Você conhece a Cistinose Nefropática?

Você conhece a Cistinose Nefropática?

Conheça a cistinose nefropática

 

A cistinose nefropática é uma doença genética rara caracterizada pelo acúmulo de cristais de cistina em todo o organismo, principalmente nos rins e nos olhos.

A cistinose afeta aproximadamente um a dois indivíduos a cada 100.000 nascidos vivos.

Existem três formas diferentes de cistinose, baseadas na gravidade e na idade do início dos sintomas:

– Cistinose Nefropática Infantil: forma mais comum e grave. Os sintomas surgem ainda nos primeiros meses de vida.

  • Síndrome de Fanconi renal
  • Deficiência de crescimento
  • Insuficiência glomerular renal 
  • Outros sintomas não renais, como: lesão na córnea, fotofobia, entre outros.

– Cistinose Nefropática Juvenil: início tardio dos sintomas e progressão mais lenta.

  • Mesmos sinais e sintomas da cistinose nefropática infantil, mas ocorrem mais tarde, geralmente na adolescência. 

– Cistinose Não Nefropática (ou Adulta): Sintomas oculares, como fotofobia. Geralmente não desenvolvem disfunção renal ou a maioria dos outros sinais e sintomas de cistinose nefropática infantil. 

 

Conheça a história do Benício e como o Teste da Bochechinha foi fundamental para seu diagnóstico

Nesse episódio do programa #AMARemcasa, Mariana Kupfer entrevista Maria de Lourdes e Bruno, pais dos gêmeos Bruno e Benício.

Bruno e Maria contam suas angústias ao observarem diferenças no comportamento e no desenvolvimento do Benício, em comparação com seu irmão gêmeo, sem obterem qualquer explicação ou diagnóstico para o que estava acontecendo.

Eles investiram muito tempo buscando entender os sintomas de Benício, que passou por vários especialistas e realizou diferentes exames até que ouviram falar do Teste da Bochechinha.

Benício possui cistinose nefropática e a síndrome de Fanconi, e nessa entrevista, seus pais contam como o Teste foi decisivo e essencial para seu diagnóstico.

 

 

Qual a causa da cistinose nefropática?

A cistinose nefropática é causada por mutações no gene CTNS, responsável por produzir a cistinosina, uma proteína de transporte que leva o aminoácido cistina para fora dos lisossomos (compartimento celular responsável por digerir e reciclar moléculas). 

Em pacientes com cistinose nefropática, a cistinosina está reduzida ou ausente, por isso, a cistina se acumula e cristaliza nos lisossomos levando à destruição das células. 

Como os lisossomos estão presentes em todos os tipos de célula, o acúmulo de cistina ocorre em todo o organismo, tornando a cistinose uma doença sistêmica. Os principais sintomas da doença ocorrem nos rins e nos olhos, porém, com o tempo (e sem tratamento), os sintomas podem ser vistos em praticamente todos os órgãos. 

Mais de 100 mutações no CTNS já foram associadas à cistinose nefropática, incluindo deleções (alterações mais frequentes) e substituições de nucleotídeos.

 

Como a cistinose nefropática é herdada?

A cistinose nefropática possui padrão de herança autossômico recessivo, isso quer dizer que o bebê nasce com a doença quando herda duas cópias alteradas do gene CTNS, uma do pai e outra da mãe (mutação em homozigose).

Quando apenas uma cópia do gene alterado é herdada, a pessoa é chamada de “portadora”. Ela não vai ter a doença, mas pode transmitir a alteração para os filhos.

Além disso, os pais de uma criança com cistinose nefropática tem 25% de chances de ter outro filho com a doença. Por isso a importância do aconselhamento genético para famílias com histórico da doença.

 

Como é feito o diagnóstico da doença?

A suspeita de cistinose nefropática é feita com base no exame clínico, e nos sintomas do paciente.

Podem ser realizados exames para detectar níveis anormais de cistina no sangue e para detectar cristais de cistina no olho. 

A confirmação do diagnóstico da doença é feita pelo exame genético capaz de detectar alterações (em homozigose) no gene CTNS. Nesse caso, os Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para doenças renais e doenças genéticas de início precoce são indicados.

