Você conhece a Síndrome da Quilomicronemia Familial (SQF)? 

Você conhece a Síndrome da Quilomicronemia Familial (SQF)? 

Conheça a Síndrome da Quilomicronemia Familial (SQF)

 

A Síndrome da Quilomicronemia Familial  (SQF) é uma doença genética rara e grave caracterizada pelo acúmulo de quilomícrons (quilomicronemia) no organismo.

A SQF atinge entre uma e duas pessoas a cada um milhão e pode se manifestar em vários momentos da vida, desde a infância até a idade adulta.

Seu principal sintoma é o aumento em até 10x nos níveis de triglicerídeos (hipertrigliceridemia), que leva a vários sinais e sintomas que incluem problemas cognitivos, como depressão, perda de memória, dificuldade de concentração; dores abdominais generalizadas, alterações gastrointestinais, como vômito e diarreia, pancreatite aguda potencialmente fatal e outras complicações a longo prazo. 

A doença também é chamada de FCS (em inglês, Familial Chylomicronemia Syndrome), deficiência de lipoproteína lipase (LPL), hiperlipoproteinemia tipo I de Fredrickson e hiperlipidemia familial.

 

Qual é a causa da SQF?

A SQF é uma doença genética, autossômica recessiva, causada, em 80% dos casos, por alterações (mutações) no gene que codifica a lipoproteína lipase (LPL). 

A LPL é uma enzima digestiva que atua no metabolismo dos quilomícrons, partículas responsáveis pelo transporte de gordura e colesterol (triglicerídeos) consumidos na dieta.

Pessoas com SQF possuem ausência ou deficiência da LPL, ocasionando acúmulo de quilomícrons no sangue e, consequentemente, a um aumento de até 10x nos níveis de triglicerídeos (hipertrigliceridemia grave), que, por sua vez, possui várias complicações associadas.

Outros genes, como o APOC2, APOA5, LMF1 ou GPIHBP1, já foram associados a deficiência de LPL.

 

Como é feito o diagnóstico da SQF?

Devido à sua raridade e ao fato da hipertrigliceridemia poder ser atribuída a outras doenças e condições, como consumo de álcool, diabetes ou certos medicamentos, a SQF é uma doença difícil de diagnosticar precocemente.

Em geral, um paciente com SQF passa por consultas com 5 profissionais diferentes até ser diagnosticado corretamente.

 

Sinais de suspeita clínica da SQF:

  • Histórico de episódios frequentes de pancreatite aguda;
  • Dor abdominal recorrente;
  • Triglicerídeos em jejum acima de 880 mg/dL (valor desejável é <150 mg/dL) sem resposta a medicamentos e sem causas secundárias;
  • Início precoce dos sintomas (infância, adolescência ou início da idade adulta).

 

Para confirmação da suspeita clínica é necessário exame genético para detectar variantes patogênicas em homozigose (ou heterozigose composta) no gene LPL ou outros genes associados a síndrome.

Nesse caso, o sequenciamento do gene LPL ou Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para pancreatites são indicados.

A SQF é uma das 330 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal genética. Com esse teste, que pode ser realizado assim que a criança nasce, a doença pode ser identificada antes do paciente desenvolver qualquer sintoma da doença.

A SQF não é avaliada em outros testes de triagem neonatal, como o Teste do Pezinho básico do SUS e nem nas versões ampliadas e expandidas oferecidas pela rede privada.

 

Qual é o tratamento da SQF?

Ainda não existem medicamentos aprovados pela ANVISA e disponíveis para o tratamento da SQF no Brasil.

O controle da doença é feito com base em uma dieta restrita, com limite de ingestão de gorduras, para controlar a hipertrigliceridemia e os seus sintomas associados, e garantir a qualidade de vida do paciente. 

 

Programa de suporte ao diagnóstico da SQF

Para auxiliar no diagnóstico precoce da SQF, a PTC Therapeutics em parceria com a Mendelics oferece um programa de suporte ao diagnóstico de pacientes com suspeita de SQF.

