Doenças Raras – Entenda quais são e a importância do diagnóstico

Doenças Raras – Entenda quais são e a importância do diagnóstico

Fevereiro – Mês do Dia Mundial e Nacional das Doenças Raras

 

Fevereiro é o mês em que se comemora o dia mundial e nacional das doenças raras: o dia 29, o mais raro do calendário, que só ocorre a cada quatro anos. 

A data foi criada em 2008 pela Organização Europeia de Doenças Raras (Eurordis) para promover a conscientização dessas doenças pela população geral e governantes e também buscar apoio aos pacientes e suas famílias, que necessitam de cuidados especiais, diagnóstico rápido e acessível e tratamento personalizado. 

 

O que são doenças raras?

No Brasil, são consideradas doenças raras aquelas que afetam até 65 a cada 100.000 pessoas. Estima-se que aproximadamente 13 milhões de pessoas tenham alguma doença rara no país. 

São mais de 7.000 diferentes tipos de doenças raras e cada uma delas possui sinais e sintomas bem específicos, podendo se manifestar desde o nascimento (ou mesmo antes de nascer) até na vida adulta. 

 

O que causa as doenças raras?

Existem diferentes causas para as doenças raras. De acordo com a OMS, 80% das doenças raras são de origem genética e ocorrem por alterações em genes ou cromossomos. 

Em alguns casos, as alterações genéticas são passadas de uma geração para a outra (mutações herdadas).  Em outros casos, elas ocorrem aleatoriamente em uma pessoa que é a primeira na família a ser diagnosticada (mutação nova ou ‘de novo’).

Alguns exemplos de doenças raras de causa genética:

 

Doenças raras também podem ter origem infecciosa, ambiental ou ter a causa ainda desconhecida

 

Desafios para as doenças raras 

Existem diversos tipos de doenças raras, cada uma com apresentações clínicas específicas e que podem variar até mesmo entre pacientes com a mesma doença. Essa grande variabilidade de sinais e sintomas é um desafio para o diagnóstico.

É comum que pacientes e seus pais percorram um longo caminho em busca do diagnóstico correto, uma jornada que pode se estender por anos e que envolve consultas a médicos de diferentes especialidades e realização de vários exames. 

Milhões de crianças no mundo sofrem com consequências graves que poderiam ter sido evitadas se a doença fosse diagnosticada e tratada precocemente. Geralmente, os pais descobrem que seu filho tem uma doença rara tarde demais, muitas vezes quando as consequências já são irreversíveis.

 

Diagnóstico precoce é qualidade de vida

A maioria (75%) das doenças raras de origem genética se manifestam ainda na infância. Um terço dessas crianças não atingem os cinco anos de idade.

Diante desse cenário, o diagnóstico precoce é essencial para permitir que o tratamento mais adequado se inicie o mais rápido possível garantindo mais qualidade de vida e melhor desenvolvimento físico e mental.

Em alguns casos e doenças, o tratamento pode se iniciar antes mesmo que os sintomas apareçam, fazendo com que a criança tenha um desenvolvimento normal, sem sintomas, ou com sintomas mais leves e sob controle.

Um exemplo conhecido é o caso do Théo, filho da Jornalista Larissa Carvalho, que nasceu com uma doença rara chamada Acidúria Glutárica tipo I que não tem cura, mas que pode ser controlada com dieta restrita de proteínas. 

Pela falta de conhecimento sobre testes de triagem mais abrangentes (e a raridade de sua doença), Théo só foi diagnosticado tardiamente, com sintomas graves e irreparáveis. 

Esse caso reforça o diagnóstico precoce como um fator importante a ser discutido quando se fala em doenças raras. E dentro desse contexto, a conscientização da importância da triagem neonatal é fundamental.

 

Triar para tratar

 

O que é triagem neonatal? 

A triagem neonatal é uma ação preventiva que visa identificar doenças graves com manifestação ainda na infância e que possuem tratamento eficaz disponível. 

No Brasil, todos os recém-nascidos devem fazer um exame chamado de Teste do Pezinho, um teste de triagem neonatal oferecido pelo SUS que identifica seis doenças tratáveis mais comuns na população. 

Contudo, existem centenas de outras doenças que poderiam ser identificadas logo ao nascimento e tratadas, mas que não são triadas no Teste do Pezinho devido às limitações das técnicas usadas nesse tipo de teste. Somente testes que analisam diretamente o DNA poderiam identificá-las. 

