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Síndrome de Lynch

Juliana Gomes

20 de junho de 2025
ilustração de um DNA laranja, em um fundo preto, com dois órgãos sendo apontados a partir dele: intestino grosso e útero, os principais afetados pela síndrome de lynch

A síndrome de Lynch, também conhecida como câncer colorretal hereditário sem polipose ou HNPCC, é uma condição causada por alterações genéticas que aumentam o risco de desenvolver diversos tipos de câncer, sendo a principal causa do câncer colorretal de origem hereditária.

Entre 5 e 10% dos casos de câncer colorretal são hereditários.

Causa genética

A síndrome de Lynch é causada por variantes patogênicas nos genes MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2, que fazem parte do sistema de reparo do DNA conhecido como “DNA mismatch repair” (MMR). As mutações interferem na função correta das proteínas de reparo, levando ao acúmulo de erros no DNA e, consequentemente, ao aumento do risco de certos tipos de câncer. 

A síndrome também é causada por deleções no gene EPCAM e, em alguns casos, pela metilação que inativa o gene MLH1. 

A doença tem padrão de herança autossômica dominante e por isso cada filho de uma pessoa com síndrome de Lynch possui 50% de chance de herdar a variante e a condição. 

A grande maioria dos indivíduos com a síndrome herdaram a variante patogênica de um dos pais, mas isso não significa que todas as pessoas com a síndrome possuem um parente que teve câncer, pois as alterações genéticas têm penetrância incompleta e o câncer pode ter sido evitado graças às medidas de redução de risco (como rastreamento e cirurgia profilática).

Síndrome de Lynch e câncer

A síndrome de Lynch aumenta o risco dos seguintes tipos de câncer:

  • Colorretal
  • Endométrio
  • Ovário
  • Estômago
  • Intestino delgado
  • Trato urinário
  • Trato biliar
  • Próstata
  • Cérebro (em geral glioblastoma)
  • Pele (adenoma sebáceo, carcinoma sebáceo, queratoacantoma)
  • Pâncreas

O aumento do risco de desenvolver câncer depende do gene alterado, do sexo e do tipo de tumor. 

No caso do câncer colorretal, por exemplo, variantes nos genes EPCAM, MLH1 e MSH2 aumentam mais o risco de desenvolver câncer do que variantes nos genes MSH6 e PMS2 (tabela). Em geral, alterações nos genes MLH1 e MSH2 também tendem a causar câncer mais cedo (por volta dos 44 anos) em comparação com variantes nos genes MSH6 (42-69 anos) e PMS2 (61-66 anos).

Tabela com risco de câncer colorretal hereditário por sexo e por gene alterado.

Quando suspeitar de Síndrome de Lynch

Alguns critérios que envolvem características tumorais e histórico pessoal e familiar de câncer podem indicar a suspeita de Síndrome de Lynch, entre eles:

  • Diagnóstico de um tumor colorretal, endométrio, ovário, estômago, intestino delgado, trato urinário, trato biliar, próstata, cérebro (em geral glioblastoma), pele (adenoma sebáceo, carcinoma sebáceo, queratoacantoma) e pâncreas que apresentaram:
    • Alta instabilidade de microssatélite (IMS)
    • Perda da expressão das proteínas MLH1, MSH2, MSH6 e/ou PMS2, detectada através de imuno-histoquímica (IHC)
    • Identificação de mutação somática (isto é, no tumor) em um dos genes MMR.
  • Diagnóstico de câncer colorretal ou câncer de endométrio e pelo menos mais um dos seguintes critérios:
    • Diagnóstico antes dos 50 anos
    • Diagnóstico de mais um câncer relacionado à síndrome de Lynch
    • Pelo menos um familiar de primeiro ou segundo grau diagnosticado com um câncer relacionado à síndrome de Lynch antes dos 50 anos
    • Pelo menos dois familiares de primeiro ou segundo grau diagnosticados com um câncer relacionado à síndrome de Lynch, independente da idade de diagnóstico
  • Familiar com câncer colorretal ou de endométrio que atende aos critérios acima
  • Familiar com diagnóstico genético de síndrome de Lynch
  • Acima de 5% de risco de ter síndrome de Lynch em modelos preditivos

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome de Lynch é feito através de exames genéticos. A confirmação do diagnóstico é importante para um acompanhamento adequado do paciente, que pode incluir exames de rastreamento mais cedo e mais frequentes, e também é útil para o aconselhamento genético dos familiares do paciente.

A Mendelics oferece diferentes exames que analisam os genes associados à síndrome de Lynch, como:

O Painel de Câncer Hereditário Padrão-Ouro, que detecta variantes patogênicas em 100 genes associados ao risco de câncer hereditário, possui reanálise anual automática, sem custo, por três anos e PRS para câncer de mama feminino. Além disso, a Mendelics oferece outros exames como o Painel de câncer hereditário completo, entre outros.

Para saber mais informações sobre exames e painéis genéticos para seus pacientes, entre em contato pelo e-mail contato@mendelics.com.br ou pelo telefone (11) 5096-6001.

 Escrito por: Juliana Gomes, em março de 2023.

Atualizado por: Cleandra Gregório, em dezembro de 2024.

Revisão

O que é a síndrome de Lynch?A síndrome de Lynch é uma condição causada por alterações genéticas que aumentam o risco de desenvolver diversos tipos de câncer, sendo a principal causa do câncer colorretal de origem hereditária.

Qual a causa genética da síndrome de Lynch?

A síndrome de Lynch é causada por mutações nos genes MLH1, MSH2, MSH6, PMS2 e EPCAM. Quais são os tipos de câncer relacionados à síndrome de Lynch?A síndrome de Lynch aumenta o risco de diversos tipos de câncer, como: colorretal, endométrio, ovário, estômago, intestino delgado, trato urinário, trato biliar, próstata, cérebro (em geral glioblastoma), pele (adenoma sebáceo, carcinoma sebáceo, queratoacantoma) e pâncreas.

 


Referências

  • Idos G, Valle L. Lynch Syndrome. 2004 Feb 5 [Updated 2021 Feb 4]. In: Adam MP, Everman DB, Mirzaa GM, et al., editors. GeneReviews® [Internet]. Seattle (WA): University of Washington, Seattle; 1993-2023.
  • Cumulative risk for cancer by age, genetic variant, and gender in carriers subject to colonoscopy.Prospective Lynch Syndrome Database (PLSD). Acessado em 28/02/2023.
  • Syngal S, Brand RE, Church JM, et al. ACG clinical guideline: Genetic testing and management of hereditary gastrointestinal cancer syndromes. Am J Gastroenterol. 2015;
  • Genetic/Familial High-Risk Assessment: Colorectal – Version 2.2022 – December 7, 2022. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology (NCCN Guidelines®).

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