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Toda doença genética é herdada?

24 agosto, 2021 | Doenças e Exames

Doenças genéticas

As doenças genéticas são causadas por uma ou mais alterações permanentes no DNA. Essas alterações podem ser passadas de geração em geração (mutações germinativas), com diferentes padrões de herança, ou surgir espontaneamente durante a vida (mutações somáticas).

Existem centenas de milhares de doenças genéticas e cerca de 10.000 delas são monogênicas, isto é, causadas por alterações em um único gene. 

Mais da metade das doenças monogênicas se manifestam na infância e são, em sua grande maioria, hereditárias, ou seja, transmitidas de pais para filhos.

A boa notícia é que a maioria dessas doenças só se manifesta se a mutação genética for herdada tanto do pai quanto da mãe.

Nesse artigo vamos explicar a diferença entre doença genética e doença hereditária, além dos diferentes padrões de herança.

 

Doenças genéticas não monogênicas

Além das doenças genéticas monogênicas, existem outras tantas doenças genéticas, como a doença de Alzheimer, hipertensão, e câncer, por exemplo, que são causadas por alterações em mais de um gene (poligênicas).

Várias doenças poligênicas podem ser herdadas, como a doença de Alzheimer e a hipertensão, e alguns casos de câncer hereditário (cerca de 10%).

Saiba mais sobre câncer hereditário nesse artigo.

No entanto, o câncer também é um bom exemplo de doença genética não hereditária. Pelo menos 90% dos casos de câncer são esporádicos, ou seja, são causados por mutações somáticas em vários genes e acumuladas ao longo da vida, que não foram herdadas.

Esse acúmulo de mutações pode acontecer por diversos fatores, que podem ser evitados:

  • Exposição excessiva à radiação UV, como a solar
  • Hábito de fumar
  • Exposição excessiva à fumaças (cigarro, poluição)
  • Exposição excessiva à outros compostos cancerígenos (pesticidas, carnes curadas, fontes de radiação

 

 

Doenças genéticas hereditárias

As doenças genéticas hereditárias são aquelas causadas por alterações do DNA que são herdadas de pelo menos um dos pais.

Os seres humanos têm 46 cromossomos, sendo que metade, 23 cromossomos, são herdados da mãe, e a outra metade é herdada do pai. Desses 46 cromossomos, 44 são chamados autossômicos e são encontrados sempre em pares (uma cópia da mãe e uma do pai). Já os outros dois cromossomos são os sexuais, X e Y, sendo que mulheres possuem dois cromossomos X, e os homens um X e um Y.

Pensando nisso, podemos classificar essas doenças de acordo com o padrão de herança, ou seja, a forma como elas precisam ser herdadas para se manifestarem.

 

Padrão de herança autossômico recessivo

As doenças de padrão de herança autossômico recessivo são causadas por um par de alterações genéticas, herdadas tanto do pai quanto da mãe. Esse padrão de herança é o mais comum entre as doenças genéticas raras, compreendendo cerca de 45% delas.

Para doenças com esse padrão de herança podemos ter indivíduos com as duas cópias da alteração causadora, e que serão afetados pela doença, e indivíduos com uma única cópia, os chamados portadores, que, geralmente, não desenvolvem os sintomas mas podem passar a alteração para os filhos, mantendo o risco da doença na família.

  • Se somente o pai ou a mãe é portador, existe 50% de chance do filho receber a alteração e também se tornar portador da doença.
  • Se ambos os pais são portadores, existe 50% de chances da criança ser portadora, 25% de chance de ser afetada pela doença, e 25% de chance de não herdar nenhuma alteração.
Heredograma representando o padrão de herança autossômico recessivo

Figura 1 – Padrão de herança autossômico recessivo

 

Padrão de herança autossômico dominante

Nas doenças de padrão de herança autossômico dominante uma única cópia da alteração, herdada do pai ou da mãe, pode ser suficiente para a manifestação dos sintomas. Esse padrão de herança é menos comum e compreende cerca de 32% das doenças genéticas raras.

É importante notar que existem doenças com esse padrão em que, mesmo herdando uma cópia da alteração, alguns indivíduos não manifestam os sintomas. Isso pode acontecer por diversos motivos, como efeitos ambientais relacionados ao estilo de vida ou mecanismos biológicos que compensam ou anulam o efeito da mutação no organismo. Quando isso acontece, dizemos que a alteração causadora da doença tem penetrância incompleta, ou seja, não afeta todas as pessoas que possuem a mutação.

Representamos abaixo a probabilidade de herança da alteração genética, que pode não corresponder à probabilidade de desenvolver os sintomas.

