Epidermólise Bolhosa: conheça essa doença rara

Epidermólise Bolhosa: conheça essa doença rara

O que é a Epidermólise Bolhosa? 

A Epidermólise Bolhosa (EB) não é uma única doença, mas um grupo de doenças genéticas raras e hereditárias que se manifestam desde o nascimento e afetam tanto homens quanto mulheres, de todas as etnias e faixas etárias (1, 2).

Estima-se que a incidência da EB é de cerca de 20 casos por um milhão de nascidos vivos. No Brasil, não existem dados bem estabelecidos sobre a frequência da doença. Segundo o cadastro da Associação DEBRA, existem pouco mais de 1000 pessoas diagnosticadas com EB no país (3).  

Pacientes com EB têm a pele muito frágil, com formação de bolhas e feridas abertas devido a traumas mínimos, muitas vezes triviais, como após um abraço ou uma troca de fralda (1,2). 

No Brasil, as crianças com EB são chamadas “Crianças Borboletas”, porque a pele se assemelha às asas de uma borboleta devido à fragilidade provocada pela doença. 

Os efeitos que a EB tem na vida de uma criança variam consideravelmente: algumas crianças têm uma forma leve da doença, que requer apenas precauções para prevenir lesões; no outro extremo, a EB pode ser completamente incapacitante, necessitando de cuidados médicos contínuos e, em alguns casos, é fatal.  É comum que a EB provoque dor e afete a vida cotidiana das pessoas acometidas (1,2,3). 

Existem quatro tipos principais de EB com vários subtipos e um grande espectro de gravidade dentro de cada um deles (1,2).

epidermólise bolhosa

 

Epidermólise Bolhosa: subtipos e sintomas

Epidermólise Bolhosa Simples (EBS)

Este é o tipo mais comum. Na forma mais branda as bolhas geralmente ocorrem apenas nas mãos e nos pés do recém-nascido e desaparecem com a idade. Nas formas graves, a formação de bolhas pode ser generalizada e ocorrer em qualquer parte da pele ou dentro da boca, e tende a ser mais séria ao nascimento, mas também diminui sua gravidade com a idade. À medida que as bolhas desaparecem, a pele costuma  cicatrizar sem deixar marcas.

 

Epidermólise Bolhosa Distrófica (EBD):

Segunda forma mais comum e a que deixa mais sequelas. As bolhas são profundas e se formam entre a derme e a epiderme, o que leva a cicatrizes maiores e muitas vezes à perda da função do membro. Em casos leves, a formação de bolhas pode afetar principalmente as mãos, pés, joelhos e cotovelos. Os casos graves geralmente envolvem bolhas generalizadas em várias partes do corpo que podem levar à perda de visão, perda de membros, desfiguração, entre outros problemas médicos graves. 

 

Epidermólise Bolhosa Juncional (EBJ):

A EBJ é separada em duas categorias: o tipo Herlitz, mais grave, com bolhas profundas que acometem a maior parte do corpo, podendo levar ao óbito antes do primeiro ano de vida; e o tipo Não-Herlitz, que inclui vários subtipos que causam bolhas leves a graves na pele, presentes desde o nascimento ou alguns dias, ou meses depois.

 

Síndrome de Kindler:

É o tipo mais raro. Causa bolhas na pele no início da infância e outros sintomas que podem incluir aumento da sensibilidade à luz, descoloração irregular da pele, a formação de pequenos grupos de vasos sanguíneos (poiquilodermia), espessamento e endurecimento da pele nas palmas das mãos e plantas dos pés (hiperceratose), e um risco aumentado de câncer de pele. A condição também pode afetar a mucosa da boca, olhos, esôfago, intestinos, órgãos genitais e sistema urinário.

Conheça o espetáculo “Cura” inspirado na história real de uma criança com Epidermólise Bolhosa. 

 

Qual é a causa da Epidermólise Bolhosa?

A EB pode ser causada por mutações em diferentes genes que desempenham vários papéis na estrutura, integridade e reparo da pele (1).

O padrão de herança da EB pode ser autossômica dominante ou autossômica recessiva, dependendo do tipo e subtipo de EB.

Genes da Epidermólise Bolhosa (EB)

Fonte: Bardhan et al., 2020 e Has et al., 2021.

Entenda mais sobre padrões de herança e como as doenças genéticas são herdadas.

Existe uma doença autoimune rara chamada epidermólise bolhosa adquirida. Esse post não se refere a esse tipo de epidermólise bolhosa. 

 

Qual é o tratamento da Epidermólise Bolhosa?

A EB não tem cura, mas possui tratamento, que deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar (3, 4, 5). 