Esse é o caso, por exemplo, da Epilepsia Responsiva à Piridoxina (Epilepsia Piridoxina-dependente), Acidúria Glutárica tipo I, Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), Síndrome de Brown-Vialetto-Van Laere, Intolerância Hereditária a Frutose, entre outras doenças. 

Por isso, nos últimos anos, o uso de testes genéticos na triagem neonatal tem aumentado, uma abordagem inovadora que permite expandir o número de doenças triadas em recém-nascidos.

 

Triagem neonatal genética

A triagem genética é uma abordagem que analisa diretamente o DNA do recém-nascido em busca de alterações genéticas que elevem o risco de desenvolver doença(s) tratáveis no futuro.

Para a triagem neonatal, os painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) mostraram ser a melhor abordagem. Um Painel é um exame genético que, utilizando o NGS, avalia variações (mutações) em vários genes simultaneamente.

Vários estudos científicos entre 2012 a 2019 demonstraram a eficiência da aplicação do NGS na triagem de doenças neonatais, confirmando resultados de exames de triagem neonatal que utilizam outras técnicas, como os bioquímicos e de espectrometria de massas, e conseguiram esclarecer casos de “falsos positivos” e inconclusivos dos testes convencionais. 

 

Teste da Bochechinha – a evolução do Teste do Pezinho

Um diagnóstico precoce impacta diretamente a vida de uma pessoa, principalmente quando se trata de um recém-nascido. Por isso, a Mendelics segue investindo no desenvolvimento e evolução de seus testes para levar mais agilidade no diagnóstico precoce e preciso, melhorando a qualidade de vida aos pacientes com doenças raras.

Com o avanço da tecnologia e do NGS, a Mendelics desenvolveu o Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal que analisa o DNA do bebê e investiga mais de 320 doenças raras, que iniciam ainda na infância e que possuem tratamento disponível.

O Teste da Bochechinha é capaz de identificar bebês com alto risco de desenvolver uma doença antes mesmo de qualquer sintoma, e com isso permite que os pais realizem precocemente os procedimentos médicos de controle e tratamento necessários e direcionados. 

O Teste da Bochechinha foi desenvolvido com o objetivo de triar para tratar”. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais eficiente é o tratamento. 

As doenças e genes do Teste da Bochechinha foram escolhidos por uma equipe médica especializada, com base em extensa revisão da literatura médica, de bancos de dados genéticos, de doenças genéticas e de casos clínicos do laboratório Mendelics. 

 

Genética & Inovação em tratamentos para doenças raras

Nos últimos 30 anos, milhares de doenças raras tiveram suas causas esclarecidas, por meio do conhecimento do nosso DNA. 

O avanço das tecnologias de análises genéticas e dos estudos de desenvolvimento de novas terapias garantiram melhorias na qualidade de vida de milhões de pessoas no mundo todo.

Estima-se que apenas cerca de 10% das doenças raras têm tratamento com medicações específicas. Embora esse número ainda seja pequeno, a cada ano o número de medicações desenvolvidas para o tratamento de doenças raras aumenta. 

De 1983 a 2018, por exemplo, o número de tratamentos aprovados pelo FDA (Food Drug Administration) passou de 10 para 650.

Hoje, pacientes com fibrose cística, por exemplo, podem contar com os medicamentos mais eficientes, desenvolvidos para tratar diferentes defeitos na proteína CFTR, baseado nas alterações específicas no gene CFTR.

Também já existem tratamentos personalizados disponíveis inclusive no SUS, como o Nusinersen, um medicamento baseado em terapia gênica para crianças com AME

Apesar dos avanços no desenvolvimento de tratamentos, muitas doenças raras ainda são desconhecidas e passam despercebidas, resultando em diagnóstico errôneo, no atraso ou, até mesmo, na falta de um diagnóstico.

A falta de conhecimento contribui para o distanciamento dos portadores de doenças raras de uma possibilidade de tratamento ou melhora na sua qualidade de vida.

Quanto mais cedo o diagnóstico de doenças genéticas raras, mais eficiente o tratamento. Por isso, reforçamos a importância da identificação de doenças tratáveis de manifestação na infância antes do início dos sintomas e contribuímos com a campanha da Eurordis do mês de doenças raras.