O Programa oferece um exame de Painel de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) que inclui 26 genes relacionados a hipertrigliceridemias e pancreatite. 

Consulte seu médico. Para saber mais sobre o Programa de Suporte ao Diagnóstico de SQF escreva para contato@mendelics.com.br.

 

BR-FCS-0293 – Fev 2021
Material destinado a profissionais de saúde habilitados a prescrever ou dispensar medicamentos.

Referências

Cardiogenética: Testes genéticos para doenças cardiovasculares

Cardiogenética: Testes genéticos para doenças cardiovasculares

Doenças cardiovasculares podem ser herdadas?

Doenças cardiovasculares são causadas pela combinação de fatores genéticos, fatores ambientais e estilo de vida (dieta, exercícios, cigarro, gênero, entre outros). Mas também podem ser causadas por alterações genéticas herdadas.  

O grupo de doenças cardiovasculares de origem hereditária, que são as principais causas de morte súbita em jovens e atletas, compreende a cardiogenética. 

 

Principais doenças cardiovasculares hereditárias

Arritmias (síndrome de Brugada, síndrome do QT longo, síndrome do QT curto, taquicardia ventricular polimórfica catecolaminérgica)

Cardiomiopatias (miocardiopatia hipertrófica, miocardiopatias dilatadas)

Dislipidemias  (hipercolesterolemia familiar)

Aortopatias (sindrome de Marfan, síndrome de Ehlers-Danlos)

 

Para que servem os testes genéticos em cardiologia?

Os testes genéticos são fundamentais para o diagnóstico precoce de doenças cardiovasculares hereditárias. A depender da doença, os testes genéticos podem ser importantes também para prognóstico e para o melhor planejamento da conduta terapêutica

Existem critérios clínicos, como o das sociedades Americana e Européia de ritmo cardíaco Heart Rhythm Society (HRS) e European Heart Rhythm Association (EHRA), bem definidos para a utilização de testes genéticos em cardiologia. Por isso, somente um médico especialista pode orientar o paciente quanto aos benefícios e aplicações do teste. 

Os testes genéticos também são importantes para saber se familiares saudáveis têm risco de ter a doença no futuro por herdarem as alterações genéticas.

O aconselhamento genético deve ser sempre realizado antes e após o teste genético, para garantir que o paciente e seus familiares saudáveis compreendam todos os benefícios e as limitações dos resultados.

 

Entenda os testes genéticos para doenças cardiovasculares

Doenças cardíacas hereditárias podem ser causadas por mutações genéticas em dezenas de genes diferentes. Por isso, exames de Painéis são hoje o tipo de teste genético mais solicitado em cardiologia. 

O Sequenciamento de Nova Geração (NGS) é a técnica mais eficaz no diagnóstico de doenças genéticas e a que oferece o melhor custo-benefício (1). Um Painel é um exame genético que, utilizando o NGS, avalia simultaneamente variações em dois ou mais genes. Os genes que fazem parte do Painel são selecionados com base na literatura médica e devem ser atualizados diante de novas descobertas científicas e médicas. 

 

Conheça os exames de Cardiologia da Mendelics

A Mendelics oferece testes genéticos de Painéis de NGS para todas essas condições, permitindo um diagnóstico preciso e um melhor planejamento da conduta terapêutica.

  • Painel de Aneurisma Aórtico

Neste Painel de NGS são analisados 23 genes associados a aneurisma aórtico primário, incluindo outras doenças e síndromes como: Cutis Laxa, Síndrome de Ehlers-Danlos, Síndrome de Loeys-Dietz, Síndrome de Marfan, Síndrome de Meester-Loeys, Síndrome Shprintzen-Goldberg, entre outras.

  • Painel de Arritmias

Neste Painel de NGS  são analisados 50 genes envolvidos na predisposição genética a diversas formas de arritmias, incluindo a síndrome de Brugada, síndrome do QT Longo, síndrome do QT Curto, entre outras.

