Mendelics: 10 anos de inovação no diagnóstico genético

Mendelics: 10 anos de inovação no diagnóstico genético

Em 2022 a Mendelics completa 10 anos! Nessa última década, inovamos muito em busca do diagnóstico genético rápido, preciso e acessível para todos que precisam. Conheça mais sobre a nossa história, missão e perspectivas para o futuro.

Conheça a história da Mendelics

A Mendelics continua com o foco em tornar o diagnóstico genético rápido, preciso e acessível para todos que precisam. Por isso, continuamos inovando com novas tecnologias e produtos, a fim de tornar a análise genética ainda mais precisa, e buscando mais parcerias no Brasil e exterior para ampliar o acesso da população a esses testes.

 

Quem foi Gregor Mendel, o pai da genética?

Mendel o pai da genética
Gregor Mendel foi um monge e cientista que viveu entre 1822 e 1884. Seu interesse pela forma como as características dos organismos são definidas e passadas de uma geração para outra o levou a formular duas leis importantes:

Primeira Lei de Mendel ou Lei da Segregação dos Fatores

“Cada caráter é determinado por um par de fatores [genes] que se separam na formação dos gametas [óvulo ou espermatozóide], indo um fator do par para cada gameta, que é, portanto, puro.”

Segunda Lei de Mendel ou Lei da Segregação Independente

Os fatores para dois ou mais caracteres se distribuem independentemente durante a formação dos gametas e se combinam ao acaso.

Os trabalhos de Mendel foram reconhecidos somente vários anos após a sua morte, mas a sua importância para o estudo da genética foi tamanha que rendeu a ele o título póstumo de Pai da Genética.

Os fundadores da Mendelics também reconhecem a contribuição de Mendel para a genética moderna e o homenageiam incorporando seu nome à marca: Mendelics = Mendel + genetics.

Temos a honra de comemorar nossos 10 anos de fundação em conjunto com o 200º aniversário de Gregor Mendel, e deixamos aqui essa singela homenagem ao Pai da Genética.

 

Dia da genética na Mendelics Análise Genômica

Em julho, além de celebrarmos nosso aniversário, também comemoramos o #DiaDaGenética no dia 20!

Por isso, todo o mês de julho na Mendelics é focado em uma campanha especial para conscientizar as pessoas sobre a importância da genética no nosso dia a dia e mostrar como a Mendelics contribui para o avanço do diagnóstico genético no Brasil e no mundo.

A nossa missão é tornar o diagnóstico genético rápido, preciso e acessível para todos que precisam.

“Isso é só o começo. Uma genética que era para poucos vai se tornar para todos!”

David Schlesinger, CEO da Mendelics

 


Referências

  • Dunn PM. Gregor Mendel, OSA (1822–1884), founder of scientific genetics. Archives of Disease in Childhood – Fetal and Neonatal Edition. 2003;88(6):F537-F539.
Retrospectiva 2021 na área da genética

Retrospectiva 2021 na área da genética

O ano de 2021 foi marcado por muitos avanços na área de genética, então decidimos fechar o ano com uma retrospectiva dos principais acontecimentos da área.

 

Terapia gênica

Doenças raras continuam sendo um grande desafio para médicos, pacientes e suas famílias. Grande parte dessas doenças são difíceis de diagnosticar, pois apresentam sintomas que são comuns também em outras doenças mais frequentes. Assim, o diagnóstico e o início dos tratamentos podem levar meses ou anos. O desenvolvimento de tratamentos eficazes é essencial para garantir mais qualidade de vida aos pacientes.

2021 foi um ano importante para as terapias gênicas, que agem diretamente nos genes e proteínas associados às doenças: estudos sobre uma nova terapia gênica para tratamento de anemia falciforme publicaram resultados muito promissores e, no Brasil, tivemos a incorporação de um novo medicamento para pacientes de fibrose cística, o Ivacaftor. Leia mais a seguir.

Imagem ilustrativa de cientistas editanto o DNA

 

Anemia falciforme

É uma doença genética caracterizada por uma deformação nas hemácias, que podem obstruir vasos sanguíneos, causando falta de ar e dor, além de afetar o funcionamento de muitos órgãos. Como consequência, os pacientes têm menor qualidade e expectativa de vida.

A anemia falciforme é uma das doenças genéticas mais comuns no Brasil, somando cerca de 3.000 novos casos por ano. Em países africanos a incidência da doença é ainda mais alta, afetando cerca de 500 mil nascidos todos os anos.

