Você conhece a Fibrose Cística?

Você conhece a Fibrose Cística?

CONHEÇA A FIBROSE CÍSTICA

A fibrose cística (FC)  é uma doença genética que afeta múltiplos órgãos, principalmente pulmões e pâncreasMais de 70.000 pessoas no mundo tem fibrose cística. A maioria delas são diagnosticadas na infância.

Embora a FC seja crônica e grave, os avanços no tratamento tem permitido uma grande melhora na expectativa e qualidade de vida dos pacientes. Exames genéticos têm sido fundamentais para o diagnóstico precoce e tratamento da doença.

Quer saber mais sobre a fibrose cística e a importância dos exames genéticos para o diagnóstico e tratamento da doença? Leia mais abaixo.

 

QUAL A CAUSA DA FIBROSE CÍSTICA?

A fibrose cística é uma doença genética causada por alterações nas duas cópias do gene CFTR, que fornece as instruções para produzir a proteína CFTR. 

Somente pessoas que herdaram o gene alterado da mãe e do pai desenvolvem a doença.  A FC é, portanto, uma doença genética com padrão de herança autossômico recessivo.

Quando a criança herda apenas um gene alterado (do pai ou da mãe), considera-se que a ela é “portadora” (do inglês, “carrier”). Portadores não têm sintomas da doença, porém podem transmitir o gene alterado para seus filhos. 

Muitas pessoas não sabem que são portadoras de alteração no gene CFTR e só descobrem quando tem um filho com a doença. 

Já foram identificados mais 1000 alterações no gene CFTR que causam FC. Algumas delas, como a “F508del”, são encontradas em milhares de pessoas, porém outras são extremamente raras e identificadas em poucas pessoas no mundo.

Em pessoas saudáveis, a proteína CFTR atua como um canal que controla o fluxo de cloreto (um componente do sal) e água nas células do pulmão, pâncreas e de outros tecidos. 

Em pessoas com FC, o gene produz uma proteína CFTR que não é capaz de exercer a sua função corretamente. O resultado é um desequilíbrio de sal e fluidos dentro e fora das células, originando um muco espesso e pegajoso que causa os sintomas da doença.

 

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA FIBROSE CÍSTICA?

Nos pulmões, o aumento na viscosidade e muco bloqueiam as vias aéreas causando tosse persistente, infecções pulmonares recorrentes (pneumonia e bronquite), chiados no peito ou falta de fôlego, lesões pulmonares e insuficiência respiratória

No pâncreas o muco pode atrapalhar a liberação de enzimas essenciais para a digestão, causando diarreia, dificuldade de ganhar peso e baixa estatura.  

A quantidade anormal de sal nas secreções corporais, especialmente no pulmão e no pâncreas, leva a perda de sal pelo suor, sintoma característico da doença.

 

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA FIBROSE CÍSTICA?

A FC é uma doença que se manifesta ainda na infância e que precisa ser tratada o mais cedo possível, por isso, é uma das doenças incluídas no Teste do Pezinho do SUS. 

A triagem da FC é baseada em um teste bioquímico chamado tripsina imunorreativa (IRT). Quando positivo, o resultado do Teste do Pezinho deve ser confirmado  pelo “Teste do Suor” ou pelo “Teste Genético do gene CFTR”.

O teste genético analisa o DNA do paciente para buscar alterações no gene CFTR.  Esse é o teste mais preciso e confiável para identificar a doença, tanto em bebês assintomáticos quanto em pacientes de qualquer idade que tenham algum sintoma da doença.  

A realização do teste genético também é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

Como será discutido no tópico a seguir,  o resultado do teste genético é fundamental para o uso dos “moduladores”, uma nova classe de medicações que está revolucionando o tratamento da doença.

 

COMO É FEITO O TRATAMENTO DA FIBROSE CÍSTICA?

