A Infertilidade Masculina Pode Ter Causa Genética?

A Infertilidade Masculina Pode Ter Causa Genética?

A INFERTILIDADE MASCULINA 

A infertilidade é considerada um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS).  Definida como uma “doença do sistema reprodutor”, estima-se que uma em cada seis pessoas no mundo sofrem desse problema durante sua vida reprodutiva (1).

A infertilidade masculina, responsável por 50% de todos os casos de infertilidade, é uma doença com causas diversas, que vão desde a ausência total de espermatozoides nos testículos (chamada azoospermia) até diferentes alterações na qualidade do esperma (1,2).

 

CAUSAS GENÉTICAS DA INFERTILIDADE MASCULINA

O primeiro passo para o início do tratamento da infertilidade é identificar a sua causa, que pode ter origem genética ou não genética.

As causas genéticas conhecidas correspondem a 10-15% dos casos de infertilidade masculina. Fatores genéticos são encontrados em todas as categorias de causas da infertilidade masculina (pré-testicular, testicular e pós-testicular) (3).  

A maior frequência dos fatores genéticos associados a infertilidade masculina (25%) está relacionada a azoospermia (2,3). Contudo, o número de alterações genéticas associadas a alterações no sêmen e a outras etiologias da infertilidade masculina está em constante crescimento (2,3, 4). 

Mais de 200 doenças genéticas relacionadas à infertilidade masculina estão descritas no OMIM (Online Mendelian Inheritance in Man), variando desde características clínicas de infertilidade comuns, até as síndromes complexas mais raras nas quais os sinais e sintomas estão além dos problemas reprodutivos (4, 5). 

 

As principais causas genéticas conhecidas de infertilidade masculina são: 

  • Alterações em genes que causam doenças Mendelianas (Exemplo: gene CFTR).
  • Anomalias cromossômicas numéricas ou estruturais (Exemplos: Translocação aparentemente equilibrada e Síndrome de Klinefelter).
  • Microdeleções que incluem um ou mais genes (Exemplo: deleções das regiões do Fator para Azoospermia- AZFa, AZFb e AZFc do cromossomo Y).

 

TESTES GENÉTICOS 

Os testes genéticos são importantes ferramentas para compreender a causa de infertilidade masculina e esse tipo de teste cada vez mais vem sendo utilizado na Medicina Reprodutiva

O resultado do teste genético também abre o caminho para uma assistência reprodutiva personalizada e aconselhamento genético.

 

Cariótipo

Esse exame é capaz de identificar importantes causas de infertilidade masculina: alterações cromossômicas numéricas (aneuploidias) ou estruturais,  grandes deleções que incluem a região AZF do cromossomo Y e rearranjos equilibrados (translocações equilibradas, inversões e translocações Robertsonianas).

 

Microdeleção da região AZF

É importante ressaltar que microdeleções que abrangem as regiões AZF do cromossomo Y podem não ser detectadas no cariótipo, e por isso, um exame que utiliza PCR (reação em cadeia da polimerase) que investiga essa alteração genética pode ser solicitado pelo médico para complementar a análise do cariótipo.  

 

Painel de Sequenciamento de Nova Geração 

Alterações na sequência de um gene, como as alterações no CFTR que causam agenesia de ductos deferentes e infertilidade, as alterações no DPY19L2 associadas a globozoospermia e as alterações no AURKC que causam macrocefalia do espermatozoide, só podem ser identificadas em exames de sequenciamento.  

Por isso, exames que utilizam a tecnologia de Sequenciamento de Nova Geração (Next-Generation Sequencing, NGS) e que sequenciam simultaneamente vários genes, têm se tornado excelentes opções para pacientes com cariótipo e análise da região AZF negativos ou com histórico familiar de doença genética associada a fertilidade como, por exemplo, a fibrose cística

 

PAINEL DE INFERTILIDADE MASCULINA

Para auxiliar os médicos e casais em busca do diagnóstico da infertilidade masculina, a Mendelics desenvolveu o Painel de Infertilidade Masculina

Utilizando a tecnologia de NGS, o Painel de Infertilidade Masculina analisa os principais genes associados a falha na espermatogênese. Além disso, exame também sequencia o gene CFTR, que está associado a agenesia de ductos deferentes (vas deferens).