  • Painel de Discinesia Ciliar Primária

Neste Painel de NGS são analisados 35 genes relacionados a discinesia ciliar primária.

  • Painel de Dislipidemias

Neste Painel de NGS são analisados 4 genes relacionados a dislipidemia. As dislipidemias causam elevação do nível de colesterol (hipercolesterolemia) e triglicérides (hipertrigliceridemia), que podem causar infarto agudo do miocárdio.

  • Painel de Miocardiopatias

Neste Painel de NGS são analisados os principais genes envolvidos na predisposição genética à miocardiopatia, incluindo também a miocardiopatia dilatada hereditária, miocardiopatia hipertrófica familiar e miocardiopatia restritiva hereditária, incluindo as formas isoladas e sindrômicas.

Para saber mais sobre os testes genéticos para cardiologia entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou acesse www.mendelics.com.

Importante: Esse post tem caráter educativo. Recomendamos fortemente que o paciente seja acompanhado por um médico que orientará qual a melhor maneira de se proceder. Converse com seu médico.


 

A Genética no Diagnóstico e Tratamento de Doenças

A Genética no Diagnóstico e Tratamento de Doenças

Diagnóstico genético

Nos últimos 15 anos, com os avanços da Genética, milhares de doenças tiveram suas causas esclarecidas. O diagnóstico genético acompanhado do tratamento personalizado garantiu melhorias na qualidade de vida de milhões de pessoas no mundo todo.

Quando um médico suspeita que uma doença tem causa genética, ele pode solicitar dois tipos de exames genéticos:

  • Exames citogenéticos: analisam alterações nos cromossomos 
  • Exames moleculares: analisam alterações nos genes

A escolha do exame baseia-se na suspeita clínica, no tipo de alteração genética que causa a doença e o custo-benefício dos exames disponíveis. 

 

Quais são os principais exames de diagnóstico genético?

Para saber mais sobre cada um desses exames, clique no link de cada um e leia nossos artigos.

Tratamento 

Com o avanço das tecnologias de análises genéticas e estudos no desenvolvimento de novas terapias, os exames genéticos também têm se tornado cada vez mais importantes para o tratamento de doenças.

Um grande exemplo são os exames genéticos para câncer hereditário que ajudam a direcionar o tratamento de pessoas com câncer de mama e ovário: como medidas profiláticas redutoras de risco (retirada da mama e/ou ovário), quimioterapia com inibidores de PARP (poli ADP-ribose polimerase) e quimioprevenção.

Outro exemplo são as terapias personalizadas para doenças raras. Pacientes com fibrose cística podem contar hoje com medicamentos mais eficientes, desenvolvidos para tratar diferentes tipos de mutação no gene CFTR. 

 

Diagnóstico genético e a Mendelics

A missão da Mendelics é oferecer exames genéticos complexos a preços acessíveis, democratizar o acesso ao diagnóstico genético e divulgar a importância dos exames genéticos entre os médicos, operadoras de saúde e pacientes.

Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

Entenda a doença Adrenoleucodistrofia do filme Óleo de Lorenzo

Entenda a doença Adrenoleucodistrofia do filme Óleo de Lorenzo

Filme Óleo de Lorenzo

 

Lançado em 1992, o filme ‘Óleo de Lorenzo’ retrata a jornada de um pai e uma mãe na busca por um tratamento eficaz para a doença do seu filho.

O filme, baseado em fatos reais, retrata a dor e angústia de Michaela (Susan Sarandon) e Augusto (Nicki Nolte) ao descobrirem que seu filho Lorenzo (Zack O’Malley Greenburg), de 6 anos, possui uma doença genética grave e progressiva chamada adrenoleucodistrofia (ALD) com um prognóstico de sobrevida de até 2 anos.

Sem aceitar o triste diagnóstico do filho e a falta de um tratamento eficaz, ao mesmo tempo que assistem os sintomas do filho piorarem, os pais decidem lutar para encontrar uma cura para a doença.