Os avanços no tratamento da doença tem garantido uma grande melhora na expectativa e qualidade de vida dos pacientes.  Nos Estados Unidos, por exemplo, a expectativa de vida de 2003 a 2018 aumentou de 32.8 para  44.4 anos. 

O tratamento da FC inclui acompanhamento médico regular, reposição de enzimas pancreáticas, dieta específica, suplementação vitamínica,  uso de broncodilatadores, antibióticos, anti-inflamatórios e fisioterapia respiratória. 

Nos últimos anos foram desenvolvidos medicamentos “moduladores” (do inglês, “modulators”) que “corrigem” versões defeituosas da proteína CFTR. 

Ao tratar diretamente a causa da doença, em vez de apenas controlar os sintomas, os “moduladores” permitem que a pessoa com FC viva por mais tempo e com mais qualidade de vida. 

Uma vez que alterações genéticas causam diferentes defeitos na proteína CFTR, pessoas portadoras precisam saber quais alterações no CFTR possuem, e assim entender qual a terapia “moduladora” seria mais eficaz. 

O resultado do exame genético é então fundamental para o tratamento com “moduladores” de CFTR

 

Diagnóstico genético e a Mendelics

A missão da Mendelics é oferecer exames genéticos complexos a preços acessíveis, democratizar o acesso ao diagnóstico genético e divulgar a importância dos exames genéticos entre os médicos, operadoras de saúde e pacientes.

Quando a criança (ou pessoa de qualquer idade) tem algum sintoma de FC ou o recém-nascido teve o resultado do Teste do Pezinho positivo para FC, recomenda-se realizar um exame genético de diagnóstico para confirmar a suspeita. 

A Mendelics oferece exames para o diagnóstico de FC, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Exame de Sequenciamento do Gene CFTR. Converse com seu médico!

Quer saber mais sobre a Fibrose Cística e os exames de diagnóstico da Mendelics?

Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

Você conhece o Retinoblastoma?

Você conhece o Retinoblastoma?

O  que é o Retinoblastoma?

O retinoblastoma é um tumor ocular que se desenvolve na retina, geralmente na infância, antes dos cinco anos de idade. O tumor pode afetar apenas um olho (retinoblastoma unilateral) ou ambos (retinoblastoma bilateral).

O retinoblastoma é uma doença genética causada por mutações no gene RB1.

O retinoblastoma tem alta taxa de cura, principalmente quando é diagnosticado precocemente. O tratamento envolve terapias oftalmológicas e se, necessário, quimioterapia para eliminar o tumor

Quer saber mais sobre a doença e sobre a importância do diagnóstico precoce? Continue lendo nosso post.

 

Qual é a causa do Retinoblastoma?

A maioria dos casos da doença (60%) são causadas por mutações somáticas no RB1, isto é, a célula da retina sofre  mutação no gene e passa a se multiplicar descontroladamente. Essa forma da doença geralmente está associada a tumor unilateral.

As mutações somáticas não são herdadas, e por estarem presentes apenas na retina, não podem ser transmitidas para os filhos. 

O restante dos casos da doença (40%) são causadas por mutações germinativas no gene RB1, que estão presentes em todas as células do corpo da pessoa. As mutações germinativas geralmente causam tumor bilateral e há também maior risco de desenvolver outros tipos de tumores não-oculares. 

A maioria das mutações germinativas são herdadas de um dos pais, mas também é possível que seja uma mutação nova que surgiu, por exemplo, nos gametas dos pais. 

Filhos de pessoas que tenham retinoblastoma germinativo tem risco de 50% de herdar a mutação no gene RB1 que causa a doença, pois o retinoblastoma é uma doença com padrão de herança dominante

 

Como é realizado o diagnóstico da doença?

O diagnóstico de retinoblastoma é feito, na maioria dos casos, no exame de fundo de olho realizado em consulta ao oftalmologista.  Exames por imagem como, por exemplo, ultrassonografia do globo ocular, tomografia e ressonância magnética das órbitas oculares,  também podem auxiliar o diagnóstico e o monitoramento da doença. 