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece curativos especiais para o tratamento das feridas provocadas pela doença e outros tipos de procedimentos realizados de acordo com o quadro clínico de cada paciente (5).  

Um diagnóstico precoce é sempre importante, pois permite que o tratamento seja iniciado o mais cedo possível e evita as consequências mais graves da doença. Com tratamento e acompanhamento adequados, é possível prever e até evitar complicações.

 

Como é feito o diagnóstico da Epidermólise Bolhosa?

O diagnóstico dos casos suspeitos é realizado através de biópsia de pele e teste genético (2, 3, 4, 5).

Através do teste genético é possível identificar quais mutações estão causando a doença, qual é o tipo de EB e, consequentemente, a forma que está sendo transmitida na família. Essa informação é muito importante, pois mutações diferentes causam quadros com diferentes graus de severidade (2, 4).

 

Diagnóstico genético da Epidermólise Bolhosa 

Para garantir o diagnóstico rápido, preciso e acessível da EB, a Mendelics oferece o Painel de Epidermólise Bolhosa, um exame de Painel de Sequenciamento de Nova Geração (Next Generation Sequencing, NGS) que inclui 25 genes relacionados aos diferentes subtipos de EB. 

Conheça o Painel de Epidermólise Bolhosa da Mendelics.

Além disso, para contribuir, ainda mais, com o diagnóstico precoce da EB, a Mendelics participou do projeto de sequenciamento genético gratuito para pacientes com EB do Brasil em parceria com a DEBRA Brasil e a Illumina, no qual foram realizados 400 exames de sequenciamento para as pessoas com suspeita de EB (6).  

Converse com um médico de sua confiança e, se houver a necessidade de um exame diagnóstico genético, entre em contato conosco!

 


Referências

  1. Epidermolysis bullosa | Genetic and Rare Diseases Information Center (GARD) – an NCATS Program. Nih.gov. Published 2018. Accessed October 15, 2021. https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/6359/epidermolysis-bullosa\
  2. Bardhan A, Bruckner-Tuderman L, Chapple ILC, Fine JD, Harper N, Has C, Magin TM, Marinkovich MP, Marshall JF, McGrath JA, Mellerio JE, Polson R, Heagerty AH. Epidermolysis bullosa. Nat Rev Dis Primers. 2020 Sep 24;6(1):78. doi: 10.1038/s41572-020-0210-0. PMID: 32973163.
  3. Brasil D. O que é EB? – DEBRA Brasil. DEBRA Brasil. Published March 5, 2021. Accessed October 15, 2021. https://debrabrasil.com.br/o-que-e-eb/
  4. Epidermólise Bolhosa: o que é, características, tratamento e cuidados. Saude.gov.br. Published 2019. Accessed October 15, 2021. https://antigo.saude.gov.br/saude-de-a-z/epidermolise-bolhosa
  5. http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2021/20210920_DDT_EB_CP79.pdf
  6. Brasil D. Sequenciamento gratuito – DEBRA Brasil. DEBRA Brasil. Published June 2021. Accessed October 20, 2021. https://debrabrasil.com.br/sequenciamento-gratuito/
  7. Has C, Bauer JW, Bodemer C, et al. Consensus reclassification of inherited epidermolysis bullosa and other disorders with skin fragility. British Journal of Dermatology. 2020;183(4):614-627. doi:10.1111/bjd.18921
Sequenciamento Sanger: vantagens para a medicina contemporânea

Sequenciamento Sanger: vantagens para a medicina contemporânea

Entenda mais sobre a técnica de sequenciamento Sanger, que possibilitou o sequenciamento do primeiro genoma humano e como ela ainda é importante 20 anos depois.

 

História do Sequenciamento Sanger

A tecnologia de sequenciamento Sanger surgiu na década de 70 e foi o primeiro grande passo para o sequenciamento massivo de DNA, sendo conhecida hoje como sequenciamento de primeira geração. Essa foi a tecnologia que permitiu o lançamento do Projeto Genoma Humano em 1991, que prometia sequenciar o primeiro genoma humano nos 15 anos seguintes.

Em 2001, o Projeto Genoma Humano publicava o rascunho do primeiro genoma humano, 4 anos antes do previsto, graças ao Sanger e ao desenvolvimento de técnicas de sequenciamento massivo em paralelo, também conhecido como Sequenciamento de Nova Geração (NGS), que teve início na década de 1990.

 

Sequenciamento Sanger x Sequenciamento de Nova Geração

A tecnologia NGS é hoje a principal ferramenta utilizada para sequenciamento na área diagnóstica. Com ela é possível sequenciar várias regiões do DNA, e várias amostras, ao mesmo tempo, reduzindo muito o custo da análise por amostra. No entanto, esse tipo de ensaio tem suas limitações, que podem, em muitos casos, ser sanadas pela tecnologia Sanger.