 


Referências

  1. https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/pages/31/faqs-about-rare-diseases
  2. https://www.fda.gov/industry/developing-products-rare-diseases-conditions
  3. https://saude.gov.br/saude-de-a-z/doencas-rarashttps://www.interfarma.org.br/public/files/biblioteca/15-Rare%20Diseases%20-%20Site.pdf
  4. https://www.thelancet.com/journals/landia/article/PIIS2213-8587(19)30006-3/fulltext
  5. https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/fda-orphan-drugs
Cardiogenética: Testes genéticos para doenças cardiovasculares

Cardiogenética: Testes genéticos para doenças cardiovasculares

Doenças cardiovasculares podem ser herdadas?

Doenças cardiovasculares são causadas pela combinação de fatores genéticos, fatores ambientais e estilo de vida (dieta, exercícios, cigarro, gênero, entre outros). Mas também podem ser causadas por alterações genéticas herdadas.  

O grupo de doenças cardiovasculares de origem hereditária, que são as principais causas de morte súbita em jovens e atletas, compreende a cardiogenética. 

 

Principais doenças cardiovasculares hereditárias

Arritmias (síndrome de Brugada, síndrome do QT longo, síndrome do QT curto, taquicardia ventricular polimórfica catecolaminérgica)

Cardiomiopatias (miocardiopatia hipertrófica, miocardiopatias dilatadas)

Dislipidemias  (hipercolesterolemia familiar)

Aortopatias (sindrome de Marfan, síndrome de Ehlers-Danlos)

 

Para que servem os testes genéticos em cardiologia?

Os testes genéticos são fundamentais para o diagnóstico precoce de doenças cardiovasculares hereditárias. A depender da doença, os testes genéticos podem ser importantes também para prognóstico e para o melhor planejamento da conduta terapêutica

Existem critérios clínicos, como o das sociedades Americana e Européia de ritmo cardíaco Heart Rhythm Society (HRS) e European Heart Rhythm Association (EHRA), bem definidos para a utilização de testes genéticos em cardiologia. Por isso, somente um médico especialista pode orientar o paciente quanto aos benefícios e aplicações do teste. 

Os testes genéticos também são importantes para saber se familiares saudáveis têm risco de ter a doença no futuro por herdarem as alterações genéticas.

O aconselhamento genético deve ser sempre realizado antes e após o teste genético, para garantir que o paciente e seus familiares saudáveis compreendam todos os benefícios e as limitações dos resultados.

 

Entenda os testes genéticos para doenças cardiovasculares

Doenças cardíacas hereditárias podem ser causadas por mutações genéticas em dezenas de genes diferentes. Por isso, exames de Painéis são hoje o tipo de teste genético mais solicitado em cardiologia. 

O Sequenciamento de Nova Geração (NGS) é a técnica mais eficaz no diagnóstico de doenças genéticas e a que oferece o melhor custo-benefício (1). Um Painel é um exame genético que, utilizando o NGS, avalia simultaneamente variações em dois ou mais genes. Os genes que fazem parte do Painel são selecionados com base na literatura médica e devem ser atualizados diante de novas descobertas científicas e médicas. 

 

Conheça os exames de Cardiologia da Mendelics

A Mendelics oferece testes genéticos de Painéis de NGS para todas essas condições, permitindo um diagnóstico preciso e um melhor planejamento da conduta terapêutica.

  • Painel de Aneurisma Aórtico

Neste Painel de NGS são analisados 23 genes associados a aneurisma aórtico primário, incluindo outras doenças e síndromes como: Cutis Laxa, Síndrome de Ehlers-Danlos, Síndrome de Loeys-Dietz, Síndrome de Marfan, Síndrome de Meester-Loeys, Síndrome Shprintzen-Goldberg, entre outras.

  • Painel de Arritmias

Neste Painel de NGS  são analisados 50 genes envolvidos na predisposição genética a diversas formas de arritmias, incluindo a síndrome de Brugada, síndrome do QT Longo, síndrome do QT Curto, entre outras.

  • Painel de Discinesia Ciliar Primária

Neste Painel de NGS são analisados 35 genes relacionados a discinesia ciliar primária.

  • Painel de Dislipidemias

Neste Painel de NGS são analisados 4 genes relacionados a dislipidemia. As dislipidemias causam elevação do nível de colesterol (hipercolesterolemia) e triglicérides (hipertrigliceridemia), que podem causar infarto agudo do miocárdio.

