De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), o câncer infantil é a primeira causa de morte por doença no Brasil entre crianças e adolescentes com até 19 anos de idade.
Em 2025, cerca de 7.930 mil crianças e adolescentes (até 19 anos de idade) serão diagnosticados com algum tipo de câncer. Esses casos, chamados de câncer infantil, já representam a principal causa de morte para essa faixa etária no Brasil e em muitos países desenvolvidos.
Embora o número seja alto, a cura dos pacientes é possível através da detecção precoce e o tratamento em centros especializados de atenção à criança. Em países desenvolvidos, em torno de 80% das crianças e adolescentes conseguem vencer a doença. Mas, em países subdesenvolvidos, onde 80% das crianças e adolescentes vivem, esse percentual pode cair para até 20%.
Quais são os sintomas do câncer infantil?
Como existem diversos tipos de câncer infantil, os sintomas são bastante variados. Entretanto, os sinais de alerta mais comuns incluem: febre alta por mais de sete dias sem causa aparente, palidez, hematomas ou sangramentos, dor nos ossos, caroços ou inchaços, perda de peso inexplicada, sudorese noturna, alterações nos olhos (como estrabismo), inchaço abdominal, dores de cabeça persistentes ou graves e vômitos pela manhã com piora ao longo do dia.
Como os sintomas do câncer infantil são, em muitos casos, parecidos com os de doenças comuns, consultas frequentes ao pediatra são fundamentais para o diagnóstico precoce. Esses profissionais podem identificar os primeiros sinais de câncer e encaminhar a criança para investigação diagnóstica e tratamento especializado.
Este post tem fins informativos e não substitui uma avaliação médica. Sempre consulte um médico pediatra.
Quais as causas do câncer infantil?
Um câncer pode surgir em pessoas de qualquer idade e em qualquer parte do corpo. Sua causa são mutações genéticas que fazem com que células passem a se dividir de maneira descontrolada, formando tumores. Quando esses tumores têm a capacidade de se alastrar para diferentes partes do organismo, são chamados de malignos, ou de câncer.
Infelizmente, muitas vezes não se sabe o que influenciou o surgimento de um câncer infantil. Estudos mostram que poucos casos são influenciados por fatores ambientais ou de estilo de vida, ao contrário do câncer em adultos. Algumas infecções crônicas, como HIV, por malária ou vírus Epstein-Barr são fatores de risco para o câncer infantil, enquanto outras doenças, como hepatite B, estão relacionadas a uma maior probabilidade de câncer quando a criança se tornar adulta. E, em alguns casos, o câncer infantil pode ser hereditário.
Nem todo câncer é hereditário

Embora o câncer seja uma doença genética, nem todos os casos são hereditários. Quando as mutações que levam ao desenvolvimento de um tumor aparecem em células somáticas (todas as células do nosso corpo com exceção dos óvulos e espermatozóides), elas não são passadas para a geração seguinte. Esse tipo de câncer, chamado de esporádico, é causado pelo acúmulo de mutações ao longo da vida, influenciadas pelo envelhecimento e por fatores ambientais, como tabagismo e radiação.
Já quando as mutações estão presentes em células germinativas (óvulos e espermatozóides), elas podem ser passadas de geração em geração. Por isso, nesses casos, o câncer é hereditário. A síndrome de Li-Fraumeni, por exemplo, é causada por mutações hereditárias no gene TP53. Portadores da doença têm cerca de 50% de risco de desenvolver câncer antes dos 30 anos, e 90% têm câncer antes dos 70 anos. E, como a síndrome é autossômica dominante, cada filho(a) tem 50% de chance de receber a mutação que causa a doença também.
Cerca de 40% dos casos de retinoblastoma, câncer ocular mais comum em crianças, também são hereditários, com padrão de herança dominante. O diagnóstico precoce é essencial, pois se não for tratado, o retinoblastoma pode levar a consequências graves, como a cegueira e até mesmo a morte. Mutações associadas ao retinoblastoma podem ser identificadas pelo Teste da Bochechinha, triagem neonatal genética, ou pelo sequenciamento do gene RB1 oferecido pela Mendelics.
Conscientização: a importância do diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce não é essencial apenas no caso do retinoblastoma, mas também na maioria dos casos de câncer infantil. A Childhood Cancer International (CCI) acredita que diagnosticar um câncer infantil rapidamente é uma das chaves para aumentar taxas de sobrevivência à doença. E, para isso, a conscientização de pais, médicos e outros profissionais da saúde é fundamental. Por isso, em 2002 a instituição estabeleceu 15 de fevereiro como o Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil.
| O que é a Childhood Cancer International? A Childhood Cancer International é uma organização não-governamental fundada em 1994 que hoje é a maior instituição de apoio a pacientes de câncer infantil no mundo. A CCI está presente em mais de 90 países, em 5 continentes, incluindo o Brasil. |
O dia tem como objetivo educar o público em geral e profissionais de saúde sobre o câncer infantil e expressar apoio às crianças e adolescentes com câncer e aos seus familiares. Além disso, a data também busca ressaltar a necessidade de tratamentos melhores e mais acessíveis a todas as crianças, independente do lugar onde moram ou de sua classe social.
A “árvore da vida”: um esforço global