Na imagem abaixo é possível ver que, com NGS, o DNA é quebrado em pequenos fragmentos, que são sequenciados e depois realinhados através de ferramentas de bioinformática, como um grande quebra-cabeças. Isso dificulta analisar regiões homólogas (semelhantes) e repetitivas do DNA por NGS, pois não sabemos onde encaixar esses fragmentos.

Ilustração comparando a análise de regiões homólogas (semelhantes) por sequenciamento de nova geração (NGS) e por sequenciamento Sanger

Figura 1. Comparação entre análises de regiões homólogas por Sequenciamento de Nova Geração (NGS) e por Sequenciamento Sanger.

Esse problema pode ser resolvido sequenciando fragmentos mais longos, que compreendam as regiões flanqueadoras (regiões que cercam esses trechos). Com peças maiores, é mais fácil resolver o quebra-cabeça.

Enquanto o NGS analisa fragmentos de até 300 pares de bases (pb), o sequenciamento Sanger permite analisar fragmentos que chegam a cerca de 800pb, sendo mais indicado para a análise de regiões complexas.

O sequenciamento tipo Sanger utiliza alguns nucleotídeos modificados com fluoróforos (moléculas que emitem luminescência), e resulta em cópias com diferentes tamanhos da sequência do DNA de interesse, mas que se iniciam na mesma posição, como mostrado na figura abaixo.

Os fragmentos são separados por tamanho e as bases finais de cada cópia são identificadas pela fluorescência.

Ilustração de como é feito o sequenciamento sanger, onde os nucleotídeos alterados com fluoróforos identificam a inserção de cada base que compõe a sequência

Figura 2. Sequenciamento Sanger. Os fragmentos sequenciados são identificados por tamanho e pela fluorescência emitida pela última case adicionada. Dessa forma é possível determinar a sequência de nucleotídeos da região de interesse.

 

Dessa forma, o sequenciamento Sanger permite identificar variantes genéticas em sequências mais longas de DNA, sem a necessidade de uma etapa computacional de reconstrução dos trechos sequenciados.

 

Sanger no diagnóstico de doenças causadas por regiões complexas

Um bom exemplo do uso do sequenciamento Sanger na medicina atual é no diagnóstico da Hiperplasia Adrenal Congênita (CAH) resultante da deficiência da enzima 21-hidroxilase.

Essa doença leva à produção excessiva de hormônios andrógenos (masculinos), podendo causar o desenvolvimento de genitália ambígua em pessoas do sexo feminino, além de puberdade precoce em ambos os sexos.

Cerca de 75% dos casos também apresenta deficiência do hormônio aldosterona, que leva à dificuldade de reter água e sais, causando desidratação, baixo volume de sangue circulante (hipovolemia) e pressão baixa (hipotensão).

A CAH com deficiência de 21-hidrogenase é causada por alterações no gene CYP21A2, que possui um pseudogene homólogo, o CYP21A1P. Esse pseudogene é uma região do DNA muito semelhante ao gene CYP21A2, porém não é funcional, ou seja, a partir dele não é possível produzir a enzima 21-hidroxilase.

Durante a formação dos gametas ocorrem alguns eventos de recombinação do DNA, nos quais os pares de cromossomos se recombinam resultando em sequências híbridas daquelas que herdamos dos nossos pais. Durante esse processo, regiões homólogas (CYP21A2 e CYP21A1P, por exemplo) podem ser indevidamente pareadas e, consequentemente, trocadas durante a recombinação.

Como mostrado na figura abaixo, tanto a troca de regiões entre o gene CYP21A2 e o pseudogene CYP21A1P, quanto a união deles (resultado de uma deleção) podem comprometer a produção da 21-hidrogenase. Cerca de 95% das alterações genéticas que levam à CAH são resultantes de recombinações entre as regiões homólogas.

Ilustração dos eventos de recombinação e deleção na região do gene CYP21A2 e do pseudogene CYP21A1P que resultam em Hiperplasia Adrenal Congênita (CAH) com deficiência da enzima 21-hidroxilase.

Figura 3. Ilustração dos eventos de recombinação e deleção na região do gene CYP21A2 e do pseudogene CYP21A1P que resultam em Hiperplasia Adrenal Congênita (CAH) com deficiência da enzima 21-hidroxilase.

O sequenciamento de Sanger é capaz de identificar essas recombinações e atingir uma taxa diagnóstica mais alta que os painéis de NGS, que não conseguem sequenciar toda a região de interesse em uma única sequência. Por isso, Sanger é a metodologia mais indicada para o diagnóstico de CAH com deficiência de 21-hidrogenase.

