Você conhece a Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

Você conhece a Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

Conheça a Epilepsia Responsiva à Piridoxina

 

A Epilepsia Responsiva à Piridoxina ou Epilepsia Piridoxina-Dependente (Pyridoxine-dependent epilepsy, PDE) é uma doença genética rara caracterizada por crises epilépticas frequentes e persistentes que surgem ao nascimento ou nos primeiros meses de vida.  Em casos atípicos a doença se manifesta entre um a três anos de idade ou até mesmo durante a gestação.

A principal característica da PDE é que as crises de epilepsia não são controladas pelos medicamentos antepilépticos comumente utilizados, mas apenas respondem à suplementação de piridoxina (vitamina B6).

Apesar de obterem piridoxina na alimentação, os portadores da PDE precisam de uma suplementação dessa vitamina por toda a vida.

A PDE é uma doença grave, os sinais clínicos variam em cada paciente e o prognóstico depende da idade do diagnóstico e início da suplementação de piridoxina, entre outros fatores. Se não tratada, provoca graves danos no sistema nervoso, afetando a habilidade intelectual e cognitiva da criança. 

Entenda mais sobre essa importante doença rara, suas causas e como o diagnóstico é realizado e mais, nesse artigo.

 

Qual a causa da Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

A PDE é uma doença genética causada por alterações nas duas cópias do gene ALDH7A1. Esse gene é responsável por produzir uma proteína (enzima) chamada antiquitina (conhecida também como desidrogenase do alfa-AASA), que atua no metabolismo do aminoácido lisina, no cérebro.

A ausência de antiquitina, causada pelas alterações no ALDH7A1, ocasionam a uma falha no metabolismo da lisina e o acúmulo de substâncias (metabólitos) que interferem no desenvolvimento e no funcionamento do cérebro.

Somente pessoas que herdaram o gene “defeituoso” da mãe e do pai desenvolvem a doença. A PDE é, portanto, uma doença genética com padrão de herança recessivo.

Quando uma pessoa herda apenas um gene alterado (do pai ou da mãe), considera-se que ela é portadora (do inglês, “carrier”). Portadores não têm sintomas da doença, porém podem transmitir o gene alterado para seus filhos. 

Muitas pessoas não sabem que são portadoras de uma  alteração no gene ALDH7A1 e só descobrem quando tem um filho com a doença. 

 

Quais são os principais sintomas da Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

Muitos sinais e sintomas já foram descritos em pacientes com PDE, porém, crises epilépticas logo após o nascimento são os sintomas clássicos. É comum que os recém-nascidos sejam diagnosticados erroneamente por outras doenças, como a encefalopatia hipóxico-isquêmica, devido aos sintomas. 

Também é comum que os pacientes apresentem atraso no desenvolvimento e deficiência intelectual.

 

Como é feito o diagnóstico da doença?

A suspeita do diagnóstico deve ser considerada nos casos de recém-nascidos ou crianças de até 3 anos de idade que apresentam epilepsia ou encefalopatia sem causa explicada e que não respondem aos tratamentos.

A confirmação do diagnóstico se dá por dosagem bioquímica de biomarcadores no plasma ou urina e pela identificação de mutações no ALDH7A1 no teste genético.

O teste genético analisa o DNA do paciente para buscar alterações no gene  ALDH7A1.  Esse é o teste mais preciso e confiável para identificar a doença, tanto em bebês assintomáticos quanto em pacientes de qualquer idade que tenham algum sintoma da doença.  

A realização do teste genético também é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

A PDE é uma doença que se manifesta ao nascimento ou nos primeiros meses de vida e que precisa ser tratada o mais cedo possível. Estudos mostraram que o diagnóstico tardio e o atraso do tratamento em meses ou anos provoca alterações motoras graves com dificuldade de aprendizagem e alterações sensoriais.

A PDE não é testada no Teste do Pezinho básico do SUS e nem nas versões ampliadas e expandidas oferecidas pela rede privada. No entanto, é uma das mais de 320 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, o teste de triagem neonatal genética mais completo do Brasil.

Quando a criança (ou pessoa de qualquer idade) tem algum sintoma de PDE recomenda-se realizar um exame genético de diagnóstico para confirmar a suspeita. A Mendelics oferece exames para o diagnóstico da PDE, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Painel de Epilepsias

Dúvidas? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.


