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A infertilidade masculina pode ter causa genética?

por | 28 Dec, 2021 | Doenças e Exames

A infertilidade masculina

A infertilidade é considerada um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Definida como uma “doença do sistema reprodutor”, estima-se que uma em cada seis pessoas no mundo sofrem desse problema durante sua vida reprodutiva (1).

A infertilidade masculina, responsável por 50% de todos os casos de infertilidade, é uma doença com causas diversas, que vão desde a ausência total de espermatozoides nos testículos (azoospermia) até diferentes alterações na qualidade do esperma (1,2).

 

Causas genéticas da infertilidade masculina

O primeiro passo para o início do tratamento da infertilidade é identificar a sua causa, que pode ter origem genética ou não genética. As causas genéticas conhecidas correspondem a 10-15% dos casos de infertilidade masculina. Fatores genéticos são encontrados em todas as categorias de causas da infertilidade masculina (pré-testicular, testicular e pós-testicular) (3).  

A maior frequência dos fatores genéticos associados a infertilidade masculina (25%) está relacionada a azoospermia (2,3). Contudo, o número de alterações genéticas conhecidas associadas a alterações no sêmen e a outras etiologias da infertilidade masculina está em constante crescimento (2,3, 4). 

Mais de 200 doenças genéticas relacionadas à infertilidade masculina estão descritas no OMIM (Online Mendelian Inheritance in Man), variando desde características clínicas de infertilidade comuns, até as síndromes complexas mais raras nas quais os sinais e sintomas vão além dos problemas reprodutivos (4, 5). 

As principais causas genéticas conhecidas de infertilidade masculina são: 

  • Alterações em genes que causam doenças mendelianas.
  • Anomalias cromossômicas numéricas ou estruturais (ex:Translocação aparentemente equilibrada e Síndrome de Klinefelter).
  • Microdeleções que incluem um ou mais genes (ex: deleções das regiões do Fator para Azoospermia – AZFa, AZFb e AZFc do cromossomo Y).

 

Testes Genéticos 

Os testes genéticos são importantes ferramentas para compreender a causa de infertilidade masculina. Esse tipo de teste vem sendo utilizado na Medicina Reprodutiva cada vez mais

O resultado do teste genético também abre o caminho para uma assistência reprodutiva personalizada e aconselhamento genético.

Exitem alguns tipos diferentes de testes genéticos para a investigação da infetilidade masculina:

Cariótipo e SNP-Array

Esses exames são capazes de identificar importantes causas de infertilidade masculina: alterações cromossômicas numéricas (aneuploidias) ou estruturais, grandes deleções que incluem a região AZF do cromossomo Y e rearranjos equilibrados (translocações equilibradas, inversões e translocações Robertsonianas).

 

Microdeleção da região AZF

É importante ressaltar que microdeleções que abrangem as regiões AZF do cromossomo Y podem não ser detectadas no cariótipo, e por isso, um exame que utiliza PCR (reação em cadeia da polimerase) que investiga essa alteração genética pode ser solicitado pelo médico para complementar a análise do cariótipo.  

 

Painel de Sequenciamento de Nova Geração

Alterações na sequência de um gene, como as alterações no CFTR que causam agenesia de ductos deferentes e infertilidade, as alterações nos genes DPY19L2, associadas a globozoospermia, e AURKC, que causam macrocefalia do espermatozoide, só podem ser identificadas em exames de sequenciamento.  

Por isso, exames que utilizam a tecnologia de Sequenciamento de Nova Geração (Next-Generation Sequencing, NGS) e que sequenciam simultaneamente vários genes, são excelentes opções para pacientes com cariótipo e análise da região AZF negativos ou com histórico familiar de doença genética associada a fertilidade como, por exemplo, a fibrose cística

 

Painel de infertilidade masculina

Para auxiliar os médicos e casais em busca do diagnóstico da infertilidade masculina, a Mendelics desenvolveu o Painel de Infertilidade Masculina

Utilizando a tecnologia de NGS, o Painel de Infertilidade Masculina analisa os principais genes associados a falha na espermatogênese. Além disso, o exame também sequencia o gene CFTR, que está associado a agenesia de ductos deferentes (vas deferens).

 

Como o exame é feito?

Técnica: O painel é feito pela técnica de NGS.

Genes Analisados: AK7, ARMC2, AURKC, CATSPER1, CATSPER2, CDC14A, CEP19, CFAP43, CFAP44, CFAP69, CFTR, DNAH1, DNAH6, DPY19L2, FANCM, FSIP2, KLHL10, MEIOB, NANOS1, NR5A1, PMFBP1, QRICH2, SLC26A8, SOHLH1, SOX8, SPATA16, SPINK2, SUN5, SYCP3, TDRD9, TEX11, TEX14, TEX15, TSGA10, USP9Y, WDR66, XRCC2.

Coleta: O exame pode ser coletado em sangue (tubo EDTA) ou mucosa bucal com o auxílio de um swab estéril.  A coleta com esse dispositivo é indolor, rápida e não invasiva e pode ser realizada pelo próprio paciente ou coletada no consultório médico. 

Importante: o Painel não avalia deleção na região AZF e nem alterações cromossômicas que podem estar associadas a infertilidade masculina. Para essas alterações, a Mendelics realiza o Array (SNP array de alta densidade).

Quer saber mais sobre esses exames? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site. 


Referências

1 World Health Organization. Reproductive health.

2 Krausz, C., Riera-Escamilla, A. Genetics of male infertility. Nat Rev Urol 15, 369–384 (2018). 

3 Cariati, F., D’Argenio, V. & Tomaiuolo, R. The evolving role of genetic tests in reproductive medicine. J Transl Med 17, 267 (2019). 

4 Venkatesh T, Suresh PS, Tsutsumi R. New insights into the genetic basis of infertility. Appl Clin Genet. 2014;7:235-243. Published 2014 Dec 1. 

5 Online Mendelian Inheritance in Man, OMIM®. McKusick-Nathans Institute of Genetic Medicine, Johns Hopkins University (Baltimore, MD), {date}.

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