Na Mendelics o diagnóstico da Hiperplasia Adrenal Congênita resultante da deficiência da enzima 21-hidroxilase é feito por Sanger e MLPA, para a identificação das variantes resultantes de recombinações e das deleções, respectivamente, atingindo uma alta taxa diagnóstica para a doença.

Conheça o exame

 

Consulte sempre seu médico e, se precisar de um exame diagnóstico, entre em contato com a nossa equipe.


Referências

Khan Academy – Sequenciamento de DNA

National Human Genome Research Institute (NHGRI) – DNA Sequencing Costs: Data

National Organization for Rare Disorders – Congenital Adrenal Hyperplasia

Nimkarn S, et al. 21-Hydroxylase-Deficient Congenital Adrenal Hyperplasia. 2002. In: Adam MP, et al., editors. GeneReviews® [Internet]. Seattle (WA): University of Washington, Seattle; 1993-2021.

Pignatelli D., et al. The complexities in genotyping of congenital adrenal hyperplasia: 21-Hydroxylase deficiency. 2019. Frontiers in Endocrinology, vol. 10.

Você conhece a Doença de Fabry?

Você conhece a Doença de Fabry?

Conheça a Doença de Fabry

 

A doença de Fabry é uma doença hereditária rara e progressiva caracterizada pelo acúmulo de um tipo de gordura no organismo (chamados glicoesfingolipídios), levando a sintomas graves e sistêmicos, principalmente no coração, sistema nervoso e nos rins. 

A doença ocorre em pessoas de ambos os sexos, mas seus sinais e sintomas são mais evidentes em homens devido à genética da doença. 

A doença se manifesta diferentemente em cada paciente e com diferentes gravidades, é dividida em duas formas:

  • Forma I ou clássica: sinais e sintomas se iniciam na infância ou adolescência e evoluem progressivamente até a vida adulta. 
  • Forma II ou tardia: sintomas iniciam no início da vida adulta e evoluem gravemente.

As formas de início tardio são, geralmente, subdiagnosticadas, por isso faltam informações sobre a prevalência dessa forma da doença. Estudos recentes observaram que a doença afeta 1 em cada 3.100 meninos. A frequência da doença em meninas ainda é desconhecida. 

Inicialmente a doença era tratada como uma doença de adulto, mas com o avanço dos métodos de diagnóstico e triagem na infância, observou-se que, mesmo que nas formas de início tardio, os cuidados e tratamentos podem se iniciar na infância. Por isso, hoje, o foco médico é diagnosticar crianças com Fabry o mais precocemente possível.

 

Quais os sinais e sintomas da doença de Fabry?

Os sintomas comuns incluem episódios de dor intensa e sensações de queimação e formigamento nas mãos e pés (dores neuropáticas), que podem ser desencadeados por exercícios, febre, fadiga e estresse. Além disso, com o avanço da idade, aglomerados de pequenas manchas escuras em vários locais da pele aumentam em tamanho e quantidade (angioqueratomas). 

Muitos pacientes também apresentam vários sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, diarreia, falta de apetite), e perda na visão (alterações na córnea) e audição.

A doença de Fabry está associada a graves danos renais e cardíacos, que pioram com o tempo, podendo ser fatais. 

Se não tratada, a doença progride gravemente, acometendo o funcionamento de todo o organismo e das funções cognitivas, impactando fortemente a qualidade de vida das pessoas afetadas.

 

Qual a causa da doença de Fabry?

A doença de Fabry é causada por alterações (mutações) no gene GLA, que produz a enzima alfa-galactosidase A (α-Gal A) responsável por degradar moléculas de gordura, principalmente a globotriaosilceramida (Gb3 ou GL-3) encontradas nos lisossomos (compartimento celular responsável por digerir e reciclar moléculas) presentes nas células do corpo inteiro. 

Em pacientes com Fabry, a falta ou redução da α-Gal A faz com que moléculas de gordura se acumulem nas células

Como os lisossomos estão presentes em todos os tipos de célula, o acúmulo das moléculas de gordura ocorre em todo o organismo, ocasionando os sintomas multissistêmicos da doença. Os primeiros sintomas aparentes ocorrem em pequenos vasos sanguíneos, no coração e nos rins, porém, com o tempo (e sem tratamento), podem ser vistos em praticamente todos os órgãos. 

Os sintomas da doença e a sua gravidade vão depender da quantidade e da qualidade do funcionamento da α-Gal A: uma enzima incapaz de funcionar ou com atividade baixa está associada ao desenvolvimento do tipo clássico de doença de Fabry, enquanto a atividade moderada está ligada à forma de início tardio.

 

Como Fabry pode ser herdada?