 

Como é exame é feito? 

Técnica:

O painel é feito pela técnica de NGS.

Genes Analisados:

AK7, ARMC2, AURKC, CATSPER1, CATSPER2, CDC14A, CEP19, CFAP43, CFAP44, CFAP69, CFTR, DNAH1, DNAH6, DPY19L2, FANCM, FSIP2, KLHL10, MEIOB, NANOS1, NR5A1, PMFBP1, QRICH2, SLC26A8, SOHLH1, SOX8, SPATA16, SPINK2, SUN5, SYCP3, TDRD9, TEX11, TEX14, TEX15, TSGA10, USP9Y, WDR66, XRCC2.

Coleta:

O exame pode ser coletado em sangue (tubo EDTA) ou mucosa bucal com o auxílio de um swab estéril.  A coleta com esse dispositivo é indolor, rápida e não invasiva e pode ser realizada pelo próprio paciente ou coletada no consultório médico. 

Importante: o Painel não avalia deleção na região AZF e nem alterações cromossômicas que podem estar associadas a infertilidade masculina. Para essas alterações, a Mendelics realiza os exames de Cariótipo de banda G e o Array (SNP array de alta densidade).

Quer saber mais sobre esses exames? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site. 

 


Referências

1 World Health Organization. Reproductive health.

2 Krausz, C., Riera-Escamilla, A. Genetics of male infertility. Nat Rev Urol 15, 369–384 (2018). 

3 Cariati, F., D’Argenio, V. & Tomaiuolo, R. The evolving role of genetic tests in reproductive medicine. J Transl Med 17, 267 (2019). 

4 Venkatesh T, Suresh PS, Tsutsumi R. New insights into the genetic basis of infertility. Appl Clin Genet. 2014;7:235-243. Published 2014 Dec 1. 

5 Online Mendelian Inheritance in Man, OMIM®. McKusick-Nathans Institute of Genetic Medicine, Johns Hopkins University (Baltimore, MD), {date}.

Você conhece a Deficiência de Biotinidase?

Você conhece a Deficiência de Biotinidase?

O QUE É A DEFICIÊNCIA DE BIOTINIDASE?

 

A deficiência de biotinidase (DB) é uma doença genética causada pela falta da enzima responsável pelo metabolismo da biotina. Por isso, a doença faz parte do grupo de erros inatos do metabolismo. Se não tratada, a DB pode se manifestar nos primeiros meses de vida (entre o segundo e quinto mês), mais tarde na infância ou até mesmo na adolescência.

A doença é rara, com frequência estimada de 1 a cada 60.000 nascimentos.

Existem duas formas da doença, classificadas de acordo com a atividade residual da enzima. 

A deficiência profunda de biotinidase ocorre quando a atividade da biotinidase é reduzida para menos de 10% do normal.

A deficiência parcial de biotinidase ocorre quando a atividade da biotinidase é reduzida para entre 10% e 30% do normal. 

A forma mais grave é a ‘deficiência profunda de biotinidase’, que pode causar convulsões, atraso no desenvolvimento, tônus ​​muscular fraco (hipotonia), problemas respiratórios (hiperventilação e apnéia), perda de audição e visão, problemas de movimento e equilíbrio (ataxia), erupções cutâneas, alopecia (perda de cabelo) e uma infecção fúngica chamada candidíase. 

A forma mais branda é a ‘deficiência parcial de biotinidase’; sem tratamento, as crianças afetadas podem apresentar hipotonia, erupções cutâneas e alopecia. Os sintomas podem aparecer apenas durante período de estresse, como por exemplo quando ocorrem infecções graves ou diante de períodos de jejum. 