Mesmo sendo leigos e sem qualquer formação acadêmica no assunto, Michaela e Augusto passaram a dedicar os seus dias na busca por um tratamento para a ALD. Leram livros, buscaram médicos e outros profissionais da área, indústrias farmacêuticas, conversaram com professores de universidades e até organizaram um simpósio internacional que uniu especialistas do mundo inteiro para discutir um possível tratamento para a doença. 

No filme, todo o esforço se recompensou ao conseguirem produzir uma formulação contendo uma mistura de ácidos graxos (derivados dos ácidos oleico e erúcico). Introduzindo o óleo na dieta do filho, eles observaram que os sintomas pararam de progredir e conseguiram controlar o acúmulo anormal de ácidos graxos de cadeia muito longa no organismo de Lorenzo. Logo, o óleo, chamado “óleo de Lorenzo”,  passou a ser usado para tratamento de outros pacientes.

 

A história real por trás do filme

Tratamento

Apesar de Michaela e Augusto acreditarem que o óleo salvou a vida de Lorenzo, a  eficácia do tratamento utilizando o óleo, no entanto, só foi comprovada anos depois e apenas em pacientes tratados precocemente, antes do início dos sintomas neurológicos.

Contudo, a descoberta que esse e outros tratamentos desenvolvidos posteriormente poderiam ser eficazes quando a doença é diagnosticada precocemente motivou a inclusão da ALD em testes de triagem neonatais. A triagem neonatal é realizada em várias etapas, que inclui testes bioquímicos e a confirmação pelo teste genético.

Nos Estados Unidos, desde 2013 o Estado de Nova Iorque possui uma lei de triagem neonatal da doença e desde 2016, o governo federal americano recomenda a inclusão da doença em testes de triagem neonatal em todo o país. Na Holanda, um grande estudo está sendo conduzido a fim de validar a triagem neonatal da doença. 

O tratamento da ALD é realizado com base nos sintomas do paciente, por isso varia em cada caso e inclui acompanhamento médico e uma equipe multidisciplinar. Para pacientes meninos, o transplante de células-tronco hematopoéticas, por exemplo, têm se mostrado eficaz nos casos que estão nos estágios iniciais dos sintomas cerebrais.

Outros estudos clínicos, utilizando terapia gênica e o óleo de Lorenzo estão sendo conduzidos para encontrar um tratamento eficaz e personalizado. 

 

Diagnóstico precoce

Por ter sinais e sintomas muito variáveis com início e gravidade que podem começar desde a infância até a vida adulta, o diagnóstico da ALD pode ocorrer em diferentes fases da vida. Contudo, os estudos clínicos já realizados demonstraram a importância da triagem neonatal e do diagnóstico ser realizado antes do início dos sintomas.

No Brasil, a doença não faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal, o Teste do Pezinho, mas pode ser triada desde o nascimento no Teste da Bochechinha.

O Teste da Bochechinha foi desenvolvido para dar suporte à Ciência e a Medicina para que outros Lorenzo’s possam receber diagnóstico e tratamento precoce e garantir uma vida melhor e mais saudável.

Ações como o filme são muitos importantes para divulgar a doença para um maior número de pessoas. O contrato para que a história de Lorenzo e sua família se tornasse um filme permitiu a criação da fundação Myelin Project, que atua, até hoje, em prol ao estudo de doenças desmielinizantes, como a ALD.

Quer saber mais sobre a doença ALD? Continue lendo o post

Você conhece a adrenoleucodistrofia?

A adrenoleucodistrofia (ALD) é uma doença genética rara que faz parte do conjunto de doenças chamadas leucodistrofias, causadas por uma deficiência na bainha de mielina, membrana protetora e isolante que envolve os neurônios e permite a condução dos sinais nervosos.

Existem diferentes formas de ALD, que são baseados na idade de início e gravidade dos sintomas. Os sinais e sintomas são variáveis podendo iniciar na primeira infância ou só na vida adulta. A progressão da doença também pode variar. 