O gene GLA está localizado no cromossomo X, um dos dois cromossomos sexuais:

  • Nos homens (que têm apenas um cromossomo X herdado da mãe), uma cópia alterada do gene em cada célula é suficiente para causar a doença, que é geralmente mais grave. 
  • Nas mulheres (que têm dois cromossomos X), a presença de uma cópia do gene sem mutação pode compensar parcialmente a outra cópia mutada (devido a inativação do X), por isso, os sintomas são variáveis, podendo ser mais ou menos graves.

Por ser uma doença ligada ao X, assume-se erroneamente que as mulheres são apenas portadoras da mutação e não manifestam a doença. Após diversos estudos, sabe-se que mulheres podem manifestar a doença tão gravemente quanto os homens, devido a inativação do X. 

Mulheres com Fabry tem 50% de chance de transmitir o gene GLA mutado para seus filhos, independentemente do sexo. 

Já os homens com Fabry vão transmitir o gene mutado para todas as filhas e para nenhum dos seus filhos homens, pois os meninos só recebem um cromossomo Y de seus pais, em vez de um cromossomo X.

É importante que seja feito aconselhamento genético em famílias com histórico de Fabry para que os pais compreendam suas chances de ter outro filho com a doença e, principalmente, para que outros familiares portadores sejam identificados e possam conhecer seus riscos.

Para entender mais sobre padrões de herança de doenças genéticas, leia esse artigo.

 

Como é feito o tratamento da doença de Fabry?

A doença de Fabry não tem cura, mas tem tratamento. 

Atualmente (09/2021), existem três opções de tratamentos aprovados pela ANVISA no Brasil: dois através da TRE (terapia de reposição enzimática, alfa e beta agalsidase), que repõem a enzima α-Gal A em falta no organismo, evitando danos aos órgãos dos pacientes e melhorando sua qualidade de vida; e um medicamento para pessoas com mutações específicas (Cloridrato de Migalastate). 

O tratamento só deve ser iniciado por um médico especialista em doença de Fabry ou doenças do metabolismo/de depósito lisossomal. 

Ainda não existe tratamento incorporado no Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, analgésicos para controlar as dores neuropáticas e medicamentos para tratar os sintomas cardiovasculares também podem ser usados. Pacientes mais graves com insuficiência renal podem necessitar de diálise e transplante renal.

Além do tratamento medicamentoso, pacientes com Fabry necessitam de acompanhamento por vários especialistas e equipe multidisciplinar, com realização periódica de exames laboratoriais e avaliações clínicas. 

 

O diagnóstico precoce é fundamental 

Por ser uma doença rara e multissistêmica, a doença de Fabry é, consequentemente, pouco conhecida e possui um maior desafio para o seu diagnóstico precoce visto que os primeiros sinais são muito inespecíficos, principalmente em meninas, e são frequentemente confundidos com outras doenças.

Mesmo pacientes assintomáticos são beneficiados pelo diagnóstico e acompanhamento precoce, pois muitas alterações, principalmente na função renal, ficam ocultas até se tornarem mais graves. Quanto mais tarde o diagnóstico é feito, mais tarde o tratamento é iniciado, impactando diretamente a qualidade e expectativa de vida do paciente.

 

Como é feito o diagnóstico da doença?

A suspeita de Fabry é feita com base em exames clínicos, e nos sinais e sintomas do paciente.

Em meninos, o diagnóstico pode ser confirmado através de exames laboratoriais para detectar níveis anormais de atividade da α-Gal A.

Como muitas pacientes meninas podem ter uma atividade da α-Gal A dentro da normalidade, este teste não fornece um diagnóstico preciso, sendo indicado realizar um exame genético para identificação das variantes presentes no gene GLA.

Para ambos os sexos, a confirmação do diagnóstico da doença é feita pelo exame genético capaz de detectar variantes patogênicas no GLA, a única maneira conclusiva de diagnosticar a doença de Fabry, sendo recomendado para qualquer indivíduo com diagnóstico clínico confirmado ou suspeito, ou histórico da doença na família.

 

Diagnóstico da doença de Fabry na Mendelics

A Mendelics possui diversos Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para doenças metabólicas e doenças genéticas de início precoce.

Para o diagnóstico de Fabry, a Mendelics oferece o Painel de Doenças Tratáveis e o Painel de Distúrbios da Função Renal, entre outros.

Converse com um médico de sua confiança e, se houver a necessidade de um exame diagnóstico genético, entre em contato conosco!

