A Síndrome de Marfan é uma doença genética rara que acomete cerca de 1 em cada 5.000 a 15.000 indivíduos. Por ser uma doença que afeta o tecido conjuntivo, apresenta manifestações em diversos sistemas, mas possui alto grau de variabilidade clínica entre os seus portadores.

Apesar de não ter cura, hoje o acompanhamento e os procedimentos médicos permitem que uma pessoa com  a condição tenha uma expectativa de vida similar à da população em geral.

Sintomas da Síndrome de Marfan

O tecido conjuntivo serve como preenchimento, sustentação e nutrição para outros tecidos do corpo. Por isso, ao ter sua estrutura afetada por uma condição genética, como a Síndrome de Marfan, ocorre a apresentação de sinais e sintomas em diversos sistemas do organismo.

As manifestações entre os portadores da Síndrome variam de leves a graves e podem se tornar aparentes em qualquer fase da vida, desde a infância até a fase adulta.

Entre os principais sintomas da Síndrome de Marfan estão:

ilustração mostrando o perfil de uma pessoa e apontando para as partes do corpo e descrevendo os principais sinais e sintomas da Síndrome de Marfan

Alterações oculares

Uma das manifestações mais frequentes, presente em mais de 60% dos portadores da Síndrome, é a ectopia lentis, em que ocorre o deslocamento do cristalino de um ou dos dois olhos. Entre outras alterações oculares observadas estão: miopia, descolamento da retina, glaucoma e catarata precoce.

Alterações cardíacas

Na Síndrome de Marfan ocorre o enfraquecimento e a dilatação da aorta, chamado de aneurisma aórtico. Por conta dessas alterações, pessoas com a Síndrome têm um risco elevado de sofrer dissecção e rompimento de aorta, que podem ser fatais. Entre outras alterações cardiovasculares estão prolapso de válvula mitral e prolapso de válvula tricúspide, que causam falta de ar, cansaço, palpitação e disritmia. 

Alterações musculoesqueléticas

Pessoas com a doença em geral possuem uma estatura elevada, e podem sofrer diferentes alterações musculoesqueléticas, como extremidades (membros e dedos) desproporcionalmente compridas em relação ao tamanho do tronco. Outros sinais clínicos da Síndrome são: escoliose e cifose da coluna vertebral, deformações no esterno e articulações excessivamente flexíveis.

Alterações pulmonares 

Alguns portadores da Síndrome acumulam bolsas com quantidades anormais de ar na cavidade torácica, causando o colapso pulmonar (pneumotórax espontâneo), resultando em dor e falta de ar. 

Tratamento da Síndrome de Marfan

Devido à variabilidade dos sinais e sintomas da Síndrome de Marfan, o tratamento deve ser feito de maneira individualizada, de acordo com as manifestações clínicas, e pode compreender desde medicamentos para evitar a progressão das alterações até cirurgias corretivas.

Por ser uma doença com alterações em diferentes sistemas, requer o acompanhamento multidisciplinar, incluindo especialistas como geneticistas, cardiologistas, oftalmologistas e ortopedistas.

Causa genética da Síndrome de Marfan

A Síndrome de Marfan é uma doença de caráter autossômico dominante, associada a mutações no gene FBN1, que codifica a proteína fibrilina-1, um dos componentes da matriz extracelular. 

As proteínas de fibrilina-1 são o principal componente das microfibrilas, filamentos que são utilizados, por sua vez, na formação de fibras estruturais que proporcionam resistência e flexibilidade ao tecido conjuntivo. Na formação das microfibrilas, as proteínas de fibrilina-1 se ligam umas às outras e também a outras moléculas, como fatores de crescimento, e liberam esses fatores durante o processo de crescimento e reparo dos tecidos do corpo.

Mutações no gene FBN1 podem resultar na diminuição da quantidade de fibrilina-1 funcional, prejudicando a formação das microfibrilas e causando enfraquecimento do tecido conjuntivo e também não controlando adequadamente a liberação dos fatores de crescimento, gerando crescimento excessivo de alguns tecidos. Já foram descritas mais de 2.000 variações patogênicas no gene FBN1 associadas à Síndrome de Marfan, sendo que cerca de 25% delas são mutações de novo. Quase todas as mutações apresentam penetrância completa, mas alguns portadores da mutação no gene FBN1 não apresentam qualquer sinal evidente de doença.

Como diagnosticar a Síndrome de Marfan

O diagnóstico de Síndrome de Marfan é estabelecido através do preenchimento de critérios clínicos e genéticos.

O médico avalia o histórico clínico e familiar do paciente com suspeita da condição genética, a fim de verificar as alterações características da Síndrome. Exames de olho, bem como ressonância magnética, ecocardiograma e radiografias podem auxiliar na investigação das alterações oculares, cardíacas e esqueléticas.

Já os exames de diagnóstico genético para a Síndrome de Marfan analisam o DNA do paciente em busca de mutações no gene FBN1. Menos de 10% dos portadores da Síndrome não apresentam alterações nesse gene, possivelmente por uma deleção completa do alelo ou por mutações que alteram a expressão do gene FBN1.

A Mendelics realiza o sequenciamento do gene FBN1, e também possui o Painel de Síndrome de Marfan e Doenças Correlatas, investigando por sequenciamento completo e avaliação do número de cópias (CNV) de 61 genes associados à Síndrome de Marfan e seus diagnósticos diferenciais, incluindo a Síndrome de Loeys-Dietz, homocistinúria, genes de susceptibilidade ao desenvolvimento de aneurisma de aorta, Síndrome de Stickler, Síndrome de Ehlers-Danlos, entre outros.

Todo exame genético de diagnóstico só é feito a partir de um pedido médico.

Em seus exames, a Mendelics usa as melhores ferramentas e análises para tornar o diagnóstico genético rápido, preciso e acessível. Quer saber mais sobre os exames da Mendelics? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

Revisão

O que é a Síndrome de Marfan?

A Síndrome de Marfan é uma doença de caráter autossômico dominante, associada a mutações no gene FBN1, que codifica a proteína fibrilina-1, um dos componentes da matriz extracelular. 

Quais são os sintomas da Síndrome de Marfan?

Na Síndrome de Marfan, ocorre a apresentação de sinais e sintomas em diversos sistemas do organismo, incluindo alterações oculares, cardiovasculares, musculoesqueléticas e pulmonares.

Como é feito o diagnóstico de Síndrome de Marfan?

O diagnóstico de Síndrome de Marfan é estabelecido através do preenchimento de critérios clínicos e genéticos.

Qual o tratamento para Síndrome de Marfan?


O tratamento deve ser feito de maneira individualizada, de acordo com as manifestações clínicas, e pode compreender desde medicamentos até cirurgias corretivas.


Referências

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