Em geral, a ALD possui três apresentações mais comuns:

  • ALD cerebral: Início na infância. Sintomas neurológicos, semelhantes ao transtorno de déficit de atenção ou hiperatividade, perda progressiva da cognição, do comportamento, da visão, da audição e das funções motoras, entre outros.
  • Doença de Addison: Início na infância, mas também pode se manifestar mais tardiamente. Insuficiência adrenal, que apresenta sintomas como: fadiga crônica, fraqueza muscular, perda de apetite, perda de peso, dor abdominal, vômitos, entre outros.
  • Mielopatia: Início na vida adulta (em torno dos 20 anos). Os sintomas são progressivos e afetam os nervos da medula espinhal e incluem rigidez progressiva, fraqueza das pernas, distúrbios do esfíncter, sexuais e calvície.

 

Qual a causa da adrenoleucodistrofia?

A ALD é causada por alterações (mutações) no gene ABCD1, responsável por produzir a proteína ALD (ALDP), que atua no transporte de moléculas de gordura (ácidos graxos de cadeia muito longa) até as estruturas celulares chamadas de peroxissomos. Esse transporte é fundamental para que os ácidos graxos de cadeia muito longa sejam metabolizados. 

Quando a proteína ALD não funciona adequadamente, esse transporte não ocorre e, consequentemente, os ácidos graxos de cadeia muito longa não são metabolizados, se acumulando em vários tecidos do organismo.

O tecido endócrino, incluindo as glândulas supra-renais e os testículos, o cérebro e a medula espinhal e os nervos periféricos são os tecidos mais afetados. Contudo, os mecanismos biológicos pelos quais o acúmulo anormal de ácidos graxos de cadeia muito longa afeta os tecidos e provoca os sintomas, ainda não está bem esclarecido. 

 

Como a adrenoleucodistrofia é herdada?

A ALD é uma doença genética com padrão de herança ligado ao X recessivo. Para desenvolvê-la é preciso herdar uma cópia do gene ABCD1 alterado (Figura 1). 

 

recessiva ligada ao x adrenoleucodistrofia

Figura 1: Ilustração de doença com padrão de herança ligado ao X recessivo. Alguns casos de adrenoleucodistrofia não seguem esse modelo e podem ocorrer devido a mutações novas ou ‘de novo’, não representadas na imagem.

 

Na maioria dos casos, a alteração é transmitida de um dos pais para o filho. Entretanto, em alguns poucos casos (cerca de 5%) o bebê não herda a alteração genética dos pais, mas sim ocorre uma “mutação nova” ou “de novo” do ABCD1

Os genes estão em pares, sendo uma cópia herdada do pai e outra da mãe. Contudo, os cromossomos sexuais são diferentes. Os homens têm apenas um cromossomo X, herdado da mãe e um cromossomo Y, herdado do pai. Já as mulheres herdam dois cromossomos X, um do pai e outro da mãe.

Como o gene ABCD1 está localizado no cromossomo X, mulheres que possuem uma cópia do gene ABCD1 alterada quase sempre apresentam sintomas mais leves da doença ou nem apresentam sintomas, sendo chamadas de portadoras. Como as mulheres possuem duas cópias do cromossomo X, mesmo que recebam um cromossomo X com a alteração no gene ABCD1, a outra cópia do gene será funcional.

Mulheres portadoras podem transmitir a cópia alterada para um filho homem, que terá ALD, e para filhas mulheres, que também serão portadoras.

Homens que herdam a alteração no gene ABCD1 terão ALD porque não possuem um outro cromossomo X com uma cópia do gene que funcione. Homens com ALD sempre irão transmitir a cópia alterada para as filhas mulheres e nunca irão transmitir para os filhos homens.

Por esse motivo, a ALD é mais comum em homens que, em geral, desenvolvem sintomas mais sérios do que as mulheres. 

 

Como é feito o diagnóstico da doença?