Conheça a Mendelics

Quer saber mais sobre a Doença de Fabry? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

  • Ortiz A, Germain DP, Desnick RJ, et al. Fabry disease revisited: Management and treatment recommendations for adult patients. Mol Genet Metab. 2018;123(4):416-427. doi:10.1016/j.ymgme.2018.02.014
  • Germain DP, Fouilhoux A, Decramer S, et al. Consensus recommendations for diagnosis, management and treatment of Fabry disease in paediatric patients. Clin Genet. 2019;96(2):107-117. doi:10.1111/cge.13546
  • https://rarediseases.org/rare-diseases/fabry-disease/
Filme Fundamentals of Caring e a Distrofia Muscular de Duchenne

Filme Fundamentals of Caring e a Distrofia Muscular de Duchenne

The Fundamentals of Caring – O filme 

Escrito e dirigido por Rob Burnett e baseado na obra literária The Revised Fundamentals of Caregiving, de Jonathan Evison, The Fundamentals of Caring, ou ‘Amizades Improváveis’ em português, é um filme americano de comédia-drama inspiracional que conta as histórias de Ben (Paul Rudd) e Trevor (Craig Roberts), ambos feridos e frustrados pela vida, cada um a sua maneira: Ben pela tristeza e Trevor pela deficiência que possui.

O enredo se inicia contando a realidade de Ben, um escritor aposentado desiludido pelo fim de seu casamento e assombrado pela perda de seu filho. Ben resolve se tornar um cuidador e é contratado para cuidar de Trevor, um jovem de 18 anos que possui Distrofia Muscular de Duchenne (DMD).

Cadeirante devido à DMD, Trevor passava sua adolescência deprimido em uma rotina fixa e acomodada em casa, sem iniciativa e motivação para se permitir viver novas experiências.

A trama gira em torno da amizade que se iniciou entre os dois e culminou em uma viagem de carro pelos Estados Unidos até o poço mais profundo do mundo. Ao longo da viagem os dois amigos experimentam novos gostos, sensações e emoções e mudaram o curso de suas vidas para sempre.

Durante o percurso, duas mulheres se unem aos dois amigos na estrada: Dot (Selena Gomez), uma jovem rebelde que está fugindo da casa do pai, e Peaches (Megan Ferguson), uma mulher grávida que está com o carro quebrado e pede carona. Logo, a viagem se torna uma aventura à parte, que tira Trevor totalmente da sua zona de conforto ao conhecer e conviver com pessoas desconhecidas, com histórias tão diferentes, e, também, por se apaixonar pela primeira vez.

Diversão, amizade, tristeza, amadurecimento e superação de desafios, são só alguns dos sentimentos e mensagens que o filme traz. Ben, Trevor, Dot e Peaches conseguem chegar no poço mais profundo do mundo, e no caminho muitas surpresas acontecem. Em plano de fundo, Ben consegue mostrar para Trevor que a DMD não é desculpa para ele não se permitir viver, e que existe um mundo muito grande além do conforto e segurança de sua casa.

O filme traz grandes reflexões sobre aproveitar a vida e não se limitar, o valor da amizade e do cuidado ao próximo.  Além disso, é uma oportunidade para conscientização sobre a Distrofia Muscular de Duchenne, uma doença rara que faz parte de um grupo de cerca de 30 doenças neuromusculares que causam degeneração e fraqueza nos músculos do corpo.

O filme está disponível no streaming Netflix.

 

Sobre a Distrofia Muscular de Duchenne

A Distrofia Muscular de Duchenne ou DMD é uma doença genética rara, grave, crônica e progressiva que afeta 1 a cada 3.500 nascidos do sexo masculino. É causada por variantes patogênicas no gene DMD que codifica a distrofina, uma proteína importante para a sustentação e aderência dos músculos no esqueleto.

A DMD é uma doença com padrão de herança recessivo ligado ao cromossomo X, logo, afeta o sexo masculino e feminino de formas diferentes. Meninos, que possuem apenas uma cópia do cromossomo X, são os mais afetados pela doença, já casos da doença em meninas ocorrem, mas são incomuns.

A doença causa fraqueza e degeneração progressiva dos músculos esqueléticos (que controlam o movimento) e cardíacos (coração). Seus sintomas geralmente se tornam aparentes em torno dos 3 anos de idade afetando, inicialmente, os músculos do quadril e membros inferiores. 

Cerca de 84% dos pacientes com DMD passam a depender de cadeiras de rodas até os 15 anos de idade. O uso de aparelhos de ventilação assistida é necessário para pelo menos 80% dos casos até os 20 anos de idade.

Para saber mais sobre sinais e sintomas, e a genética da DMD, leia esse artigo. 

A DMD não tem cura, mas possui tratamento. Por ser uma doença progressiva, quanto mais cedo ela for identificada, mais cedo o tratamento pode ser iniciado, garantindo mais qualidade de vida ao paciente. 

