Atletas Raros

Atletas Raros

Saiba mais sobre atletas raros nos jogos de 2021

Devido à pandemia, os jogos de Tóquio 2020 foram adiados e estão acontecendo um ano após o planejado. Os jogos paralímpicos se estendem da última semana de agosto à primeira de setembro e vai receber mais de 4.500 atletas com deficiências, sendo 253 brasileiros.

Apesar de muitos dos atletas terem adquirido suas deficiências após passarem por acidentes, outros tantos possuem doenças genéticas raras e hereditárias que resultam em deficiências físicas, sensoriais ou intelectuais.

Nesse post vamos comentar sobre as doenças genéticas raras que afetam os atletas paralímpicos brasileiros que estão competindo em Tóquio.

 

Doenças Raras

Segundo o Ministério da Saúde Brasileiro, uma doença é considerada rara quando atinge no máximo 65 pessoas a cada 100.000. Pode parecer muito pouco, mas quando consideramos todas as doenças raras, esse número é expressivo. 

Existem mais de 7.000 doenças raras descritas, sendo que 80% delas são genéticas. Considerando esse total, cerca de 1 a cada 20 crianças nascidas vivas possuem alguma doença rara. Com essa perspectiva vemos que as doenças raras são mais comuns do que imaginamos.

Dentre os 253 paratletas brasileiros que foram convocados para Tóquio, mais de 30 possuem doenças raras de causa genética conhecida. Na tabela abaixo listamos as categorias esportivas em que esses atletas competem, assim como as suas conquistas nos principais campeonatos e quais doenças genéticas possuem.

Quadro de medalhas dos paratletas que possuem doenças raras

 

Conheça as doenças genéticas raras dos nossos paratletas

Doenças raras que afetam a visão

Albinismo

O Albinismo é caracterizado pela ausência de melanina na pele, olhos e cabelos, que pode ser o único sinal ou vir acompanhado de outros sintomas como a perda parcial ou total da visão.

O albinismo oculocutâneo, a forma mais comum, é causado por mutações nos genes OCA2, TYR, TYRP1, SLC45A2, MC1R, e afeta cerca de 1 a cada 20.000 pessoas no mundo.

 

Doença de Stargardt

A doença é caracterizada pela perda progressiva da visão que se inicia na infância ou adolescência, sensibilidade à luz e daltonismo.

Stargardt é causado por mutações no gene ABCA4, e afeta cerca de 1 a cada 9.000 pessoas no mundo.

 

Retinose pigmentar

É caracterizada pelo depósito de pigmento (melanina) na retina que causa a perda progressiva da visão. Pode surgir como um sintoma da Síndrome de Usher.

A Retinose pigmentar afeta cerca de 1 a cada 4.000 pessoas no mundo e pode ser causada por mutações em mais de 15 genes diferentes.

 

Catarata Congênita Hereditária

A catarata é uma doença caracterizada pela obstrução do cristalino, a lente do olho, que se torna esbranquiçado e opaco. A forma senil (se desenvolve em idosos) é mais comum.

A forma congênita afeta cerca de 1 a cada 10.000 pessoas no mundo e pode ser causada por mutações em mais de uma dezena de genes.

 

Doenças raras que afetam ossos e musculatura

Nanismo

É caracterizado por baixa estatura (média de 120 cm). Existem muitos subtipos e centenas de causas, em sua grande maioria genéticas.

As formas mais comuns da doença, chamadas acondroplasia e hipocondroplasia, são causadas por mutações no gene FGFR3, e contabilizam cerca de 70% dos casos, afetando cerca de 1 pessoa a cada 25.000.

 

Raquitismo Hipofosfatêmico

Também conhecido como raquitismo resistente à vitamina D, é caracterizado por dores ósseas, encurtamento e curvatura das pernas, devido aos baixos níveis de fosfato no sangue.

A doença afeta 1 a cada 25.000 nascidos vivos e é causada, na grande maioria dos casos, por mutações no gene PHEX.

Saiba mais sobre Raquitismo Hipofosfatêmico nesse artigo.

 

Distrofia Muscular

Conjunto de mais de 30 doenças genéticas caracterizadas por fraqueza e degeneração progressiva dos músculos esqueléticos, que controlam o movimento.

A Distrofia Muscular de Duchenne, forma mais comum, é causada por mutações no gene DMD e afeta principalmente homens, cerca de 1 a cada 3.500.

 

Doenças raras neurológicas

Atrofia Muscular Espinhal (AME)

Caracterizada por fraqueza e atrofia muscular causada pela perda dos neurônios motores da medula espinhal e do tronco cerebral, podendo comprometer a respiração, locomoção, alimentação, entre outras funções básicas do organismo.

