A anemia falciforme é uma doença genética que altera a hemoglobina, uma proteína presente nas hemácias, as células sanguíneas que realizam o transporte do oxigênio para todas as partes do corpo. Saiba mais sobre a anemia falciforme e como os testes genéticos podem contribuir para seu diagnóstico a seguir.

Na anemia falciforme, as moléculas de hemoglobina se aglomeram e formam bastões rígidos,  o que faz com que a hemácia tenha seu formato alterado e, em alguns casos, obstrua alguns vasos sanguíneos, principalmente os de menor diâmetro. Com isso, chega menos oxigênio a determinadas partes do corpo. 

Pacientes com anemia falciforme podem apresentar, dentre outros sintomas, fadiga e episódios de dores severas pelo corpo.

O que acontece na anemia falciforme?

A hemoglobina é uma molécula proteica formada por duas subunidades do tipo alfa-globina e duas subunidades do tipo beta-globina. Na anemia falciforme e nas demais doenças falciformes ocorre uma alteração de formato na subunidade beta-globina. Por causa dessa alteração, a hemácia se torna menos flexível, mais suscetível a rompimentos na membrana e passa a apresentar a forma de uma foice.

Com isso, a hemácia não consegue se mover pelos vasos sanguíneos menores, podendo causar obstruções e diminuição ou interrupção do fluxo sanguíneo para algumas partes do corpo. As hemácias alteradas pelas mudanças na hemoglobina também duram menos tempo no sangue: cerca de 10 a 20 dias, enquanto uma hemácia normal dura cerca de 90 a 120 dias. Isso pode fazer com que a pessoa afetada desenvolva um quadro de anemia.

Comparação entre as hemácias normais e as hemácias falciformes.

O que causa a anemia falciforme?

A anemia falciforme é uma doença genética causada por uma mutação na sequência do gene HBB, responsável por codificar a subunidade beta-globina da hemoglobina. Quando mutado, o gene HBB leva à formação da hemoglobina anormal, chamada de HbS, sendo S da palavra em inglês sickle, que significa foice.

Além da hemoglobina HbS, existem outras formas variantes da hemoglobina originadas por mutações pontuais no gene HBB. Essas mutações estão presentes nas demais doenças falciformes como as hemoglobinopatias SC, SD, SD e S-O Arab.

Além dessas hemoglobinopatias, existe também a beta-talassemia, anemia hereditária na qual uma mutação no gene HBB provoca a diminuição na produção da hemoglobina. Existe também a alfa-talassemia, causada por mutações nos genes HBA1 e HBA2.

Como a anemia falciforme é herdada?  

A anemia falciforme tem padrão de herança autossômica recessiva, ou seja, se expressa quando uma pessoa herda duas cópias com variantes patogênicas (genótipo HbSS), uma de cada um dos pais. Se um indivíduo herda apenas uma cópia (genótipo HbAS), ele apresenta traço falciforme. Nestes casos, a pessoa é geralmente assintomática, pois a cópia funcional do gene produz uma quantidade suficiente de hemoglobina sem alterações. 

Como a anemia falciforme é uma doença recessiva, uma pessoa com traço falciforme ao se casar com outra pessoa que também tenha traço falciforme tem 25% de chance de ter um filho com anemia falciforme e 50% de chance de ter um filho com traço falciforme.

Casais que desejam ter filhos e sabem da condição falciforme devem buscar aconselhamento genético, já que podem passar a mutação para os seus descendentes.

Quais são os sintomas da anemia falciforme?

 De maneira geral, os sintomas da anemia falciforme se iniciam já nos primeiros meses de vida e incluem:

  • Anemia, devido ao rompimento das hemácias anormais e de seu curto tempo de duração no sangue, quando comparado ao de uma hemácia normal.
  • Fadiga, como uma complicação da anemia.
  • Pele e olhos amarelados (Icterícia).
  • Inchaços nos pés e mãos (Dactilite), devido às hemácias ficarem aglutinadas e bloquearem o fluxo sanguíneo, comum em crianças pequenas.
  • Episódios repentinos, de duração variada, de dores intensas, também devido ao bloqueio do fluxo de sangue. As dores são mais frequentes nas costas, braços, pernas, joelhos, abdômen e coxas.
  • Infecções mais severas, principalmente em crianças.

Sintomas da anemia falciforme.

Em casos mais graves, o acúmulo das hemácias bloqueando a circulação sanguínea pode levar ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mulheres grávidas podem desenvolver complicações na gravidez, como pré-eclâmpsia, parto prematuro e morte perinatal. 

A maioria das pessoas com traço falciforme (HbAS) não apresenta sintomas, mas em casos raros o indivíduo pode ter crises intensas de dor. No entanto, complicações raras podem surgir sob estresse fisiológico extremo, como: 

  • Mergulhos profundos ou grandes altitudes
  • Desidratação grave combinada com esforço físico exaustivo
  • Baixa pressão atmosférica 

Qual a prevalência da anemia falciforme?

A anemia falciforme é mais comum em indivíduos da África Subsaariana, do Mediterrâneo, do Oriente Médio e da Índia, bem como em pessoas com ascendência dessas populações. 

No Brasil, a anemia falciforme é uma das doenças hereditárias mais comuns, sendo considerada um problema de saúde pública. Estima-se que existam entre 60 mil a 100 mil pessoas com anemia falciforme no país.

Quais os tratamentos para a anemia falciforme?

Pessoas com anemia falciforme ou outras doenças falciformes devem buscar ajuda médica para receber o tratamento adequado. O tratamento consiste, de maneira geral, em diminuir os sintomas e as chances de complicação, já que são doenças crônicas. Dentre as recomendações e tratamentos pode-se incluir:

  • Transfusão sanguínea.
  • Hidratação.
  • Administração de medicamentos para ajudar com as crises de dor.
  • Prevenção de infecções, como gripes e resfriados, principalmente em crianças.
  • Manutenção das vacinas em dia.
  • Evitar exposição a ambientes muito frios ou muito quentes.
  • Fazer exercícios físicos, porém com moderação.

Apenas um médico pode recomendar o tratamento para a doença. Siga sempre as recomendações médicas.

Como é feito o diagnóstico da anemia falciforme?

O diagnóstico de anemia falciforme e de outras doenças falciformes pode ser feito por meio de exames laboratoriais, como a eletroforese da hemoglobina. No Brasil, o diagnóstico inicial da anemia falciforme é feito majoritariamente pelo Teste do Pezinho nos primeiros dias de vida.

Porém, esses exames podem gerar resultados inconclusivos ou falso-negativos e possuem limitações como, por exemplo, a impossibilidade de distinguir entre as variantes raras da hemoglobina (como HbSD ou HbSE). 

Essas limitações podem ser superadas pelos exames genéticos, que podem confirmar um diagnóstico de forma precisa. A Mendelics oferece um teste genético que busca na sequência do DNA de um indivíduo as mutações associadas à anemia falciforme e outras anemias hereditárias. 

O Painel de Anemias Hereditárias contempla os principais genes associados às anemias hereditárias, incluindo a anemia falciforme, beta-talassemia, deficiência de G6PD, síndrome de Shwachman-Bodian-Diamond e anemia megaloblástica responsiva à tiamina.

Pessoas que têm parentes com anemias hereditárias devem também considerar o exame genético para saberem se são portadoras de mutações.

Todo exame genético para diagnóstico só é feito a partir de um pedido médico. Se precisar solicitar um exame genético para seus pacientes, entre em contato conosco.

Escrito por: Nathália Taniguti
Revisado e atualizado por: Agnes Maciel, em maio de 2026.


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