Desde 2021 até 2023, a CCI alinhou sua campanha de luta contra o câncer infantil com a Organização Mundial de Saúde (OMS). O objetivo é aumentar as taxas de cura da doença para ao menos 60% no mundo inteiro até 2030.
Para ilustrar a campanha, as organizações escolheram a imagem da “árvore da vida”: as mãos coloridas representam que é possível sobreviver ao câncer infantil e as raízes indicam as ações necessárias para atingir o objetivo. A organização convida outras instituições a criarem a árvore da vida do seu país, simbolizando que o câncer infantil é curável.
A campanha também homenageia os profissionais de saúde, as famílias e, especialmente, as crianças e adolescentes que lutam contra o câncer com grande coragem e resiliência.
Exames genéticos para câncer infantil
O Painel Genético Infanto-Juvenil para Tumores Sólidos da Mendelics é um exame molecular que analisa simultaneamente um amplo conjunto de genes associados ao aumento de risco de câncer hereditário em crianças e adolescentes. Através do sequenciamento e análise de 150 genes, o painel identifica variações genéticas (mutações) que podem estar relacionados a síndromes de predisposição hereditária ao câncer.
Os tumores sólidos representam 60% das neoplasias malignas pediátricas diagnosticadas. Esse grupo é heterogêneo, sendo composto por tumores que afetam vários sistemas. Dentro desse espectro, as síndromes de câncer pediátrico hereditário representam aproximadamente 8-10% de todos os diagnósticos.
Câncer e doenças raras
Doenças raras são aquelas que afetam até 65 a cada 100 mil pessoas, cerca de uma pessoa a cada 2 mil. Alguns tipos de câncer também são considerados raros, pois têm baixa incidência na população. Assim como acontece com as doenças raras, os cânceres raros não são tão raros assim se considerados em conjunto: de acordo com Rare Cancers Europe (RCE), existem mais de 200 tipos de tumores raros, incluindo os pediátricos, e juntos eles representam 24% de todos os casos de câncer na Europa. No Brasil, os tumores pediátricos raros correspondem a cerca de 10% de todos os cânceres infantis.
Os cânceres raros têm como característica comum o fato de se originarem em locais atípicos ou a partir de tipos celulares raros. Exemplos incluem tipos e subtipos de leucemias e linfomas, determinados tumores malignos de pele, neuroendócrinos, urogenitais, da próstata, dos testículos e do sistema nervoso central.
Assim como em cânceres mais comuns, as chances de cura estão diretamente associadas a detecção precoce: quanto antes o tumor for descoberto, maiores os índices de sucesso dos tratamentos. Por isso testes genéticos são tão importantes: detectando mutações associadas ao desenvolvimento do câncer, é possível confirmar um diagnóstico ou saber a predisposição de uma pessoa a desenvolver um câncer, aumentando as chances do diagnóstico precoce se a doença vier a surgir.
|Todo exame genético de diagnóstico só é feito a partir de um pedido médico.
Se precisar solicitar um exame genético para seus pacientes, entre em contato conosco.
Escrito por Ricardo Aguiar
Revisado por Agnes Maciel, em novembro de 2025
Revisão
| O que é o câncer infantil? O câncer infantil é a primeira causa de morte por doenças no Brasil entre crianças e adolescentes com até 19 anos de idade. Ao contrário do câncer em adultos, que geralmente está ligado a fatores de estilo de vida e ambientais, a maioria dos casos de câncer infantil são influenciados por fatores desconhecidos e são causados por alterações genéticas (mutações) que ocorrem cedo na vida. |
| Quais são os sintomas de câncer infantil? Os sinais de alerta mais comuns incluem: febre alta por mais de sete dias sem causa aparente, palidez, hematomas ou sangramentos, dor nos ossos, caroços ou inchaços, perda de peso inexplicada, sudorese noturna, alterações nos olhos (como estrabismo), inchaço abdominal, dores de cabeça persistentes ou graves e vômitos pela manhã com piora ao longo do dia. *Consulte sempre um médico pediatra. |
Referências
- Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temáticas. Protocolo de diagnóstico precoce do câncer pediátrico [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada e Temáticas. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
- Childhood Cancer International.
- Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Estimativa 2020: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Rio de Janeiro: INCA, 2019.
- Blattner-Johnson et al., 2022 PubMed ID: 34116162
- Coury et al. 2018. PubMed ID: 29750288
- FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Diagnóstico tardio de câncer em crianças e adolescentes torna a doença mais difícil de tratar. 2023.













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