Os avanços na área da Genética também tem contribuindo imensamente para o diagnóstico preciso e precoce de milhares de doenças; o retinoblastoma é uma delas. 

O retinoblastoma causado por mutações germinativas no RB1 podem ser diagnosticadas através de exames genéticos. A realização desse tipo de teste é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

Como as mutações germinativas estão presentes em todas as células dos afetados, testes genéticos realizados a partir de amostras de mucosa bucal, sangue ou saliva são capazes de detectar as mutações no gene RB1, não sendo necessário fazer biópsia do tecido tumoral. 

Para o diagnóstico de retinoblastoma, por exemplo, Mendelics oferece vários exames que analisam o gene RB1, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Exame de Sequenciamento do gene RB1.

Converse com o seu médico. Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

Lohmann DR, Gallie BL. Retinoblastoma. 2000 Jul 18 [Updated 2018 Nov 21]. In: Adam MP, Ardinger HH, Pagon RA, et al., editors. GeneReviews® [Internet]. Seattle (WA): University of Washington, Seattle; 1993-2020. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1452/

CONHEÇA O PAINEL DE DOENÇAS TRATÁVEIS

CONHEÇA O PAINEL DE DOENÇAS TRATÁVEIS

VOCÊ CONHECE O PAINEL DE DOENÇAS TRATÁVEIS?

O Painel de Doenças Tratáveis é um exame genético que a partir de uma simples coleta de mucosa bucal consegue diagnosticar mais de 310 doenças raras, de manifestação precoce e com tratamento disponível. 

Um dos maiores desafios enfrentados pelos portadores de doenças raras é a dificuldade em obter um diagnóstico, uma jornada que pode se estender por anos e que envolve consultas a médicos de diferentes especialidades e realização de vários exames. 

O diagnóstico tardio atrasa o início do tratamento, compromete a qualidade de vida do paciente e pode levar até mesmo a morte precoce. 

A maioria das doenças raras têm causa genética, por isso exames genéticos, como o Painel de Doenças Tratáveis, são fundamentais para o diagnóstico precoce e tratamento desse grupo de doenças. 

Neste texto, conheça mais sobre as doenças raras e sobre o Painel de Doenças Tratáveis.

 

O QUE SÃO DOENÇAS RARAS?

  • No Brasil são consideradas doenças raras aquelas que afetam até 65 pessoas a cada 100.000
  • Estima-se que existam mais de 7.000 diferentes tipos de doenças raras. 
  • A maioria tem causa genética (80%), mas elas também podem ter origem infecciosa, ambiental ou ter causa desconhecida. 
  • Embora cada uma dessas doenças afete um número pequeno de pessoas (de uma a milhares), o número de portadores de doenças raras no mundo todo é estimado em 300 milhões (8% da população mundial). 
  • No Brasil a estimativa é de 13 milhões de portadores de doenças raras
  • 50-75% das doenças raras afetam crianças, sendo que três em cada 10 não completam cinco anos de idade. Entre as doenças raras genéticas com manifestação precoce, temos como exemplo a distrofia muscular de Duchenne,  retinoblastoma, fibrose cística e anemia falciforme, entre outras. 
  • Outras doenças raras genéticas são manifestadas apenas na adolescência ou na idade adulta, como, por exemplo, a doença de Huntington e a doença de Charcot-Marie-Tooth. 

 

COMO É FEITO O TRATAMENTO DE DOENÇAS RARAS?

A maioria das doenças raras atualmente não tem cura, mas tratamentos e cuidados médicos podem melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente, atrasar o início dos sintomas e até aumentar a expectativa de vida. 

Os tratamentos para doenças raras incluem acompanhamento multidisciplinar (médicos geneticistas e médicos de outras especialidades, psicoterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicologistas), uso de medicações específicas (se disponível),  dieta restritiva, mudanças no estilo de vida, entre outros.

