Triagem genética vs. diagnóstico genético: qual a diferença?

Triagem genética vs. diagnóstico genético: qual a diferença?

Triagem genética vs. diagnóstico genético: qual a diferença?

Com o aumento do acesso aos testes genéticos, uma dúvida se tornou comum: qual a diferença entre exames genéticos de diagnóstico e testes de triagem genética? 

Existem importantes diferenças entre esses dois tipos de exames. O momento ideal de se realizar cada um deles e para quem são mais apropriados, são exemplos de questões a serem consideradas na escolha. 

Vamos esclarecer essas e outras dúvidas nesse artigo. Continue lendo.

Triagem genética

Exames de triagem têm como objetivo investigar se uma pessoa aparentemente saudável (assintomática) tem um risco aumentado de desenvolver uma doença genética no futuro. Por isso, quanto mais cedo for feito o teste, melhor.  

Como o nome já diz, o teste faz uma triagem à procura de alterações genéticas que conferem um risco aumentado de desenvolver uma doença no futuro. A pessoa testada não deve apresentar sintomas e não é necessário um pedido médico para fazer o teste. 

Testes de triagem genética podem ser realizados antes do nascimento, como o Teste Pré-natal Não Invasivo (NIPT), logo após o nascimento, como o Teste da Bochechinha, ou em qualquer outro momento da vida, tanto para conhecer melhor os riscos de desenvolver doenças, quanto para planejamento familiar, como é feito no este de Triagem de Portador

Atenção! Em alguns casos, pode ser necessário realizar um exame complementar de diagnóstico para confirmar o resultado do teste de triagem. Por exemplo, mulheres grávidas que apresentarem o NIPT positivo precisam realizar exames complementares confirmatórios, para confirmar se o bebe tem a síndrome ou doença genética sugerida pelo exame.

Um resultado positivo para uma doença tratável em um teste de triagem possibilita procedimentos de prevenção, controle e tratamento antes do início dos sintomas.

Por exemplo, caso alterações genéticas que aumentem o risco de desenvolver uma das mais 340 doenças investigadas pelo Teste da Bochechinha sejam detectadas, o médico pode iniciar o tratamento antes mesmo do início dos sintomas e possibilitar que a criança tenha um desenvolvimento saudável. 

Embora o teste de triagem não precise obrigatoriamente de um pedido médico, é  fortemente recomendado que haja acompanhamento com aconselhamento genético, principalmente após um resultado positivo, quando o paciente deve ser encaminhado a  um médico especialista.

Infográfico mostrando a diferença entre uma triagem e um diagnóstico

Diagnóstico genético

Exames de diagnóstico têm como objetivo confirmar uma suspeita médica de alguma doença que já apresenta sintomas. Nesses casos a doença já se desenvolveu e o paciente e seu médico precisam identificá-la. Em casos de doenças familiares já diagnosticadas, exames de diagnóstico genético também podem ser solicitados para parentes biológicos.

Exames diagnósticos devem ser feitos sempre que o paciente apresentar sintomas que indiquem alguma doença genética, para consolidar ou confirmar o diagnóstico clínico. Por ser um exame muito abrangente, que identifica causas genéticas de doenças mesmo quando os sintomas ainda não estão claros, os exames genéticos também são indicados para diagnóstico de doenças de causa desconhecida.

Para realizar um exame de diagnóstico genético é necessário um pedido médico. É recomendado que no pedido o médico descreva a suspeita clínica e quadro clínico do paciente, histórico familiar e o nome do exame e/ou técnica que ele gostaria que fosse realizado. Essas informações são muito importantes para direcionar a análise dos dados genéticos do paciente, principalmente em exames genéticos complexos, como o Sequenciamento Completo do Exoma (SCE).

Resultados de exames de diagnóstico têm se tornado cada vez mais importantes para definição de tratamentos, principalmente para doenças raras e câncer hereditário. 

Os resultados do exame de diagnóstico devem sempre ser compartilhados com o médico solicitante, que será responsável pela interpretação dos resultados e pela escolha da melhor conduta a ser tomada junto com o paciente.