Quer saber mais sobre a DB e a importância dos exames genéticos para o diagnóstico e tratamento da doença? Leia mais abaixo.

 

QUAL É A CAUSA DA DEFICIÊNCIA DE BIOTINIDASE?

A deficiência de biotinidase é causada por alterações no gene BTD. Esse gene fornece instruções para produzir uma enzima chamada biotinidase. Essa enzima recicla a biotina, uma vitamina do complexo B encontrada em alimentos como fígado, gemas de ovos e leite.  

Essa vitamina é essencial para o organismo, e está envolvida em importantes processos metabólicos como a gliconeogênese, a síntese de ácidos graxos e o catabolismo de vários aminoácidos. A biotinidase remove a biotina que está ligada às proteínas nos alimentos, deixando a vitamina em seu estado livre (não ligado). 

Alterações no gene BTD reduzem ou eliminam a atividade da biotinidase. 

O resultado é a falta da biotina livre, que prejudica a atividade das enzimas carboxilases dependentes de biotina, levando a um acúmulo de compostos tóxicos ao organismo.  Se essa condição não for tratada imediatamente, esse acúmulo de compostos tóxicos, causa os sintomas típicos da DB. 

Já foram identificadas mais de 200 alterações no BTD que causam a doença. 

 

COMO A DEFICIÊNCIA DE BIOTINIDASE É HERDADA?

 

A DB é herdada de maneira autossômica recessiva. Isso significa que, para ter DB uma pessoa deve ter uma alteração em ambas as cópias do gene BTD em cada célula. 

Pessoas com DB herdam uma cópia alterada do gene do pai e da mãe. Os pais só possuem uma cópia do gene alterado e são chamados de portadores (Figura 1).

Portadores de uma doença autossômica recessiva, como a  DB, normalmente não apresentam sinais ou sintomas, mas precisam ser identificados para conhecerem os riscos de terem filhos com DB.

herança autossomica recessiva

Figura 1: Ilustração do padrão de herança autossômico recessivo.

 

COMO É FEITO O TRATAMENTO DA DOENÇA?

O tratamento da doença, que deve sempre ter orientação médica, consiste na suplementação oral de biotina livre

O tratamento precoce, com início antes dos sintomas, assegura ao bebê uma vida normal.  Caso a pessoa já tenha sintomas da doença, o tratamento pode melhorá-los.

Porém, algumas manifestações da doença são irreversíveis, como atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, e problemas visuais e auditivos. Por isso é recomendado que a doença seja identificada ainda no período neonatal. 

 

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA DOENÇA?

A DB é faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal do SUS, o Teste do Pezinho. Bebês com testes de triagem alterados, identificados no Teste do Pezinho, precisam ser submetidos a um exame confirmatório: o teste quantitativo da atividade de biotinidase ou o teste genético do BTD.

O teste quantitativo da atividade da biotinidase mede atividade enzimática no soro do bebê, porém, atraso na entrega da amostra, armazenamento inadequado da amostra e outros problemas técnicos podem ocasionar degradação da enzima e, consequentemente, resultados falso-negativos ou falsos-positivos. 

O teste genético analisa o DNA do paciente para identificar alterações no gene BTD que podem causar redução na atividade da enzima.  Esse é o teste mais preciso para identificar a doença, tanto em bebês assintomáticos quanto em pacientes de qualquer idade que tenham algum sintoma da doença.  

Além disso, o teste genético auxilia o aconselhamento genético da família, planejamento de futuros filhos dos pais e da criança. 

 

Diagnóstico genético e a Mendelics

Quando a criança (ou pessoa de qualquer idade) tem algum sintoma de DB ou o recém-nascido teve o resultado do Teste do Pezinho positivo para DB, recomenda-se realizar um exame genético de diagnóstico para confirmar a suspeita.