Um estudo publicado no início deste ano mostrou os resultados de uma terapia muito promissora que reduziu, e até eliminou, os sintomas da doença em seis pacientes com quadros graves. A nova terapia gênica utiliza um tipo de RNA para reduzir a expressão do gene BCL11AI, que está envolvido na formação da hemoglobina. Esses resultados indicam que a edição desse gene por meio da tecnologia CRISPR pode ser uma terapia promissora no futuro.

Leia o artigo científico original do estudo.

 

Fibrose cística

Imagem de um pulmão, uma fita de DNA e um laço roxo, símbolo da causa da Firbose Cística

A fibrose cística (FC) é uma doença genética crônica e progressiva, que afeta múltiplos órgãos, principalmente pulmões e pâncreas, com uma grave redução da expectativa de vida dos pacientes. Mais de 70.000 pessoas no mundo tem FC, incluindo mais de 5 mil brasileiros.

A doença pode ser causada por diversas mutações no gene CFTR, que resultam em quadros de diferentes gravidades. O estudo da genética da doença no Brasil mostrou que muitos brasileiros com FC seriam beneficiados pela incorporação de um novo medicamento que é indicado para pacientes com algumas mutações específicas, o Ivacaftor. Esse medicamento aumenta o tempo de ativação do canal de transporte de cloro nas células, minimizando a produção de muco.

O Projeto do sequenciamento do CFTR para Fibrose Cística, coordenado pelo Grupo Brasileiro de Estudos em Fibrose Cística (GBEFC) e patrocinado pela Vertex Pharmaceuticals, contou com o apoio da Mendelics, que realizou o diagnóstico genético de mais de 4.000 pacientes. Os resultados desse estudo levaram à disponibilização do medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Saiba mais sobre a importância do diagnóstico genético para novos tratamentos.

 

Pandemia da COVID-19

A pandemia de COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, definitivamente marcou o ano de 2021. Neste ano vivemos os meses com os maiores índices de novos casos e óbitos pela doença. A perda foi grande, e o aprendizado também.

Imagem ilustrativa de vírus da COVID-19

Vigilância Epidemiológica

Prática importante para o controle, prevenção e tratamento de doenças infecciosas, a vigilância epidemiológica tem como objetivo monitorar o número de casos e a genética dos patógenos que causam essas doenças. Essas informações são muito importantes para o controle de novos surtos e planejamento de campanhas de vacinação eficientes.

Durante a pandemia de COVID-19 houve um esforço coletivo mundial de acompanhamento do número de casos e surgimento de novas variantes. A Mendelics contribuiu com a vigilância epidemiológica do estado de São Paulo dando apoio ao Instituto Butantan no sequenciamento de amostras do vírus e identificação de variantes, incluindo a Delta.

Saiba mais sobre a vigilância epidemiológica da COVID-19 no Brasil.

 

Saliva é padrão ouro para detecção do novo coronavírus

A testagem recorrente e em massa é uma das ferramentas mais importantes para o controle da pandemia. Por isso, ferramentas para testar de forma rápida, simples e eficiente são cruciais. Com isso em mente, muitos testes que utilizam saliva como amostra foram desenvolvidos, incluindo o PARECOVID, o teste com maior capacidade de processamento do país, idealizado pela Mendelics.

Em 2021, a revista The Lancet publicou um artigo mostrando as grandes vantagens de testes baseados em saliva: não são invasivos, a coleta é simples e indolor, os resultados são rápidos e precisos. O artigo denominou a saliva como amostra padrão ouro para controle da pandemia.

Leia o artigo científico original.

 

Vacinas de mRNA

Ilustração de uma mulher de pele negra e cabelos compridos que acabou de tomar uma dose de vacina

As vacinas são a outra ferramenta essencial no combate à COVID-19, assim como tantas outras doenças infecciosas. Até o ano 2020, todas as vacinas consistiam de alguma forma enfraquecida ou inativa do vírus que queremos combater, mas a partir deste ano isso mudou.

As primeiras vacinas aprovadas pelo FDA (Food and Drug Administration) contra COVID-19, das farmacêuticas Pfizer e Moderna, são fabricadas com uma tecnologia inovadora: elas contém RNA mensageiro (mRNA). Essa molécula mostra para as nossas células como produzir uma proteína específica do vírus. Assim o nosso sistema imunológico pode criar formas de detectar e destruir o vírus antes mesmo de entrar em contato com ele.