O diagnóstico da ALD pode ser realizado pela dosagem dos níveis de ácidos graxos de cadeia muito longa no sangue. Porém, a dosagem plasmática pode apresentar resultados inconclusivos e só é precisa para o diagnóstico de homens. Cerca de 20% das mulheres com ALD podem apresentar resultado “falso negativo”  com níveis normais dos ácidos graxos.

Para confirmar ALD é preciso detectar a alteração no gene ABCD1 no DNA por meio do exame genético. Esse é o teste mais preciso para identificar a doença, tanto em bebês assintomáticos quanto em pacientes de qualquer idade que tenham algum sintoma da doença.  

Além disso, o exame genético auxilia o aconselhamento genético da família, planejamento de futuros filhos dos pais e da criança.

 

Diagnóstico genético e a Mendelics

Quando a criança (ou pessoa de qualquer idade) tem algum sintoma de ALD recomenda-se realizar um exame genético de diagnóstico para confirmar a suspeita.

Para o diagnóstico de ALD a Mendelics oferece vários exames que analisam o gene ABCD1, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis

É importante ressaltar que exames de diagnóstico só podem ser realizando mediante solicitação e acompanhamento médico. Converse com o seu médico.

A ALD também é uma das mais 320 doenças do Teste da Bochechinha, o mais completo teste de triagem neonatal realizado no Brasil.  Bebês com alto risco de desenvolver ALD, identificados no Teste da Bochechinha, podem iniciar precocemente o acompanhamento médico e tratamento da doença.

Dúvidas? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

  1. https://www.imdb.com/title/tt0104756/
  2. https://rarediseases.org/rare-diseases/adrenoleukodystrophy/
  3. https://www.theguardian.com/science/2008/jun/04/medicalresearch.genetics
  4. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3503704/
  5. https://www.myelinproject.co.uk/
  6. Matsukawa T, Yamamoto T, Honda A, Toya T, Ishiura H, Mitsui J, Tanaka M, Hao A, Shinohara A, Ogura M, Kataoka K, Seo S, Kumano K, Hosoi M, Narukawa K, Yasunaga M, Maki H, Ichikawa M, Nannya Y, Imai Y, Takahashi T, Takahashi Y, Nagasako Y, Yasaka K, Mano KK, Matsukawa MK, Miyagawa T, Hamada M, Sakuishi K, Hayashi T, Iwata A, Terao Y, Shimizu J, Goto J, Mori H, Kunimatsu A, Aoki S, Hayashi S, Nakamura F, Arai S, Momma K, Ogata K, Yoshida T, Abe O, Inazawa J, Toda T, Kurokawa M, Tsuji S. Clinical efficacy of haematopoietic stem cell transplantation for adult adrenoleukodystrophy. Brain Commun. 2020 Jan 14;2(1):fcz048. doi: 10.1093/braincomms/fcz048. PMID: 32954314; PMCID: PMC7425345.
  7. Engelen M, Kemp S, Poll-The BT. X-linked adrenoleukodystrophy: pathogenesis and treatment. Curr Neurol Neurosci Rep. 2014 Oct;14(10):486. doi: 10.1007/s11910-014-0486-0. PMID: 25115486.
Filme A Cinco Passos de Você – Conscientização sobre Fibrose Cística

Filme A Cinco Passos de Você – Conscientização sobre Fibrose Cística

Lançado em 2019, o filme Five Feet Apart ou ‘A cinco passos de você’ retrata o romance entre dois adolescentes com fibrose cística (FC) que, devido aos perigos relacionados à doença, não podem se tocar ou ficar muito próximos.

No filme, Stella e Will se conhecem no hospital. Enquanto Stella está esperando um possível transplante de pulmão, Will está participando de um estudo clínico de um medicamento que combate infecções por uma bactéria grave. 

