Você conhece a Cistinose Nefropática?

Você conhece a Cistinose Nefropática?

Conheça a cistinose nefropática

 

A cistinose nefropática é uma doença genética rara caracterizada pelo acúmulo de cristais de cistina em todo o organismo, principalmente nos rins e nos olhos.

A cistinose afeta aproximadamente um a dois indivíduos a cada 100.000 nascidos vivos.

Existem três formas diferentes de cistinose, baseadas na gravidade e na idade do início dos sintomas:

– Cistinose Nefropática Infantil: forma mais comum e grave. Os sintomas surgem ainda nos primeiros meses de vida.

  • Síndrome de Fanconi renal
  • Deficiência de crescimento
  • Insuficiência glomerular renal 
  • Outros sintomas não renais, como: lesão na córnea, fotofobia, entre outros.

– Cistinose Nefropática Juvenil: início tardio dos sintomas e progressão mais lenta.

  • Mesmos sinais e sintomas da cistinose nefropática infantil, mas ocorrem mais tarde, geralmente na adolescência. 

– Cistinose Não Nefropática (ou Adulta): Sintomas oculares, como fotofobia. Geralmente não desenvolvem disfunção renal ou a maioria dos outros sinais e sintomas de cistinose nefropática infantil. 

 

Conheça a história do Benício e como o Teste da Bochechinha foi fundamental para seu diagnóstico

Nesse episódio do programa #AMARemcasa, Mariana Kupfer entrevista Maria de Lourdes e Bruno, pais dos gêmeos Bruno e Benício.

Bruno e Maria contam suas angústias ao observarem diferenças no comportamento e no desenvolvimento do Benício, em comparação com seu irmão gêmeo, sem obterem qualquer explicação ou diagnóstico para o que estava acontecendo.

Eles investiram muito tempo buscando entender os sintomas de Benício, que passou por vários especialistas e realizou diferentes exames até que ouviram falar do Teste da Bochechinha.

Benício possui cistinose nefropática e a síndrome de Fanconi, e nessa entrevista, seus pais contam como o Teste foi decisivo e essencial para seu diagnóstico.

 

 

Qual a causa da cistinose nefropática?

A cistinose nefropática é causada por mutações no gene CTNS, responsável por produzir a cistinosina, uma proteína de transporte que leva o aminoácido cistina para fora dos lisossomos (compartimento celular responsável por digerir e reciclar moléculas). 

Em pacientes com cistinose nefropática, a cistinosina está reduzida ou ausente, por isso, a cistina se acumula e cristaliza nos lisossomos levando à destruição das células. 

Como os lisossomos estão presentes em todos os tipos de célula, o acúmulo de cistina ocorre em todo o organismo, tornando a cistinose uma doença sistêmica. Os principais sintomas da doença ocorrem nos rins e nos olhos, porém, com o tempo (e sem tratamento), os sintomas podem ser vistos em praticamente todos os órgãos. 

Mais de 100 mutações no CTNS já foram associadas à cistinose nefropática, incluindo deleções (alterações mais frequentes) e substituições de nucleotídeos.

 

Como a cistinose nefropática é herdada?

A cistinose nefropática possui padrão de herança autossômico recessivo, isso quer dizer que o bebê nasce com a doença quando herda duas cópias alteradas do gene CTNS, uma do pai e outra da mãe (mutação em homozigose).

Quando apenas uma cópia do gene alterado é herdada, a pessoa é chamada de “portadora”. Ela não vai ter a doença, mas pode transmitir a alteração para os filhos.

Além disso, os pais de uma criança com cistinose nefropática tem 25% de chances de ter outro filho com a doença. Por isso a importância do aconselhamento genético para famílias com histórico da doença.

 

Como é feito o diagnóstico da doença?

A suspeita de cistinose nefropática é feita com base no exame clínico, e nos sintomas do paciente.

Podem ser realizados exames para detectar níveis anormais de cistina no sangue e para detectar cristais de cistina no olho. 

A confirmação do diagnóstico da doença é feita pelo exame genético capaz de detectar alterações (em homozigose) no gene CTNS. Nesse caso, os Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para doenças renais e doenças genéticas de início precoce são indicados.

A realização do teste genético também é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

A cistinose nefropática é uma das mais de 320 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal genética. Com esse teste, que pode ser realizado assim que a criança nasce, a doença pode ser identificada antes do início dos sintomas. 

A doença não é avaliada no Teste do Pezinho básico do SUS e na maioria dos testes de triagem neonatal ampliados na rede particular.

 

Como é feito o tratamento da cistinose nefropática?

A cistinose não tem cura. O tratamento é realizado por uma equipe multidisciplinar e baseado nos sinais e sintomas de cada paciente.

Atualmente, a principal terapia é a depleção da cistina com cisteamina, que comprovadamente diminui a progressão da insuficiência renal e previne ou diminui os sintomas extra-renais. 

Em alguns casos, pode ser indicado o transplante de rins, para controle dos sintomas devido à insuficiência renal.