  • Painel de Miocardiopatias

Neste Painel de NGS são analisados os principais genes envolvidos na predisposição genética à miocardiopatia, incluindo também a miocardiopatia dilatada hereditária, miocardiopatia hipertrófica familiar e miocardiopatia restritiva hereditária, incluindo as formas isoladas e sindrômicas.

Para saber mais sobre os testes genéticos para cardiologia entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou acesse www.mendelics.com.

Importante: Esse post tem caráter educativo. Recomendamos fortemente que o paciente seja acompanhado por um médico que orientará qual a melhor maneira de se proceder. Converse com seu médico.


 

O guia completo para testes genéticos

O guia completo para testes genéticos

O que são testes genéticos e quais são os tipos que existem?

Existem diversos testes genéticos disponíveis atualmente e esse número vem crescendo rapidamente. Diante de tantas opções é fundamental que médicos, profissionais de saúde, pacientes e consumidores compreendam suas indicações e particularidades específicas.

Cada teste é indicado para um determinado contexto, seja ele para diagnośtico, triagem ou identificação humana. Há também hoje testes genéticos que são vendidos diretamente ao consumidor. 

Nesse post iremos fornecer todas as informações sobre os principais tipos de testes genéticos e suas principais especificações e indicações.

 

Triagem neonatal genética

A triagem neonatal é realizada logo após o nascimento a fim de triar doenças que se identificadas precocemente e tratadas podem não interferir no desenvolvimento da criança ou ter seu impacto reduzido com uma melhora significativa na expectativa de qualidade de vida.

No Brasil, todos os bebês recém-nascidos devem realizar o Teste do Pezinho básico, que rastreia Hipotireoidismo Congênito, Fenilcetonúria, Fibrose Cística, Anemia Falciforme e demais Hemoglobinopatias, Hiperplasia Adrenal Congênita, Deficiência de Biotinidase .

O Teste do Pezinho é um teste bioquímico de triagem. Em caso de resultado positivo, testes de diagnóstico complementares devem ser realizados, incluindo testes genéticos. 

Já existe uma triagem neonatal genética que complementa o Teste de Pezinho básico: o Teste da Bochechinha– que rastreia várias regiões do DNA do bebê podendo identificar mais de 310 doenças genéticas tratáveis.

A análise feita direta no DNA apresenta uma grande vantagem, pois pode identificar o risco de desenvolvimento da doença antes mesmo de qualquer sinal clínico ou bioquímico.

Por ser um teste genético, o Bochechinha consegue investigar centenas de doenças que não são identificadas por testes de triagem convencionais, como a atrofia muscular espinhal (AME) e a distrofia muscular de Duchenne.  

O teste da Bochechinha pode ser realizado sem pedido médico, porém é recomendado que os resultados sejam sempre acompanhados por um médico que, diante de um resultado alterado, decidirá qual o melhor procedimento a ser seguido. 

Clique aqui para mais informações sobre o teste da Bochechinha.

 

Exame de diagnóstico genético

O exame de diagnóstico é usado para identificar uma doença genética ou cromossômica específica em um paciente que tem sinais e sintomas. Exames diagnósticos só podem ser realizados mediante solicitação médica. 

Em muitos casos, o teste genético é usado para confirmar um diagnóstico em um paciente sintomático. Um teste diagnóstico também pode ser solicitado pelo médico para esclarecer quadros clínicos de causa desconhecida, como por exemplo, deficiência intelectual. 

Os resultados de um teste de diagnóstico também podem influenciar as escolhas do médico sobre  o manejo de uma doença.

Clique aqui para mais informações sobre Exames de diagnóstico genético.

 

Triagem de portador

Todos os genes humanos vêm em pares. São herdados uma cópia da mãe e uma cópia do pai. Assim, é possível herdar uma cópia de uma mutação genética de um dos pais, mas não do outro.

A triagem de portador é realizada para identificar pessoas que carregam uma cópia de uma mutação genética. Esse tipo de teste é oferecido a indivíduos que têm histórico familiar de doença genética recessiva, a casais consanguíneos (possuem grau de parentesco próximo) e a pessoas em certos grupos étnicos com risco aumentado de condições genéticas específicas. 

Se ambos os pais forem testados, o teste poderá fornecer informações sobre o risco de um casal ter um filho com uma condição genética.