Referências

  • Coughlin CR 2nd. Pyridoxine-dependent epilepsy is more than just epilepsy. Dev Med Child Neurol. 2020 Mar;62(3):268. doi: 10.1111/dmcn.14405. Epub 2019 Nov 25. PMID: 31763687.
  • Jiao X, Xue J, Gong P, Wu Y, Zhang Y, Jiang Y, Yang Z. Clinical and genetic features in pyridoxine-dependent epilepsy: a Chinese cohort study. Dev Med Child Neurol. 2020 Mar;62(3):315-321. doi: 10.1111/dmcn.14385. Epub 2019 Nov 18. PMID: 31737911.

 

Você conhece a Deficiência da Descarboxilase dos L-Aminoácidos Aromáticos (AADC)?

Você conhece a Deficiência da Descarboxilase dos L-Aminoácidos Aromáticos (AADC)?

Conheça a Deficiência da Descarboxilase dos L-Aminoácidos Aromáticos

 

A deficiência da descarboxilase dos L-aminoácidos aromáticos (Aromatic L-Amino Acid Decarboxylase, AADC) é uma doença genética rara que ocorre por uma falha no metabolismo dos neurotransmissores (substâncias responsáveis por transmitir a mensagem dos neurônios para o corpo) afetando a comunicação entre o cérebro e algumas células do corpo.

Os sintomas da AADC começam na primeira infância, geralmente nos primeiros meses de vida. Podem variar bastante, mas geralmente, as crianças com a doença apresentam atraso no desenvolvimento, distúrbios do movimento (como distonia e hipocinesia), crises oculógiras (movimentos anormais dos olhos), hipotonia (fraqueza muscular), suor excessivo, ptose (queda da pálpebra superior), falta de energia, dificuldade de dormir, problemas gastrointestinais entre outros sintomas. 

Como é uma doença muito rara (apenas algumas centenas de casos foram registrados no mundo), o diagnóstico da AADC costuma ser difícil e pode ser confundido com outros quadros mais comuns como paralisia cerebral, epilepsia e até Transtorno do Espectro Autista

Embora os sintomas da doença já sejam evidentes nas primeiras 10 semanas de vida, o diagnóstico da doença é feito em média somente quando o paciente já tem 3 anos e meia de idade, por isso, a importância da conscientização sobre a doença. 

Saiba mais sobre essa importante doença rara nesse artigo.

 

Qual a causa da AADC?

A causa da doença são mutações no gene DDC, responsável por produzir a enzima AADC. 

Mutações no DDC reduzem ou eliminam a atividade da enzima AADC, resultando em deficiência grave combinada dos neurotransmissores serotonina, dopamina, noradrenalina e adrenalina. Esses neurotransmissores atuam na comunicação (sinalização) das células do sistema nervoso.

 

Como a AADC é herdada?

A AADC possui padrão de herança autossômico recessivo, isso quer dizer que bebê nasce com AADC quando herda duas cópias alteradas do gene DDC, uma do pai e outra da mãe.

Quando apenas uma cópia do gene alterado é herdada, a pessoa é chamada de “portadora”. Ela não vai ter a doença, mas pode transmitir a alteração para os filhos.

Além disso, os pais de uma criança com AADC tem 25% de chances de ter outro filho com a doença. Por isso a importância do aconselhamento genético para famílias com histórico da doença.  

 

autossomico recessivo

Figura 1: Ilustração da forma de herança autossômica recessiva da AADC.

 

Como é feito o diagnóstico da AADC?

A AADC é uma doença difícil de diagnosticar precocemente por ser rara (e consequentemente pouco conhecida) e devido aos seus sinais e sintomas se confundirem com outras doenças. 

A confirmação do diagnóstico da AADC é feito pelo exame genético que vai detectar alterações (em homozigose) no gene DDC. Nesse caso, o sequenciamento do gene DDC ou Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para doenças do neurodesenvolvimento são indicados.

Quando disponíveis em laboratórios acessíveis ao paciente, outros exames laboratoriais podem dar suporte ao diagnóstico, são eles:

  • Punção lombar (coleta do líquido cefalorraquidiano ou líquor): para medir os níveis das substâncias relacionadas a baixos níveis de dopamina e serotonina (L-dopa, 5-hidroxitriptofano (5-HTP), ácido 5-hidroxiindoleacético (5-HIAA), ácido homovanílico ácido (HVA), 3-O-metildopa (3-OMD))
  • Dosagem enzimática: para medir a atividade da enzima AADC.

 

A AADC é uma das mais de 320 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal genética. Com esse teste, que pode ser realizado assim que a criança nasce, a doença pode ser identificada antes do paciente desenvolver qualquer sintoma da doença. A AADC não é avaliada em outros testes de triagem neonatal, como o Teste do Pezinho básico do SUS e nem nas versões ampliadas e expandidas oferecidas pela rede privada.

