O que é Genoma e Exoma?

O que é Genoma e Exoma?

Você conhece a diferença entre Genoma e Exoma?

O genoma humano é o conjunto total de DNA presente em cada uma das nossas células. É no DNA que toda a informação genética é armazenada e transmitida para nossos descendentes. 

O nosso genoma possui entre 20.000 a 22.000 genes, que são formados por éxons e íntrons. O exoma é o conjunto de todos os éxons do genoma humano. 

Muitas vezes a compreensão desses dois termos é um pouco difícil, para facilitar a visualização e o entendimento criamos uma série de vídeos chamada de Genética à mão.

Na série, explicamos termos de genética e genômica através de ilustrações feita por uma colaboradora da nossa equipe Mendelics.

Confira na íntegra:

Gostou do vídeo? Compartilhe para que mais pessoas entendam melhor sobre seu genoma.

Glossário de genética

Glossário de genética

Termos que você precisa saber em genética e genômica 

 

Ácido desoxirribonucleico (DNA)

A molécula química que contém ou ‘codifica’ informações genéticas. O DNA é composto de quatro bases químicas diferentes conhecidas como ‘A’ (adenina), ‘C’ (citosina), ‘G’ (guanina) e ‘T’ (timina).

As informações contidas no DNA incluem todas as informações necessárias para a formação, crescimento e manutenção de um indivíduo – seja humano, outro animal, planta, bactéria ou fungo. Alterações no DNA de um organismo podem ter um impacto significativo em seu fenótipo.

 

Bases 

Componentes do DNA ou RNA. No DNA, existem quatro bases químicas: adenina (A), guanina (G), timina (T) e citosina (C). No RNA, as bases são idênticas, exceto a timina, que é substituída pelo uracil (U).

A ordem das bases em um gene determina a ordem dos aminoácidos em uma proteína. Alterações nas bases podem resultar em alterações nos aminoácidos e na estrutura ou função da proteína produzida pelo gene. Isso pode resultar em alterações no indivíduo, como diferenças na cor dos cabelos ou dos olhos, ou no desenvolvimento de doenças.

 

Nucleotídeo

Moléculas que servem como blocos de construção de DNA e RNA. Os nucleotídeos consistem em uma base nitrogenada – adenina, citosina, guanina ou timina (uracil no RNA), açúcar (desoxirribose no DNA, ribose no RNA) e um grupo fosfato.

Cada trinca de três nucleotídeos nas seções de codificação de proteínas do genoma codifica um aminoácido. Alterações na sequência nucleotídica podem afetar o aminoácido codificado e alterar a forma e a função da proteína resultante.

Quando se diz que o DNA consiste em 3 bilhões de bases ou que uma única alteração de uma base do DNA de uma pessoa é a causa de uma doença, esta é uma referência à base nitrogenada dentro de cada nucleotídeo.

 

Códon

Uma sequência de três bases no DNA ou RNA que contém as instruções para a colocação de um aminoácido específico na produção de uma proteína.

Alterações nas bases dentro de um códon podem ter uma variedade de efeitos no aminoácido e proteína resultante. 

Frequentemente não há efeito nenhum, pois nosso código genético é redundante, isto é, a maioria dos aminoácidos pode ser codificada por mais de um códon diferente. Por exemplo, ambos os códons GGT e GGC codificam o aminoácido glicina, portanto, a alteração do DNA não afetará o aminoácido codificado ou a proteína produzida. 

Outras alterações no códon podem afetar o aminoácido resultante, por exemplo, GGT alterado para GAT altera o aminoácido glicina para o aspartato. Isso pode ou não resultar em efeitos significativos no organismo, mas é possível que essa pequena alteração possa ter um grande efeito funcional. Outras mudanças podem inserir ou excluir bases que podem afetar vários códons ao mesmo tempo, em geral, impactando significativamente a proteína final.