A AME é causada por mutações nos genes SMN1 e SMN2 e afeta cerca de 1 a cada 9.000 nascidos.

Saiba mais sobre a AME nesse artigo.

 

Paraparesia Espástica Hereditária

Grupo de doenças neurodegenerativas que afetam primariamente os neurônios motores superiores, prejudicando a comunicação com os membros inferiores e causando espasmos e fraqueza nas pernas, dentre outros sintomas.

Existem mais de 70 doenças dentro desse grupo, causadas por mutações em diferentes genes. Coletivamente afetam cerca de 1 a 8.000 pessoas no mundo.

 

Síndrome de Leigh

É uma condição neurodegenerativa com grande diversidade de sintomas a depender do tipo e severidade apresentada pelo paciente. De forma geral causa fraqueza muscular, perda do controle muscular, espasmos e falta de equilíbrio.

A síndrome pode ser causada por mutações no cromossomo X ou no DNA mitocondrial, e afeta cerca de 1 a cada 38.000 pessoas no mundo.

 

Charcot-Marie-Tooth (CMT)

É um grupo de doenças que afetam os neurônios periféricos e motores, causando fraqueza, dormência e deformidades nos pés e pernas, dentre outros sintomas.

A doença pode ser causada por mutações em uma centena de genes, sendo que o gene PMP22 é responsável por cerca de metade dos casos. CMT afeta cerca de 1 a cada 5.000 pessoas no mundo.

 

Diagnóstico de doenças raras

Doenças raras podem ser difíceis de diagnosticar pois apresentam sintomas que podem se enquadrar também em doenças mais comuns. Como resultado, o paciente pode levar até 4 anos para receber o diagnóstico correto.

O diagnóstico precoce de doenças raras é muito importante pois muitas são progressivas, ou seja, o quadro do paciente piora com o tempo, principalmente se não houver o tratamento correto.

Por isso, o diagnóstico genético de doenças raras é um grande aliado. Ele identifica quais mutações estão causando a doença e diferencia de forma mais precisa os tipos e subtipos de muitas doenças genéticas. Com isso o acompanhamento e tratamento podem ser feitos de forma mais personalizada e efetiva.

A Mendelics é líder em diagnóstico de doenças raras na América Latina e possui o maior banco de dados genéticos brasileiros e latino americanos, com mais de 100 mil amostras analisadas.

 

Conheça o portfólio de exames da Mendelics

 


Referências

Comitê Paralímpico Brasileiro – Guia de Imprensa

Diretrizes para Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras no SUS

National Organization for Rare Disorders – Albinismo Oculocutâneo

Genetic and Rare Diseases Information Center – Doença de Stargardt

MedlinePlus – Retinose Pigmentar

Santana A, Waiswo M. The genetic and molecular basis of congenital cataract, Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, vol. 74, no. 2, pp. 136–142, Apr. 2011.

Genetic and Rare Diseases Information Center – Nanismo

National Organization for Rare Disorders – Hipocondroplasia

National Organization for Rare Disorders – Raquitismo Hipofosfatêmico

Genetic and Rare Diseases Information Center – Distrofia Muscular

National Organization for Rare Disorders – Distrofia Muscular de Duchenne

National Organization for Rare Disorders – Atrofia Muscular Espinhal (AME)

Genetic and Rare Diseases Information Center – Paraparesia Espástica Hereditária

National Organization for Rare Disorders – Síndrome de Leigh

National Organization for Rare Disorders – Charcot-Marie-Tooth

Testagem para COVID-19 nas Olimpíadas

Testagem para COVID-19 nas Olimpíadas

Você sabe como os atletas olímpicos foram testados para COVID-19?

Com a queda do número de novos casos da COVID-19, o Comitê Olímpico japonês resolveu proceder com as olimpíadas no ano de 2021. O evento quadrienal estava programado para acontecer no ano anterior mas, por conta da pandemia do novo coronavírus, precisou ser adiado.

Mesmo com a diminuição do número de casos, a pandemia ainda está em curso e, por isso, os devidos cuidados foram tomados para evitar a transmissão do vírus na Vila Olímpica de Tóquio.

Entre as medidas tomadas, uma das mais importantes foi a testagem regular em massa. Os atletas e profissionais envolvidos nas olimpíadas foram testados diariamente. Dessa forma foi possível identificar novos casos da doença rapidamente e isolá-los, evitando novos contágios.