Quer saber mais sobre exames de diagnóstico genético, leia o post especial que esclarece toda as suas dúvidas sobre o tema: guia completo para testes genéticos

Conheça mais sobre os exames de triagem e diagnóstico genético oferecidos pela Mendelics. Exames de diagnóstico genético são para todas as especialidades!

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Diagnóstico genético por CGH-array e SNP-array

Diagnóstico genético por CGH-array e SNP-array

O que é a hibridação cromossômica em microarray (CGH)?

A hibridação cromossômica em microarray é uma técnica de biologia molecular que investiga simultaneamente milhares de regiões no genoma humano para identificar a presença de variações no número de cópias (Copy Number Variations, CNVs). 

As CNVs abrangem as microdeleções (perda de material genético) e microduplicações (ganho de material genético) maiores do que 1kb (1.000 pares de bases) (Figura 1). Perdas ou ganhos no nosso genoma, que incluem um ou vários genes, são a causa de milhares de doenças genéticas. 

deleção duplicação cariotipo

FIgura 1: Ilustração demonstrando o que é uma microduplicação (a região ‘B’ foi duplicada) e uma microdeleção (a região ‘B’ foi perdida) em um cromossomo.

 

A hibridação cromossômica em microarray investiga o genoma com uma capacidade de resolução muito superior ao exame de cariótipo, sendo capaz de identificar microdeleções e microduplicações que não são detectadas no cariótipo.

Por isso os exames de microarray, CGH-array e SNP-array, tem sido cada vez mais utilizados na prática clínica para o diagnóstico genético, principalmente para esclarecer quadro clínicos de causa desconhecida, e que podem ter causa genética. Exemplos: malformações congênitas, deficiência intelectual, atraso de desenvolvimento neuropsicomotor e Transtorno do Espectro Autista (TEA ou autismo).

 

Qual a diferença entre o CGH-array e SNP-array?

Existem dois tipos de hibridação cromossômica em microarrays: o CGH-array (Hibridização Genômica Comparativa – Comparative Genomic Hybridization, CGH) e o SNP-array (Polimorfismos de nucleotídeo único – Single Nucleotide Polymorphisms, SNP). 

Ambos os microarrays conseguem identificar CNVs, porém o SNP-array detecta também regiões de ausência de heterozigose (absence of heterozygosity – AOH) no genoma.

As regiões AOH podem estar associadas a um tipo de alteração genética chamada de dissomia uniparental (UPD). A UPD ocorre quando um par de cromossomos inteiro ou um segmento cromossômico foi herdado do mesmo genitor. As síndrome de Prader-Willi, síndrome de Angelman e síndrome de Silver-Russell são exemplos de doenças genéticas que pode ser causadas por UPD. 

 

Quais as diferenças entre os exames de microarray e cariótipo?

Com o advento das técnicas de hibridação cromossômica em microarrays, na primeira metade da década de 2000, muitos se perguntaram se o exame de cariótipo ia ser substituído pelo CGH-array e SNP-array.

Mas, 15 anos após a disponibilização das primeiras plataformas de microarray, o cariótipo ainda é bastante utilizado no Brasil, seja por obrigatoriedade da análise escalonada da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) ou por limitações da técnica de microarray.

Por isso, é muito importante saber para que serve o cariótipo e em quais situações o exame pode ser complementado ou substituído pelo microarray

 

Para que serve o cariótipo?

O cariótipo é uma técnica de citogenética que estuda os cromossomos humanos. O exame de cariótipo é identifica alterações no número total de cromossomos (aneuploidias), grandes deleções e duplicações, e rearranjos equilibrados.

Aneuploidias:  

As aneuploidias são definidas pela ausência de um cromossomo (monossomia), ou pela presença de uma ou mais cópias de um cromossomo inteiro (trissomia).  

As aneuploidias mais conhecidas são: a síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), a síndrome de Patau (trissomia do 13), a síndrome de Edwards (trissomia do 18); a síndrome de Klinefelter  (47, XXY) e a síndrome de Turner (monossomia do 21). 