 

Aminoácido

Blocos químicos de construção dos quais as proteínas são feitas. Existem 20 tipos diferentes de aminoácidos que podem ser combinados de várias formas para produzir muitas proteínas diferentes no nosso organismo.

A ordem dos aminoácidos em uma proteína afeta sua estrutura e função. Essa ordem é codificada pelo DNA no gene correspondente. Algumas alterações na sequência de DNA podem alterar o aminoácido codificado e, portanto, a proteína final.

Ao identificar uma alteração no DNA, é possível inferir se isso irá alterar o aminoácido codificado e se poderá ou não ter um impacto funcional. Esta informação pode ser usada para estabelecer a causa de uma doença e se um tratamento específico é apropriado.

 

Gene

Um segmento de DNA, com uma sequência específica da nucleotídeos, na qual está codificada a informação para formação de um polipeptídeo específico. Ou seja, a sequência de DNA que contém as instruções biológicas para a produção de uma cadeia polipeptídica, geralmente uma proteína ou componente específico de uma proteína.

Os genes são essenciais para todas as funções do organismo. Alterações nos genes podem levar a falha no funcionamento ou não-formação das proteínas codificadas.

A maioria das alterações no DNA funcionais identificadas no genoma estão dentro dos genes. A maioria das doenças raras é causada por variações nos genes.

 

Éxon

Seções dentro dos genes que possuem as sequências de codificação das proteínas e que, portanto, serão incluídas no mRNA (RNA mensageiro) final processado. 

Os éxons contêm informações que resultam diretamente na ordem final dos aminoácidos dentro da proteína. Os íntrons estão intercalados entre os éxons e são removidos durante o processamento do RNA mensageiro, em um processo conhecido como splicing. Alterações na sequência do éxon podem resultar em alterações na sequência de aminoácidos e na proteína resultante.

 

Íntron

Seções dos genes, que não codificam aminoácidos, e que são removidas do RNA mensageiro, antes da tradução em uma proteína

Os íntrons podem conter informações importantes que ajudam a regular a produção das proteínas e outros processos moleculares, mas não codificam aminoácidos. Eles são removidos durante o processamento do RNA mensageiro, em um processo conhecido como splicing. Alterações em sequências específicas do íntron podem resultar em erros de splicing, afetando a proteína final, ou então podem ter impacto na regulação gênica. 

 

Polipeptídeos 

Uma cadeia de aminoácidos.

Os genes codificam cadeias de aminoácidos chamados polipeptídeos. Uma proteína pode ser constituída de um único polipeptídeo ou vários polipeptídeos. Alterações em um polipeptídeo podem afetar a estrutura e a função da proteína. Compreender como as alterações afetam a proteína final pode ser importante para entender como as variações genômicas resultam em uma doença ou condição específica e podem ajudar no desenvolvimento de tratamentos.

 

Proteína

Molécula grande composta por uma ou mais cadeias de aminoácidos, cuja sequência é determinada pelo DNA. O corpo humano tem mais de 100.000 proteínas diferentes, realizando muitas funções diferentes.

As proteínas são essenciais para as células e, portanto, para todo o nosso organismo, funcionar corretamente. Em muitos casos, é uma falha em uma proteína que contribui para a progressão de uma doença ou condição.

 

Genoma

O material genético completo de um organismo, incluindo as regiões gênicas que fornecem as instruções para a produção de proteínas (2% do genoma) e as sequências não codificadoras (98% do genoma).

O sequenciamento de genoma, ou de partes do genoma, está se tornando parte dos cuidados de saúde de rotina para auxiliar na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças.

 

Cromossomos

Pacotes de DNA firmemente empacotados juntamente a proteínas associadas. Quase todas as células humanas têm um conjunto de 46 cromossomos, divididos em 23 pares, sendo que 22 pares são autossômicos, e o 23º par são os cromossomos sexuais (X ou Y).