 

Diagnóstico genético e a Mendelics

A Mendelics oferece exames para o diagnóstico de cistinose nefropática, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Painel de Distúrbios da Função Renal. Converse com um médico de sua confiança e, se houver a necessidade de um exame diagnóstico genético, entre em contato conosco!

Quer saber mais sobre a cistinose nefropática e exames de diagnóstico genético? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

Doenças Raras – Entenda quais são e a importância do diagnóstico

Doenças Raras – Entenda quais são e a importância do diagnóstico

Fevereiro – Mês do Dia Mundial e Nacional das Doenças Raras

 

Fevereiro é o mês em que se comemora o dia mundial e nacional das doenças raras: o dia 29, o mais raro do calendário, que só ocorre a cada quatro anos. 

A data foi criada em 2008 pela Organização Europeia de Doenças Raras (Eurordis) para promover a conscientização dessas doenças pela população geral e governantes e também buscar apoio aos pacientes e suas famílias, que necessitam de cuidados especiais, diagnóstico rápido e acessível e tratamento personalizado. 

 

O que são doenças raras?

No Brasil, são consideradas doenças raras aquelas que afetam até 65 a cada 100.000 pessoas. Estima-se que aproximadamente 13 milhões de pessoas tenham alguma doença rara no país. 

São mais de 7.000 diferentes tipos de doenças raras e cada uma delas possui sinais e sintomas bem específicos, podendo se manifestar desde o nascimento (ou mesmo antes de nascer) até na vida adulta. 

 

O que causa as doenças raras?

Existem diferentes causas para as doenças raras. De acordo com a OMS, 80% das doenças raras são de origem genética e ocorrem por alterações em genes ou cromossomos. 

Em alguns casos, as alterações genéticas são passadas de uma geração para a outra (mutações herdadas).  Em outros casos, elas ocorrem aleatoriamente em uma pessoa que é a primeira na família a ser diagnosticada (mutação nova ou ‘de novo’).

Alguns exemplos de doenças raras de causa genética:

 

Doenças raras também podem ter origem infecciosa, ambiental ou ter a causa ainda desconhecida

 

Desafios para as doenças raras 

Existem diversos tipos de doenças raras, cada uma com apresentações clínicas específicas e que podem variar até mesmo entre pacientes com a mesma doença. Essa grande variabilidade de sinais e sintomas é um desafio para o diagnóstico.

É comum que pacientes e seus pais percorram um longo caminho em busca do diagnóstico correto, uma jornada que pode se estender por anos e que envolve consultas a médicos de diferentes especialidades e realização de vários exames. 

Milhões de crianças no mundo sofrem com consequências graves que poderiam ter sido evitadas se a doença fosse diagnosticada e tratada precocemente. Geralmente, os pais descobrem que seu filho tem uma doença rara tarde demais, muitas vezes quando as consequências já são irreversíveis.

 

Diagnóstico precoce é qualidade de vida

A maioria (75%) das doenças raras de origem genética se manifestam ainda na infância. Um terço dessas crianças não atingem os cinco anos de idade.

Diante desse cenário, o diagnóstico precoce é essencial para permitir que o tratamento mais adequado se inicie o mais rápido possível garantindo mais qualidade de vida e melhor desenvolvimento físico e mental.

Em alguns casos e doenças, o tratamento pode se iniciar antes mesmo que os sintomas apareçam, fazendo com que a criança tenha um desenvolvimento normal, sem sintomas, ou com sintomas mais leves e sob controle.

Um exemplo conhecido é o caso do Théo, filho da Jornalista Larissa Carvalho, que nasceu com uma doença rara chamada Acidúria Glutárica tipo I que não tem cura, mas que pode ser controlada com dieta restrita de proteínas. 

Pela falta de conhecimento sobre testes de triagem mais abrangentes (e a raridade de sua doença), Théo só foi diagnosticado tardiamente, com sintomas graves e irreparáveis. 

Esse caso reforça o diagnóstico precoce como um fator importante a ser discutido quando se fala em doenças raras. E dentro desse contexto, a conscientização da importância da triagem neonatal é fundamental.

 

Triar para tratar

 

O que é triagem neonatal? 

A triagem neonatal é uma ação preventiva que visa identificar doenças graves com manifestação ainda na infância e que possuem tratamento eficaz disponível. 

No Brasil, todos os recém-nascidos devem fazer um exame chamado de Teste do Pezinho, um teste de triagem neonatal oferecido pelo SUS que identifica seis doenças tratáveis mais comuns na população. 

Contudo, existem centenas de outras doenças que poderiam ser identificadas logo ao nascimento e tratadas, mas que não são triadas no Teste do Pezinho devido às limitações das técnicas usadas nesse tipo de teste. Somente testes que analisam diretamente o DNA poderiam identificá-las. 

Esse é o caso, por exemplo, da Epilepsia Responsiva à Piridoxina (Epilepsia Piridoxina-dependente), Acidúria Glutárica tipo I, Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), Síndrome de Brown-Vialetto-Van Laere, Intolerância Hereditária a Frutose, entre outras doenças. 