Você pode estar se perguntando como isso foi feito, já que os testes de detecção do novo coronavírus convencionais levam cerca de 3 dias para liberar os resultados. E a resposta é simples: o teste usado não é um teste qualquer.

A comissão olímpica utilizou uma dupla testagem: primeiramente foi feito um teste de antígenos e, posteriormente, em casos positivos e inconclusivos, foi feito o teste com tecnologia RT-LAMP, seguido da RT-PCR convencional feita com swab nasofaríngeo, quando necessário.

O RT-LAMP (amplificação isotérmica mediada por loop com transcriptase reversa), é uma técnica molecular já amplamente utilizada para o diagnóstico de várias doenças infecciosas como a Influenza, Dengue, Chikungunya, Hepatite A, Zika e Ebola. 

Além do protocolo ser mais simples e rápido do que o RT-PCR convencional, o RT-LAMP não requer o uso de aparelhos laboratoriais complexos, como termociclador em tempo real ou de reagentes em falta na pandemia. 

Saiba mais sobre os diferentes tipos de testes para COVID-19 nesse artigo.

Além disso, os testes são feitos com amostras de saliva que pudem ser coletadas pelos próprios atletas.

O uso de saliva para realizar o teste trouxe muitas vantagens:

  • Auto coleta: não há necessidade de contato com outras pessoas, como médicos, enfermeiros, atendentes e outros pacientes, como aconteceria em um laboratório ou hospital.
  • Coleta rápida e indolor: a coleta é muito simples e completamente indolor.
  • Consome poucos insumos: a coleta é feita com apenas um tubo plástico (falcon). Portanto o teste não depende de insumos de alta demanda que podem se tornar escassos durante uma pandemia.

Por esses motivos, um estudo publicado na revista internacional Lancet concluiu que a saliva é o padrão ouro para testes de detecção do SARS-CoV-2 durante a pandemia. Saiba mais nesse artigo.

 

O quão eficaz está sendo a testagem na Vila Olímpica?

Desde o início dos jogos olímpicos, a capital japonesa vem registrando um aumento do número de novos casos de COVID-19. A grande maioria desses casos é referente à população que está acompanhando os jogos.

Dentro da Vila Olímpica o controle é muito mais rígido e os casos positivos são rapidamente isolados, assim como todas as pessoas que tiveram contato, minimizando a transmissão. Até o dia 04 de agosto foram registrados 491 casos positivos de pessoas envolvidas com os jogos, sendo que 34 são atletas.

O Comitê Olímpico japonês reportou uma taxa de testes positivos de 0,02%, o que mostra que a testagem foi capaz de identificar os casos a tempo de isolá-los e conter a transmissão. Os atletas que testaram positivo para a COVID-19 cumpriram o isolamento e foram impedidos de competir.

Atletas de diversos países foram desclassificados por terem testado positivo, como a equipe de nado artístico grega, um atleta americano do salto com vara, e uma skatista holandesa. Os profissionais dessas delegações que tiveram contato com os atletas contaminados também foram isolados.

 

#PARECOVID: o primeiro teste de detecção do SARS-CoV-2 por saliva e RT-LAMP do Brasil

Em junho de 2020, três meses após a Organização Mundial da Saúde declarar a COVID-19 como pandemia, a Mendelics lançou o #PARECOVID, o primeiro teste para detecção do novo coronavírus por saliva do Brasil.

O #PARECOVID utiliza a técnica RT-LAMP que possibilita resultados em até 24 horas. A simplicidade e rapidez do teste permite que o laboratório tenha capacidade para processar 110 mil testes diariamente, contribuindo para a testagem em massa no Brasil.

O teste de RT-LAMP tem especificidade superior a 99% e sensibilidade equivalente ao RT-PCR, de acordo com os dados de validação feitos em parceria com o hospital Sírio-Libanês. 

Entenda o protocolo #PARECOVID nesse artigo.

Conheça mais sobre o #PARECOVID no nosso site e veja como proteger a sua empresa.

 


Referências

https://gtimg.tokyo2020.org/image/upload/production/mlmqnsphtv47sw0ftwbl.pdf

https://gtimg.tokyo2020.org/image/upload/production/v5dduvvfneu6yjic4n3r.pdf

https://gtimg.tokyo2020.org/image/upload/production/kaftwsexsgqz27pt1j26.pdf

https://www.cbsnews.com/news/coronavirus-pcr-testing-no-reason-japan-reasearch-says-covid-saliva-tests-as-reliable/

https://ge.globo.com/olimpiadas/noticia/covid-19-tira-equipe-de-natacao-artistica-da-grecia-das-olimpiadas.ghtml

https://www.bbc.com/portuguese/geral-58025512