Ambas vacinas apresentam eficácia acima de 90% contra hospitalizações e mortes por COVID-19 e já estão em distribuição no Brasil.

Entenda mais sobre a eficácia das vacinas de RNA contra a COVID-19.

 

Genética Humana

Também tivemos avanços importantes na área da genética humana e médica que vão impulsionar a medicina de precisão.

Imagem ilustrativa de uma mão puxando o DNA de um livro, fazendo alusão à comparação do DNA com um livro de receitas

Estamos mais perto que nunca do genoma humano completo!

Apesar de todos os avanços nas duas décadas desde a publicação de sua primeira versão, o genoma humano de referência que conhecemos hoje ainda possuia lacunas desconhecidas que somavam cerca de 8% da sequência total. Mas isso acabou de mudar.

Em 2021, o grupo de pesquisa Telomere to Telomere (T2T) publicou a sequência completa de 23 dos 24 cromossomos humanos. Com isso, o estudo mapeou 115 novos genes. Resta agora finalizar o sequenciamento completo do cromossomo Y, o cromossomo sexual masculino. 

Conhecendo a sequência completa do nosso genoma podemos entender melhor o funcionamento do nosso organismo e a relação dos genes com doenças. Saiba mais sobre o estudo do genoma completo neste artigo.

 

Genes BRCA1/2 e o câncer

Os genes BRCA1 e BRCA2 já são estudados há algum tempo e conhecemos muitas variantes genéticas associadas com alto risco de desenvolvimento de câncer de mama e  ovários, câncer de próstata e câncer de pâncreas. No entanto, muitas variantes desses genes ainda são classificadas como de “significado incerto”.

Em 2021, um grupo de pesquisa europeu publicou um estudo que reclassificou, como benignas ou patogênicas, 101 variantes de significado incerto. Isso representa 15% do total de variantes que ainda não se tem conhecimento do efeito no desenvolvimento de câncer.

Esse avanço na classificação das variantes dos genes BRCA1/2 pode significar um grande avanço para o rastreio, diagnóstico e tratamento de câncer.

Leia o artigo científico completo.

 

A ciência está em constante evolução e podemos esperar muitas outras descobertas e avanços na área da genética em 2022.

 


Referências

Ministério da Saúde. Doença falciforme: diretrizes básicas da linha de cuidado. 2015.

E. B. Esrick et al. Post-Transcriptional Genetic Silencing ofBCL11Ato Treat Sickle Cell Disease.  New England Journal of Medicine, vol. 384, no. 3, pp. 205–215. 2021.

L. V. R. F. da Silva Filho et al. Extensive CFTR sequencing through NGS in Brazilian individuals with cystic fibrosis: unravelling regional discrepancies in the country. Journal of Cystic Fibrosis, vol. 20, no. 3, pp. 473–484. 2021.

S. H. Tan, et al. Saliva as a gold-standard sample for SARS-CoV-2 detection. The Lancet Respiratory Medicine, vol. 9, no. 6, pp. 562–564. 2021.

T. Pilishvili et al. Effectiveness of mRNA Covid-19 Vaccine among U.S. Health Care Personnel. 

Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde. Guia De Vigilância Epidemiológica. V 3. 2021.

Instituto Butantan. Boletim Epidemiológico da Rede de Alerta das Variantes do Sars-Cov-2. Estado de São Paulo. Novembro de 2021.

New England Journal of Medicine, vol. 385, no. 25, p. e90. 2021.

S. Reardon. A complete human genome sequence is close: how scientists filled in the gaps. Nature News. 2021.

S. M. Caputo et al. Classification of 101 BRCA1 and BRCA2 variants of uncertain significance by cosegregation study: A powerful approach. The American Journal of Human Genetics, vol. 108, no. 10, pp. 1907–1923. 2021.

Sequenciamento Sanger: vantagens para a medicina contemporânea

Sequenciamento Sanger: vantagens para a medicina contemporânea

Entenda mais sobre a técnica de sequenciamento Sanger, que possibilitou o sequenciamento do primeiro genoma humano e como ela ainda é importante 20 anos depois.

 

História do Sequenciamento Sanger

A tecnologia de sequenciamento Sanger surgiu na década de 70 e foi o primeiro grande passo para o sequenciamento massivo de DNA, sendo conhecida hoje como sequenciamento de primeira geração. Essa foi a tecnologia que permitiu o lançamento do Projeto Genoma Humano em 1991, que prometia sequenciar o primeiro genoma humano nos 15 anos seguintes.