Os cromossomos contêm quase todo o DNA em uma célula humana, com exceção do DNA encontrado nas mitocôndrias. Alterações nos cromossomos podem levar a uma variedade de condições. As maiores alterações são aneuploidias, onde há uma cópia adicional ou uma cópia faltante de um dos cromossomos, como visto na síndrome de Down (trissomia do 21), síndrome de Edward (trissomia 18) e síndrome de Patau (trissomia 13).

Há também mudanças nas quais partes dos cromossomos estão ausentes, duplicadas ou movidas de um cromossomo para outro. O complemento de cromossomos de um organismo pode ser visualizado através de um cariótipo.

Entenda a doença do filho da Jornalista Larissa Carvalho do vídeo do TEDxPUCMinas

Entenda a doença do filho da Jornalista Larissa Carvalho do vídeo do TEDxPUCMinas

Na última semana um vídeo publicado pelo TEDxPUCMinas 2020 repercutiu nas redes sociais. No vídeo a jornalista Larissa Carvalho contou a jornada em busca do diagnóstico do seu filho, Théo, de 4 anos, que nos seus primeiros meses de vida teve paralisia cerebral.

Após muito tempo buscando entender porque seu filho teve paralisia cerebral, finalmente Larissa obteve o diagnóstico final: seu filho Théo possui uma doença genética recessiva chamada Acidúria Glutárica tipo I. Um erro inato do metabolismo que possui tratamento e que quanto mais cedo for diagnosticado e tratado, melhor a qualidade de vida e prognóstico da criança.

No vídeo, Larissa descreve o susto que sofreu ao receber a notícia da doença e, principalmente, da frustração ao saber que a doença tem tratamento eficiente quando diagnosticada precocemente. Por isso, passou a se dedicar em divulgar para o maior número de pessoas os benefícios da ampliação do Teste do Pezinho básico e da importância da triagem neonatal.

Acidúria Glutárica tipo I: A doença do Théo

A Acidúria Glutárica tipo I (AG1), conhecida também como Acidemia Glutárica tipo 1, é uma doença genética rara do grupo de erros inatos do metabolismo (EIM) que é causada pela deficiência de uma enzima da mitocôndria chamada glutaril-CoA desidrogenase (GCDH).

Normalmente, o organismo é capaz de metabolizar a proteína dos alimentos (presente, por exemplo, no leite, na carne bovina e em peixes) em aminoácidos. A enzima GCDH é responsável por realizar o metabolismo dos aminoácidos triptofano, lisina e hidroxilisina, ‘quebrando-os’ em uma substância chamada ácido glutárico, que é convertida em energia. 

Em bebês com AG1, a enzima GCDH está ausente ou não funciona (deficiente), tornando esses bebês incapazes de metabolizar esses aminoácidos e permitindo que haja um acúmulo deles e de outras substâncias nocivas ao organismo (ácido glutárico, 3-OH-glutárico e glutacônico). Essas substâncias acumuladas começam a danificar uma parte do cérebro chamado gânglio basal que controla o movimento motor.

 

Qual a causa da acidúria glutárica tipo I?

A AG1 é causada por alterações genéticas (mutações) nas duas cópias do gene GCDH, que é responsável por produzir a enzima GCDH. 

É uma doença genética com padrão de herança recessivo, por isso, para desenvolvê-la é preciso herdar o gene GCDH “defeituoso” da mãe e do pai. 

Quando o bebê recebe apenas um gene GCDH “defeituoso” (do pai ou da mãe), é considerado um “portador”. Portadores (de alterações genéticas que causam doenças) não têm os sintomas da doença, porém, podem transmitir o seu gene alterado para os seus filhos.  

Por isso, muitas pessoas não sabem que são portadoras de uma alteração no gene GCDH e só descobrem quando tem um filho com a doença, como no caso da jornalista Larissa Matos e seu marido.

 

Quais são os principais sintomas da acidúria glutárica tipo I?