Com a possibilidade de contaminação cruzada entre eles, isto é, o Will contaminar Stella com sua bactéria, durante uma conversa, ou por um espirro e tosse (sintomas comuns em pacientes com FC), é muito importante que ambos mantenham uma distância de segurança, de 1 metro (ou ‘5 passos’). Por isso, o nome do filme.

Dessa forma, a trama do filme gira em torno do medo de Stella, de se permitir viver mais “livremente”, correndo alguns riscos de contaminação e na sua tentativa de convencer Will a seguir as regras e fazer seu tratamento corretamente. 

Da sua maneira, o filme apresenta o que é a FC, alguns dos seus sintomas e as dificuldades que as pessoas com essa doença precisam enfrentar. 

O filme foi alvo de críticas por parte da comunidade de FC por tratar a necessidade de afastamento entre os dois protagonistas como algo opcional, e por apresentar os sintomas e a gravidade da doença de forma romantizada. Muitos portadores de FC relataram as dificuldades que possuem para se relacionar e como a necessidade de afastamento é uma triste realidade no seu cotidiano, nada romântico como tratado no filme.

A FC é uma doença complexa e é importante ressaltar que os sintomas e sua gravidade podem variar amplamente entre cada indivíduo. Apesar disso, o filme é uma boa forma de conscientizar a população geral sobre essa doença rara.

 

Sobre a Fibrose Cística

A FC é uma doença crônica e grave causada por um acúmulo de muco espesso e pegajoso nos pulmões e em outros órgãos. 

Pessoas com FC possuem alterações no gene que produz a proteína CFTR, que é responsável por controlar o fluxo de cloreto (um componente do sal) e água nas células do pulmão, pâncreas e de outros órgãos. Falhas nessa proteína causam um desequilíbrio de sal e fluidos dentro e fora das células. O resultado é a formação do muco que causa os sintomas da doença, que incluem tosse persistente, infecções pulmonares recorrentes (pneumonia e bronquite), chiados no peito ou falta de fôlego, entre outros.

A FC é uma doença genética com padrão de herança autossômico recessivo, por isso, para desenvolvê-la é preciso herdar duas cópias do gene alterado, uma da mãe e outra do pai (Figura 1).

autossomico recessivo fibrose cistica

Figura 1: Imagem ilustrativa sobre o padrão de herança autossômico recessivo.

 

Existem mais de 1000 alterações genéticas que causam FC. No entanto, muitas dessas alterações são raras e estão presentes em poucas pessoas no mundo. Pessoas que possuem apenas uma cópia do gene alterado não possuem sintomas, porém, podem transmitir a alteração para seus filhos.

Apesar de grave e sem cura, a FC possui tratamento, que inclui acompanhamento médico, uso de medicações específicas e fisioterapia respiratória. 

A FC é uma das doenças genéticas graves mais comuns na infância e seu tratamento deve iniciar o mais rápido possível. Para isso, é necessário que o diagnóstico preciso seja realizado ainda no recém-nascido. 

Ações como o filme ‘A cinco passos de você’ são muitos importantes para divulgar a doença para um maior número de pessoas. Em setembro, anualmente, são comemorados o Dia Mundial da Fibrose Cística (dia 08) e Dia Nacional de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística (dia 05) em prol da conscientização da população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da FC.

 Se você quer saber mais sobre a FC e como seu diagnóstico é realizado, te convidamos a ler este artigo.

Dúvidas? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

  1. https://en.wikipedia.org/wiki/Five_Feet_Apart
  2. https://www.cff.org/FiveFeetApart/
  3. https://www.cff.org/What-is-CF/About-Cystic-Fibrosis/
  4. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/fibrose-cistica-e-genetica-e-mais-comum-na-infancia
  5. http://bvsms.saude.gov.br/ultimas-noticias/3283-05-9-dia-nacional-de-conscientizacao-e-divulgacao-da-fibrose-cistica-e-08-9-dia-mundial-da-fibrose-cistica-2#:~:text=Em%2008%20de%20setembro%20%C3%A9,respons%C3%A1vel%20por%20provocar%20a%20FC.