  • Nesse caso, se somente o pai ou a mãe possui uma cópia da alteração que causa a doença, existe 50% de chance do filho receber a alteração.
  • Se ambos os pais possuírem uma cópia alterada cada um, existe 75% de chances da criança herdar pelo menos uma das cópias alteradas que podem causar a doença, e 25% de chance de não herdar nenhuma alteração.
Heredograma representando o padrão de herança autossômico dominante

Figura 2 – Padrão de herança autossômico dominante

 

Padrão de herança ligado ao X

As doenças de padrão de herança ligado ao X são causadas por alterações genéticas no cromossomo X e portanto, podem ter efeitos diferentes em homens e mulheres. Doenças ligadas à cromossomos sexuais (X e Y) são ainda menos comuns e compreendem somente cerca de 10% das doenças genéticas raras.

 

Padrão de herança recessiva ligada ao X

Como homens só possuem um cromossomo X, uma cópia do gene alterado é suficiente para causar a doença. Já no caso das mulheres, como possuem dois cromossomos X, é necessário herdar a alteração genética de ambos os pais para desenvolver a doença, e se portar uma única cópia, será somente portadora da alteração.

Para doenças com esse padrão de herança, as chances de ter filhos portadores ou afetados varia dependendo de quem possui a mutação, o pai ou a mãe. 

  • Se somente o pai possuir a alteração que causa a doença, existe 50% de chance de ter uma filha portadora e nenhuma chance de ter um filho com a doença.
  • Se a mãe for portadora da mutação, existe 50% de chance de filhas mulheres serem portadoras e 50% dos filhos homens desenvolverem a doença.
  • Se ambos os pais forem portadores, existe 50% de chances dos filhos homens serem afetados pela doença, 50% de chances das filhas mulheres serem afetadas e 50% de serem portadoras.
Heredograma representando o padrão de herança recessivo ligado ao X

Figura 3 – Padrão de herança recessivo ligado ao cromossomo X

 

Padrão de herança dominante ligada ao X

Diferentemente do padrão de herança recessivo, aqui uma cópia alterada pode ser suficiente para afetar tanto homens quanto mulheres. É importante lembrar que esse padrão de herança também pode ter penetrância incompleta, principalmente em mulheres, podendo não manifestar os sintomas em todas as pessoas com a mutação.

Nesse caso, as chances de ter filhos afetados também varia dependendo de quem possui a mutação, o pai ou a mãe. 

  • Se somente o pai possuir a alteração que causa a doença, somente filhas herdarão.
  • Se somente a mãe possuir uma cópia da mutação, existe 50% de chance dos filhos herdarem, independente do sexo.
  • Se somente a mãe for afetada pela doença, possuindo duas cópias da mutação, os filhos herdarão a mutação, independente do sexo.
Heredograma representando o padrão de herança dominante ligado ao cromossomo X

Figura 4 – Padrão de herança dominante ligado ao cromossomo X

 

Padrão de herança ligado ao Y

As doenças de padrão de herança ligado ao Y são causadas por alterações genéticas no cromossomo Y e, portanto, só podem ser transmitidas de pai para filho. Como discutido no tópico anterior, doenças ligadas à cromossomos sexuais (X e Y) são ainda menos comuns e compreendem somente cerca de 10% das doenças genéticas raras.

Heredograma representando o padrão de herança ligado ao Y

Figura 5 – Padrão de herança ligado ao cromossomo Y

 

Toda doença genética é herdada?

Resumindo, existem muitas doenças genéticas, porém nem todas são hereditárias. Muitas doenças são multifatoriais, ou seja, dependem de outros fatores que vão além da genética, como estilo de vida. Além disso, muitas doenças genéticas são poligênicas (causadas por mais de um gene) e, portanto, seu padrão de herança é muito mais complexo. 

As doenças genéticas hereditárias monogênicas seguem os padrões descritos aqui, mas representam um grupo de doenças raras, que afetam cerca de 5% da população.

 

Doenças raras e a Mendelics

Doenças raras podem ser muito difíceis de identificar, levando anos para serem corretamente diagnosticadas. Como o diagnóstico precoce é essencial para um melhor tratamento, testes diagnósticos genéticos são os mais indicados. A Mendelics oferece o Painel de Doenças Tratáveis, que identifica mais de 340 doenças genéticas que possuem tratamento, além de vários outros exames capazes de diagnosticar doenças genéticas.

Além dos exames diagnósticos, já existem testes genéticos capazes de identificar alterações genéticas que causam doenças recessivas em portadores, como o Painel de Triagem de Portador de Mutações de Doenças Recessivas, oferecido pela Mendelics. Esses testes possibilitam que futuros pais saibam qual o risco de terem filhos afetados por uma doença genética rara e possam fazer um planejamento familiar mais compreensivo.

Saiba mais sobre como funciona a Triagem de Portador nesse artigo.

Consulte seu médico sobre testes genéticos e planejamento familiar e entre em contato com a Medelics.

Conheça a Mendelics

Se tiver dúvidas, deixe sua pergunta nos comentários!

 


Referências

https://www.cell.com/iscience/pdf/S2589-0042(20)30308-4.pdf

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