A maioria dos bebês com AG1 nascem aparentemente saudáveis, mas na maioria dos casos, os sinais e sintomas começam a se manifestar na primeira infância. Em um pequeno número de casos, os sintomas se iniciam mais tarde: após os seis anos de idade. 

É frequente que bebês com AG1 apresentarem macrocefalia (circunferência da cabeça maior do que o esperado para a idade) ao nascimento. Por isso, a doença precisa ser investigada em recém-nascidos com macrocefalia.

Quando o AG1 não é tratado precocemente, em geral, bebês entre 3 meses e 3 anos de idade apresentam crise encefalopática aguda, caracterizada por diminuição do tônus muscular (hipotonia), perda de habilidades motoras, dificuldade de alimentação e, às vezes, convulsões. O controle do movimento das mãos, braços, pés, pernas, cabeça e pescoço pode ficar muito difícil e podem ocorrer espasmos musculares. 

Essas crises ocorrem geralmente devido a uma infecção febril, jejum ou outro fator de estresse para o corpo, como vacinas ou cirurgias. E resultam em lesões cerebrais graves e irreversíveis que podem levar a morte.

 

Como a doença pode ser identificada?

A AG1 não faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal do SUS, que rastreia apenas seis doenças (fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase). A doença é triada em algumas versões ampliadas do Teste do Pezinho que usam espectrometria de massa em tandem (MS/MS). 

A doença também pode ser identificada em um exame genético, um tipo de teste que analisa diretamente o DNA para identificar mutações no gene GCDH.  Esse é o teste mais preciso e confiável para identificar a doença, tanto em bebês assintomáticos (teste de triagem) quanto em pacientes de qualquer idade que tenham algum sintoma da doença (teste de diagnóstico).  

A realização do teste genético também é altamente recomendado para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

 

Como é feito o tratamento da acidúria glutárica tipo I?

O tratamento da AG1 tem como objetivo reduzir a produção das substâncias tóxicas ao organismo através da restrição da ingestão de lisina e triptofano. É relativamente simples e consiste em uma dieta hipoproteica com baixo teor de lisina e com suplementação oral de carnitina.

Porém, após o início das sequelas neurológicas, o tratamento nutricional é pouco eficaz. 

 

Conheça o Teste da Bochechinha

Foi pensando no diagnóstico precoce de doenças raras que possuem tratamento disponível, como a do Théo, que a Mendelics desenvolveu o teste de triagem neonatal genética mais completo do Brasil: o Teste da Bochechinha.

O Teste da Bochechinha é uma triagem genética que analisa diretamente o DNA em busca de alterações genéticas que predispõem o recém-nascido a desenvolver doença(s) tratáveis de manifestação ainda na infância.

Centenas de doenças genéticas raras que possuem tratamento não são triadas pelo Teste do Pezinho, mas são identificadas através de uma análise genética. 

O Teste da Bochechinha:

  • Analisa o DNA do bebê pela técnica de Sequenciamento de Nova Geração (NGS)
  • É capaz de triar mais de 310 doenças tratáveis
  • Contempla doenças e genes escolhidos pela equipe médica da Mendelics com base na literatura médica e em bancos de dados genéticos 
  • A coleta é rápida e indolor e pode ser feita pelos pais do bebê

 

Por que o Teste da Bochechinha é importante para o diagnóstico precoce da acidúria glutárica tipo I?

O AG1 é uma doença grave e progressiva que prejudica a qualidade de vida e futuro do bebê. Porém, com diagnóstico e tratamento desde o nascimento, o desenvolvimento dos sintomas graves é totalmente evitável e controlável.

O AG1 ainda não faz parte do Teste do Pezinho do SUS e só pode ser detectado precocemente em exames laboratoriais da rede privada. Por isso, a AG1 é uma das mais de 310 doenças investigadas no Teste da Bochechinha

O Bochechinha complementa o Teste do Pezinho básico e o expandido/ampliado. Centenas de doenças genéticas raras que possuem tratamento não são triadas pelo Teste do Pezinho, mas são identificadas através de uma análise genética. 