A realização do teste genético também é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

A cistinose nefropática é uma das mais de 320 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal genética. Com esse teste, que pode ser realizado assim que a criança nasce, a doença pode ser identificada antes do início dos sintomas. 

A doença não é avaliada no Teste do Pezinho básico do SUS e na maioria dos testes de triagem neonatal ampliados na rede particular.

 

Como é feito o tratamento da cistinose nefropática?

A cistinose não tem cura. O tratamento é realizado por uma equipe multidisciplinar e baseado nos sinais e sintomas de cada paciente.

Atualmente, a principal terapia é a depleção da cistina com cisteamina, que comprovadamente diminui a progressão da insuficiência renal e previne ou diminui os sintomas extra-renais. 

Em alguns casos, pode ser indicado o transplante de rins, para controle dos sintomas devido à insuficiência renal.

 

Diagnóstico genético e a Mendelics

A Mendelics oferece exames para o diagnóstico de cistinose nefropática, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Painel de Distúrbios da Função Renal. Converse com um médico de sua confiança e, se houver a necessidade de um exame diagnóstico genético, entre em contato conosco!

Quer saber mais sobre a cistinose nefropática e exames de diagnóstico genético? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

Você conhece a doença de Pompe?

Você conhece a doença de Pompe?

CONHEÇA A DOENÇA DE POMPE

 

A doença de Pompe (ou glicogenose tipo II, GSD II) é uma doença genética rara caracterizada por diversos sintomas respiratórios, nos músculos e no coração.  

Pompe afeta uma a cada 40 mil pessoas no mundo e pode se manifestar desde antes do nascimento até a vida adulta. Seus sinais e sintomas clínicos são variados mas, em geral, pode ser classificada de duas formas:

 

  • Forma clássica (infantil): os sintomas surgem ainda nos primeiros meses de vida

→ Fraqueza muscular

→ Dificuldade de alimentação e em ganhar peso

→ Dificuldade respiratória

→ Crescimento anormal do coração, língua e fígado

 

  • Forma adulta: sintomas podem surgir nos primeiros anos de vida ou na fase adulta 

→ Fraqueza dos músculos do quadril e das pernas

→ Dificuldades de mobilidade (andar, subir escadas, se levantar)

→ Dificuldades respiratórias

→ Escoliose

→ Dores musculares

 

Os sintomas da doença são progressivos e prejudicam a qualidade de vida da pessoa acometida. Por ser rara e com sintomas semelhantes a outras doenças ou quadros mais comuns, o diagnóstico da doença costuma ser desafiador. Os pacientes costumam consultar vários médicos e realizar vários exames até chegarem a um diagnóstico final. 

QUAL A CAUSA DA DOENÇA DE POMPE?

A doença de Pompe é causada por mutações no gene GAA, responsável por produzir a proteína alfa-glicosidade ácida (GAA). 

Para que os músculos funcionem normalmente, as células musculares precisam da energia que é obtida através do glicogênio, um tipo de açúcar que é obtido através da alimentação e armazenado nas células em uma estrutura chamada lisossomo.

Para ser retirado dos lisossomos e utilizado como energia, o glicogênio precisa ser metabolizado pela enzima chamada alfa-glicosidase ácida.

Em pacientes com Pompe, essa enzima está reduzida ou ausente, por isso, o glicogênio se acumula nos lisossomos levando à destruição das células do tecido muscular, as células dos músculos cardíacos e esqueléticos são as mais gravemente afetadas, causando os sintomas da doença.

 

COMO A DOENÇA DE POMPE É HERDADA?

A doença de Pompe  possui padrão de herança autossômico recessivo (Figura 1), isso quer dizer que bebê nasce com a doença quando herda duas cópias alteradas do gene GAA, uma do pai e outra da mãe (mutação em homozigose).

Quando apenas uma cópia do gene alterado é herdada, a pessoa é chamada de “portadora”. Ela não vai ter a doença, mas pode transmitir a alteração para os filhos.