Por isso, nos últimos anos, o uso de testes genéticos na triagem neonatal tem aumentado, uma abordagem inovadora que permite expandir o número de doenças triadas em recém-nascidos.

 

Triagem neonatal genética

A triagem genética é uma abordagem que analisa diretamente o DNA do recém-nascido em busca de alterações genéticas que elevem o risco de desenvolver doença(s) tratáveis no futuro.

Para a triagem neonatal, os painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) mostraram ser a melhor abordagem. Um Painel é um exame genético que, utilizando o NGS, avalia variações (mutações) em vários genes simultaneamente.

Vários estudos científicos entre 2012 a 2019 demonstraram a eficiência da aplicação do NGS na triagem de doenças neonatais, confirmando resultados de exames de triagem neonatal que utilizam outras técnicas, como os bioquímicos e de espectrometria de massas, e conseguiram esclarecer casos de “falsos positivos” e inconclusivos dos testes convencionais. 

 

Teste da Bochechinha – a evolução do Teste do Pezinho

Um diagnóstico precoce impacta diretamente a vida de uma pessoa, principalmente quando se trata de um recém-nascido. Por isso, a Mendelics segue investindo no desenvolvimento e evolução de seus testes para levar mais agilidade no diagnóstico precoce e preciso, melhorando a qualidade de vida aos pacientes com doenças raras.

Com o avanço da tecnologia e do NGS, a Mendelics desenvolveu o Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal que analisa o DNA do bebê e investiga mais de 320 doenças raras, que iniciam ainda na infância e que possuem tratamento disponível.

O Teste da Bochechinha é capaz de identificar bebês com alto risco de desenvolver uma doença antes mesmo de qualquer sintoma, e com isso permite que os pais realizem precocemente os procedimentos médicos de controle e tratamento necessários e direcionados. 

O Teste da Bochechinha foi desenvolvido com o objetivo de triar para tratar”. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais eficiente é o tratamento. 

As doenças e genes do Teste da Bochechinha foram escolhidos por uma equipe médica especializada, com base em extensa revisão da literatura médica, de bancos de dados genéticos, de doenças genéticas e de casos clínicos do laboratório Mendelics. 

 

Genética & Inovação em tratamentos para doenças raras

Nos últimos 30 anos, milhares de doenças raras tiveram suas causas esclarecidas, por meio do conhecimento do nosso DNA. 

O avanço das tecnologias de análises genéticas e dos estudos de desenvolvimento de novas terapias garantiram melhorias na qualidade de vida de milhões de pessoas no mundo todo.

Estima-se que apenas cerca de 10% das doenças raras têm tratamento com medicações específicas. Embora esse número ainda seja pequeno, a cada ano o número de medicações desenvolvidas para o tratamento de doenças raras aumenta. 

De 1983 a 2018, por exemplo, o número de tratamentos aprovados pelo FDA (Food Drug Administration) passou de 10 para 650.

Hoje, pacientes com fibrose cística, por exemplo, podem contar com os medicamentos mais eficientes, desenvolvidos para tratar diferentes defeitos na proteína CFTR, baseado nas alterações específicas no gene CFTR.

Também já existem tratamentos personalizados disponíveis inclusive no SUS, como o Nusinersen, um medicamento baseado em terapia gênica para crianças com AME

Apesar dos avanços no desenvolvimento de tratamentos, muitas doenças raras ainda são desconhecidas e passam despercebidas, resultando em diagnóstico errôneo, no atraso ou, até mesmo, na falta de um diagnóstico.

A falta de conhecimento contribui para o distanciamento dos portadores de doenças raras de uma possibilidade de tratamento ou melhora na sua qualidade de vida.

Quanto mais cedo o diagnóstico de doenças genéticas raras, mais eficiente o tratamento. Por isso, reforçamos a importância da identificação de doenças tratáveis de manifestação na infância antes do início dos sintomas e contribuímos com a campanha da Eurordis do mês de doenças raras.

 


Referências

  1. https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/pages/31/faqs-about-rare-diseases
  2. https://www.fda.gov/industry/developing-products-rare-diseases-conditions
  3. https://saude.gov.br/saude-de-a-z/doencas-rarashttps://www.interfarma.org.br/public/files/biblioteca/15-Rare%20Diseases%20-%20Site.pdf
  4. https://www.thelancet.com/journals/landia/article/PIIS2213-8587(19)30006-3/fulltext
  5. https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/fda-orphan-drugs
Você conhece a Síndrome da Quilomicronemia Familial (SQF)? 

Você conhece a Síndrome da Quilomicronemia Familial (SQF)? 

Conheça a Síndrome da Quilomicronemia Familial (SQF)

 

A Síndrome da Quilomicronemia Familial  (SQF) é uma doença genética rara e grave caracterizada pelo acúmulo de quilomícrons (quilomicronemia) no organismo.

