Você conhece a doença de Pompe?

Você conhece a doença de Pompe?

CONHEÇA A DOENÇA DE POMPE

 

A doença de Pompe (ou glicogenose tipo II, GSD II) é uma doença genética rara caracterizada por diversos sintomas respiratórios, nos músculos e no coração.  

Pompe afeta uma a cada 40 mil pessoas no mundo e pode se manifestar desde antes do nascimento até a vida adulta. Seus sinais e sintomas clínicos são variados mas, em geral, pode ser classificada de duas formas:

 

  • Forma clássica (infantil): os sintomas surgem ainda nos primeiros meses de vida

→ Fraqueza muscular

→ Dificuldade de alimentação e em ganhar peso

→ Dificuldade respiratória

→ Crescimento anormal do coração, língua e fígado

 

  • Forma adulta: sintomas podem surgir nos primeiros anos de vida ou na fase adulta 

→ Fraqueza dos músculos do quadril e das pernas

→ Dificuldades de mobilidade (andar, subir escadas, se levantar)

→ Dificuldades respiratórias

→ Escoliose

→ Dores musculares

 

Os sintomas da doença são progressivos e prejudicam a qualidade de vida da pessoa acometida. Por ser rara e com sintomas semelhantes a outras doenças ou quadros mais comuns, o diagnóstico da doença costuma ser desafiador. Os pacientes costumam consultar vários médicos e realizar vários exames até chegarem a um diagnóstico final. 

QUAL A CAUSA DA DOENÇA DE POMPE?

A doença de Pompe é causada por mutações no gene GAA, responsável por produzir a proteína alfa-glicosidade ácida (GAA). 

Para que os músculos funcionem normalmente, as células musculares precisam da energia que é obtida através do glicogênio, um tipo de açúcar que é obtido através da alimentação e armazenado nas células em uma estrutura chamada lisossomo.

Para ser retirado dos lisossomos e utilizado como energia, o glicogênio precisa ser metabolizado pela enzima chamada alfa-glicosidase ácida.

Em pacientes com Pompe, essa enzima está reduzida ou ausente, por isso, o glicogênio se acumula nos lisossomos levando à destruição das células do tecido muscular, as células dos músculos cardíacos e esqueléticos são as mais gravemente afetadas, causando os sintomas da doença.

 

COMO A DOENÇA DE POMPE É HERDADA?

A doença de Pompe  possui padrão de herança autossômico recessivo (Figura 1), isso quer dizer que bebê nasce com a doença quando herda duas cópias alteradas do gene GAA, uma do pai e outra da mãe (mutação em homozigose).

Quando apenas uma cópia do gene alterado é herdada, a pessoa é chamada de “portadora”. Ela não vai ter a doença, mas pode transmitir a alteração para os filhos.

Além disso, os pais de uma criança com Pompe tem 25% de chances de ter outro filho com a doença. Por isso a importância do aconselhamento genético para famílias com histórico da doença.  

 

autossomico recessivo

Figura 1: Imagem ilustrativa sobre o padrão de herança autossômico recessivo.

 

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA DOENÇA?

Pompe é uma doença difícil de diagnosticar precocemente por ser rara (e consequentemente pouco conhecida) e seus sinais e sintomas se confundirem com outras doenças. 

A confirmação do diagnóstico da doença é feita pelo exame genético que vai detectar alterações (em homozigose) no gene GAA. Nesse caso, o sequenciamento do gene GAA ou Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para doenças do neurodesenvolvimento são indicados.

A realização do teste genético também é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

Também pode ser realizado o ensaio da atividade enzimática da GAA para dar suporte ao diagnóstico. 

A doença de Pompe é uma das mais de 320 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal genética. Com esse teste, que pode ser realizado assim que a criança nasce, a doença pode ser identificada antes do paciente desenvolver qualquer sintoma da doença. 

A doença não é avaliada em outros testes de triagem neonatal, como o Teste do Pezinho básico do SUS e nem nas versões ampliadas e expandidas oferecidas pela rede privada.

 

COMO É FEITO O TRATAMENTO DA DOENÇA DE POMPE?

Os sinais e sintomas da doença podem se manifestar diferentemente em cada pessoa, por isso, o tratamento pode variar de paciente para paciente. Atualmente a doença não tem cura, mas, em alguns casos, o tratamento pode aliviar sintomas da doença. 

O tratamento é realizado por uma equipe multidisciplinar e baseado nos sinais e sintomas de cada paciente. Atualmente, a reposição da enzima GAA é possível.

A Mendelics oferece exames para o diagnóstico de doença de Pompe, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis. Converse com seu médico!

Quer saber mais sobre a doença de Pompe? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.

 


Referências

  1. https://rarediseases.org/rare-diseases/pompe-disease/
  2. https://www.sanofi.com.br/pt/sua-saude/doencas-raras/pompe
Filme Extraordinário – conscientização sobre a Síndrome de Treacher Collins

Filme Extraordinário – conscientização sobre a Síndrome de Treacher Collins

Extraordinário – O filme 


O filme Extraordinário (Wonder) mostra a vida de Auggie, uma criança com a síndrome de Treacher Collins. Entenda mais sobre a história do filme e a síndrome nesse artigo. 