Além disso, os pais de uma criança com Pompe tem 25% de chances de ter outro filho com a doença. Por isso a importância do aconselhamento genético para famílias com histórico da doença.  

 

autossomico recessivo

Figura 1: Imagem ilustrativa sobre o padrão de herança autossômico recessivo.

 

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA DOENÇA?

Pompe é uma doença difícil de diagnosticar precocemente por ser rara (e consequentemente pouco conhecida) e seus sinais e sintomas se confundirem com outras doenças. 

A confirmação do diagnóstico da doença é feita pelo exame genético que vai detectar alterações (em homozigose) no gene GAA. Nesse caso, o sequenciamento do gene GAA ou Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para doenças do neurodesenvolvimento são indicados.

A realização do teste genético também é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

Também pode ser realizado o ensaio da atividade enzimática da GAA para dar suporte ao diagnóstico. 

A doença de Pompe é uma das mais de 320 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal genética. Com esse teste, que pode ser realizado assim que a criança nasce, a doença pode ser identificada antes do paciente desenvolver qualquer sintoma da doença. 

A doença não é avaliada em outros testes de triagem neonatal, como o Teste do Pezinho básico do SUS e nem nas versões ampliadas e expandidas oferecidas pela rede privada.

 

COMO É FEITO O TRATAMENTO DA DOENÇA DE POMPE?

Os sinais e sintomas da doença podem se manifestar diferentemente em cada pessoa, por isso, o tratamento pode variar de paciente para paciente. Atualmente a doença não tem cura, mas, em alguns casos, o tratamento pode aliviar sintomas da doença. 

O tratamento é realizado por uma equipe multidisciplinar e baseado nos sinais e sintomas de cada paciente. Atualmente, a reposição da enzima GAA é possível.

A Mendelics oferece exames para o diagnóstico de doença de Pompe, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis. Converse com seu médico!

Quer saber mais sobre a doença de Pompe? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

  1. https://rarediseases.org/rare-diseases/pompe-disease/
  2. https://www.sanofi.com.br/pt/sua-saude/doencas-raras/pompe
Doenças Raras – Entenda quais são e a importância do diagnóstico

Doenças Raras – Entenda quais são e a importância do diagnóstico

Fevereiro – Mês do Dia Mundial e Nacional das Doenças Raras

 

Fevereiro é o mês em que se comemora o dia mundial e nacional das doenças raras: o dia 29, o mais raro do calendário, que só ocorre a cada quatro anos. 

A data foi criada em 2008 pela Organização Europeia de Doenças Raras (Eurordis) para promover a conscientização dessas doenças pela população geral e governantes e também buscar apoio aos pacientes e suas famílias, que necessitam de cuidados especiais, diagnóstico rápido e acessível e tratamento personalizado. 

 

O que são doenças raras?

No Brasil, são consideradas doenças raras aquelas que afetam até 65 a cada 100.000 pessoas. Estima-se que aproximadamente 13 milhões de pessoas tenham alguma doença rara no país. 

São mais de 7.000 diferentes tipos de doenças raras e cada uma delas possui sinais e sintomas bem específicos, podendo se manifestar desde o nascimento (ou mesmo antes de nascer) até na vida adulta. 

 

O que causa as doenças raras?

Existem diferentes causas para as doenças raras. De acordo com a OMS, 80% das doenças raras são de origem genética e ocorrem por alterações em genes ou cromossomos. 

Em alguns casos, as alterações genéticas são passadas de uma geração para a outra (mutações herdadas).  Em outros casos, elas ocorrem aleatoriamente em uma pessoa que é a primeira na família a ser diagnosticada (mutação nova ou ‘de novo’).

Alguns exemplos de doenças raras de causa genética:

 

Doenças raras também podem ter origem infecciosa, ambiental ou ter a causa ainda desconhecida

 

Desafios para as doenças raras 

Existem diversos tipos de doenças raras, cada uma com apresentações clínicas específicas e que podem variar até mesmo entre pacientes com a mesma doença. Essa grande variabilidade de sinais e sintomas é um desafio para o diagnóstico.

É comum que pacientes e seus pais percorram um longo caminho em busca do diagnóstico correto, uma jornada que pode se estender por anos e que envolve consultas a médicos de diferentes especialidades e realização de vários exames. 