 

Grandes deleções e duplicações cromossômicas

As grandes deleções e duplicações causam, respectivamente, perdas e ganhos de grandes segmentos cromossômicos. Elas podem incluir braços inteiros de cromossomos ou abranger segmentos menores. 

Nesse último caso as alterações só serão detectadas pelo cariótipo se puderem ser visualizadas em um microscópio óptico. Caso contrário, somente técnicas de maior resolução, como o microarray, podem detectá-las.  

 

Rearranjos equilibrados

Nos rearranjos equilibrados há troca de posição de segmentos cromossômicos, sem perda ou ganhos (Exemplo: translocações e inversões). 

A maioria das pessoas que possuem rearranjos equilibrados são clinicamente normais. Porém, elas têm risco aumentado de abortos espontâneos, infertilidade e maior chance de ter filhos afetados por doenças genéticas causadas por deleções ou duplicações.

 

O microarray complementa ou substitui o cariótipo?

Caso a suspeita clínica seja de anomalia cromossômica que possa ser identificada pelo cariótipo, este é o exame que deve ser solicitado. Um exemplo é a síndrome de Cri-du-chat, onde a perda de um segmento do braço curto do cromossomo 5, que origina a doença pode ser detectada no cariótipo. 

Quando a suspeita é de um rearranjo equilibrado, exemplo de pacientes com histórico de aborto de repetição e infertilidade, recomenda-se também o cariótipo. Rearranjos equilibrados não causam perdas ou ganhos de segmentos e, por isso, não são detectados pelo microarray

Para pacientes com malformações congênitas, deficiência intelectual, atraso de desenvolvimento neuropsicomotor e autismo, o microarray pode ser solicitado após a realização do cariótipo ou como primeiro exame de diagnóstico genético

Nos Estados Unidos a Sociedade Americana de Genética Médica, recomenda a realização da hibridação cromossômica em microarray como primeiro exame genético para esse grupo de pacientes. 

Essa recomendação baseia-se em estudos que mostraram que a taxa diagnóstica da hibridação cromossômica em microarray é de 14-20%, em comparação a 3% do cariótipo (excluindo-se pacientes com síndrome de Down e outras doenças cromossômicas já conhecidas).

Embora a decisão da solicitação inicial do microarray fique a critério médico, no Brasil o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, que estabelece a cobertura obrigatória para os beneficiários de planos contratados a partir de 1999, autoriza o microarray somente após a realização dos exames de cariótipo e para Síndrome do X Frágil.  

 

A Mendelics oferece o SNP-array de alta resolução

A Mendelics utiliza o Infinium™ Global Screening Array-24 v3.0 BeadChip (Illumina Inc.), uma plataforma de alta densidade que contém mais de 650.000 marcadores distribuídos estrategicamente para garantir ampla cobertura de regiões clinicamente relevantes do genoma humano

O SNP-array de alta densidade oferece as seguintes vantagens:

  • Alta resolução na identificação de CNVs.
  • Cobertura aumentada em genes sensíveis à dosagem. 
  • Detecção de alterações em mosaico e regiões de ausência de heterozigose (AOH).

Importante: Esse texto tem caráter educativo. É fortemente recomendado que o paciente seja acompanhado por um médico que orientará qual a melhor maneira de se proceder. Converse com seu médico.

Quer saber mais sobre o SNP-array ou CGH-array? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

  1. Miller DT, Adam MP, Aradhya S, et al. Consensus statement: chromosomal microarray is a first-tier clinical diagnostic test for individuals with developmental disabilities or congenital anomalies. Am J Hum Genet. 2010;86(5):749-764. 
  2. https://www.anthem.com/dam/medpolicies/abc/active/guidelines/gl_pw_d094176.html
  3. Parecer Técnico Da Sociedade Brasileira De Genética Médica e Genômica Sobre Testes Genéticos. Volume 1. Recomendações Sobre A Qualidade Técnica e Laudo Dos Principais Exames Em Genética Médica. Grupo de Trabalho da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM) sobre exames genéticos – 2018/2021.