Estima-se que apenas cerca de 10% das doenças raras tem tratamento com medicações específicas. Embora esse número ainda seja pequeno, a cada ano aumenta o número de medicações desenvolvidas especificamente para o tratamento de doenças raras. De 1983 a 2018, por exemplo, o número de tratamentos aprovados pelo FDA (Food Drug Administration) passou de 10 para 650. 

 

DÚVIDAS FREQUENTES SOBRE O PAINEL DE DOENÇAS TRATÁVEIS

Em postagens anteriores mostramos como nos últimos anos, com o avanço da Genética, e principalmente, com o surgimento da sequenciamento de nova geração (NGS), o diagnóstico de milhares de doenças raras tornou-se possível e acessível para um número cada vez maior de pacientes. 

Nesse contexto, a Mendelics desenvolveu o Painel de Doenças Tratáveis, um exame genético que analisa 326 genes e é capaz de diagnosticar mais de 310 doenças raras, de manifestação precoce e com tratamento efetivo disponível. 

O exame pode ser realizado por pacientes de qualquer idade, por meio da coleta de uma simples amostra da mucosa bucal. 

A lista completa de genes do Painel pode ser conferida em nosso site.

 

Quais grupos de doenças genéticas são diagnosticadas através do Painel?

  • Doenças Endócrinas
  • Deficiências do Metabolismo de Vitaminas e Minerais
  • Doenças Hematológicas
  • Doenças Hepáticas e Gastrointestinais
  • Doenças Imunológicas
  • Doenças Neurológicas
  • Doenças Pulmonares
  • Doenças Renais
  • Erros Inatos do Metabolismo
  • Neoplasias
  • Surdez

 

O painel pode ser solicitado como exame confirmatório do teste do pezinho?

O teste do pezinho (básico ou expandido) é um teste de triagem que utiliza técnicas bioquímicas ou de espectrometria de massas em tandem (MS/MS) para identificar bebês com risco aumentado de desenvolver doenças tratáveis. Resultados positivos nesses testes precisam obrigatoriamente ser seguidos por exames mais precisos, como, por exemplo, exames genéticos que irão confirmar ou excluir o diagnóstico.

O Painel de Doenças Tratáveis pode ser solicitado como exame confirmatório dos testes do pezinho básico ou ampliado/expandido. O exame também pode ser solicitado para confirmar resultado de testes de triagem neonatal de imunodeficiências congênitas (SCID e AGAMA).

 

Quem pode realizar esse exame?

Recomenda-se a solicitação do Painel nas seguintes situações:

– Paciente sintomático com suspeita clínica de doença(s) investigada(s) no painel.

– Criança assintomática com resultado de teste do pezinho alterado.

 

Como é exame é feito? 

Técnica: o painel é feito pela técnica de Sequenciamento de Nova Geração (NGS).

Coleta: O exame pode ser coletado em sangue (tubo EDTA) ou mucosa bucal com o auxílio de um swab estéril.  A coleta com esse dispositivo é indolor, rápida e não invasiva e pode ser realizada pelo próprio paciente ou coletada no consultório médico. 

Importante: O Painel de Doenças Tratáveis é um exame de diagnóstico e por esse motivo é necessário um pedido médico para realização do exame.

Quer saber mais sobre o exame? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site

 


Referências

  • rarediseases.info.nih.gov/diseases/pages/31/faqs-about-rare-diseases
  • fda.gov/industry/developing-products-rare-diseases-conditions
  • saude.gov.br/saude-de-a-z/doencas-raras
  • interfarma.org.br/public/files/biblioteca/15-Rare%20Diseases%20-%20Site.pdf
  • thelancet.com/journals/landia/article/PIIS2213-8587(19)30006-3/fulltext
  • rarediseases.info.nih.gov/diseases/fda-orphan-drugs
Bancos de dados genéticos, doenças raras e doenças comuns

Bancos de dados genéticos, doenças raras e doenças comuns

Bancos de dados genéticos no diagnóstico de doenças

Bancos de dados genéticos são essenciais para compreendermos o papel da Genetica para doenças raras e comuns.