 

Como é feito o tratamento da AADC?

Os sinais e sintomas da doença podem se manifestar diferentemente em cada pessoa, por isso, o tratamento pode variar de paciente para paciente. Atualmente a doença não tem cura, mas, em alguns casos, o tratamento pode aliviar sintomas da doença. 

Geralmente, são utilizados um conjunto de medicamentos para suprir a falta dos neurotransmissores, como agonistas do receptor de dopamina, agentes anticolinérgicos e antiepilépticos, entre outros. Além disso, é recomendado terapia ocupacional e de fala para melhorar a qualidade de vida da criança.

 

Programa MOVIMENTE 

Para dar suporte ao diagnóstico da AADC e de outros distúrbios do Neurodesenvolvimento e transtornos do Movimento, a Mendelics desenvolveu o Programa Movimente.

O Programa Movimente oferece de forma gratuita um exame de painel de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) que inclui 89 genes relacionados a distúrbios do neurodesenvolvimento e transtornos do movimento com início na primeira infância, incluindo a AADC.

Para saber mais sobre o Programa Movimente, acesse nosso site 

 


Referências

  1. https://medlineplus.gov/genetics/condition/aromatic-l-amino-acid-decarboxylase-deficiency/#causes
  2. http://www.pndassoc.org/diseases/aadc.html
  3. http://repositorio.chlc.min-saude.pt/bitstream/10400.17/2243/1/Acta%20Pediatr%20Port%202002_33_353.pdf
  4. https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/770/aromatic-l-amino-acid-decarboxylase-deficiency#ref_13586
  5. https://aadcnews.com/gene-therapy/
  6. https://ir.ptcbio.com/news-releases/news-release-details/ptc-therapeutics-announces-results-long-term-aadc-deficiency
Entenda a doença Adrenoleucodistrofia do filme Óleo de Lorenzo

Entenda a doença Adrenoleucodistrofia do filme Óleo de Lorenzo

Filme Óleo de Lorenzo

 

Lançado em 1992, o filme ‘Óleo de Lorenzo’ retrata a jornada de um pai e uma mãe na busca por um tratamento eficaz para a doença do seu filho.

O filme, baseado em fatos reais, retrata a dor e angústia de Michaela (Susan Sarandon) e Augusto (Nicki Nolte) ao descobrirem que seu filho Lorenzo (Zack O’Malley Greenburg), de 6 anos, possui uma doença genética grave e progressiva chamada adrenoleucodistrofia (ALD) com um prognóstico de sobrevida de até 2 anos.

Sem aceitar o triste diagnóstico do filho e a falta de um tratamento eficaz, ao mesmo tempo que assistem os sintomas do filho piorarem, os pais decidem lutar para encontrar uma cura para a doença.

Mesmo sendo leigos e sem qualquer formação acadêmica no assunto, Michaela e Augusto passaram a dedicar os seus dias na busca por um tratamento para a ALD. Leram livros, buscaram médicos e outros profissionais da área, indústrias farmacêuticas, conversaram com professores de universidades e até organizaram um simpósio internacional que uniu especialistas do mundo inteiro para discutir um possível tratamento para a doença. 

No filme, todo o esforço se recompensou ao conseguirem produzir uma formulação contendo uma mistura de ácidos graxos (derivados dos ácidos oleico e erúcico). Introduzindo o óleo na dieta do filho, eles observaram que os sintomas pararam de progredir e conseguiram controlar o acúmulo anormal de ácidos graxos de cadeia muito longa no organismo de Lorenzo. Logo, o óleo, chamado “óleo de Lorenzo”,  passou a ser usado para tratamento de outros pacientes.

 

A história real por trás do filme

Tratamento

Apesar de Michaela e Augusto acreditarem que o óleo salvou a vida de Lorenzo, a  eficácia do tratamento utilizando o óleo, no entanto, só foi comprovada anos depois e apenas em pacientes tratados precocemente, antes do início dos sintomas neurológicos.

Contudo, a descoberta que esse e outros tratamentos desenvolvidos posteriormente poderiam ser eficazes quando a doença é diagnosticada precocemente motivou a inclusão da ALD em testes de triagem neonatais. A triagem neonatal é realizada em várias etapas, que inclui testes bioquímicos e a confirmação pelo teste genético.

Nos Estados Unidos, desde 2013 o Estado de Nova Iorque possui uma lei de triagem neonatal da doença e desde 2016, o governo federal americano recomenda a inclusão da doença em testes de triagem neonatal em todo o país. Na Holanda, um grande estudo está sendo conduzido a fim de validar a triagem neonatal da doença. 