Através da moderna técnica de sequenciamento de nova geração (NGS), o DNA do bebê é analisado a fim de buscar alterações no GCDH e em centenas de outros genes. 

Bebês com alto risco de desenvolver AG1, identificados em nosso teste, podem iniciar precocemente o acompanhamento médico e tratamento da doença. Quanto mais cedo diagnóstico e o início do tratamento, maior a qualidade de vida do paciente.

 

Meu filho tem suspeita de acidúria glutárica tipo I, posso fazer o Teste da Bochechinha para confirmar o diagnóstico?

O Teste da Bochechinha é um teste de triagem neonatal.

Quando a criança (ou pessoa de qualquer idade) tem algum sintoma de AG1 ou o recém-nascido teve o resultado do teste do pezinho ampliado/expandido positivo para AG1, recomenda-se realizar um exame genético de diagnóstico para confirmar a suspeita. 

A Mendelics oferece exames para o diagnóstico de AG1, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Painel de Distonias. Converse com seu médico!

Quer saber mais sobre a Acidúria glutárica tipo I e outras doenças raras tratáveis? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

  1. https://www.youtube.com/watch?v=ElqZ7-FXHdw
  2. https://rarediseases.org/rare-diseases/glutaricaciduria-i/
  3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK546575/
  4. https://www.spdm.org.pt/media/1285/consensos-spp_spdm_38-5-acid%C3%BAria-glut%C3%A1rica-tipo-i.pdf
  5. https://medlineplus.gov/genetics/condition/glutaric-acidemia-type-i/#resources
ENTENDA AS DIFERENÇAS ENTRE OS TESTES PARA O NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19)

ENTENDA AS DIFERENÇAS ENTRE OS TESTES PARA O NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19)

VOCÊ SABE AS DIFERENÇAS ENTRE OS TESTES DO COVID-19?

Na China, em dezembro de 2019, foram identificados vários casos de pneumonia de causa desconhecida, relacionados a um mercado de frutos-do-mar na cidade de Wuhan. Essa nova doença causada por um coronavírus, SARS-CoV-2,  recebeu o nome COVID-19. 

Apenas algumas semanas após a identificação do primeiro caso da COVID-19,  vários tipos de testes foram desenvolvidos e disponibilizados por laboratórios de todo o mundo (1). 

Entenda mais sobre os testes para o novo coronavírus (COVID-19) e conheça o novo teste molecular  #PARECOVID,  que está solucionando os obstáculos da testagem no Brasil.

 

1. TESTES DE ANTICORPO

Os testes de anticorpo, popularmente conhecidos como “sorológicos”, analisam a resposta do organismo a um agente infeccioso, e nesse caso, identificam anticorpos IgA, IgM e IgG que o corpo produz para combater o SARS-CoV-2

Devido ao tempo que o corpo demora para produzir anticorpos contra uma infecção (janela imunológica), os testes para COVID-19 conseguem detectar anticorpos entre uma a três semanas após o início dos sintomas, mas esse tempo pode variar (2).

Os testes de anticorpos não detectam a doença no início da infecção (fase aguda), portanto, não é recomendado o seu uso para diagnóstico (2).  

Esses testes servem, principalmente, para saber se o paciente já teve a doença no passado e para estudos epidemiológicos populacionais. Até o momento não há evidências do tempo em que anticorpos para o SARS-CoV-2 persistem no organismo após a infecção.

 

2. TESTES DE ANTÍGENOS

Os testes de antígenos identificam fragmentos do vírus, como as proteínas da cápsula viral, no organismo do paciente.

Embora este teste possa detectar o vírus no organismo já no início da infecção, a baixa sensibilidade e especificidade da maioria dos testes disponíveis no mercado tem limitado a sua utilização (3).