 

Doenças raras

No Brasil são consideradas doenças raras aquelas que afetam até 65 pessoas a cada 100.000. As doenças raras em geral são graves, crônicas e progressivas, podendo levar a morte nos primeiros anos de vida. 

Cerca de 80% das doenças raras têm causa genética e o diagnóstico delas dependem da identificação de mutações em genes que causam a doença. Essas “mutações” são identificadas em exames de diagnóstico genético. 

Existem mutações que são amplamente conhecidas como causadoras de doenças por já terem sido identificadas em várias pacientes com a mesma doença. Um exemplo é a mutação DeltaF508 do gene CFTR, que é encontrada em 66% dos casos de fibrose cística (FC). Quando um teste genético identifica essa alteração no DNA do paciente com FC sabemos que essa é a causa da doença.

Além da DeltaF508, já foram identificadas mais de 1000 mutações diferentes no gene CFTR (1). Muitas dessas alterações são encontradas em apenas alguns pacientes com a doença e existem mutações que são identificadas até mesmo em uma única pessoa no mundo. Identificar uma alteração no DNA nessas condições é como ter apenas uma peça de um quebra-cabeça na mão. 

Para resolver o quebra-cabeça os especialistas em análises genéticas contam com bancos de dados como o CFTR2 (2) e o ClinVar (3) que reúnem informações sobre milhares de mutações encontradas em pessoas com FC.  

Ao achar a mesma mutação ou mutações similares nesses bancos os especialistas podem concluir se a alteração no DNA identificada teste genético causou a doença no paciente que está sendo analisado.  Na ausência desses bancos seria muito difícil encontrar pacientes com a mesma mutação, que podem estar espalhados em lugares diferentes do mundo.

 

Doenças comuns

Bancos de dados genéticos que reúnem informações de milhares de pessoas clinicamente normais, como gnomAD (4), também são fundamentais, porque esses bancos nos informam sobre a frequência com que uma determinada variante (uma alteração de DNA) é encontrada na população. Se uma alteração no DNA é encontrada em milhares de pessoas é muito provável que ela não cause uma doença rara. 

Ao contrário das doenças raras, as doenças comuns afetam uma enorme quantidade de pessoas na população e suas causas ainda não são totalmente esclarecidas. Nesse grupo incluem-se doenças cardiovasculares, câncer (exceto câncer hereditário), infarto, diabetes, artrite, osteoporose, doenças oftalmológicas, depressão e demência, entre outras. 

Fatores ambientais e estilo de vida são os principais responsáveis por causá-las, mas alterações no DNA podem representar um importante fator de predisposição. 

Ao contrário das doenças raras, que são causadas por mutações específicas e de grande impacto, nas doenças comuns são múltiplas alterações no DNA de pequeno efeito que somadas conferem um fator de risco para o seu desenvolvimento. 

O maior desafio das análises genéticas atualmente é identificar quais são as alterações no DNA que contribuem para o desenvolvimento das doenças comuns e qual a importância (ou impacto) da contribuição genética em relação aos fatores não-genéticos (fatores ambientais e estilo de vida).

Um exemplo da importância de banco de dados genéticos para doenças comuns é o UK Biobank (5). Esse banco reúne informações genéticas sobre 500.000 pessoas entre 40-69 anos que fizeram parte de um projeto do governo Britânico. Além do sequenciamento genético, os participantes estão sendo monitorados quanto a atividades de seu estilo de vida. 

Os dados desse projeto estão disponíveis para pesquisadores do mundo todo para auxiliá-los em suas pesquisas sobre doenças comuns. As descobertas auxiliarão no futuro o desenvolvimento de testes genéticos que servirão para as pessoas saberem seus riscos de desenvolver doenças comuns. 