O tratamento da ALD é realizado com base nos sintomas do paciente, por isso varia em cada caso e inclui acompanhamento médico e uma equipe multidisciplinar. Para pacientes meninos, o transplante de células-tronco hematopoéticas, por exemplo, têm se mostrado eficaz nos casos que estão nos estágios iniciais dos sintomas cerebrais.

Outros estudos clínicos, utilizando terapia gênica e o óleo de Lorenzo estão sendo conduzidos para encontrar um tratamento eficaz e personalizado. 

 

Diagnóstico precoce

Por ter sinais e sintomas muito variáveis com início e gravidade que podem começar desde a infância até a vida adulta, o diagnóstico da ALD pode ocorrer em diferentes fases da vida. Contudo, os estudos clínicos já realizados demonstraram a importância da triagem neonatal e do diagnóstico ser realizado antes do início dos sintomas.

No Brasil, a doença não faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal, o Teste do Pezinho, mas pode ser triada desde o nascimento no Teste da Bochechinha.

O Teste da Bochechinha foi desenvolvido para dar suporte à Ciência e a Medicina para que outros Lorenzo’s possam receber diagnóstico e tratamento precoce e garantir uma vida melhor e mais saudável.

Ações como o filme são muitos importantes para divulgar a doença para um maior número de pessoas. O contrato para que a história de Lorenzo e sua família se tornasse um filme permitiu a criação da fundação Myelin Project, que atua, até hoje, em prol ao estudo de doenças desmielinizantes, como a ALD.

Quer saber mais sobre a doença ALD? Continue lendo o post

Você conhece a adrenoleucodistrofia?

A adrenoleucodistrofia (ALD) é uma doença genética rara que faz parte do conjunto de doenças chamadas leucodistrofias, causadas por uma deficiência na bainha de mielina, membrana protetora e isolante que envolve os neurônios e permite a condução dos sinais nervosos.

Existem diferentes formas de ALD, que são baseados na idade de início e gravidade dos sintomas. Os sinais e sintomas são variáveis podendo iniciar na primeira infância ou só na vida adulta. A progressão da doença também pode variar. 

Em geral, a ALD possui três apresentações mais comuns:

  • ALD cerebral: Início na infância. Sintomas neurológicos, semelhantes ao transtorno de déficit de atenção ou hiperatividade, perda progressiva da cognição, do comportamento, da visão, da audição e das funções motoras, entre outros.
  • Doença de Addison: Início na infância, mas também pode se manifestar mais tardiamente. Insuficiência adrenal, que apresenta sintomas como: fadiga crônica, fraqueza muscular, perda de apetite, perda de peso, dor abdominal, vômitos, entre outros.
  • Mielopatia: Início na vida adulta (em torno dos 20 anos). Os sintomas são progressivos e afetam os nervos da medula espinhal e incluem rigidez progressiva, fraqueza das pernas, distúrbios do esfíncter, sexuais e calvície.

 

Qual a causa da adrenoleucodistrofia?

A ALD é causada por alterações (mutações) no gene ABCD1, responsável por produzir a proteína ALD (ALDP), que atua no transporte de moléculas de gordura (ácidos graxos de cadeia muito longa) até as estruturas celulares chamadas de peroxissomos. Esse transporte é fundamental para que os ácidos graxos de cadeia muito longa sejam metabolizados. 

Quando a proteína ALD não funciona adequadamente, esse transporte não ocorre e, consequentemente, os ácidos graxos de cadeia muito longa não são metabolizados, se acumulando em vários tecidos do organismo.

O tecido endócrino, incluindo as glândulas supra-renais e os testículos, o cérebro e a medula espinhal e os nervos periféricos são os tecidos mais afetados. Contudo, os mecanismos biológicos pelos quais o acúmulo anormal de ácidos graxos de cadeia muito longa afeta os tecidos e provoca os sintomas, ainda não está bem esclarecido. 

 

Como a adrenoleucodistrofia é herdada?

A ALD é uma doença genética com padrão de herança ligado ao X recessivo. Para desenvolvê-la é preciso herdar uma cópia do gene ABCD1 alterado (Figura 1). 

 

recessiva ligada ao x adrenoleucodistrofia

Figura 1: Ilustração de doença com padrão de herança ligado ao X recessivo. Alguns casos de adrenoleucodistrofia não seguem esse modelo e podem ocorrer devido a mutações novas ou ‘de novo’, não representadas na imagem.

