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O guia completo para testes genéticos

18 maio, 2020 | Doenças e Exames

O que são testes genéticos e quais são os tipos que existem?

Existem diversos testes genéticos disponíveis atualmente e esse número vem crescendo rapidamente. Diante de tantas opções é fundamental que médicos, profissionais de saúde, pacientes e consumidores compreendam suas indicações e particularidades específicas.

Cada teste é indicado para um determinado contexto, seja ele para diagnośtico, triagem ou identificação humana. Há também hoje testes genéticos que são vendidos diretamente ao consumidor. 

Nesse post iremos fornecer todas as informações sobre os principais tipos de testes genéticos e suas principais especificações e indicações.

 

Triagem neonatal genética

A triagem neonatal é realizada logo após o nascimento a fim de triar doenças que se identificadas precocemente e tratadas podem não interferir no desenvolvimento da criança ou ter seu impacto reduzido com uma melhora significativa na expectativa de qualidade de vida.

No Brasil, todos os bebês recém-nascidos devem realizar o Teste do Pezinho básico, que rastreia Hipotireoidismo Congênito, Fenilcetonúria, Fibrose Cística, Anemia Falciforme e demais Hemoglobinopatias, Hiperplasia Adrenal Congênita, Deficiência de Biotinidase .

O Teste do Pezinho é um teste bioquímico de triagem. Em caso de resultado positivo, testes de diagnóstico complementares devem ser realizados, incluindo testes genéticos. 

Já existe uma triagem neonatal genética que complementa o Teste de Pezinho básico: o Teste da Bochechinha– que rastreia várias regiões do DNA do bebê podendo identificar mais de 310 doenças genéticas tratáveis.

A análise feita direta no DNA apresenta uma grande vantagem, pois pode identificar o risco de desenvolvimento da doença antes mesmo de qualquer sinal clínico ou bioquímico.

Por ser um teste genético, o Bochechinha consegue investigar centenas de doenças que não são identificadas por testes de triagem convencionais, como a atrofia muscular espinhal (AME) e a distrofia muscular de Duchenne.  

O teste da Bochechinha pode ser realizado sem pedido médico, porém é recomendado que os resultados sejam sempre acompanhados por um médico que, diante de um resultado alterado, decidirá qual o melhor procedimento a ser seguido. 

Clique aqui para mais informações sobre o teste da Bochechinha.

 

Exame de diagnóstico genético

O exame de diagnóstico é usado para identificar uma doença genética ou cromossômica específica em um paciente que tem sinais e sintomas. Exames diagnósticos só podem ser realizados mediante solicitação médica. 

Em muitos casos, o teste genético é usado para confirmar um diagnóstico em um paciente sintomático. Um teste diagnóstico também pode ser solicitado pelo médico para esclarecer quadros clínicos de causa desconhecida, como por exemplo, deficiência intelectual. 

Os resultados de um teste de diagnóstico também podem influenciar as escolhas do médico sobre  o manejo de uma doença.

Clique aqui para mais informações sobre Exames de diagnóstico genético.

 

Triagem de portador

Todos os genes humanos vêm em pares. São herdados uma cópia da mãe e uma cópia do pai. Assim, é possível herdar uma cópia de uma mutação genética de um dos pais, mas não do outro.

A triagem de portador é realizada para identificar pessoas que carregam uma cópia de uma mutação genética. Esse tipo de teste é oferecido a indivíduos que têm histórico familiar de doença genética recessiva, a casais consanguíneos (possuem grau de parentesco próximo) e a pessoas em certos grupos étnicos com risco aumentado de condições genéticas específicas. 

Se ambos os pais forem testados, o teste poderá fornecer informações sobre o risco de um casal ter um filho com uma condição genética.

Clique aqui para mais informações sobre Triagem de portador.

Teste genético pré-natal

O teste genético pré-natal é usado para detectar alterações nos genes ou cromossomos do feto antes do nascimento. Esse tipo de teste pode ser oferecido durante a gravidez se houver um risco aumentado de que o bebê tenha um distúrbio genético. Idade materna e doenças genéticas na família são indicações para realização desse tipo de teste. 

Existem testes pré-natais de triagem e de diagnóstico

A triagem pré-natal identifica doenças genéticas frequentes, principalmente doenças cromossômicas,  a partir de métodos não invasivos, como por exemplo o teste pré-natal não invasivo (Non-Invasive Prenatal Testing, NIPT).

Por se tratar de um exame de triagem, um resultado positivo no NIPT precisa ser confirmado por exames complementares que confirmarão ou excluirão o diagnóstico.

O NIPT pode ser realizado sem pedido médico, porém é recomendado que os resultados sejam sempre acompanhados por um médico que, diante de um resultado alterado, decidirá qual o melhor procedimento a ser seguido. 

O diagnóstico pré-natal investiga uma doença genética específica depois que alguma alteração foi detectada em exame morfológico ou no NIPT.