 


Referências

(1)  Ong T, Marshall SG, Karczeski BA, et al. Cystic Fibrosis and Congenital Absence of the Vas Deferens. 2001 Mar 26 [Updated 2017 Feb 2]. In: Adam MP, Ardinger HH, Pagon RA, et al., editors. GeneReviews® [Internet]. Seattle (WA): University of Washington, Seattle; 1993-2020. Disponível em : https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1250/

(2) The Clinical and Functional TRanslation of CFTR (CFTR2); disponível em http://cftr2.org.

(3) Landrum MJ et al. ClinVar: improving access to variant interpretations and supporting evidence. Nucleic Acids Res . 2018

(4)  Karczewski KJ et al (2019). The mutational constraint spectrum quantified from variation in 141,456 humans. In bioRxiv (p. 531210).

(5) Sudlow1 et al.  UK Biobank: An Open Access Resource for Identifying the Causes of a Wide Range of Complex Diseases of Middle and Old Age. PLOS Medicine | DOI:10.1371/journal.pmed.1001779

CPT II – deficiência de carnitina-palmitoil transferase 2

CPT II – deficiência de carnitina-palmitoil transferase 2

Você conhece a deficiência de carnitina-palmitoil transferase 2?

 

deficiência de carnitina-palmitoil transferase 2 (CPT II) é uma doença genética rara que faz parte do grupo de distúrbios de oxidação dos ácidos graxos (DOAG). A CPT II é causada por mutações no gene CPT2.  Esse gene fornece instruções para a produção de uma enzima chamada carnitina-palmitoil transferase 2, essencial para a oxidação de ácidos graxos, um processo de várias etapas que decompõe (metaboliza) as gorduras e as converte em energia. 

Conheça mais sobre essa doença rara nos tópicos a seguir.

 

Qual a causa da deficiência de CPT II?

Os ácidos graxos são uma importante fonte de energia para as células, principalmente em situações de grande necessidades energéticas como durante exercício intenso ou jejum prolongado. 

A oxidação de ácidos graxos ocorre nas mitocôndrias, que são os centros produtores de energia nas células. Para entrar nas mitocôndrias, um grupo de gorduras chamado ácidos graxos de cadeia longa deve ligar-se a carnitina. Uma vez que esses ácidos graxos estão dentro das mitocôndrias, a enzima carnitina-palmitoil transferase 2 remove a carnitina e ocorre a oxidação dos ácidos graxos. 

Mutações no gene CPT2 causam  ausência ou redução de atividade desta enzima. Como resultado, a carnitina não é removida dos ácidos graxos de cadeia longa e esses ácidos graxos não são metabolizados para produzir energia. 

A produção reduzida de energia pode levar a algumas das características da doença, ​​como hipoglicemia hipocetótica, mialgia e fraqueza. Ácidos graxos e acilcarnitinas de cadeia longa (ácidos graxos ainda ligados à carnitina) também podem acumular-se nas células e danificar o fígado, o coração e os músculos. Esse acúmulo anormal causa os outros sinais e sintomas da doença.

Já foram identificadas mais de 70 variantes no gene CPT2 que causam CPT II, uma delas, a p.Ser113Leu, é identificada em cerca de 60% dos pacientes com a forma da miopática da doença. 

 

Quais são as formas da doença?

Existem três tipos principais de deficiência de CPT II:

 

A) Forma letal neonatal de CPT II

A forma letal neonatal da deficiência de CPT II torna-se aparente logo após o nascimento. Os bebês com essa forma da doença desenvolvem insuficiência respiratória, convulsões, insuficiência hepática, músculo cardíaco enfraquecido (cardiomiopatia) e batimento cardíaco irregular (arritmia). 

Os bebês afetados também apresentam baixo nível de açúcar no sangue (hipoglicemia) e um baixo nível de cetonas, que são produzidas durante a decomposição das gorduras e usadas para energia. Juntos, esses sinais são chamados de hipoglicemia hipocetótica. Em muitos casos, o cérebro e os rins também são estruturalmente anormais. Os bebês com essa forma da doença geralmente vivem apenas dias a alguns meses.