 

Na maioria dos casos, a alteração é transmitida de um dos pais para o filho. Entretanto, em alguns poucos casos (cerca de 5%) o bebê não herda a alteração genética dos pais, mas sim ocorre uma “mutação nova” ou “de novo” do ABCD1

Os genes estão em pares, sendo uma cópia herdada do pai e outra da mãe. Contudo, os cromossomos sexuais são diferentes. Os homens têm apenas um cromossomo X, herdado da mãe e um cromossomo Y, herdado do pai. Já as mulheres herdam dois cromossomos X, um do pai e outro da mãe.

Como o gene ABCD1 está localizado no cromossomo X, mulheres que possuem uma cópia do gene ABCD1 alterada quase sempre apresentam sintomas mais leves da doença ou nem apresentam sintomas, sendo chamadas de portadoras. Como as mulheres possuem duas cópias do cromossomo X, mesmo que recebam um cromossomo X com a alteração no gene ABCD1, a outra cópia do gene será funcional.

Mulheres portadoras podem transmitir a cópia alterada para um filho homem, que terá ALD, e para filhas mulheres, que também serão portadoras.

Homens que herdam a alteração no gene ABCD1 terão ALD porque não possuem um outro cromossomo X com uma cópia do gene que funcione. Homens com ALD sempre irão transmitir a cópia alterada para as filhas mulheres e nunca irão transmitir para os filhos homens.

Por esse motivo, a ALD é mais comum em homens que, em geral, desenvolvem sintomas mais sérios do que as mulheres. 

 

Como é feito o diagnóstico da doença?

O diagnóstico da ALD pode ser realizado pela dosagem dos níveis de ácidos graxos de cadeia muito longa no sangue. Porém, a dosagem plasmática pode apresentar resultados inconclusivos e só é precisa para o diagnóstico de homens. Cerca de 20% das mulheres com ALD podem apresentar resultado “falso negativo”  com níveis normais dos ácidos graxos.

Para confirmar ALD é preciso detectar a alteração no gene ABCD1 no DNA por meio do exame genético. Esse é o teste mais preciso para identificar a doença, tanto em bebês assintomáticos quanto em pacientes de qualquer idade que tenham algum sintoma da doença.  

Além disso, o exame genético auxilia o aconselhamento genético da família, planejamento de futuros filhos dos pais e da criança.

 

Diagnóstico genético e a Mendelics

Quando a criança (ou pessoa de qualquer idade) tem algum sintoma de ALD recomenda-se realizar um exame genético de diagnóstico para confirmar a suspeita.

Para o diagnóstico de ALD a Mendelics oferece vários exames que analisam o gene ABCD1, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis

É importante ressaltar que exames de diagnóstico só podem ser realizando mediante solicitação e acompanhamento médico. Converse com o seu médico.

A ALD também é uma das mais 320 doenças do Teste da Bochechinha, o mais completo teste de triagem neonatal realizado no Brasil.  Bebês com alto risco de desenvolver ALD, identificados no Teste da Bochechinha, podem iniciar precocemente o acompanhamento médico e tratamento da doença.

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Referências

  1. https://www.imdb.com/title/tt0104756/
  2. https://rarediseases.org/rare-diseases/adrenoleukodystrophy/
  3. https://www.theguardian.com/science/2008/jun/04/medicalresearch.genetics
  4. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3503704/
  5. https://www.myelinproject.co.uk/
  6. Matsukawa T, Yamamoto T, Honda A, Toya T, Ishiura H, Mitsui J, Tanaka M, Hao A, Shinohara A, Ogura M, Kataoka K, Seo S, Kumano K, Hosoi M, Narukawa K, Yasunaga M, Maki H, Ichikawa M, Nannya Y, Imai Y, Takahashi T, Takahashi Y, Nagasako Y, Yasaka K, Mano KK, Matsukawa MK, Miyagawa T, Hamada M, Sakuishi K, Hayashi T, Iwata A, Terao Y, Shimizu J, Goto J, Mori H, Kunimatsu A, Aoki S, Hayashi S, Nakamura F, Arai S, Momma K, Ogata K, Yoshida T, Abe O, Inazawa J, Toda T, Kurokawa M, Tsuji S. Clinical efficacy of haematopoietic stem cell transplantation for adult adrenoleukodystrophy. Brain Commun. 2020 Jan 14;2(1):fcz048. doi: 10.1093/braincomms/fcz048. PMID: 32954314; PMCID: PMC7425345.
  7. Engelen M, Kemp S, Poll-The BT. X-linked adrenoleukodystrophy: pathogenesis and treatment. Curr Neurol Neurosci Rep. 2014 Oct;14(10):486. doi: 10.1007/s11910-014-0486-0. PMID: 25115486.
Filme A Cinco Passos de Você – Conscientização sobre Fibrose Cística

Filme A Cinco Passos de Você – Conscientização sobre Fibrose Cística

Lançado em 2019, o filme Five Feet Apart ou ‘A cinco passos de você’ retrata o romance entre dois adolescentes com fibrose cística (FC) que, devido aos perigos relacionados à doença, não podem se tocar ou ficar muito próximos.