Em 2001, o Projeto Genoma Humano publicava o rascunho do primeiro genoma humano, 4 anos antes do previsto, graças ao Sanger e ao desenvolvimento de técnicas de sequenciamento massivo em paralelo, também conhecido como Sequenciamento de Nova Geração (NGS), que teve início na década de 1990.

 

Sequenciamento Sanger x Sequenciamento de Nova Geração

A tecnologia NGS é hoje a principal ferramenta utilizada para sequenciamento na área diagnóstica. Com ela é possível sequenciar várias regiões do DNA, e várias amostras, ao mesmo tempo, reduzindo muito o custo da análise por amostra. No entanto, esse tipo de ensaio tem suas limitações, que podem, em muitos casos, ser sanadas pela tecnologia Sanger.

Na imagem abaixo é possível ver que, com NGS, o DNA é quebrado em pequenos fragmentos, que são sequenciados e depois realinhados através de ferramentas de bioinformática, como um grande quebra-cabeças. Isso dificulta analisar regiões homólogas (semelhantes) e repetitivas do DNA por NGS, pois não sabemos onde encaixar esses fragmentos.

Ilustração comparando a análise de regiões homólogas (semelhantes) por sequenciamento de nova geração (NGS) e por sequenciamento Sanger

Figura 1. Comparação entre análises de regiões homólogas por Sequenciamento de Nova Geração (NGS) e por Sequenciamento Sanger.

Esse problema pode ser resolvido sequenciando fragmentos mais longos, que compreendam as regiões flanqueadoras (regiões que cercam esses trechos). Com peças maiores, é mais fácil resolver o quebra-cabeça.

Enquanto o NGS analisa fragmentos de até 300 pares de bases (pb), o sequenciamento Sanger permite analisar fragmentos que chegam a cerca de 800pb, sendo mais indicado para a análise de regiões complexas.

O sequenciamento tipo Sanger utiliza alguns nucleotídeos modificados com fluoróforos (moléculas que emitem luminescência), e resulta em cópias com diferentes tamanhos da sequência do DNA de interesse, mas que se iniciam na mesma posição, como mostrado na figura abaixo.

Os fragmentos são separados por tamanho e as bases finais de cada cópia são identificadas pela fluorescência.

Ilustração de como é feito o sequenciamento sanger, onde os nucleotídeos alterados com fluoróforos identificam a inserção de cada base que compõe a sequência

Figura 2. Sequenciamento Sanger. Os fragmentos sequenciados são identificados por tamanho e pela fluorescência emitida pela última case adicionada. Dessa forma é possível determinar a sequência de nucleotídeos da região de interesse.

 

Dessa forma, o sequenciamento Sanger permite identificar variantes genéticas em sequências mais longas de DNA, sem a necessidade de uma etapa computacional de reconstrução dos trechos sequenciados.

 

Sanger no diagnóstico de doenças causadas por regiões complexas

Um bom exemplo do uso do sequenciamento Sanger na medicina atual é no diagnóstico da Hiperplasia Adrenal Congênita (CAH) resultante da deficiência da enzima 21-hidroxilase.

Essa doença leva à produção excessiva de hormônios andrógenos (masculinos), podendo causar o desenvolvimento de genitália ambígua em pessoas do sexo feminino, além de puberdade precoce em ambos os sexos.

Cerca de 75% dos casos também apresenta deficiência do hormônio aldosterona, que leva à dificuldade de reter água e sais, causando desidratação, baixo volume de sangue circulante (hipovolemia) e pressão baixa (hipotensão).

A CAH com deficiência de 21-hidrogenase é causada por alterações no gene CYP21A2, que possui um pseudogene homólogo, o CYP21A1P. Esse pseudogene é uma região do DNA muito semelhante ao gene CYP21A2, porém não é funcional, ou seja, a partir dele não é possível produzir a enzima 21-hidroxilase.

Durante a formação dos gametas ocorrem alguns eventos de recombinação do DNA, nos quais os pares de cromossomos se recombinam resultando em sequências híbridas daquelas que herdamos dos nossos pais. Durante esse processo, regiões homólogas (CYP21A2 e CYP21A1P, por exemplo) podem ser indevidamente pareadas e, consequentemente, trocadas durante a recombinação.