A SQF atinge entre uma e duas pessoas a cada um milhão e pode se manifestar em vários momentos da vida, desde a infância até a idade adulta.

Seu principal sintoma é o aumento em até 10x nos níveis de triglicerídeos (hipertrigliceridemia), que leva a vários sinais e sintomas que incluem problemas cognitivos, como depressão, perda de memória, dificuldade de concentração; dores abdominais generalizadas, alterações gastrointestinais, como vômito e diarreia, pancreatite aguda potencialmente fatal e outras complicações a longo prazo. 

A doença também é chamada de FCS (em inglês, Familial Chylomicronemia Syndrome), deficiência de lipoproteína lipase (LPL), hiperlipoproteinemia tipo I de Fredrickson e hiperlipidemia familial.

 

Qual é a causa da SQF?

A SQF é uma doença genética, autossômica recessiva, causada, em 80% dos casos, por alterações (mutações) no gene que codifica a lipoproteína lipase (LPL). 

A LPL é uma enzima digestiva que atua no metabolismo dos quilomícrons, partículas responsáveis pelo transporte de gordura e colesterol (triglicerídeos) consumidos na dieta.

Pessoas com SQF possuem ausência ou deficiência da LPL, ocasionando acúmulo de quilomícrons no sangue e, consequentemente, a um aumento de até 10x nos níveis de triglicerídeos (hipertrigliceridemia grave), que, por sua vez, possui várias complicações associadas.

Outros genes, como o APOC2, APOA5, LMF1 ou GPIHBP1, já foram associados a deficiência de LPL.

 

Como é feito o diagnóstico da SQF?

Devido à sua raridade e ao fato da hipertrigliceridemia poder ser atribuída a outras doenças e condições, como consumo de álcool, diabetes ou certos medicamentos, a SQF é uma doença difícil de diagnosticar precocemente.

Em geral, um paciente com SQF passa por consultas com 5 profissionais diferentes até ser diagnosticado corretamente.

 

Sinais de suspeita clínica da SQF:

  • Histórico de episódios frequentes de pancreatite aguda;
  • Dor abdominal recorrente;
  • Triglicerídeos em jejum acima de 880 mg/dL (valor desejável é <150 mg/dL) sem resposta a medicamentos e sem causas secundárias;
  • Início precoce dos sintomas (infância, adolescência ou início da idade adulta).

 

Para confirmação da suspeita clínica é necessário exame genético para detectar variantes patogênicas em homozigose (ou heterozigose composta) no gene LPL ou outros genes associados a síndrome.

Nesse caso, o sequenciamento do gene LPL ou Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para pancreatites são indicados.

A SQF é uma das 330 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal genética. Com esse teste, que pode ser realizado assim que a criança nasce, a doença pode ser identificada antes do paciente desenvolver qualquer sintoma da doença.

A SQF não é avaliada em outros testes de triagem neonatal, como o Teste do Pezinho básico do SUS e nem nas versões ampliadas e expandidas oferecidas pela rede privada.

 

Qual é o tratamento da SQF?

Ainda não existem medicamentos aprovados pela ANVISA e disponíveis para o tratamento da SQF no Brasil.

O controle da doença é feito com base em uma dieta restrita, com limite de ingestão de gorduras, para controlar a hipertrigliceridemia e os seus sintomas associados, e garantir a qualidade de vida do paciente. 

 

Programa de suporte ao diagnóstico da SQF

Para auxiliar no diagnóstico precoce da SQF, a PTC Therapeutics em parceria com a Mendelics oferece um programa de suporte ao diagnóstico de pacientes com suspeita de SQF.

O Programa oferece um exame de Painel de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) que inclui 26 genes relacionados a hipertrigliceridemias e pancreatite. 

Consulte seu médico. Para saber mais sobre o Programa de Suporte ao Diagnóstico de SQF escreva para contato@mendelics.com.br.

 

BR-FCS-0293 – Fev 2021
Material destinado a profissionais de saúde habilitados a prescrever ou dispensar medicamentos.

Referências

Entenda a doença do filho da Jornalista Larissa Carvalho do vídeo do TEDxPUCMinas

Entenda a doença do filho da Jornalista Larissa Carvalho do vídeo do TEDxPUCMinas

Na última semana um vídeo publicado pelo TEDxPUCMinas 2020 repercutiu nas redes sociais. No vídeo a jornalista Larissa Carvalho contou a jornada em busca do diagnóstico do seu filho, Théo, de 4 anos, que nos seus primeiros meses de vida teve paralisia cerebral.

Após muito tempo buscando entender porque seu filho teve paralisia cerebral, finalmente Larissa obteve o diagnóstico final: seu filho Théo possui uma doença genética recessiva chamada Acidúria Glutárica tipo I. Um erro inato do metabolismo que possui tratamento e que quanto mais cedo for diagnosticado e tratado, melhor a qualidade de vida e prognóstico da criança.