Por ser uma doença rara e desconhecida, o diagnóstico da DMD pode ser muito desafiador, podendo levar até 9 anos para ser obtido, após diversos exames que podem incluir biópsias dos tecidos musculares para dosagem de distrofina.

O diagnóstico molecular feito através de um exame genético é capaz de identificar mais de 95% dos casos de Distrofia Muscular de Duchenne. É um exame simples, não invasivo, rápido e preciso que, além de diagnosticar a doença, identifica qual a alteração genética é responsável por ela. Isso contribui para um acompanhamento e tratamento mais personalizados. Além de permitir o aconselhamento genético do paciente e outros membros da sua família.

Saiba mais sobre exames de diagnóstico genético nesse artigo.

 

Programa DNAmplo 

Para dar suporte ao diagnóstico da DMD e de outras doenças neuromusculares, a Mendelics junto a PTC Therapeutics desenvolveu o Programa DNAmplo, um programa de suporte ao diagnóstico que oferece de forma gratuita um exame de painel de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) que inclui 222 genes relacionados a doenças neuromusculares com início na primeira infância, incluindo a DMD.

Entre e contato e saiba mais sobre o Programa DNAmplo.

 


Referências

Atletas Raros

Atletas Raros

Saiba mais sobre atletas raros nos jogos de 2021

Devido à pandemia, os jogos de Tóquio 2020 foram adiados e estão acontecendo um ano após o planejado. Os jogos paralímpicos se estendem da última semana de agosto à primeira de setembro e vai receber mais de 4.500 atletas com deficiências, sendo 253 brasileiros.

Apesar de muitos dos atletas terem adquirido suas deficiências após passarem por acidentes, outros tantos possuem doenças genéticas raras e hereditárias que resultam em deficiências físicas, sensoriais ou intelectuais.

Nesse post vamos comentar sobre as doenças genéticas raras que afetam os atletas paralímpicos brasileiros que estão competindo em Tóquio.

 

Doenças Raras

Segundo o Ministério da Saúde Brasileiro, uma doença é considerada rara quando atinge no máximo 65 pessoas a cada 100.000. Pode parecer muito pouco, mas quando consideramos todas as doenças raras, esse número é expressivo. 

Existem mais de 7.000 doenças raras descritas, sendo que 80% delas são genéticas. Considerando esse total, cerca de 1 a cada 20 crianças nascidas vivas possuem alguma doença rara. Com essa perspectiva vemos que as doenças raras são mais comuns do que imaginamos.

Dentre os 253 paratletas brasileiros que foram convocados para Tóquio, mais de 30 possuem doenças raras de causa genética conhecida. Na tabela abaixo listamos as categorias esportivas em que esses atletas competem, assim como as suas conquistas nos principais campeonatos e quais doenças genéticas possuem.

Quadro de medalhas dos paratletas que possuem doenças raras

 

Conheça as doenças genéticas raras dos nossos paratletas

Doenças raras que afetam a visão

Albinismo

O Albinismo é caracterizado pela ausência de melanina na pele, olhos e cabelos, que pode ser o único sinal ou vir acompanhado de outros sintomas como a perda parcial ou total da visão.

O albinismo oculocutâneo, a forma mais comum, é causado por mutações nos genes OCA2, TYR, TYRP1, SLC45A2, MC1R, e afeta cerca de 1 a cada 20.000 pessoas no mundo.

 

Doença de Stargardt

A doença é caracterizada pela perda progressiva da visão que se inicia na infância ou adolescência, sensibilidade à luz e daltonismo.

Stargardt é causado por mutações no gene ABCA4, e afeta cerca de 1 a cada 9.000 pessoas no mundo.

 

Retinose pigmentar

É caracterizada pelo depósito de pigmento (melanina) na retina que causa a perda progressiva da visão. Pode surgir como um sintoma da Síndrome de Usher.

A Retinose pigmentar afeta cerca de 1 a cada 4.000 pessoas no mundo e pode ser causada por mutações em mais de 15 genes diferentes.

 

Catarata Congênita Hereditária

A catarata é uma doença caracterizada pela obstrução do cristalino, a lente do olho, que se torna esbranquiçado e opaco. A forma senil (se desenvolve em idosos) é mais comum.

A forma congênita afeta cerca de 1 a cada 10.000 pessoas no mundo e pode ser causada por mutações em mais de uma dezena de genes.

 

Doenças raras que afetam ossos e musculatura

Nanismo

É caracterizado por baixa estatura (média de 120 cm). Existem muitos subtipos e centenas de causas, em sua grande maioria genéticas.