Milhões de crianças no mundo sofrem com consequências graves que poderiam ter sido evitadas se a doença fosse diagnosticada e tratada precocemente. Geralmente, os pais descobrem que seu filho tem uma doença rara tarde demais, muitas vezes quando as consequências já são irreversíveis.

 

Diagnóstico precoce é qualidade de vida

A maioria (75%) das doenças raras de origem genética se manifestam ainda na infância. Um terço dessas crianças não atingem os cinco anos de idade.

Diante desse cenário, o diagnóstico precoce é essencial para permitir que o tratamento mais adequado se inicie o mais rápido possível garantindo mais qualidade de vida e melhor desenvolvimento físico e mental.

Em alguns casos e doenças, o tratamento pode se iniciar antes mesmo que os sintomas apareçam, fazendo com que a criança tenha um desenvolvimento normal, sem sintomas, ou com sintomas mais leves e sob controle.

Um exemplo conhecido é o caso do Théo, filho da Jornalista Larissa Carvalho, que nasceu com uma doença rara chamada Acidúria Glutárica tipo I que não tem cura, mas que pode ser controlada com dieta restrita de proteínas. 

Pela falta de conhecimento sobre testes de triagem mais abrangentes (e a raridade de sua doença), Théo só foi diagnosticado tardiamente, com sintomas graves e irreparáveis. 

Esse caso reforça o diagnóstico precoce como um fator importante a ser discutido quando se fala em doenças raras. E dentro desse contexto, a conscientização da importância da triagem neonatal é fundamental.

 

Triar para tratar

 

O que é triagem neonatal? 

A triagem neonatal é uma ação preventiva que visa identificar doenças graves com manifestação ainda na infância e que possuem tratamento eficaz disponível. 

No Brasil, todos os recém-nascidos devem fazer um exame chamado de Teste do Pezinho, um teste de triagem neonatal oferecido pelo SUS que identifica seis doenças tratáveis mais comuns na população. 

Contudo, existem centenas de outras doenças que poderiam ser identificadas logo ao nascimento e tratadas, mas que não são triadas no Teste do Pezinho devido às limitações das técnicas usadas nesse tipo de teste. Somente testes que analisam diretamente o DNA poderiam identificá-las. 

Esse é o caso, por exemplo, da Epilepsia Responsiva à Piridoxina (Epilepsia Piridoxina-dependente), Acidúria Glutárica tipo I, Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), Síndrome de Brown-Vialetto-Van Laere, Intolerância Hereditária a Frutose, entre outras doenças. 

Por isso, nos últimos anos, o uso de testes genéticos na triagem neonatal tem aumentado, uma abordagem inovadora que permite expandir o número de doenças triadas em recém-nascidos.

 

Triagem neonatal genética

A triagem genética é uma abordagem que analisa diretamente o DNA do recém-nascido em busca de alterações genéticas que elevem o risco de desenvolver doença(s) tratáveis no futuro.

Para a triagem neonatal, os painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) mostraram ser a melhor abordagem. Um Painel é um exame genético que, utilizando o NGS, avalia variações (mutações) em vários genes simultaneamente.

Vários estudos científicos entre 2012 a 2019 demonstraram a eficiência da aplicação do NGS na triagem de doenças neonatais, confirmando resultados de exames de triagem neonatal que utilizam outras técnicas, como os bioquímicos e de espectrometria de massas, e conseguiram esclarecer casos de “falsos positivos” e inconclusivos dos testes convencionais. 

 

Teste da Bochechinha – a evolução do Teste do Pezinho

Um diagnóstico precoce impacta diretamente a vida de uma pessoa, principalmente quando se trata de um recém-nascido. Por isso, a Mendelics segue investindo no desenvolvimento e evolução de seus testes para levar mais agilidade no diagnóstico precoce e preciso, melhorando a qualidade de vida aos pacientes com doenças raras.

Com o avanço da tecnologia e do NGS, a Mendelics desenvolveu o Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal que analisa o DNA do bebê e investiga mais de 320 doenças raras, que iniciam ainda na infância e que possuem tratamento disponível.