No vídeo, Larissa descreve o susto que sofreu ao receber a notícia da doença e, principalmente, da frustração ao saber que a doença tem tratamento eficiente quando diagnosticada precocemente. Por isso, passou a se dedicar em divulgar para o maior número de pessoas os benefícios da ampliação do Teste do Pezinho básico e da importância da triagem neonatal.

Acidúria Glutárica tipo I: A doença do Théo

A Acidúria Glutárica tipo I (AG1), conhecida também como Acidemia Glutárica tipo 1, é uma doença genética rara do grupo de erros inatos do metabolismo (EIM) que é causada pela deficiência de uma enzima da mitocôndria chamada glutaril-CoA desidrogenase (GCDH).

Normalmente, o organismo é capaz de metabolizar a proteína dos alimentos (presente, por exemplo, no leite, na carne bovina e em peixes) em aminoácidos. A enzima GCDH é responsável por realizar o metabolismo dos aminoácidos triptofano, lisina e hidroxilisina, ‘quebrando-os’ em uma substância chamada ácido glutárico, que é convertida em energia. 

Em bebês com AG1, a enzima GCDH está ausente ou não funciona (deficiente), tornando esses bebês incapazes de metabolizar esses aminoácidos e permitindo que haja um acúmulo deles e de outras substâncias nocivas ao organismo (ácido glutárico, 3-OH-glutárico e glutacônico). Essas substâncias acumuladas começam a danificar uma parte do cérebro chamado gânglio basal que controla o movimento motor.

 

Qual a causa da acidúria glutárica tipo I?

A AG1 é causada por alterações genéticas (mutações) nas duas cópias do gene GCDH, que é responsável por produzir a enzima GCDH. 

É uma doença genética com padrão de herança recessivo, por isso, para desenvolvê-la é preciso herdar o gene GCDH “defeituoso” da mãe e do pai. 

Quando o bebê recebe apenas um gene GCDH “defeituoso” (do pai ou da mãe), é considerado um “portador”. Portadores (de alterações genéticas que causam doenças) não têm os sintomas da doença, porém, podem transmitir o seu gene alterado para os seus filhos.  

Por isso, muitas pessoas não sabem que são portadoras de uma alteração no gene GCDH e só descobrem quando tem um filho com a doença, como no caso da jornalista Larissa Matos e seu marido.

 

Quais são os principais sintomas da acidúria glutárica tipo I?

A maioria dos bebês com AG1 nascem aparentemente saudáveis, mas na maioria dos casos, os sinais e sintomas começam a se manifestar na primeira infância. Em um pequeno número de casos, os sintomas se iniciam mais tarde: após os seis anos de idade. 

É frequente que bebês com AG1 apresentarem macrocefalia (circunferência da cabeça maior do que o esperado para a idade) ao nascimento. Por isso, a doença precisa ser investigada em recém-nascidos com macrocefalia.

Quando o AG1 não é tratado precocemente, em geral, bebês entre 3 meses e 3 anos de idade apresentam crise encefalopática aguda, caracterizada por diminuição do tônus muscular (hipotonia), perda de habilidades motoras, dificuldade de alimentação e, às vezes, convulsões. O controle do movimento das mãos, braços, pés, pernas, cabeça e pescoço pode ficar muito difícil e podem ocorrer espasmos musculares. 

Essas crises ocorrem geralmente devido a uma infecção febril, jejum ou outro fator de estresse para o corpo, como vacinas ou cirurgias. E resultam em lesões cerebrais graves e irreversíveis que podem levar a morte.

 

Como a doença pode ser identificada?

A AG1 não faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal do SUS, que rastreia apenas seis doenças (fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase). A doença é triada em algumas versões ampliadas do Teste do Pezinho que usam espectrometria de massa em tandem (MS/MS). 

A doença também pode ser identificada em um exame genético, um tipo de teste que analisa diretamente o DNA para identificar mutações no gene GCDH.  Esse é o teste mais preciso e confiável para identificar a doença, tanto em bebês assintomáticos (teste de triagem) quanto em pacientes de qualquer idade que tenham algum sintoma da doença (teste de diagnóstico).  

A realização do teste genético também é altamente recomendado para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

 

Como é feito o tratamento da acidúria glutárica tipo I?

O tratamento da AG1 tem como objetivo reduzir a produção das substâncias tóxicas ao organismo através da restrição da ingestão de lisina e triptofano. É relativamente simples e consiste em uma dieta hipoproteica com baixo teor de lisina e com suplementação oral de carnitina.

Porém, após o início das sequelas neurológicas, o tratamento nutricional é pouco eficaz. 

 

Conheça o Teste da Bochechinha

Foi pensando no diagnóstico precoce de doenças raras que possuem tratamento disponível, como a do Théo, que a Mendelics desenvolveu o teste de triagem neonatal genética mais completo do Brasil: o Teste da Bochechinha.

O Teste da Bochechinha é uma triagem genética que analisa diretamente o DNA em busca de alterações genéticas que predispõem o recém-nascido a desenvolver doença(s) tratáveis de manifestação ainda na infância.