 

B) Forma infantil hepatocardiomuscular de CPT II

A forma infantil hepatocardiomuscular de CPT II afeta o fígado, coração e músculos. Os sinais e sintomas geralmente aparecem já no primeiro ano de vida. Envolve episódios recorrentes de hipoglicemia hipocetótica, convulsões, aumento do fígado (hepatomegalia), cardiomiopatia e arritmia. Problemas relacionados a essa forma de deficiência de CPT II podem ser desencadeados por períodos de jejum ou por doenças como infecções virais. Pacientes com essa forma da doença correm risco de insuficiência hepática, danos no sistema nervoso, coma e morte súbita.

 

C) Forma miopática

A forma miopática é o tipo menos grave de deficiência de CPT II. Essa forma é caracterizada por episódios recorrentes de dor muscular (mialgia) e fraqueza e está associada à quebra do tecido muscular (rabdomiólise). A destruição do tecido muscular libera uma proteína chamada mioglobina, que é processada pelos rins e liberada na urina (mioglobinúria). A mioglobina faz com que a urina fique vermelha ou marrom. Essa proteína também pode danificar os rins, em alguns casos levando à insuficiência renal com risco de vida.

Episódios de mialgia e rabdomiólise podem ser desencadeados por exercício, estresse, exposição a temperaturas extremas, infecções ou jejum. O primeiro episódio geralmente ocorre durante a infância ou adolescência. A maioria das pessoas com a forma miopática da deficiência de CPT II não apresenta sinais ou sintomas do distúrbio entre os episódios.

Como a doença é transmitida? 

 Para nascer com a CPT II, uma criança deve herdar duas cópias do gene defeituoso da CPT2, uma cópia da mãe e uma cópia do pai.  Os pais são apenas portadores da mutação e não manifestam sinais da doença. 

A CPT II é, portanto, uma doença genética com padrão de herança recessivo.  

 

Como é feito o diagnóstico da doença?

O diagnóstico precoce acompanhado do tratamento adequado é fundamental para  garantir a qualidade de vida do paciente. 

Diante da suspeita clínica, o diagnóstico é confirmado com a detecção da redução da atividade enzimática da carnitina-palmitoil transferase 2 no músculo ou pela identificação em um exame genético de variantes patogênicas nas duas cópias (materna e paterna) do gene CPT2. Nesse último caso o médico pode solicitar um exame genético de sequenciamento do gene CPT2, ou um exame de painel que inclua esse gene. 

A Mendelics oferece vários painéis que incluem o gene CPT2:  Painel de Miocardiopatias, Painel de Doenças Tratáveis, Painel de Erros Inatos do Metabolismo (Tratáveis) e Painel de Distrofias Musculares, Miopatias e Miastenia  incluindo o Painel de Doenças Tratáveis,  

 

Como é feito o tratamento da doença?

O tratamento da forma miopática da CPT II é baseado em uma dieta restritiva (rica em carboidrato e pobre em gordura) e em evitar situações de risco como jejum prolongados, e exercícios físicos intensos.

 

A CPT II é uma das doenças investigadas no Teste da Bochechinha

 

A doença pode ser identificada em recém-nascidos assintomáticos através de testes de triagem neonatal, porém a CPT II não faz parte do teste do pezinho básico oferecido pelo SUS. 

A doença é triada em alguns testes do pezinho ampliado, porém, caso o resultado seja positivo, o médico precisará confirmar o diagnóstico por meio do exame de sequenciamento do gene CPT2

A CPT II faz parte do Teste da Bochechinha.  Recém-nascidos com alto risco de desenvolver a doença podem ser identificados nesse teste, antes mesmo de qualquer sinal clínico da doença

 

Referências:

https://ghr.nlm.nih.gov/condition/carnitine-palmitoyltransferase-ii-deficiency