No filme, Stella e Will se conhecem no hospital. Enquanto Stella está esperando um possível transplante de pulmão, Will está participando de um estudo clínico de um medicamento que combate infecções por uma bactéria grave. 

Com a possibilidade de contaminação cruzada entre eles, isto é, o Will contaminar Stella com sua bactéria, durante uma conversa, ou por um espirro e tosse (sintomas comuns em pacientes com FC), é muito importante que ambos mantenham uma distância de segurança, de 1 metro (ou ‘5 passos’). Por isso, o nome do filme.

Dessa forma, a trama do filme gira em torno do medo de Stella, de se permitir viver mais “livremente”, correndo alguns riscos de contaminação e na sua tentativa de convencer Will a seguir as regras e fazer seu tratamento corretamente. 

Da sua maneira, o filme apresenta o que é a FC, alguns dos seus sintomas e as dificuldades que as pessoas com essa doença precisam enfrentar. 

O filme foi alvo de críticas por parte da comunidade de FC por tratar a necessidade de afastamento entre os dois protagonistas como algo opcional, e por apresentar os sintomas e a gravidade da doença de forma romantizada. Muitos portadores de FC relataram as dificuldades que possuem para se relacionar e como a necessidade de afastamento é uma triste realidade no seu cotidiano, nada romântico como tratado no filme.

A FC é uma doença complexa e é importante ressaltar que os sintomas e sua gravidade podem variar amplamente entre cada indivíduo. Apesar disso, o filme é uma boa forma de conscientizar a população geral sobre essa doença rara.

 

Sobre a Fibrose Cística

A FC é uma doença crônica e grave causada por um acúmulo de muco espesso e pegajoso nos pulmões e em outros órgãos. 

Pessoas com FC possuem alterações no gene que produz a proteína CFTR, que é responsável por controlar o fluxo de cloreto (um componente do sal) e água nas células do pulmão, pâncreas e de outros órgãos. Falhas nessa proteína causam um desequilíbrio de sal e fluidos dentro e fora das células. O resultado é a formação do muco que causa os sintomas da doença, que incluem tosse persistente, infecções pulmonares recorrentes (pneumonia e bronquite), chiados no peito ou falta de fôlego, entre outros.

A FC é uma doença genética com padrão de herança autossômico recessivo, por isso, para desenvolvê-la é preciso herdar duas cópias do gene alterado, uma da mãe e outra do pai (Figura 1).

autossomico recessivo fibrose cistica

Figura 1: Imagem ilustrativa sobre o padrão de herança autossômico recessivo.

 

Existem mais de 1000 alterações genéticas que causam FC. No entanto, muitas dessas alterações são raras e estão presentes em poucas pessoas no mundo. Pessoas que possuem apenas uma cópia do gene alterado não possuem sintomas, porém, podem transmitir a alteração para seus filhos.

Apesar de grave e sem cura, a FC possui tratamento, que inclui acompanhamento médico, uso de medicações específicas e fisioterapia respiratória. 

A FC é uma das doenças genéticas graves mais comuns na infância e seu tratamento deve iniciar o mais rápido possível. Para isso, é necessário que o diagnóstico preciso seja realizado ainda no recém-nascido. 

Ações como o filme ‘A cinco passos de você’ são muitos importantes para divulgar a doença para um maior número de pessoas. Em setembro, anualmente, são comemorados o Dia Mundial da Fibrose Cística (dia 08) e Dia Nacional de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística (dia 05) em prol da conscientização da população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da FC.

 Se você quer saber mais sobre a FC e como seu diagnóstico é realizado, te convidamos a ler este artigo.