As formas mais comuns da doença, chamadas acondroplasia e hipocondroplasia, são causadas por mutações no gene FGFR3, e contabilizam cerca de 70% dos casos, afetando cerca de 1 pessoa a cada 25.000.

 

Raquitismo Hipofosfatêmico

Também conhecido como raquitismo resistente à vitamina D, é caracterizado por dores ósseas, encurtamento e curvatura das pernas, devido aos baixos níveis de fosfato no sangue.

A doença afeta 1 a cada 25.000 nascidos vivos e é causada, na grande maioria dos casos, por mutações no gene PHEX.

Saiba mais sobre Raquitismo Hipofosfatêmico nesse artigo.

 

Distrofia Muscular

Conjunto de mais de 30 doenças genéticas caracterizadas por fraqueza e degeneração progressiva dos músculos esqueléticos, que controlam o movimento.

A Distrofia Muscular de Duchenne, forma mais comum, é causada por mutações no gene DMD e afeta principalmente homens, cerca de 1 a cada 3.500.

 

Doenças raras neurológicas

Atrofia Muscular Espinhal (AME)

Caracterizada por fraqueza e atrofia muscular causada pela perda dos neurônios motores da medula espinhal e do tronco cerebral, podendo comprometer a respiração, locomoção, alimentação, entre outras funções básicas do organismo.

A AME é causada por mutações nos genes SMN1 e SMN2 e afeta cerca de 1 a cada 9.000 nascidos.

Saiba mais sobre a AME nesse artigo.

 

Paraparesia Espástica Hereditária

Grupo de doenças neurodegenerativas que afetam primariamente os neurônios motores superiores, prejudicando a comunicação com os membros inferiores e causando espasmos e fraqueza nas pernas, dentre outros sintomas.

Existem mais de 70 doenças dentro desse grupo, causadas por mutações em diferentes genes. Coletivamente afetam cerca de 1 a 8.000 pessoas no mundo.

 

Síndrome de Leigh

É uma condição neurodegenerativa com grande diversidade de sintomas a depender do tipo e severidade apresentada pelo paciente. De forma geral causa fraqueza muscular, perda do controle muscular, espasmos e falta de equilíbrio.

A síndrome pode ser causada por mutações no cromossomo X ou no DNA mitocondrial, e afeta cerca de 1 a cada 38.000 pessoas no mundo.

 

Charcot-Marie-Tooth (CMT)

É um grupo de doenças que afetam os neurônios periféricos e motores, causando fraqueza, dormência e deformidades nos pés e pernas, dentre outros sintomas.

A doença pode ser causada por mutações em uma centena de genes, sendo que o gene PMP22 é responsável por cerca de metade dos casos. CMT afeta cerca de 1 a cada 5.000 pessoas no mundo.

 

Diagnóstico de doenças raras

Doenças raras podem ser difíceis de diagnosticar pois apresentam sintomas que podem se enquadrar também em doenças mais comuns. Como resultado, o paciente pode levar até 4 anos para receber o diagnóstico correto.

O diagnóstico precoce de doenças raras é muito importante pois muitas são progressivas, ou seja, o quadro do paciente piora com o tempo, principalmente se não houver o tratamento correto.

Por isso, o diagnóstico genético de doenças raras é um grande aliado. Ele identifica quais mutações estão causando a doença e diferencia de forma mais precisa os tipos e subtipos de muitas doenças genéticas. Com isso o acompanhamento e tratamento podem ser feitos de forma mais personalizada e efetiva.

A Mendelics é líder em diagnóstico de doenças raras na América Latina e possui o maior banco de dados genéticos brasileiros e latino americanos, com mais de 100 mil amostras analisadas.

 

Conheça o portfólio de exames da Mendelics

 


Referências

Comitê Paralímpico Brasileiro – Guia de Imprensa

Diretrizes para Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras no SUS

National Organization for Rare Disorders – Albinismo Oculocutâneo

Genetic and Rare Diseases Information Center – Doença de Stargardt

MedlinePlus – Retinose Pigmentar

Santana A, Waiswo M. The genetic and molecular basis of congenital cataract, Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, vol. 74, no. 2, pp. 136–142, Apr. 2011.

Genetic and Rare Diseases Information Center – Nanismo

National Organization for Rare Disorders – Hipocondroplasia

National Organization for Rare Disorders – Raquitismo Hipofosfatêmico

Genetic and Rare Diseases Information Center – Distrofia Muscular

National Organization for Rare Disorders – Distrofia Muscular de Duchenne

National Organization for Rare Disorders – Atrofia Muscular Espinhal (AME)

Genetic and Rare Diseases Information Center – Paraparesia Espástica Hereditária

National Organization for Rare Disorders – Síndrome de Leigh

National Organization for Rare Disorders – Charcot-Marie-Tooth