Como mostrado na figura abaixo, tanto a troca de regiões entre o gene CYP21A2 e o pseudogene CYP21A1P, quanto a união deles (resultado de uma deleção) podem comprometer a produção da 21-hidrogenase. Cerca de 95% das alterações genéticas que levam à CAH são resultantes de recombinações entre as regiões homólogas.

Ilustração dos eventos de recombinação e deleção na região do gene CYP21A2 e do pseudogene CYP21A1P que resultam em Hiperplasia Adrenal Congênita (CAH) com deficiência da enzima 21-hidroxilase.

Figura 3. Ilustração dos eventos de recombinação e deleção na região do gene CYP21A2 e do pseudogene CYP21A1P que resultam em Hiperplasia Adrenal Congênita (CAH) com deficiência da enzima 21-hidroxilase.

O sequenciamento de Sanger é capaz de identificar essas recombinações e atingir uma taxa diagnóstica mais alta que os painéis de NGS, que não conseguem sequenciar toda a região de interesse em uma única sequência. Por isso, Sanger é a metodologia mais indicada para o diagnóstico de CAH com deficiência de 21-hidrogenase.

Na Mendelics o diagnóstico da Hiperplasia Adrenal Congênita resultante da deficiência da enzima 21-hidroxilase é feito por Sanger e MLPA, para a identificação das variantes resultantes de recombinações e das deleções, respectivamente, atingindo uma alta taxa diagnóstica para a doença.

Conheça o exame

 

Consulte sempre seu médico e, se precisar de um exame diagnóstico, entre em contato com a nossa equipe.


Referências

Khan Academy – Sequenciamento de DNA

National Human Genome Research Institute (NHGRI) – DNA Sequencing Costs: Data

National Organization for Rare Disorders – Congenital Adrenal Hyperplasia

Nimkarn S, et al. 21-Hydroxylase-Deficient Congenital Adrenal Hyperplasia. 2002. In: Adam MP, et al., editors. GeneReviews® [Internet]. Seattle (WA): University of Washington, Seattle; 1993-2021.

Pignatelli D., et al. The complexities in genotyping of congenital adrenal hyperplasia: 21-Hydroxylase deficiency. 2019. Frontiers in Endocrinology, vol. 10.

Atletas Raros

Atletas Raros

Saiba mais sobre atletas raros nos jogos de 2021

Devido à pandemia, os jogos de Tóquio 2020 foram adiados e estão acontecendo um ano após o planejado. Os jogos paralímpicos se estendem da última semana de agosto à primeira de setembro e vai receber mais de 4.500 atletas com deficiências, sendo 253 brasileiros.

Apesar de muitos dos atletas terem adquirido suas deficiências após passarem por acidentes, outros tantos possuem doenças genéticas raras e hereditárias que resultam em deficiências físicas, sensoriais ou intelectuais.

Nesse post vamos comentar sobre as doenças genéticas raras que afetam os atletas paralímpicos brasileiros que estão competindo em Tóquio.

 

Doenças Raras

Segundo o Ministério da Saúde Brasileiro, uma doença é considerada rara quando atinge no máximo 65 pessoas a cada 100.000. Pode parecer muito pouco, mas quando consideramos todas as doenças raras, esse número é expressivo. 

Existem mais de 7.000 doenças raras descritas, sendo que 80% delas são genéticas. Considerando esse total, cerca de 1 a cada 20 crianças nascidas vivas possuem alguma doença rara. Com essa perspectiva vemos que as doenças raras são mais comuns do que imaginamos.

Dentre os 253 paratletas brasileiros que foram convocados para Tóquio, mais de 30 possuem doenças raras de causa genética conhecida. Na tabela abaixo listamos as categorias esportivas em que esses atletas competem, assim como as suas conquistas nos principais campeonatos e quais doenças genéticas possuem.

Quadro de medalhas dos paratletas que possuem doenças raras

 

Conheça as doenças genéticas raras dos nossos paratletas

Doenças raras que afetam a visão

Albinismo

O Albinismo é caracterizado pela ausência de melanina na pele, olhos e cabelos, que pode ser o único sinal ou vir acompanhado de outros sintomas como a perda parcial ou total da visão.

O albinismo oculocutâneo, a forma mais comum, é causado por mutações nos genes OCA2, TYR, TYRP1, SLC45A2, MC1R, e afeta cerca de 1 a cada 20.000 pessoas no mundo.