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Referências

  1. https://en.wikipedia.org/wiki/Five_Feet_Apart
  2. https://www.cff.org/FiveFeetApart/
  3. https://www.cff.org/What-is-CF/About-Cystic-Fibrosis/
  4. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/fibrose-cistica-e-genetica-e-mais-comum-na-infancia
  5. http://bvsms.saude.gov.br/ultimas-noticias/3283-05-9-dia-nacional-de-conscientizacao-e-divulgacao-da-fibrose-cistica-e-08-9-dia-mundial-da-fibrose-cistica-2#:~:text=Em%2008%20de%20setembro%20%C3%A9,respons%C3%A1vel%20por%20provocar%20a%20FC.
Entenda a doença do filho da Jornalista Larissa Carvalho do vídeo do TEDxPUCMinas

Entenda a doença do filho da Jornalista Larissa Carvalho do vídeo do TEDxPUCMinas

Na última semana um vídeo publicado pelo TEDxPUCMinas 2020 repercutiu nas redes sociais. No vídeo a jornalista Larissa Carvalho contou a jornada em busca do diagnóstico do seu filho, Théo, de 4 anos, que nos seus primeiros meses de vida teve paralisia cerebral.

Após muito tempo buscando entender porque seu filho teve paralisia cerebral, finalmente Larissa obteve o diagnóstico final: seu filho Théo possui uma doença genética recessiva chamada Acidúria Glutárica tipo I. Um erro inato do metabolismo que possui tratamento e que quanto mais cedo for diagnosticado e tratado, melhor a qualidade de vida e prognóstico da criança.

No vídeo, Larissa descreve o susto que sofreu ao receber a notícia da doença e, principalmente, da frustração ao saber que a doença tem tratamento eficiente quando diagnosticada precocemente. Por isso, passou a se dedicar em divulgar para o maior número de pessoas os benefícios da ampliação do Teste do Pezinho básico e da importância da triagem neonatal.

Acidúria Glutárica tipo I: A doença do Théo

A Acidúria Glutárica tipo I (AG1), conhecida também como Acidemia Glutárica tipo 1, é uma doença genética rara do grupo de erros inatos do metabolismo (EIM) que é causada pela deficiência de uma enzima da mitocôndria chamada glutaril-CoA desidrogenase (GCDH).

Normalmente, o organismo é capaz de metabolizar a proteína dos alimentos (presente, por exemplo, no leite, na carne bovina e em peixes) em aminoácidos. A enzima GCDH é responsável por realizar o metabolismo dos aminoácidos triptofano, lisina e hidroxilisina, ‘quebrando-os’ em uma substância chamada ácido glutárico, que é convertida em energia. 

Em bebês com AG1, a enzima GCDH está ausente ou não funciona (deficiente), tornando esses bebês incapazes de metabolizar esses aminoácidos e permitindo que haja um acúmulo deles e de outras substâncias nocivas ao organismo (ácido glutárico, 3-OH-glutárico e glutacônico). Essas substâncias acumuladas começam a danificar uma parte do cérebro chamado gânglio basal que controla o movimento motor.

 

Qual a causa da acidúria glutárica tipo I?

A AG1 é causada por alterações genéticas (mutações) nas duas cópias do gene GCDH, que é responsável por produzir a enzima GCDH. 

É uma doença genética com padrão de herança recessivo, por isso, para desenvolvê-la é preciso herdar o gene GCDH “defeituoso” da mãe e do pai. 

Quando o bebê recebe apenas um gene GCDH “defeituoso” (do pai ou da mãe), é considerado um “portador”. Portadores (de alterações genéticas que causam doenças) não têm os sintomas da doença, porém, podem transmitir o seu gene alterado para os seus filhos.  

Por isso, muitas pessoas não sabem que são portadoras de uma alteração no gene GCDH e só descobrem quando tem um filho com a doença, como no caso da jornalista Larissa Matos e seu marido.

 

Quais são os principais sintomas da acidúria glutárica tipo I?

A maioria dos bebês com AG1 nascem aparentemente saudáveis, mas na maioria dos casos, os sinais e sintomas começam a se manifestar na primeira infância. Em um pequeno número de casos, os sintomas se iniciam mais tarde: após os seis anos de idade. 

É frequente que bebês com AG1 apresentarem macrocefalia (circunferência da cabeça maior do que o esperado para a idade) ao nascimento. Por isso, a doença precisa ser investigada em recém-nascidos com macrocefalia.

Quando o AG1 não é tratado precocemente, em geral, bebês entre 3 meses e 3 anos de idade apresentam crise encefalopática aguda, caracterizada por diminuição do tônus muscular (hipotonia), perda de habilidades motoras, dificuldade de alimentação e, às vezes, convulsões. O controle do movimento das mãos, braços, pés, pernas, cabeça e pescoço pode ficar muito difícil e podem ocorrer espasmos musculares. 