Para o diagnóstico de deficiência de biotinidase a Mendelics oferece vários exames que analisam o gene BTD, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis

É importante ressaltar que exames de diagnóstico só podem ser realizando mediante solicitação e acompanhamento médico. Por isso converse com o seu médico!

A DB também é uma das mais 310 doenças do Teste da Bochechinha, o mais completo teste de triagem neonatal realizado no Brasil.  Bebês com alto risco de desenvolver DB, identificadas no Teste da Bochechinha, podem iniciar precocemente o acompanhamento médico e tratamento da DB.

Quer saber mais sobre o Deficiência de biotinidase e o Teste da Bochechinha? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

 

Câncer – causas e a importância dos exames genéticos

Câncer – causas e a importância dos exames genéticos

O Câncer no Brasil

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2020 no Brasil serão identificados 626.000 novos casos de câncer, em homens e mulheres. A previsão é que ocorram aproximadamente 224.000 óbitos em decorrência da doença (1).

Embora o câncer ainda seja a segunda causa de morte no mundo, o combate a doença ganhou um novo aliado: os exames genéticos.

Com a popularização do Sequenciamento de Nova Geração (NGS) e de outras técnicas moleculares (Exemplo: MLPA), tem aumentado a cada ano o número de pacientes que têm se beneficiado com a realização de exames genéticos. 

Nos tópicos a seguir, leia mais sobre quais são as principais causas do câncer e como a Genética contribui para o diagnóstico precoce e tratamento da doença.

 

Qual a causa do câncer?

Câncer é um grupo de mais de 100 doenças causadas por alterações em genes que atuam na divisão e crescimento celular.

As alterações fazem com esses genes não executem suas funções corretamente e isso faz com que as células escapem aos controles normais de crescimento e se dividam incontrolavelmente (2) (Figura 1)

 

causa genetica do cancer tecido tumoral

Figura 1: Ilustração sobre a divisão desordenada das células tumorais afetando um órgão.

 

As alterações genéticas podem ser herdadas dos pais, mas a maioria delas ocorrem após o nascimento, sendo conhecidas como alterações somáticas (ou adquiridas). 

Dependendo da origem da alteração genética, o câncer pode ser esporádico ou hereditário.

 

Qual a diferença entre o câncer esporádico e hereditário?

A maioria dos tumores são causados por várias alterações somáticas que se acumulam durante a vida. Esse tipo de câncer é chamado de esporádico

As alterações somáticas podem ocorrer devido a vários fatores internos do organismo (exemplo: erros de divisão da própria célula) ou fatores externos (exemplos: tabagismo, infecções e radiação solar).  

Em alguns tipos de câncer esporádico, alterações genéticas herdados também podem contribuir para o desenvolvimento da doença, mas essa contribuição é pequena quando comparado a alterações somáticas. 

Aproximadamente 5 a 10% dos cânceres são causados por uma alteração genética herdada. No câncer hereditário, como esse tipo de tumor é conhecido, a alteração que causa a doença está presente em todas as células do corpo do paciente, incluindo óvulos e espermatozoides, e pode ser transmitidos aos filhos.  

É importante ressaltar que uma alteração em gene que causa câncer hereditário aumenta o risco do paciente ter câncer, mas não significa com certeza absoluta que o paciente terá a doença ao longo da vida.

 

Como exames genéticos contribuem para o tratamento de câncer?

Com base nos resultados de exames genéticos, oncologistas e geneticistas podem elaborar um plano de tratamento personalizado para seus pacientes. Mas a definição do exame genético adequado depende da origem do tumor do paciente: hereditária ou esporádica. 

– Câncer esporádico

Os exames genéticos para câncer esporádico analisam uma amostra do tumor para identificar as alterações somáticas presentes nele. O resultado do exame é importante para compreender o prognóstico do paciente e para a escolha de terapias específicas direcionadas ao perfil genético do tumor.