 

Doença de Stargardt

A doença é caracterizada pela perda progressiva da visão que se inicia na infância ou adolescência, sensibilidade à luz e daltonismo.

Stargardt é causado por mutações no gene ABCA4, e afeta cerca de 1 a cada 9.000 pessoas no mundo.

 

Retinose pigmentar

É caracterizada pelo depósito de pigmento (melanina) na retina que causa a perda progressiva da visão. Pode surgir como um sintoma da Síndrome de Usher.

A Retinose pigmentar afeta cerca de 1 a cada 4.000 pessoas no mundo e pode ser causada por mutações em mais de 15 genes diferentes.

 

Catarata Congênita Hereditária

A catarata é uma doença caracterizada pela obstrução do cristalino, a lente do olho, que se torna esbranquiçado e opaco. A forma senil (se desenvolve em idosos) é mais comum.

A forma congênita afeta cerca de 1 a cada 10.000 pessoas no mundo e pode ser causada por mutações em mais de uma dezena de genes.

 

Doenças raras que afetam ossos e musculatura

Nanismo

É caracterizado por baixa estatura (média de 120 cm). Existem muitos subtipos e centenas de causas, em sua grande maioria genéticas.

As formas mais comuns da doença, chamadas acondroplasia e hipocondroplasia, são causadas por mutações no gene FGFR3, e contabilizam cerca de 70% dos casos, afetando cerca de 1 pessoa a cada 25.000.

 

Raquitismo Hipofosfatêmico

Também conhecido como raquitismo resistente à vitamina D, é caracterizado por dores ósseas, encurtamento e curvatura das pernas, devido aos baixos níveis de fosfato no sangue.

A doença afeta 1 a cada 25.000 nascidos vivos e é causada, na grande maioria dos casos, por mutações no gene PHEX.

Saiba mais sobre Raquitismo Hipofosfatêmico nesse artigo.

 

Distrofia Muscular

Conjunto de mais de 30 doenças genéticas caracterizadas por fraqueza e degeneração progressiva dos músculos esqueléticos, que controlam o movimento.

A Distrofia Muscular de Duchenne, forma mais comum, é causada por mutações no gene DMD e afeta principalmente homens, cerca de 1 a cada 3.500.

 

Doenças raras neurológicas

Atrofia Muscular Espinhal (AME)

Caracterizada por fraqueza e atrofia muscular causada pela perda dos neurônios motores da medula espinhal e do tronco cerebral, podendo comprometer a respiração, locomoção, alimentação, entre outras funções básicas do organismo.

A AME é causada por mutações nos genes SMN1 e SMN2 e afeta cerca de 1 a cada 9.000 nascidos.

Saiba mais sobre a AME nesse artigo.

 

Paraparesia Espástica Hereditária

Grupo de doenças neurodegenerativas que afetam primariamente os neurônios motores superiores, prejudicando a comunicação com os membros inferiores e causando espasmos e fraqueza nas pernas, dentre outros sintomas.

Existem mais de 70 doenças dentro desse grupo, causadas por mutações em diferentes genes. Coletivamente afetam cerca de 1 a 8.000 pessoas no mundo.

 

Síndrome de Leigh

É uma condição neurodegenerativa com grande diversidade de sintomas a depender do tipo e severidade apresentada pelo paciente. De forma geral causa fraqueza muscular, perda do controle muscular, espasmos e falta de equilíbrio.

A síndrome pode ser causada por mutações no cromossomo X ou no DNA mitocondrial, e afeta cerca de 1 a cada 38.000 pessoas no mundo.

 

Charcot-Marie-Tooth (CMT)

É um grupo de doenças que afetam os neurônios periféricos e motores, causando fraqueza, dormência e deformidades nos pés e pernas, dentre outros sintomas.

A doença pode ser causada por mutações em uma centena de genes, sendo que o gene PMP22 é responsável por cerca de metade dos casos. CMT afeta cerca de 1 a cada 5.000 pessoas no mundo.

 

Diagnóstico de doenças raras

Doenças raras podem ser difíceis de diagnosticar pois apresentam sintomas que podem se enquadrar também em doenças mais comuns. Como resultado, o paciente pode levar até 4 anos para receber o diagnóstico correto.

O diagnóstico precoce de doenças raras é muito importante pois muitas são progressivas, ou seja, o quadro do paciente piora com o tempo, principalmente se não houver o tratamento correto.