O diagnóstico pré-natal pode utilizar métodos invasivos que envolvem a inserção de sondas ou agulhas no útero para coleta de tecido ou sangue do feto, do vilo coriônico ou líquido amniótico. Estes procedimentos possuem riscos de dano ao feto, podendo levar a abortos.

Clique aqui para mais informações sobre NIPT.

 

Diagnóstico genético pré-implantacional 

O teste pré-implantação, também chamado de diagnóstico genético pré-implantacional (Preimplantation Genetic Diagnosis, PGD), é uma técnica especializada que pode reduzir o risco do casal ter um filho com uma doença genética específica ou cromossômica (exemplo aneuploidias).

É usado para detectar alterações genéticas em embriões que foram criados usando técnicas de reprodução assistida, como fertilização in vitro. A fertilização in vitro envolve remover os óvulos dos ovários da mulher e fertilizá-los com espermatozóides fora do corpo.

Para realizar testes de pré-implantação, um pequeno número de células é retirado desses embriões e testado para determinadas alterações genéticas. Somente embriões sem essas alterações são implantados no útero para iniciar uma gravidez.

 

Testes genéticos para avaliação de riscos de assintomáticos 

Testes genéticos também podem ser usados para  detectar mutações genéticas associadas a doenças que podem se manifestar anos após o nascimento, geralmente na vida adulta. Esses testes podem ser úteis para pessoas que têm um membro da família com uma doença genética, mas que não possuem características da doença no momento do teste. 

Resultados positivos em um teste de assintomático, podem ou não indicar o desenvolvimento de uma doença. Em muitos casos, a depender da doença, a mutação só indica um risco aumentado para a pessoa testada. Porém, de qualquer forma, podem ajudar na tomada de decisões sobre cuidados médicos e estilo de vida.

Por exemplo, é possível realizar o teste para mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 que indicam um risco aumentado de câncer de mama e ovário. Resultados positivos não significam que a pessoa certamente irá desenvolver o câncer, porém, é possível realizar procedimentos médicos de controle e tratamento antes do início dos sintomas.

 

Testes somáticos para direcionamento de tratamento de câncer

O câncer pode ser o resultado de uma predisposição genética herdada da família (câncer hereditário: mutação genética na linhagem germinativa) ou pode ser o resultado das mutações acumuladas durante a vida (câncer esporádico: mutação somática). A maioria dos cânceres (90% dos casos) têm origem somática.

Testes genéticos somáticos são realizados em amostras de biópsia de tumores para detecção de mutações específicas, que possam fornecer informações sobre o prognóstico do paciente, agentes terapêuticos alternativos ou possíveis ensaios clínicos, principalmente se todas as outras opções para o tratamento do tumor tiverem sido exploradas. 

A análise de mutações somáticas em tumores, permite uma avaliação mais precisa do diagnóstico do câncer, do prognóstico do paciente e o uso de terapias específicas direcionadas ao perfil de cada paciente e do tumor.

 

Testes de identificação humana 

O teste forense usa sequências de DNA para identificar um indivíduo para fins legais. Ao contrário dos testes descritos acima, o teste forense não é usado para detectar mutações genéticas associadas à doença.

Esse tipo de teste pode identificar vítimas de crimes ou catástrofes, descartar ou implicar um suspeito de crime ou estabelecer relações biológicas entre as pessoas (por exemplo, paternidade).

 

Testes genéticos direto ao consumidor

Teste genético direto ao consumidor, também chamado de testes genéticos DTC (direct-to-consumer) são testes fornecidos diretamente a pessoa interessada sem necessidade de um encaminhamento por um profissional, como um médico ou aconselhador genético.

Existem testes genéticos DTC com diferentes propósitos e, modo geral, o kit de coleta da amostra, saliva ou esfregaço bucal-swab (procedimento que usa uma pequena escova ou cotonete para coletar uma amostra de células da superfície interna da bochecha), é enviado para a casa do comprador, que depois faz o reenvio para o laboratório.

A coleta é indolor e não possui riscos para o comprador. 

 Alguns tipos de testes genéticos DTC disponíveis:

  • Teste de ancestralidade
  • Teste de estilo de vida (Nutrição, exercícios físicos, hábitos de sono, consumo de medicamentos, e etc)
  • Teste de saúde ou risco a doenças
  • Teste de paternidade

O teste de ancestralidade ou genealogia genética, é uma maneira mais profunda de se estudar a história de uma família. Esse teste se baseia no fato de que certos padrões de variação genética são frequentemente compartilhados entre pessoas de origens específicas.

Quanto mais intimamente relacionados estão dois indivíduos, famílias ou populações, mais padrões de variação genética eles irão compartilhar. Portanto, a análise de padrões de variações do DNA de uma pessoa pode sugerir a origem dos seus ancestrais e sobre os relacionamentos entre as suas famílias antecessoras.

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