Hoje os principais exames genéticos para tratamento de câncer esporádico são de Paineis de NGS.

– Câncer hereditário

Os principais exames genéticos para câncer hereditário são os exames de NGS, os conhecidos Paineis de NGS, e os exames de MLPA. Eles servem para diagnóstico (confirmar se a causa do câncer é hereditária) e para definir tratamentos.  

No câncer hereditário a alteração que causa a doença está presente em todas as células do corpo do paciente, por isso, exames para detecção desse tipo de câncer são realizados no sangue, mucosa bucal, saliva ou qualquer outro tipo de amostra do paciente.

 

O “efeito Jolie” 

Em 2013, a atriz Angelina Jolie veio a público em um artigo na revista Times para comunicar que tinha sido submetido a uma dupla mastectomia como medida redutora de risco, após ela ter descoberto que era portadora de uma alteração no gene BRCA1 que aumenta o risco de câncer (3).  

Os genes BRCA1 e BRCA2 causam a Síndrome de câncer de mama e ovário hereditário, a causa mais frequente de câncer hereditário (4). 

Em 2015 atriz foi submetida a outro procedimento preventivo: cirurgia de remoção dos ovários e das trompas de Falópio (Salpingo-ooforectomia bilateral).

A atriz realizou o exame genético, pois tinha um histórico familiar: mãe, avó e tias maternas que tinham falecido de câncer de mama ou ovário.  

Pessoas com alterações patogênicas nos genes BRCA1 e BRCA2 têm risco de 46% a 87% de desenvolver câncer de mama até os 70 anos de vida. Esse risco varia de  16.5% a 63% para câncer de ovário. 

Na época, a exposição do caso contribuiu a popularização dos exames genéticos para câncer, um evento que ficou conhecido como “efeito Jolie”. (5)

A Mendelics oferece vários exames genéticos para câncer hereditário. Para saber mais entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site

Dúvidas? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo.  

Importante: Esse post tem caráter educativo. Recomendamos fortemente que o paciente seja acompanhado por um médico que orientará qual a melhor maneira de se proceder. Converse com seu médico.


Referências

(1) Instituto Nacional de Câncer – Inca. Disponível em  https://www.inca.gov.br/numeros-de-cancer

(2) https://www.cancer.gov/about-cancer/understanding/what-is-cancer

(3) https://www.nytimes.com/2013/05/14/opinion/my-medical-choice.html

(4) Petrucelli N et al. BRCA1- and BRCA2-Associated Hereditary Breast and Ovarian Cancer. Set/1998. GeneReviews® [Internet] (Ultima atualização Dez/2016). 

(5) https://breast-cancer-research.biomedcentral.com/articles/10.1186/s13058-015-0650-8

 

Você conhece a Fibrose Cística?

Você conhece a Fibrose Cística?

CONHEÇA A FIBROSE CÍSTICA

A fibrose cística (FC)  é uma doença genética que afeta múltiplos órgãos, principalmente pulmões e pâncreasMais de 70.000 pessoas no mundo tem fibrose cística. A maioria delas são diagnosticadas na infância.

Embora a FC seja crônica e grave, os avanços no tratamento tem permitido uma grande melhora na expectativa e qualidade de vida dos pacientes. Exames genéticos têm sido fundamentais para o diagnóstico precoce e tratamento da doença.

Quer saber mais sobre a fibrose cística e a importância dos exames genéticos para o diagnóstico e tratamento da doença? Leia mais abaixo.

 

QUAL A CAUSA DA FIBROSE CÍSTICA?

A fibrose cística é uma doença genética causada por alterações nas duas cópias do gene CFTR, que fornece as instruções para produzir a proteína CFTR. 

Somente pessoas que herdaram o gene alterado da mãe e do pai desenvolvem a doença.  A FC é, portanto, uma doença genética com padrão de herança autossômico recessivo.