Por isso, o diagnóstico genético de doenças raras é um grande aliado. Ele identifica quais mutações estão causando a doença e diferencia de forma mais precisa os tipos e subtipos de muitas doenças genéticas. Com isso o acompanhamento e tratamento podem ser feitos de forma mais personalizada e efetiva.

A Mendelics é líder em diagnóstico de doenças raras na América Latina e possui o maior banco de dados genéticos brasileiros e latino americanos, com mais de 100 mil amostras analisadas.

 

Conheça o portfólio de exames da Mendelics

 


Referências

Comitê Paralímpico Brasileiro – Guia de Imprensa

Diretrizes para Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras no SUS

National Organization for Rare Disorders – Albinismo Oculocutâneo

Genetic and Rare Diseases Information Center – Doença de Stargardt

MedlinePlus – Retinose Pigmentar

Santana A, Waiswo M. The genetic and molecular basis of congenital cataract, Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, vol. 74, no. 2, pp. 136–142, Apr. 2011.

Genetic and Rare Diseases Information Center – Nanismo

National Organization for Rare Disorders – Hipocondroplasia

National Organization for Rare Disorders – Raquitismo Hipofosfatêmico

Genetic and Rare Diseases Information Center – Distrofia Muscular

National Organization for Rare Disorders – Distrofia Muscular de Duchenne

National Organization for Rare Disorders – Atrofia Muscular Espinhal (AME)

Genetic and Rare Diseases Information Center – Paraparesia Espástica Hereditária

National Organization for Rare Disorders – Síndrome de Leigh

National Organization for Rare Disorders – Charcot-Marie-Tooth

Forrest Gump: um retrato singular da Deficiência Intelectual

Forrest Gump: um retrato singular da Deficiência Intelectual

Mendelics Indica: Forrest Gump

O filme de 1994 conta a história de Forrest Gump, um simpático e modesto cidadão do Alabama que possui deficiência intelectual (DI). O que torna a narrativa tão interessante é que toda a trajetória do personagem é contada por ele mesmo e, por isso, vem com a mesma leveza do personagem, resultando em uma comédia contagiante.

Durante o filme vemos todos os principais marcos da vida de Forrest, que foi particularmente impressionante, principalmente considerando que ele possui DI, condição muitas vezes vista como um impedimento para o sucesso profissional e pessoal.

Forrest mostra que com paciência e dedicação tudo é possível. Ao decorrer da narrativa, Forrest passa por todo tipo de experiência, desde servir o exército americano na Guerra do Vietnã, conhecer o presidente, ser campeão de tênis de mesa, conhecer o presidente (de novo!), atravessar o país correndo, fundar uma das maiores empresas de pesca de camarão e até servir como inspiração para a criação do smiley face.

Além de suas conquistas profissionais, o filme também mostra os marcos da sua vida pessoal. Desde seu relacionamento com a mãe, responsável pela visão leve que ele tem do mundo, às amizades que fez ao longo da vida e até o romance com sua amiga de infância, Jenny.

A forma como a história de Forrest Gump é contada deixa ele em foco e não a sua deficiência, uma ótima forma de mostrar a DI de forma leve, divertida e livre de capacitismo (Preconceito contra pessoas com deficiências). Quem assiste se deleita com a sua vida cheia de grandes acontecimentos e com sua perspectiva única e cativante sobre os eventos que ocorreram nas décadas de 60 e 70.

O filme foi indicado para 13 categorias dos Oscars e ganhou seis delas, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Tom Hanks no papel de Forrest Gump. 

 

O que é Deficiência Intelectual?

A deficiência Intelectual é caracterizada por um atraso no desenvolvimento intelectual e comprometimento cognitivo que se tornam aparentes antes dos 18 anos, enquanto o cérebro ainda está se desenvolvendo. Pessoas com DI têm dificuldade para aprender e realizar tarefas do dia a dia e interagir com o meio em que vivem. Ou seja, existe um comprometimento cognitivo que prejudica suas habilidades adaptativas como resolver problemas inesperados do cotidiano, conversar com desconhecidos, nutrir relacionamentos, pagar contas, efetuar tarefas de casa, etc.

A deficiência intelectual não é uma doença, sendo definida como um distúrbio do neurodesenvolvimento. 