O filme Extraordinário (Wonder) lançado em 2017 é baseado na obra literária de R. J. Palacio, que leva o mesmo nome. O longa-metragem conta a história de Auggie Pullman (interpretado por Jacob Tremblay), um garoto de 10 anos que nasceu com uma síndrome genética chamada Treacher Collins que ocasiona uma série de dismorfismos craniofaciais. Por conta disso, Auggie precisou realizar vinte e sete cirurgias ao longo de sua vida.

Devido às suas condições de saúde, Auggie foi educado em casa por sua mãe Isabel Pullman (interpretada por Julia Roberts). Porém, próximo a iniciar o quinto ano, seus pais decidem matriculá-lo em uma escola. 

Dessa forma, a trama gira em torno da inserção de Auggie no ambiente escolar. As dificuldades de socialização, as primeiras amizades fora do âmbito familiar e o bullying são os pilares da narrativa. 

Apesar de o filme não apresentar a doença rara de Auggie como foco principal, ela é tida como plano de fundo para toda a trama.  Segundo estudos populacionais, a  síndrome de Treacher Collins, é uma condição genética rara que afeta uma em cada 50.000 pessoas no mundo, não havendo predileção por sexo ou etnia.

O filme busca conscientizar as pessoas sobre a síndrome de Treacher Collins e como são as relações dessas crianças na sociedade, busca também elucidar os preconceitos que essas pessoas podem enfrentar.  

 

Conheça a síndrome de Treacher Collins 

A síndrome de Treacher Collins (TCS), também conhecida como síndrome de Treacher Collins-Franceschetti ou disostose mandíbulo-facial, é um distúrbio do desenvolvimento craniofacial que afeta o desenvolvimento dos ossos e dos tecidos faciais. 

Os sintomas e a gravidade da TCS podem variar consideravelmente de uma pessoa para outra, mesmo entre membros da mesma família. Alguns indivíduos podem apresentar sintomas leves que não levantam suspeita clínica, enquanto outros podem desenvolver complicações graves e fatais.

Na maioria dos casos, os ossos da mandíbula e do queixo são muito pequenos (micrognatia), causando a deformação facial, algumas crianças nascem com fenda palatina (abertura no palato), e em casos mais graves, o problema de desenvolvimento dos ossos pode gerar dificuldades respiratórias. 

 

Quais são as causas da síndrome de Treacher Collins?

Em 90% dos casos, a TCS é causada por mutações no gene TCOF1 mas também pode estar associada a mutações nos genes POLR1C, POLR1B ou POLR1D

O mecanismo pelo qual as mutações nesses genes acarretam a grande variabilidade dos sintomas ainda não está totalmente explicado. As proteínas produzidas nesses genes estão diretamente envolvidas na produção do RNA Ribossômico (RNAr), que é responsável pela sintetização de proteínas e são importantes para os processos de desenvolvimento dos ossos e outros tecidos da face.

Mutações nesses genes podem reduzir a produção de RNAr. Pesquisas apontam que a falta do RNAr pode levar a destruição de algumas células primordiais no desenvolvimento de ossos e tecidos da face

A TCS pode ser herdada de forma autossômica dominante (quando ocorre alterações nos genes TCOF1, POLR1B ou POLR1D) e autossômica recessiva (por alterações nos genes POLR1C ou POLR1D).

Cerca de 50-60% dos casos ocorrem devido a uma mutação de novo, isto é uma mutação nova que ocorre sem histórico prévio da doença na família.

 

Como é feito o diagnóstico da doença?

A suspeita clínica da TCS pode ocorrer já no momento do nascimento, devido às suas características faciais. 

O diagnóstico é baseado nas manifestações clínicas apresentadas pelo paciente. A confirmação pode ser feita por meio de imagens radiográficas, nas quais é possível observar uma série de alterações cranianas, e pela detecção de mutações nos genes associados através do teste genético

O teste genético analisa o DNA do paciente para buscar alterações nos genes TCOF1, POLR1C, POLR1B e POLR1D. Esse é o teste mais preciso e confiável para identificar a doença.  

Além disso, o exame genético auxilia o aconselhamento genético da família, planejamento de futuros filhos dos pais e da criança.  

Para diagnóstico genético da TCS, a Mendelics possui o Painel de Síndromes Clinicamente Reconhecíveis que analisa o gene TCOF1 e os outros principais genes associados a TCS.

 

Como é o tratamento da TCS?

Atualmente, não há cura para essa síndrome, o tratamento deve ser feito de acordo com os sintomas e as necessidades específicas de cada paciente. 

Deve haver uma abordagem multidisciplinar, com a intervenção de diferentes profissionais. O tratamento está focado nas possíveis complicações respiratórias e problemas de alimentação, em decorrência da hipoplasia da mandíbula e da obstrução da hipofaringe pela língua. 

Em certos casos, é necessária a realização de uma reconstituição crânio-facial e até mesmo uma cirurgia de reparação da fenda no palato, bem como, cirurgias de reparação dos ossos da mandíbula e do queixo.

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Referências

  1. https://medlineplus.gov/genetics/condition/treacher-collins-syndrome/#frequency 
  2. https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/9124/treacher-collins-syndrome 
  3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK1532/#tcs.Diagnosis 
  4. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0165587611003454 
  5. https://en.wikipedia.org/wiki/Treacher_Collins_syndrome#Diagnosis
  6. https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/05/10/minha-filha-e-neta-nasceram-com-a-sindrome-do-filme-o-extraordinario.htm