Centenas de doenças genéticas raras que possuem tratamento não são triadas pelo Teste do Pezinho, mas são identificadas através de uma análise genética. 

O Teste da Bochechinha:

  • Analisa o DNA do bebê pela técnica de Sequenciamento de Nova Geração (NGS)
  • É capaz de triar mais de 310 doenças tratáveis
  • Contempla doenças e genes escolhidos pela equipe médica da Mendelics com base na literatura médica e em bancos de dados genéticos 
  • A coleta é rápida e indolor e pode ser feita pelos pais do bebê

 

Por que o Teste da Bochechinha é importante para o diagnóstico precoce da acidúria glutárica tipo I?

O AG1 é uma doença grave e progressiva que prejudica a qualidade de vida e futuro do bebê. Porém, com diagnóstico e tratamento desde o nascimento, o desenvolvimento dos sintomas graves é totalmente evitável e controlável.

O AG1 ainda não faz parte do Teste do Pezinho do SUS e só pode ser detectado precocemente em exames laboratoriais da rede privada. Por isso, a AG1 é uma das mais de 310 doenças investigadas no Teste da Bochechinha

O Bochechinha complementa o Teste do Pezinho básico e o expandido/ampliado. Centenas de doenças genéticas raras que possuem tratamento não são triadas pelo Teste do Pezinho, mas são identificadas através de uma análise genética. 

Através da moderna técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), o DNA do bebê é analisado a fim de buscar alterações no GCDH e em centenas de outros genes. 

Bebês com alto risco de desenvolver AG1, identificados em nosso teste, podem iniciar precocemente o acompanhamento médico e tratamento da doença. Quanto mais cedo diagnóstico e o início do tratamento, maior a qualidade de vida do paciente.

 

Meu filho tem suspeita de acidúria glutárica tipo I, posso fazer o Teste da Bochechinha para confirmar o diagnóstico?

O Teste da Bochechinha é um teste de triagem neonatal.

Quando a criança (ou pessoa de qualquer idade) tem algum sintoma de AG1 ou o recém-nascido teve o resultado do teste do pezinho ampliado/expandido positivo para AG1, recomenda-se realizar um exame genético de diagnóstico para confirmar a suspeita. 

A Mendelics oferece exames para o diagnóstico de AG1, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Painel de Distonias. Converse com seu médico!

Quer saber mais sobre a Acidúria glutárica tipo I e outras doenças raras tratáveis? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

  1. https://www.youtube.com/watch?v=ElqZ7-FXHdw
  2. https://rarediseases.org/rare-diseases/glutaricaciduria-i/
  3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK546575/
  4. https://www.spdm.org.pt/media/1285/consensos-spp_spdm_38-5-acid%C3%BAria-glut%C3%A1rica-tipo-i.pdf
  5. https://medlineplus.gov/genetics/condition/glutaric-acidemia-type-i/#resources
Você Conhece A Atrofia Muscular Espinhal (AME)?

Você Conhece A Atrofia Muscular Espinhal (AME)?

CONHEÇA A ATROFIA MUSCULAR ESPINHAL

Atrofia muscular espinhal (AME) 5q é uma doença neuromuscular que afeta os neurônios motores da medula espinhal e do tronco cerebral. A morte dos neurônios motores provoca fraqueza e atrofia muscular, e pode comprometer a respiração, locomoção e a alimentação, entre outras funções básicas do organismo (Figura 1)

ame-medula-espinhal-neuronio

Figura 1. Ilustração representando a medula espinhal e seus neurônios motores.

 

A causa da AME 5q é a diminuição da quantidade da proteína SMN: fundamental para a manutenção dos neurônios motores. A SMN é produzida pelo gene SMN1

Por isso AME 5q é uma doença genética e o diagnóstico é realizado em exames que conseguem identificar alterações no gene SMN1. 

A AME 5q é uma doença rara, com incidência de 1 caso para cada 6 a 11 mil nascidos vivos (1).

 

QUAL A CAUSA DA ATROFIA MUSCULAR ESPINHAL?

O gene SMN1  está localizado no braço longo (q) do cromossomo 5, por isso a doença é chamada também de  “AME 5q”.

A maioria das pessoas com AME (95-98%) são portadoras de deleção do éxon 7 nas duas cópias do SMN1 (cópia materna e paterna). Mas outros tipos de alterações no gene também podem causar a doença. 

Quando a pessoa tem apenas uma cópia do gene SMN1 alterada, considera-se que ela é portadora (do inglês, “carrier”) de mutação. Portadores não têm sintomas da doença, porém podem transmitir o gene alterado para seus filhos. 

É estimado que 1 em cada 40-50 pessoas seja portadora de uma cópia do SMN1 alterada.

 

QUAL A RELAÇÃO ENTRE OS GENES SMN1 E SMN2 E OS SINTOMAS DA DOENÇA?

Os genes SMN1 e SMN2 produzem uma proteína chamada de neurônio motor de sobrevivência (SMN; do inglês survival motor neuron). A maior parte do SMN é produzido pelo SMN1; o SMN2 produz apenas uma pequena quantidade de SMN.