O Teste da Bochechinha é capaz de identificar bebês com alto risco de desenvolver uma doença antes mesmo de qualquer sintoma, e com isso permite que os pais realizem precocemente os procedimentos médicos de controle e tratamento necessários e direcionados. 

O Teste da Bochechinha foi desenvolvido com o objetivo de triar para tratar”. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais eficiente é o tratamento. 

As doenças e genes do Teste da Bochechinha foram escolhidos por uma equipe médica especializada, com base em extensa revisão da literatura médica, de bancos de dados genéticos, de doenças genéticas e de casos clínicos do laboratório Mendelics. 

 

Genética & Inovação em tratamentos para doenças raras

Nos últimos 30 anos, milhares de doenças raras tiveram suas causas esclarecidas, por meio do conhecimento do nosso DNA. 

O avanço das tecnologias de análises genéticas e dos estudos de desenvolvimento de novas terapias garantiram melhorias na qualidade de vida de milhões de pessoas no mundo todo.

Estima-se que apenas cerca de 10% das doenças raras têm tratamento com medicações específicas. Embora esse número ainda seja pequeno, a cada ano o número de medicações desenvolvidas para o tratamento de doenças raras aumenta. 

De 1983 a 2018, por exemplo, o número de tratamentos aprovados pelo FDA (Food Drug Administration) passou de 10 para 650.

Hoje, pacientes com fibrose cística, por exemplo, podem contar com os medicamentos mais eficientes, desenvolvidos para tratar diferentes defeitos na proteína CFTR, baseado nas alterações específicas no gene CFTR.

Também já existem tratamentos personalizados disponíveis inclusive no SUS, como o Nusinersen, um medicamento baseado em terapia gênica para crianças com AME

Apesar dos avanços no desenvolvimento de tratamentos, muitas doenças raras ainda são desconhecidas e passam despercebidas, resultando em diagnóstico errôneo, no atraso ou, até mesmo, na falta de um diagnóstico.

A falta de conhecimento contribui para o distanciamento dos portadores de doenças raras de uma possibilidade de tratamento ou melhora na sua qualidade de vida.

Quanto mais cedo o diagnóstico de doenças genéticas raras, mais eficiente o tratamento. Por isso, reforçamos a importância da identificação de doenças tratáveis de manifestação na infância antes do início dos sintomas e contribuímos com a campanha da Eurordis do mês de doenças raras.

 


Referências

  1. https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/pages/31/faqs-about-rare-diseases
  2. https://www.fda.gov/industry/developing-products-rare-diseases-conditions
  3. https://saude.gov.br/saude-de-a-z/doencas-rarashttps://www.interfarma.org.br/public/files/biblioteca/15-Rare%20Diseases%20-%20Site.pdf
  4. https://www.thelancet.com/journals/landia/article/PIIS2213-8587(19)30006-3/fulltext
  5. https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/fda-orphan-drugs
Você conhece a Síndrome da Quilomicronemia Familial (SQF)? 

Você conhece a Síndrome da Quilomicronemia Familial (SQF)? 

Conheça a Síndrome da Quilomicronemia Familial (SQF)

 

A Síndrome da Quilomicronemia Familial  (SQF) é uma doença genética rara e grave caracterizada pelo acúmulo de quilomícrons (quilomicronemia) no organismo.

A SQF atinge entre uma e duas pessoas a cada um milhão e pode se manifestar em vários momentos da vida, desde a infância até a idade adulta.

Seu principal sintoma é o aumento em até 10x nos níveis de triglicerídeos (hipertrigliceridemia), que leva a vários sinais e sintomas que incluem problemas cognitivos, como depressão, perda de memória, dificuldade de concentração; dores abdominais generalizadas, alterações gastrointestinais, como vômito e diarreia, pancreatite aguda potencialmente fatal e outras complicações a longo prazo. 

A doença também é chamada de FCS (em inglês, Familial Chylomicronemia Syndrome), deficiência de lipoproteína lipase (LPL), hiperlipoproteinemia tipo I de Fredrickson e hiperlipidemia familial.