Quando a criança herda apenas um gene alterado (do pai ou da mãe), considera-se que a ela é “portadora” (do inglês, “carrier”). Portadores não têm sintomas da doença, porém podem transmitir o gene alterado para seus filhos. 

Muitas pessoas não sabem que são portadoras de alteração no gene CFTR e só descobrem quando tem um filho com a doença. 

Já foram identificados mais 1000 alterações no gene CFTR que causam FC. Algumas delas, como a “F508del”, são encontradas em milhares de pessoas, porém outras são extremamente raras e identificadas em poucas pessoas no mundo.

Em pessoas saudáveis, a proteína CFTR atua como um canal que controla o fluxo de cloreto (um componente do sal) e água nas células do pulmão, pâncreas e de outros tecidos. 

Em pessoas com FC, o gene produz uma proteína CFTR que não é capaz de exercer a sua função corretamente. O resultado é um desequilíbrio de sal e fluidos dentro e fora das células, originando um muco espesso e pegajoso que causa os sintomas da doença.

 

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA FIBROSE CÍSTICA?

Nos pulmões, o aumento na viscosidade e muco bloqueiam as vias aéreas causando tosse persistente, infecções pulmonares recorrentes (pneumonia e bronquite), chiados no peito ou falta de fôlego, lesões pulmonares e insuficiência respiratória

No pâncreas o muco pode atrapalhar a liberação de enzimas essenciais para a digestão, causando diarreia, dificuldade de ganhar peso e baixa estatura.  

A quantidade anormal de sal nas secreções corporais, especialmente no pulmão e no pâncreas, leva a perda de sal pelo suor, sintoma característico da doença.

 

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA FIBROSE CÍSTICA?

A FC é uma doença que se manifesta ainda na infância e que precisa ser tratada o mais cedo possível, por isso, é uma das doenças incluídas no Teste do Pezinho do SUS. 

A triagem da FC é baseada em um teste bioquímico chamado tripsina imunorreativa (IRT). Quando positivo, o resultado do Teste do Pezinho deve ser confirmado  pelo “Teste do Suor” ou pelo “Teste Genético do gene CFTR”.

O teste genético analisa o DNA do paciente para buscar alterações no gene CFTR.  Esse é o teste mais preciso e confiável para identificar a doença, tanto em bebês assintomáticos quanto em pacientes de qualquer idade que tenham algum sintoma da doença.  

A realização do teste genético também é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

Como será discutido no tópico a seguir,  o resultado do teste genético é fundamental para o uso dos “moduladores”, uma nova classe de medicações que está revolucionando o tratamento da doença.

 

COMO É FEITO O TRATAMENTO DA FIBROSE CÍSTICA?

Os avanços no tratamento da doença tem garantido uma grande melhora na expectativa e qualidade de vida dos pacientes.  Nos Estados Unidos, por exemplo, a expectativa de vida de 2003 a 2018 aumentou de 32.8 para  44.4 anos. 

O tratamento da FC inclui acompanhamento médico regular, reposição de enzimas pancreáticas, dieta específica, suplementação vitamínica,  uso de broncodilatadores, antibióticos, anti-inflamatórios e fisioterapia respiratória. 

Nos últimos anos foram desenvolvidos medicamentos “moduladores” (do inglês, “modulators”) que “corrigem” versões defeituosas da proteína CFTR. 

Ao tratar diretamente a causa da doença, em vez de apenas controlar os sintomas, os “moduladores” permitem que a pessoa com FC viva por mais tempo e com mais qualidade de vida. 

Uma vez que alterações genéticas causam diferentes defeitos na proteína CFTR, pessoas portadoras precisam saber quais alterações no CFTR possuem, e assim entender qual a terapia “moduladora” seria mais eficaz. 

