a mutação. Por isso, mulheres assintomáticas precisam conversar com seus médicos para compreender os impactos e benefícios do resultado do teste genético.
5) A importância do aconselhamento genético
Na maioria dos tumores hereditários, a chance da alteração genética que predispõe ao câncer ser transmitida aos filhos é de 50%, por isso a importância do aconselhamento genético pré e pós exame para o paciente e seus familiares.
Na consulta, o médico geneticista explica para o paciente também a respeito de outros possíveis riscos associados às mutações genéticas identificadas no exame, como, por exemplo, predisposição a outros tipos de tumores.
Posso realizar um exame para câncer de mama hereditário pelo meu convênio?
Desde de 2014 a cobertura para exames genéticos para diagnóstico de doenças raras e cânceres hereditários passou a ser obrigatória.
As diretrizes de cobertura para convênio para câncer de mama hereditário estão descritas no Rol De Procedimentos e Eventos Em Saúde 2018 da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
Outubro Rosa na Mendelics
Sabemos que a predisposição genética é um dos fatores de risco mais bem estabelecidos para o câncer de mama, com até 10% dos casos sendo causados por mutações herdadas. Por isso, para contribuir com a campanha Outubro Rosa, queremos ressaltar a importância dos exames genéticos para famílias com múltiplos casos de câncer.
Abrace Sua Genética!
O autocuidado vai além da mamografia. Nesse #OutubroRosa lembre-se que os exames genéticos são aliados na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama.
A Mendelics oferece testes genéticos de Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para a investigação de Síndromes de Câncer Hereditário que permitem um diagnóstico preciso e um melhor planejamento da conduta terapêutica. Entre os exames genéticos incluem o Painel de Câncer Hereditário Padrão-Ouro, que detecta variantes patogênicas em 100 genes associados ao risco de câncer hereditário, possui reanálise anual automática, sem custo adicional, por três anos e PRS para câncer de mama feminino. Além disso, a Mendelics oferece outros exames como o Painel de câncer hereditário completo, entre outros.
Converse com um médico de sua confiança e, se houver a necessidade de um exame de diagnóstico genético, entre em contato conosco!
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Importante: Esse post tem caráter educativo. É essencial que o paciente seja acompanhado por um médico que orientará qual a melhor maneira de se proceder.
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Escrito por: Ágatha Faria, em outubro de 2020.
Atualizado por: Nathália Taniguti, em outubro de 2025.
Referências
- Câncer de mama. INCA – Instituto Nacional de Câncer.
- Breast Cancer Risk Factors: Family History. Breastcancer.org.
- Breast Cancer Ductal Carcinoma in Situ.
- ROL de PROCEDIMENTOS E EVENTOS EM SAÚDE -2018 ANEXO II -DIRETRIZES de UTILIZAÇÃO PARA COBERTURA de PROCEDIMENTOS NA SAÚDE SUPLEMENTAR.
- Kotsopoulos J. BRCA Mutations and Breast Cancer Prevention. Cancers (Basel). 2018; 10: 524.
- Garcia C et al. Risk management options elected by women after testing positive for a BRCA mutation. Gynecol Oncol.;132:428-33, 2014.)
- Pilié PG1, Gay CM2, Byers LA2, O’Connor MJ3, Yap TA4,5,6,7.PARP Inhibitors: Extending Benefit Beyond BRCA-Mutant Cancers. Clin Cancer Res. 2019 Jul 1;25(13):3759-3771.
- HIGHLIGHTS of PRESCRIBING INFORMATION.
-
Aprovado registro de LynparzaTM Comprimidos. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.
Revisão
Entre 5% e 10% dos casos de câncer de mama são causados por uma mutação germinativa, herdada dos pais.
Os testes genéticos são úteis para o diagnóstico da mutação germinativa, para a adoção de procedimentos redutores de risco e mudanças no estilo de vida e alimentação, para o uso de terapias-alvo (quando possível) e para o aconselhamento genético da família.
O PRS (Polygenic Risk Score) é uma análise que calcula o efeito de múltiplas variantes que individualmente apresentam baixo impacto mas, quando combinadas, aumentam consideravelmente o risco de câncer.
Junto à avaliação dos outros riscos, como a análise monogênica, fatores ambientais e estilo de vida, a análise poligênica possibilita ao médico uma investigação mais ampla e precisa do risco de sua paciente desenvolver câncer de mama feminino.















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