 

3. TESTES MOLECULARES

Os testes moleculares ficaram conhecidos popularmente como testes de “PCR”.

O “PCR” (reação em cadeia de polimerase) é uma técnica de biologia molecular capaz de produzir milhares ou até milhões de cópias de um segmento de DNA ou RNA, em um processo conhecido como amplificação

Embora existam importantes diferenças, a depender da técnica utilizada (RT-LAMP, RT-PCR, Sequenciamento), os testes moleculares identificam segmentos específicos do genoma do vírus SARS-CoV-2 na amostra do paciente infectado, através de diferentes estratégias de amplificação.  

Estes testes informam se o indivíduo está com a doença já nos primeiros dias após o início da infecção (fase aguda da doença), sendo fundamentais para o isolamento precoce dos infectados. 

Por outro lado, o teste molecular não é capaz de identificar se a pessoa já teve a doença no passado, já que a sensibilidade é reduzida após a fase de infecção aguda devido à diminuição do vírus e do seu RNA no organismo.

 

TESTE DE RT-PCR

O teste molecular mais utilizado no mundo é o RT-PCR (Reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa) (3). 

Após o RNA do vírus ser transformado em DNA, processo conhecido como transcrição reversa (RT), sequências específicas do vírus são amplificadas. Caso haja, de fato, RNA do SARS-CoV-2 na amostra, sondas irão detectar a sua presença e emitir um sinal de resultado positivo. 

Apesar de ser um teste sensível e específico, problemas de falta de suprimento de reagentes, devido a enorme demanda mundial, e da quantidade insuficientes de equipamento de PCR em tempo real no Brasil, inviabilizaram desde o início da pandemia a aplicação desse tipo de teste em larga escala e a entrega de resultado em prazos curtos. Por isso, há um importante obstáculo para testagem de COVID-19 por RT-PCR.

Outro grande problema é que RT-PCR é feito a partir da coleta de swab nasofaríngeo, no qual um cotonete é introduzido na garganta ou no nariz do paciente. 

Além do desconforto que a coleta causa nos pacientes, há também o risco de contaminação para os profissionais de saúde. Os kits de coleta de swab também estão em falta no mercado, o que tem contribuído para a limitação da capacidade de testagem no Brasil.

 

TESTE DE SEQUENCIAMENTO 

Em janeiro de 2020 foi publicado o primeiro estudo de sequenciamento do genoma do vírus. O estudo mostrou que a COVID-19 era causada por um vírus de RNA de fita única, com um tamanho de genoma de 29.903 bases (por comparação, o genoma humano tem 3 bilhões de bases) e que pertencia a família dos coronavírus (CoV) (7;8). 

Desde então vários pesquisadores ao redor do mundo conduzem estudos que analisam o genoma do vírus, utilizando principalmente estratégias de sequenciamento (Sanger, Sequenciamento de Nova Geração e Nanopore). 

Até o momento, no mundo todo, já foram sequenciados mais de 66.000 genomas de SARS-CoV-2 e os dados são disponibilizados nos bancos de dados públicos, como o Global Initiative on Sharing All Influenza Data (GISAID) (9).

Os dados serão fundamentais para compreendermos a origem do vírus, identificar novas mutações em seu genoma, e também para o desenvolvimento de vacinas e prevenção de novas pandemias.

Assim como testes de RT-PCR e RT-LAMP, um teste de sequenciamento do vírus pode identificar pessoas infectadas logo no início da infecção. Mas até o momento essa estratégia vem sendo pouco utilizada pelos laboratórios clínicos devido, principalmente, ao alto custo desse tipo de testagem.

 

TESTE DE RT-LAMP  (#PARECOVID)

O RT-LAMP (amplificação isotérmica mediada  por  loop  com  transcriptase  reversa), é uma técnica molecular já amplamente utilizada para o diagnóstico de várias doenças infecciosas como Dengue, Chikungunya, Hepatite A e Zika (4;5). 