A SMN faz parte de um grupo de proteínas chamadas complexo SMN, importante para a manutenção dos neurônios motores. 

Em pessoas com AME, as alterações no gene SMN1 prejudicam a produção da SMN. 

A falta de SMN leva à morte de neurônios motores e, como resultado, os sinais não são transmitidos para os músculos. Os músculos enfraquecem e atrofiam, levando aos sintomas da AME 5q (Figura 2).

neuronio motor inferior musculo ame

Figura 2. Ilustração representando a diferença entre o músculo de pessoas com AME 5q e em pessoas sem AME 5q. A falta de conexão do neurônio motor com o músculo causa fraqueza e atrofia progressiva.

 

Em pessoas com AME 5q a proteína SMN produzida pelo gene SMN2 ajuda a compensar parcialmente a deficiência causada pelas cópias alteradas do SMN1.

Temos duas cópias de cada gene, herdadas de nossos pais. O SMN2 é uma exceção, pois temos entre 0 a 8 cópias. A presença de três ou mais cópias do SMN2 está geralmente associada a quadro menos graves de AME. Mas essa relação não é perfeita e o SMN2 não deve ser usado para prognóstico (Figura 3).

gene smn1 e smn2 e proteina smn

Figura 3: Ilustração representando os genes SMN1 e SMN2 e a proteína SMN em pessoas com e sem AME 5q.

 

COMO A ATROFIA MUSCULAR ESPINHAL É HERDADA?

A AME 5q tem padrão de herança autossômico recessivo, ou seja, para nascer com essa doença é necessário ter as duas cópias do gene SMN1 alteradas. 

Na grande maioria dos casos as alterações são herdadas do pai e da mãe. Os pais portadores não possuem sintomas da doença, mas transmitiram a alteração genética para o filho com AME 5q e têm risco de 25% de ter outra criança com a doença (Figura 4).

herança genetica ame recessiva

Figura 4. Padrão de herança da AME 5q. Na maioria dos casos de AME 5q (95-98%) as alterações são herdadas do pai e da mãe, conforme ilustrado na parte direita da imagem. Os pais portadores não possuem sintomas da doença, mas transmitiram a alteração genética para o filho com AME 5q. Na parte esquerda da imagem apenas um dos pais é portador. Os filhos não têm a doença. Porém, se ocorrer uma “mutacao nova” na outra cópia do gene, a criança sera afetada pela doença. Cerca de 2% de AME são causados por esse mecanismo. Essa situação não é ilustrada na imagem.

 

Em casos mais raros (~2%), a criança pode herdar uma cópia alterada do SMN1 de um dos pais e ter uma alteração não-herdada na outra cópia do gene (chamada de “mutação nova”). Como apenas um dos pais é “portador” o risco de outra criança na família nascer com AME 5q é baixo.

 

QUAIS OS TIPOS DE AME 5q E OS SINTOMAS?

A AME 5q é subdividida nos tipos 0, I, II, III e IV que se diferenciam pela gravidade dos sintomas e a idade em que os sintomas se iniciam (1). Existe outra classificação, que subdivide o tipo I em a, b e c, e o tipo III em a e b, com base em diferenças na sintomatologia (2). Nessa classificação, o tipo 0 é considerado 1a.

 É importante ressaltar que essas classificações são baseadas na história natural da doença e em dados da literatura científica.

A melhora na qualidade do tratamento e o advento de nova medicações têm impactado drasticamente o histórico natural da doença e, por isso, as subdivisões abaixo tem hoje caráter educativo.  

Tipo 0 (ou 1a)

É a forma mais grave e rara da doença. Tem início no período pré-natal e geralmente os bebês não sobrevivem além dos seis meses de vida. Os bebês apresentam uma grave insuficiência respiratória e precisam de suporte ventilatório logo após o nascimento, além das dificuldades de se movimentar e de alimentação devido a incapacidade de sucção. 

Tipo 1 (ou 1b e c)

É a forma mais frequente (60% dos casos) e a segunda mais grave. Os sinais e sintomas têm início ao nascimento ou até os seis meses de vida. A criança tem dificuldade de realizar funções básicas como respirar, engolir e alimentar-se. A movimentação também é muito limitada e os bebês podem não atingir a habilidade de sentar. A progressão da doença é rápida e, caso não haja tratamento, a maioria dos bebês não atingem os dois anos de idade.

Tipo 2

Nessa forma, os sinais aparecem entre os seis e 18 meses de idade e a expectativa de vida varia do início da infância até a idade adulta. A criança não anda independentemente, mas pode sentar com auxílio, porém essa capacidade pode ser perdida ao longo da vida. Possuem dificuldade de respirar, principalmente durante a noite.

Tipo 3 (ou 3a e b)

Nessa forma, que corresponde a 13% dos casos de AME, os sinais aparecem após os 18 meses. A criança consegue andar e ficar de pé, porém em algum momento da vida pode precisar do uso de cadeiras de rodas. Alguns casos mais graves podem ter dificuldade de se alimentação e de respiração. A expectativa de vida é próxima do normal.