O resultado do exame genético é então fundamental para o tratamento com “moduladores” de CFTR

 

Diagnóstico genético e a Mendelics

A missão da Mendelics é oferecer exames genéticos complexos a preços acessíveis, democratizar o acesso ao diagnóstico genético e divulgar a importância dos exames genéticos entre os médicos, operadoras de saúde e pacientes.

Quando a criança (ou pessoa de qualquer idade) tem algum sintoma de FC ou o recém-nascido teve o resultado do Teste do Pezinho positivo para FC, recomenda-se realizar um exame genético de diagnóstico para confirmar a suspeita. 

A Mendelics oferece exames para o diagnóstico de FC, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Exame de Sequenciamento do Gene CFTR. Converse com seu médico!

Quer saber mais sobre a Fibrose Cística e os exames de diagnóstico da Mendelics?

Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

Você conhece o Retinoblastoma?

Você conhece o Retinoblastoma?

O  que é o Retinoblastoma?

O retinoblastoma é um tumor ocular que se desenvolve na retina, geralmente na infância, antes dos cinco anos de idade. O tumor pode afetar apenas um olho (retinoblastoma unilateral) ou ambos (retinoblastoma bilateral).

O retinoblastoma é uma doença genética causada por mutações no gene RB1.

O retinoblastoma tem alta taxa de cura, principalmente quando é diagnosticado precocemente. O tratamento envolve terapias oftalmológicas e se, necessário, quimioterapia para eliminar o tumor

Quer saber mais sobre a doença e sobre a importância do diagnóstico precoce? Continue lendo nosso post.

 

Qual é a causa do Retinoblastoma?

A maioria dos casos da doença (60%) são causadas por mutações somáticas no RB1, isto é, a célula da retina sofre  mutação no gene e passa a se multiplicar descontroladamente. Essa forma da doença geralmente está associada a tumor unilateral.

As mutações somáticas não são herdadas, e por estarem presentes apenas na retina, não podem ser transmitidas para os filhos. 

O restante dos casos da doença (40%) são causadas por mutações germinativas no gene RB1, que estão presentes em todas as células do corpo da pessoa. As mutações germinativas geralmente causam tumor bilateral e há também maior risco de desenvolver outros tipos de tumores não-oculares. 

A maioria das mutações germinativas são herdadas de um dos pais, mas também é possível que seja uma mutação nova que surgiu, por exemplo, nos gametas dos pais. 

Filhos de pessoas que tenham retinoblastoma germinativo tem risco de 50% de herdar a mutação no gene RB1 que causa a doença, pois o retinoblastoma é uma doença com padrão de herança dominante

 

Como é realizado o diagnóstico da doença?

O diagnóstico de retinoblastoma é feito, na maioria dos casos, no exame de fundo de olho realizado em consulta ao oftalmologista.  Exames por imagem como, por exemplo, ultrassonografia do globo ocular, tomografia e ressonância magnética das órbitas oculares,  também podem auxiliar o diagnóstico e o monitoramento da doença. 

Os avanços na área da Genética também tem contribuindo imensamente para o diagnóstico preciso e precoce de milhares de doenças; o retinoblastoma é uma delas. 

O retinoblastoma causado por mutações germinativas no RB1 podem ser diagnosticadas através de exames genéticos. A realização desse tipo de teste é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

Como as mutações germinativas estão presentes em todas as células dos afetados, testes genéticos realizados a partir de amostras de mucosa bucal, sangue ou saliva são capazes de detectar as mutações no gene RB1, não sendo necessário fazer biópsia do tecido tumoral. 

Para o diagnóstico de retinoblastoma, por exemplo, Mendelics oferece vários exames que analisam o gene RB1, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Exame de Sequenciamento do gene RB1.

Converse com o seu médico. Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

Lohmann DR, Gallie BL. Retinoblastoma. 2000 Jul 18 [Updated 2018 Nov 21]. In: Adam MP, Ardinger HH, Pagon RA, et al., editors. GeneReviews® [Internet]. Seattle (WA): University of Washington, Seattle; 1993-2020. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1452/