 

Qual é a causa da SQF?

A SQF é uma doença genética, autossômica recessiva, causada, em 80% dos casos, por alterações (mutações) no gene que codifica a lipoproteína lipase (LPL). 

A LPL é uma enzima digestiva que atua no metabolismo dos quilomícrons, partículas responsáveis pelo transporte de gordura e colesterol (triglicerídeos) consumidos na dieta.

Pessoas com SQF possuem ausência ou deficiência da LPL, ocasionando acúmulo de quilomícrons no sangue e, consequentemente, a um aumento de até 10x nos níveis de triglicerídeos (hipertrigliceridemia grave), que, por sua vez, possui várias complicações associadas.

Outros genes, como o APOC2, APOA5, LMF1 ou GPIHBP1, já foram associados a deficiência de LPL.

 

Como é feito o diagnóstico da SQF?

Devido à sua raridade e ao fato da hipertrigliceridemia poder ser atribuída a outras doenças e condições, como consumo de álcool, diabetes ou certos medicamentos, a SQF é uma doença difícil de diagnosticar precocemente.

Em geral, um paciente com SQF passa por consultas com 5 profissionais diferentes até ser diagnosticado corretamente.

 

Sinais de suspeita clínica da SQF:

  • Histórico de episódios frequentes de pancreatite aguda;
  • Dor abdominal recorrente;
  • Triglicerídeos em jejum acima de 880 mg/dL (valor desejável é <150 mg/dL) sem resposta a medicamentos e sem causas secundárias;
  • Início precoce dos sintomas (infância, adolescência ou início da idade adulta).

 

Para confirmação da suspeita clínica é necessário exame genético para detectar variantes patogênicas em homozigose (ou heterozigose composta) no gene LPL ou outros genes associados a síndrome.

Nesse caso, o sequenciamento do gene LPL ou Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para pancreatites são indicados.

A SQF é uma das 330 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal genética. Com esse teste, que pode ser realizado assim que a criança nasce, a doença pode ser identificada antes do paciente desenvolver qualquer sintoma da doença.

A SQF não é avaliada em outros testes de triagem neonatal, como o Teste do Pezinho básico do SUS e nem nas versões ampliadas e expandidas oferecidas pela rede privada.

 

Qual é o tratamento da SQF?

Ainda não existem medicamentos aprovados pela ANVISA e disponíveis para o tratamento da SQF no Brasil.

O controle da doença é feito com base em uma dieta restrita, com limite de ingestão de gorduras, para controlar a hipertrigliceridemia e os seus sintomas associados, e garantir a qualidade de vida do paciente. 

 

Programa de suporte ao diagnóstico da SQF

Para auxiliar no diagnóstico precoce da SQF, a PTC Therapeutics em parceria com a Mendelics oferece um programa de suporte ao diagnóstico de pacientes com suspeita de SQF.

O Programa oferece um exame de Painel de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) que inclui 26 genes relacionados a hipertrigliceridemias e pancreatite. 

Consulte seu médico. Para saber mais sobre o Programa de Suporte ao Diagnóstico de SQF escreva para contato@mendelics.com.br.

 

BR-FCS-0293 – Fev 2021
Material destinado a profissionais de saúde habilitados a prescrever ou dispensar medicamentos.

Referências

Você conhece a Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

Você conhece a Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

Conheça a Epilepsia Responsiva à Piridoxina

 

A Epilepsia Responsiva à Piridoxina ou Epilepsia Piridoxina-Dependente (Pyridoxine-dependent epilepsy, PDE) é uma doença genética rara caracterizada por crises epilépticas frequentes e persistentes que surgem ao nascimento ou nos primeiros meses de vida.  Em casos atípicos a doença se manifesta entre um a três anos de idade ou até mesmo durante a gestação.

A principal característica da PDE é que as crises de epilepsia não são controladas pelos medicamentos antepilépticos comumente utilizados, mas apenas respondem à suplementação de piridoxina (vitamina B6).

Apesar de obterem piridoxina na alimentação, os portadores da PDE precisam de uma suplementação dessa vitamina por toda a vida.

