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Hipotireoidismo congênito: genética, diagnóstico e tratamento

por | 19 May, 2022 | Doenças e Exames, Notícias

O que é Hipotireoidismo Congênito?

O hipotireoidismo congênito (HC) é uma doença rara caracterizada pela perda parcial ou completa da função da glândula tireoide (hipotireoidismo) desde o nascimento (por isso é chamado de congênito). 

É uma doença grave que acomete 1 em cada 2.500 mil recém-nascidos e, se não tratada, pode levar a sintomas graves. 

A glândula tireoide é um tecido em forma de borboleta (com dois lobos) localizado na parte inferior do pescoço. A tireoide atua na produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), responsáveis pela regulação de todos os sistemas do organismo e essenciais durante toda a vida. 

Na infância, esses hormônios estão envolvidos no crescimento, no desenvolvimento do cérebro e no metabolismo do corpo.

É importante salientar que todo mundo possui tireoide. O que causa uma doença é o seu mau desenvolvimento ou funcionamento.


hipotireodismo

O hipotireoidismo congênito é uma das causas mais comuns de deficiência intelectual e uma das doenças endócrinas mais frequentes na infância, mas que pode ser evitada.

 

Quais os principais sintomas do Hipotireoidismo Congênito?

Os hormônios tireoidianos são fundamentais para a formação do sistema nervoso central desde o desenvolvimento embrionário até os dois anos de idade. Por isso, os principais sintomas da ausência dos hormônios tireoidianos são deficiência intelectual e manifestações neurológicas incluindo ataxia, incoordenação, estrabismo, movimentos coreiformes e perda auditiva.

A maioria das crianças com hipotireoidismo congênito nasce sem manifestações clínicas aparentes e os sintomas, geralmente inespecíficos, podem surgir semanas ou meses após o nascimento. Em consequência disso, somente uma pequena parcela dos recém-nascidos são diagnosticados clinicamente. Por isso, a triagem neonatal da doença é tão fundamental.

 

Hipotireoidismo Congênito: causas e classificações

O hipotireoidismo congênito ocorre quando a glândula tireoide não se desenvolve ou não funciona perfeitamente, podendo ser classificado, dessa forma, em primário, secundário e terciário: 

  • Primário: quando ocorre uma alteração na formação ou na função da glândula tireoide. 

A maioria dos casos (85-90%) é causada pela disgenesia tireoidiana, que pode ser a ausência da glândula (agenesia, 35-40% dos casos), redução do seu tamanho (hipoplasia, 5%) ou a localização anormal (ectopia, 30-45%) da glândula tireoide.

Nos 10-15% restantes dos casos de HC Primário, uma tireoide de tamanho normal ou aumentada está presente, mas há falhas na produção dos hormônios tireoidianos, chamada de disormonogênese.

  • Secundário: quando ocorre deficiência do hormônio estimulador da tireoide (TSH) hipofisário (a hipófise é a glândula localizada no cérebro que, dentre outras funções, atua no controle da tireoide).
  • Terciário: quando ocorre uma deficiência do hormônio liberador da tireotrofina (TRH) no hipotálamo (órgão presente no cérebro que, dentre outras funções, atua no controle da tireoide).

As formas secundária e terciária de HC são também classificadas como Hipotireoidismo Congênito Central, e são muito raras: a incidência é de 1 caso para aproximadamente 100 mil nascidos vivos. 

A maioria dos casos de hipotireoidismo congênito ocorre isoladamente e não há histórico familiar. A doença pode ser causada por uma variedade de fatores, ambientais e genéticos. 

Algumas causas ambientais conhecidas são: ingestão materna insuficiente ou em excesso de iodo durante a gestação, uso materno de medicamentos antitireoidianos, passagem de anticorpos maternos que bloqueiam o receptor de TSH pela placenta e grandes hemangiomas hepáticos.

 

A genética do Hipotireoidismo Congênito

Cerca de 15-20% dos casos de hipotireoidismo congênito têm causa genética conhecida.

Em 2% dos casos de disgenesia tireoidiana, a causa são mutações em genes responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento da glândula tireoide (como NKX2-1, FOXE1, TSHR e PAX8). 