Pode ser causada por alterações genéticas e fazer ou não parte de uma síndrome (DI sindrômica ou DI não-sindrômica, respectivamente), pode ocorrer devido a fatores ambientais durante a gravidez ou após o nascimento como: desnutrição materna, uso de medicamentos, drogas e/ou álcool, infecções virais, prematuridade, hipóxia, entre outros.

Dentre as condições genéticas associadas à deficiência intelectual, trouxemos as principais e mais conhecidas pela população:

 

Síndrome de Down

É causada por uma alteração genética onde o indivíduo possui três cópias do cromossomo 21 (trissomia), ao invés de duas.

O nível de deficiência intelectual causada pela síndrome é variado, e pode vir acompanhada de distúrbios do comportamento como hiperatividade e depressão.

No Brasil, 1 a cada 700 pessoas possuem Síndrome de Down.

 

Síndrome do X-Frágil

É causada por uma alteração no gene FMR1 que se encontra no cromossomo X. O X é um cromossomo sexual, sendo que mulheres possuem duas cópias e homens somente uma. Ambos os sexos são afetados, mas os homens apresentam sintomas mais acentuados.

A deficiência intelectual causada pela síndrome costuma ser moderada em homens e leve em mulheres, e pode estar acompanhada de dificuldade de socialização e hiperatividade.

A síndrome afeta 1 a cada 4 mil homens e 1 a cada 7 mil mulheres no mundo.

 

Síndrome de Prader-Willi

É causada por alterações genéticas no cromossomo 15 que podem afetar diversos genes e leva à hipotonia muscular, baixo peso e pequena estatura.

A deficiência intelectual causada pela síndrome varia de leve a moderada e pode vir acompanhada de atrasos no desenvolvimento motor e distúrbios alimentares.

A síndrome afeta pelo menos 1 a cada 15.000 pessoas no Brasil e no mundo.

 

Síndrome de Angelman

É causada por alterações genéticas no gene UBE3A, localizado no cromossomo 15, e leva a uma grande variedade de sintomas, sendo os mais comuns o atraso grave no desenvolvimento intelectual e motor, dificuldade ou ausência de fala e risos involuntários.

A deficiência intelectual causada pela síndrome costuma ser grave.

Estima-se que a síndrome afete pelo menos 1 a cada 12.000 pessoas no mundo.

 

Síndrome Williams

É causada por alterações genéticas que afetam diversos genes no cromossomo 7, e leva ao atraso no crescimento e baixa estatura, além de problemas cardíacos e níveis alterados de cálcio em alguns casos.

A deficiência intelectual causada pela síndrome varia de leve a moderada.

A síndrome afeta pelo menos 1 a cada 10.000 pessoas no mundo.

 

Diagnóstico molecular da Deficiência Intelectual

Todas as síndromes descritas, dentre outras, são detectáveis por exames genéticos oferecidos pela Mendelics. Confira a lista completa no nosso site.

Existe uma grande variedade de tipos de deficiência intelectual, com diferentes causas, o que dificulta o diagnóstico. Ao todo a DI afeta cerca de 1 a 3% da população mundial mas, infelizmente, cerca de 50% dos casos permanecem sem diagnóstico. Por isso, várias alternativas para o diagnóstico já estão sendo aplicadas.

O Sequenciamento Completo do Exoma (SCE) elevou a taxa de diagnósticos de 15% para até 68% dos casos (em comparação com as técnicas de cariótipo e microarray). A técnica avalia o exoma, que comporta todas as porções do DNA responsáveis pela produção de proteínas, ou seja, as partes do DNA que estão fortemente relacionadas com a maior parte das doenças genéticas.

A Mendelics é pioneira e líder em Exoma na América Latina e oferece o produto mais completo do mercado. O Exoma Mendelics inclui também a avaliação de CNVs (Variação do Número de Cópias) e DNA mitocondrial, sempre que necessário, sem custos adicionais, rendendo uma taxa de diagnóstico mais alta.

Entenda mais sobre a contribuição do Exoma para o Diagnóstico da deficiência intelectual.

Conheça o Exoma Mendelics


Referências

Instituto Jô Clemente

Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down

National Organization for Rare Disorders – Fragile X Syndrome

National Organization for Rare Disorders – Prader Willi Syndrome

Sociedade Brasileira de Pediatria – Síndrome de Prader Willi

National Organization for Rare Disorders – Angelman Syndrome

National Organization for Rare Disorders – Williams Syndrome

Associação Brasileira da Síndrome de Williams

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