Tipo 4

Forma mais branda da doença e uma das mais raras (<5% dos casos). A fraqueza muscular aparece na segunda ou terceira década de vida. Pessoas com o tipo 4 não apresentam dificuldades respiratórias ou de alimentação. A expectativa de vida é normal. 

 

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA AME 5q?

A AME 5q é uma doença grave e progressiva, que  geralmente se manifesta na infância.  Os sintomas vão se agravando com o tempo, por isso o diagnóstico precoce e início do tratamento o mais cedo possível, garante uma melhor qualidade de vida para a criança.

O diagnóstico da AME 5q é realizado através da suspeita clínica e confirmado com o exame genético do gene SMN1

diagnóstico genético ame

Figura 5. Diagnóstico genético de pacientes com suspeita clínica de AME 5q.

 

A deleção do éxon 7 que causa a maior parte dos casos de AME 5q pode ser identificado pelo exame de MLPA do gene SMN1 (do inglês, multiplex ligation- dependent probe amplification). 

A ausência dessa deleção não exclui o diagnóstico porque alterações na sequência do gene também precisam ser investigadas. Para isso deve ser realizado um exame de sequenciamento do gene SMN1 ou um painel que inclua o gene.

Como o número de cópias do gene SMN2 pode modificar a gravidade da AME 5q também é recomendado que o gene seja incluído nas análises genéticas da doença. 

A realização do exame genético também é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

 

COMO É FEITO O TRATAMENTO DA AME?

Os avanços no tratamento tem garantido uma grande melhora na expectativa e qualidade de vida das pessoas com AME. O tratamento da AME pode variar dependendo do seu subtipo e da gravidade dos sintomas.

O tratamento envolve diferentes aspectos de cuidado (nutricionais, respiratórios e ortopédicos) e uma equipe multidisciplinar, incluindo nutricionistas, enfermeiros, fonoaudiólogos e fisioterapeutas, além dos cuidados médicos. 

Nos últimos anos também foram desenvolvidos medicamentos que alteram o curso natural da doença, como, por exemplo, o Nusinersen (Spinraza), que ajuda o organismo a produzir mais proteínas SMN a partir do SMN2

Desde 2019 o Ministério da Saúde disponibilizou pelo SUS o tratamento da Nusinersen para pacientes com AME 5q tipo I, o tipo mais frequente da doença. Crianças com os tipos II e III podem obter o tratamento na modalidade compartilhamento de risco, onde governo paga pelo medicamento somente se houver melhora da saúde do paciente.

 

AME NA TRIAGEM NEONATAL

Devido ao sucesso de tratamentos que alteram o curso da doença, desde 2018 a AME 5q foi incluída na lista de doenças que podem ser triadas em recém-nascidos nos Estados Unidos (7). 

Foi estimado que a triagem neonatal nos Estados Unidos identificaria 364 bebês por ano (8); nesse mesmo período a identificação precoce da doença poderia prevenir a morte de 30 bebês por AME 5q tipo 1 e 50 bebês seriam poupados da ventilação mecânica.

Somente testes genéticos são capazes de triar a doença logo após o nascimento.

No Brasil, a AME 5q não faz parte do Teste do Pezinho do SUS ou de outros testes do Pezinho. 

A Mendelics oferece exames genéticos para diagnóstico da AME, incluindo o MLPA, Painel de Doenças Tratáveis e o Exame de Sequenciamento dos genes SMN1 e SMN2.  Além disso, a AME é umas das mais de 310 doenças analisadas no Teste da Bochechinha, o teste de triagem genética neonatal que complementa o Teste do Pezinho básico.

Quer saber mais sobre a AME 5q e sobre os exames importantes para o diagnóstico? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

  1. Prior TW, Leach ME, Finanger E. Spinal Muscular Atrophy. 2000 Feb 24 [Updated 2019 Nov 14]. In: Adam MP, Ardinger HH, Pagon RA, et al., editors. GeneReviews® [Internet]. Seattle (WA): University of Washington, Seattle; 1993-2020. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1352
  2. Talbot K, Tizzano EF. The clinical landscape for SMA in a new therapeutic era. Gene Ther. 2017;24(9):529-533. doi:10.1038/gt.2017.52
  3. https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/outubro/23/Portaria-Conjunta-PCDT-Atrofia-Muscular-Espinhal-5q-Tipo-I-final.pdf
  4. https://ghr.nlm.nih.gov/condition/spinal-muscular-atrophy#inheritance
  5. https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/7674/spinal-muscular-atrophy
  6. https://saude.gov.br/saude-de-a-z/atrofia-muscular-espinhal-ame
  7. https://smanewstoday.com/2020/02/12/efforts-continue-require-newborn-screening-sma-more-states/
  8. https://www.hrsa.gov/sites/default/files/hrsa/advisory-committees/heritable-disorders/rusp/previous-nominations/sma-consumer-summary.pdf