Em junho a Mendelics disponibilizou um teste de RT-LAMP específico para COVID-19. O teste recebeu o nome de #PARECOVID (6).

Assim como o RT-PCR, o RT-LAMP, inclui uma etapa de transcrição reversa (RT), na qual o RNA é transformado em DNA. Em seguida, regiões específicas do vírus são amplificadas milhares de vezes, em temperatura fixa, por cerca de uma hora.

O teste de RT-LAMP, que tem especificidade superior a 99% e sensibilidade equivalente ao RT-PCR, de acordo com os dados de validação feito em parceria com o hospital Sírio-Libanês, é realizado diretamente na saliva do paciente. O tempo máximo de entrega dos resultados são 24 horas

Além do protocolo ser mais simples e rápido do que o RT-PCR, o RT-LAMP não requer o uso de aparelhos laboratoriais complexos, como termociclador em tempo real ou de reagentes em falta na pandemia. 

O #PARECOVID é o teste molecular com a maior capacidade de testagem desenvolvido até o momento no Brasil.  Lançado há poucas semanas, o #PARECOVID já vem sendo utilizado por muitas empresas em seus planos de retorno seguro ao trabalho. Por enquanto, o teste é disponibilizado apenas para empresas.

 

Tipos de Testes para o novo coronavírus COVID-19 antigeno anticorpo sequenciamento RT LAMP

(clique na imagem para ampliar)

 

Quer saber mais? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou acesse a página #PARECOVID em nosso site.

Referências:

(1) Acurácia dos testes diagnósticos registrados na ANVISA para a COVID-19. Maio/2020. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovação em Saúde – DGITIS/SCTIE

(2) Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/lab/resources/antibody-tests-guidelines.html. Acessado em 15/07/2020. 

(3) NOTA TÉCNICA COVID-19 N° 06/2020 – GEVS/SESA/ES. Avaliação técnica e aplicabilidade dos testes diagnósticos laboratoriais para COVID – 19.

(4) Notomi T et al. Loop-mediated isothermal amplification of DNA. Nucleic Acids Res. 2000;28(12):E63.

(5) Wang X, Yin F, Bi Y, et al. Rapid and sensitive detection of Zika virus by reverse transcription loop-mediated isothermal amplification. J Virol Methods. 2016;238:86‐93.4

(6) #PARECOVID. Disponível: https://www.mendelics.com/parecovid/

(7) Wu, F. et al. A new coronavirus associated with human respiratory disease in China. Nature 579, 265–269 (2020). 

(8) Zhu N, et al. A Novel Coronavirus from Patients with Pneumonia in China, 2019. N Engl J Med. 2020;382(8):727-733. doi:10.1056/NEJMoa2001017

(9) Disponível em https://www.gisaid.org/. Acessado em 16/07.

ENTENDA AS DIFERENÇAS ENTRE OS TESTES PARA O NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19)

Variações genéticas, sistema ABO e COVID-19

Variações no nosso DNA nos tornam mais susceptíveis à infecção pelo SARS-COV-2?

Estudo sugere potencial associação entre grupo sanguíneo ABO e gravidade de COVID-19

Um dos maiores desafios na atual epidemia de COVID-19 é compreender a grande variabilidade de sintomas associados a infecção por SARS-CoV-2, o vírus que causa a doença. Embora, a maioria das pessoas permaneça assintomática ou desenvolva apenas sintomas leves ou moderados, 4.9% a 11.5% dos infectados  podem ter formas graves e/ou letais da doença (1). 