Essas crises ocorrem geralmente devido a uma infecção febril, jejum ou outro fator de estresse para o corpo, como vacinas ou cirurgias. E resultam em lesões cerebrais graves e irreversíveis que podem levar a morte.

 

Como a doença pode ser identificada?

A AG1 não faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal do SUS, que rastreia apenas seis doenças (fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase). A doença é triada em algumas versões ampliadas do Teste do Pezinho que usam espectrometria de massa em tandem (MS/MS). 

A doença também pode ser identificada em um exame genético, um tipo de teste que analisa diretamente o DNA para identificar mutações no gene GCDH.  Esse é o teste mais preciso e confiável para identificar a doença, tanto em bebês assintomáticos (teste de triagem) quanto em pacientes de qualquer idade que tenham algum sintoma da doença (teste de diagnóstico).  

A realização do teste genético também é altamente recomendado para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

 

Como é feito o tratamento da acidúria glutárica tipo I?

O tratamento da AG1 tem como objetivo reduzir a produção das substâncias tóxicas ao organismo através da restrição da ingestão de lisina e triptofano. É relativamente simples e consiste em uma dieta hipoproteica com baixo teor de lisina e com suplementação oral de carnitina.

Porém, após o início das sequelas neurológicas, o tratamento nutricional é pouco eficaz. 

 

Conheça o Teste da Bochechinha

Foi pensando no diagnóstico precoce de doenças raras que possuem tratamento disponível, como a do Théo, que a Mendelics desenvolveu o teste de triagem neonatal genética mais completo do Brasil: o Teste da Bochechinha.

O Teste da Bochechinha é uma triagem genética que analisa diretamente o DNA em busca de alterações genéticas que predispõem o recém-nascido a desenvolver doença(s) tratáveis de manifestação ainda na infância.

Centenas de doenças genéticas raras que possuem tratamento não são triadas pelo Teste do Pezinho, mas são identificadas através de uma análise genética. 

O Teste da Bochechinha:

  • Analisa o DNA do bebê pela técnica de Sequenciamento de Nova Geração (NGS)
  • É capaz de triar mais de 310 doenças tratáveis
  • Contempla doenças e genes escolhidos pela equipe médica da Mendelics com base na literatura médica e em bancos de dados genéticos 
  • A coleta é rápida e indolor e pode ser feita pelos pais do bebê

 

Por que o Teste da Bochechinha é importante para o diagnóstico precoce da acidúria glutárica tipo I?

O AG1 é uma doença grave e progressiva que prejudica a qualidade de vida e futuro do bebê. Porém, com diagnóstico e tratamento desde o nascimento, o desenvolvimento dos sintomas graves é totalmente evitável e controlável.

O AG1 ainda não faz parte do Teste do Pezinho do SUS e só pode ser detectado precocemente em exames laboratoriais da rede privada. Por isso, a AG1 é uma das mais de 310 doenças investigadas no Teste da Bochechinha

O Bochechinha complementa o Teste do Pezinho básico e o expandido/ampliado. Centenas de doenças genéticas raras que possuem tratamento não são triadas pelo Teste do Pezinho, mas são identificadas através de uma análise genética. 

Através da moderna técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), o DNA do bebê é analisado a fim de buscar alterações no GCDH e em centenas de outros genes. 

Bebês com alto risco de desenvolver AG1, identificados em nosso teste, podem iniciar precocemente o acompanhamento médico e tratamento da doença. Quanto mais cedo diagnóstico e o início do tratamento, maior a qualidade de vida do paciente.

 

Meu filho tem suspeita de acidúria glutárica tipo I, posso fazer o Teste da Bochechinha para confirmar o diagnóstico?

O Teste da Bochechinha é um teste de triagem neonatal.

Quando a criança (ou pessoa de qualquer idade) tem algum sintoma de AG1 ou o recém-nascido teve o resultado do teste do pezinho ampliado/expandido positivo para AG1, recomenda-se realizar um exame genético de diagnóstico para confirmar a suspeita. 

A Mendelics oferece exames para o diagnóstico de AG1, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Painel de Distonias. Converse com seu médico!

Quer saber mais sobre a Acidúria glutárica tipo I e outras doenças raras tratáveis? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

  1. https://www.youtube.com/watch?v=ElqZ7-FXHdw
  2. https://rarediseases.org/rare-diseases/glutaricaciduria-i/
  3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK546575/
  4. https://www.spdm.org.pt/media/1285/consensos-spp_spdm_38-5-acid%C3%BAria-glut%C3%A1rica-tipo-i.pdf
  5. https://medlineplus.gov/genetics/condition/glutaric-acidemia-type-i/#resources