A PDE é uma doença grave, os sinais clínicos variam em cada paciente e o prognóstico depende da idade do diagnóstico e início da suplementação de piridoxina, entre outros fatores. Se não tratada, provoca graves danos no sistema nervoso, afetando a habilidade intelectual e cognitiva da criança. 

Entenda mais sobre essa importante doença rara, suas causas e como o diagnóstico é realizado e mais, nesse artigo.

 

Qual a causa da Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

A PDE é uma doença genética causada por alterações nas duas cópias do gene ALDH7A1. Esse gene é responsável por produzir uma proteína (enzima) chamada antiquitina (conhecida também como desidrogenase do alfa-AASA), que atua no metabolismo do aminoácido lisina, no cérebro.

A ausência de antiquitina, causada pelas alterações no ALDH7A1, ocasionam a uma falha no metabolismo da lisina e o acúmulo de substâncias (metabólitos) que interferem no desenvolvimento e no funcionamento do cérebro.

Somente pessoas que herdaram o gene “defeituoso” da mãe e do pai desenvolvem a doença. A PDE é, portanto, uma doença genética com padrão de herança recessivo.

Quando uma pessoa herda apenas um gene alterado (do pai ou da mãe), considera-se que ela é portadora (do inglês, “carrier”). Portadores não têm sintomas da doença, porém podem transmitir o gene alterado para seus filhos. 

Muitas pessoas não sabem que são portadoras de uma  alteração no gene ALDH7A1 e só descobrem quando tem um filho com a doença. 

 

Quais são os principais sintomas da Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

Muitos sinais e sintomas já foram descritos em pacientes com PDE, porém, crises epilépticas logo após o nascimento são os sintomas clássicos. É comum que os recém-nascidos sejam diagnosticados erroneamente por outras doenças, como a encefalopatia hipóxico-isquêmica, devido aos sintomas. 

Também é comum que os pacientes apresentem atraso no desenvolvimento e deficiência intelectual.

 

Como é feito o diagnóstico da doença?

A suspeita do diagnóstico deve ser considerada nos casos de recém-nascidos ou crianças de até 3 anos de idade que apresentam epilepsia ou encefalopatia sem causa explicada e que não respondem aos tratamentos.

A confirmação do diagnóstico se dá por dosagem bioquímica de biomarcadores no plasma ou urina e pela identificação de mutações no ALDH7A1 no teste genético.

O teste genético analisa o DNA do paciente para buscar alterações no gene  ALDH7A1.  Esse é o teste mais preciso e confiável para identificar a doença, tanto em bebês assintomáticos quanto em pacientes de qualquer idade que tenham algum sintoma da doença.  

A realização do teste genético também é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

A PDE é uma doença que se manifesta ao nascimento ou nos primeiros meses de vida e que precisa ser tratada o mais cedo possível. Estudos mostraram que o diagnóstico tardio e o atraso do tratamento em meses ou anos provoca alterações motoras graves com dificuldade de aprendizagem e alterações sensoriais.

A PDE não é testada no Teste do Pezinho básico do SUS e nem nas versões ampliadas e expandidas oferecidas pela rede privada. No entanto, é uma das mais de 320 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, o teste de triagem neonatal genética mais completo do Brasil.

Quando a criança (ou pessoa de qualquer idade) tem algum sintoma de PDE recomenda-se realizar um exame genético de diagnóstico para confirmar a suspeita. A Mendelics oferece exames para o diagnóstico da PDE, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Painel de Epilepsias

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Referências

  • Coughlin CR 2nd. Pyridoxine-dependent epilepsy is more than just epilepsy. Dev Med Child Neurol. 2020 Mar;62(3):268. doi: 10.1111/dmcn.14405. Epub 2019 Nov 25. PMID: 31763687.
  • Jiao X, Xue J, Gong P, Wu Y, Zhang Y, Jiang Y, Yang Z. Clinical and genetic features in pyridoxine-dependent epilepsy: a Chinese cohort study. Dev Med Child Neurol. 2020 Mar;62(3):315-321. doi: 10.1111/dmcn.14385. Epub 2019 Nov 18. PMID: 31737911.