A disormonogênese tireoidiana está associada a alterações em um dos vários genes envolvidos na produção de hormônios da tireoide, incluindo os genes DUOX2DUOX2A, SLC5A5, TG, TPO, NIS, PDS e THOX2. Alterações nesses genes interrompem a produção e ocasionam os baixos níveis dos hormônios tireoidianos. 

O Hipotireoidismo Congênito Central é, geralmente, causado por alterações estruturais, ou de desenvolvimento, do hipotálamo ou da hipófise, e está associado a alterações em diversos genes, como o HESX1, LHX4, TSHB , THRH, IGSF1, TBL1X.

hipotireoidismo congênito

 

Como o Hipotireoidismo Congênito é herdado?

A maioria das formas genéticas do Hipotireoidismo Congênito Primário possui um padrão de herança autossômica recessiva. Nesses casos, para ter a doença, o bebê precisa herdar as duas cópias do gene alterado, uma do pai e outra da mãe. 

Quando a criança herda apenas um gene alterado (do pai ou da mãe), ela é considerada“portadora” (do inglês, “carrier”). Portadores não têm sintomas da doença, porém podem passar o gene alterado para seus filhos. 

Em outros casos, quando a doença é causada, por exemplo, por mutações nos genes PAX8, TSHR e DUOX2, o hipotireoidismo congênito apresenta um padrão de herança autossômica dominante. Isto é, herdar apenas uma cópia do gene alterado é suficiente para causar a doença.

A alteração genética que causa a doença em um padrão “dominante” pode não ter sido herdada, mas ter surgido pela primeira vez na criança (mutação nova). Isso explica os casos de hipotireoidismo congênito causados por alterações genéticas e sem histórico familiar. 

O padrão de herança do hipotireoidismo congênito depende de qual gene está alterado. Portanto, é necessário o diagnóstico genético e aconselhamento com geneticista para entender a chance de ser transmitido e causar a doença em outros membros da família.

 

O Hipotireoidismo Congênito tem cura?

O hipotireoidismo congênito não tem cura, mas tem tratamento.

O tratamento envolve medicamentos para substituir os hormônios da tireoide que estão ausentes (reposição hormonal), como a levotiroxina. O início do tratamento é fundamental para prevenir as consequências do avanço dos sintomas, principalmente sequelas neurológicas. 

 

Como diagnosticar o Hipotireoidismo Congênito?

O hipotireoidismo congênito é considerado uma emergência pediátrica e faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal do SUS, o Teste do Pezinho

Crianças identificadas na triagem neonatal e tratadas precocemente têm desenvolvimento físico e intelectual dentro do esperado para a idade. Caso não seja diagnosticado e tratado precocemente, a partir da 2ª semana de vida a deficiência dos hormônios tireoidianos poderá causar sintomas neurológicos graves no bebê.

O Teste do Pezinho é realizado através da coleta de gotas de sangue do calcanhar do bebê e o momento ideal para a coleta é entre 48h e 72h de vida.  

No Brasil, o teste de triagem neonatal de hipotireoidismo congênito analisa a concentração do hormônio TSH no sangue dos bebês. Contudo, o teste não é considerado um exame diagnóstico e bebês com o Teste do Pezinho alterado são convocados para uma consulta médica, com repetição do teste e avaliação clínica para a confirmação do diagnóstico.

Para a confirmação do diagnóstico é necessário realizar a dosagem do hormônio T4 (total e livre) e do TSH em amostra de sangue. 

Cerca de 5%-10% dos casos de HC não são diagnosticados no período neonatal devido à elevação tardia do TSH. Por isso, caso o bebê apresente sintomas sugestivos de HC, recomenda-se realizar a dosagem hormonal, mesmo que tenha apresentado resultados normais no Teste do Pezinho.

 

Diagnóstico genético do Hipotireoidismo Congênito

A Mendelics oferece exames para confirmação do diagnóstico de hipotireoidismo congênito, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Painel das Endocrinopatias Neonatais que analisam os principais genes associados à doença, incluindo o NKX2-1, FOXE1, TSHR e PAX8

O hipotireoidismo congênito também é uma das mais de 340 doenças analisadas no Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal genética desenvolvido pela Mendelics, que pode ser feito logo no primeiro dia de vida do bebê, permitindo que, caso haja uma alteração genética, a criança inicie o tratamento o mais cedo possível.

Converse com o seu médico e entre em contato com nossa equipe para mais informações.

 


Referências

 

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