Há muito tempo já sabemos que a susceptibilidade a patógenos pode ser influenciada por variações no nosso DNA. O melhor exemplo é a mutação “delta-32” no gene CCR5 que confere, a seus portadores, resistência ao HIV quando presente em duas cópias. Pesquisadores do mundo todo se perguntam se situação similar pode ocorrer com a COVID-19

Desde o início da pandemia vários pesquisadores ao redor do mundo conduzem estudos que analisam o DNA de pacientes que foram infectados com o vírus para identificar fatores genéticos que possam explicar a susceptibilidade a infecção e a gravidade da doença. Essas descobertas serão importantes para identificar pacientes com maior ou menor risco, e também podem contribuir para tratamentos mais eficientes e desenvolvimento de vacinas. 

 

Você conhece a COVID-19 Host Genetics Initiative?

 

Nesse contexto a colaboração internacional é fundamental. Um exemplo é o COVID-19 Host Genetics Initiative, um grande esforço de pesquisadores do mundo todo que compartilham resultados de estudos de análises genéticas de pacientes infectados por COVID-19 (2). Os resultados são disponibilizados no site da iniciativa e podem ser acessados por toda a comunidade científica (3). 

No início da pandemia especulava-se que existia relação entre variantes no gene ACE2 e a susceptibilidade à doença. O SARS-CoV-2 usa o receptor de ACE2 para entrar nas células do hospedeiro. Mas até o momento não há dados que confirmem qualquer associação com ACE2. Por outro lado, estudos  sugerem uma possível associação da doença com grupo sanguíneo ABO e outras regiões do nosso genoma. 

 

Estudo sugere potencial associação entre grupo sanguíneo ABO e gravidade de COVID-19

 

Um estudo genético publicado no mês de junho no New England Journal of Medicine (NEJM) sugere um potencial envolvimento do sistema de grupos sanguíneos ABO na COVID-19 (4). Nesse estudo, cientistas usaram uma estratégia chamada GWAS (genome wide association study) para analisar regiões específicas do genoma de 1980 pacientes com COVID-19 e compará-las com o genoma de pessoas saudáveis (grupo controle).

Os pacientes com COVID-19 apresentavam quadros respiratórios graves e estavam internados em hospitais italianos e espanhóis. Os resultados do estudo sugerem uma possível associação entre o grupo sanguíneo A e maior risco de desenvolver quadros mais graves da doença. Os resultados também sugerem um possível efeito protetor do grupo O em comparação aos outros grupos sanguíneos. Outro estudo chinês publicado anteriormente também havia identificado uma possível relação entre grupo ABO e COVID-19 (5).

É importante ressaltar que o artigo do NEJM é apenas um estudo preliminar e que mais estudos com um número maior de pacientes precisam ser publicados para confirmar uma possível associação entre grupos sanguíneos e risco de formas mais graves de COVID-19. 

O estudo também identificou uma segunda região do genoma, no cromossomo 3 (3p21.31), que também parece estar associada a quadros graves da doença e que já tinha sido previamente identificada também no COVID-19 Host Genetics Initiative. Seis genes estão localizados nessa região: SLC6A20, LZTFL1, CCR9, FYCO1, CXCR6 e XCR1. 

Este estudo do NEJM não identificou associação com complexo HLA, região do genoma importante para outras infecções virais. 

Referências

(1) Severe Outcomes Among Patients with Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) — United States, February 12–March 16, 2020. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2020;69:343-346

(2) COVID-19 Host Genetics Initiative. The COVID-19 Host Genetics Initiative, a global initiative to elucidate the role of host genetic factors in susceptibility and severity of the SARS-CoV-2 virus pandemic. Eur J Hum Genet 2020;28:715-718

(3)  https://www.covid19hg.org/

(4) Ellinghaus D, Degenhardt F, Bujanda L, et al. Genomewide Association Study of Severe Covid-19 with Respiratory Failure. N Engl J Med. 2020.

(5) Wu Y, Feng Z, Li P, Yu Q. Relationship between ABO blood group distribution and clinical characteristics in patients with COVID-19. Clin Chim Acta. 2020;509:220-223.