Clique aqui para mais informações sobre Triagem de portador.

Teste genético pré-natal

O teste genético pré-natal é usado para detectar alterações nos genes ou cromossomos do feto antes do nascimento. Esse tipo de teste pode ser oferecido durante a gravidez se houver um risco aumentado de que o bebê tenha um distúrbio genético. Idade materna e doenças genéticas na família são indicações para realização desse tipo de teste. 

Existem testes pré-natais de triagem e de diagnóstico

A triagem pré-natal identifica doenças genéticas frequentes, principalmente doenças cromossômicas,  a partir de métodos não invasivos, como por exemplo o teste pré-natal não invasivo (Non-Invasive Prenatal Testing, NIPT).

Por se tratar de um exame de triagem, um resultado positivo no NIPT precisa ser confirmado por exames complementares que confirmarão ou excluirão o diagnóstico.

O NIPT pode ser realizado sem pedido médico, porém é recomendado que os resultados sejam sempre acompanhados por um médico que, diante de um resultado alterado, decidirá qual o melhor procedimento a ser seguido. 

O diagnóstico pré-natal investiga uma doença genética específica depois que alguma alteração foi detectada em exame morfológico ou no NIPT.

O diagnóstico pré-natal pode utilizar métodos invasivos que envolvem a inserção de sondas ou agulhas no útero para coleta de tecido ou sangue do feto, do vilo coriônico ou líquido amniótico. Estes procedimentos possuem riscos de dano ao feto, podendo levar a abortos.

Clique aqui para mais informações sobre NIPT.

 

Diagnóstico genético pré-implantacional 

O teste pré-implantação, também chamado de diagnóstico genético pré-implantacional (Preimplantation Genetic Diagnosis, PGD), é uma técnica especializada que pode reduzir o risco do casal ter um filho com uma doença genética específica ou cromossômica (exemplo aneuploidias).

É usado para detectar alterações genéticas em embriões que foram criados usando técnicas de reprodução assistida, como fertilização in vitro. A fertilização in vitro envolve remover os óvulos dos ovários da mulher e fertilizá-los com espermatozóides fora do corpo.

Para realizar testes de pré-implantação, um pequeno número de células é retirado desses embriões e testado para determinadas alterações genéticas. Somente embriões sem essas alterações são implantados no útero para iniciar uma gravidez.

 

Testes genéticos para avaliação de riscos de assintomáticos 

Testes genéticos também podem ser usados para  detectar mutações genéticas associadas a doenças que podem se manifestar anos após o nascimento, geralmente na vida adulta. Esses testes podem ser úteis para pessoas que têm um membro da família com uma doença genética, mas que não possuem características da doença no momento do teste. 

Resultados positivos em um teste de assintomático, podem ou não indicar o desenvolvimento de uma doença. Em muitos casos, a depender da doença, a mutação só indica um risco aumentado para a pessoa testada. Porém, de qualquer forma, podem ajudar na tomada de decisões sobre cuidados médicos e estilo de vida.

Por exemplo, é possível realizar o teste para mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 que indicam um risco aumentado de câncer de mama e ovário. Resultados positivos não significam que a pessoa certamente irá desenvolver o câncer, porém, é possível realizar procedimentos médicos de controle e tratamento antes do início dos sintomas.

 

Testes somáticos para direcionamento de tratamento de câncer

O câncer pode ser o resultado de uma predisposição genética herdada da família (câncer hereditário: mutação genética na linhagem germinativa) ou pode ser o resultado das mutações acumuladas durante a vida (câncer esporádico: mutação somática). A maioria dos cânceres (90% dos casos) têm origem somática.

Testes genéticos somáticos são realizados em amostras de biópsia de tumores para detecção de mutações específicas, que possam fornecer informações sobre o prognóstico do paciente, agentes terapêuticos alternativos ou possíveis ensaios clínicos, principalmente se todas as outras opções para o tratamento do tumor tiverem sido exploradas. 

A análise de mutações somáticas em tumores, permite uma avaliação mais precisa do diagnóstico do câncer, do prognóstico do paciente e o uso de terapias específicas direcionadas ao perfil de cada paciente e do tumor.

 

Testes de identificação humana 

O teste forense usa sequências de DNA para identificar um indivíduo para fins legais. Ao contrário dos testes descritos acima, o teste forense não é usado para detectar mutações genéticas associadas à doença.

Esse tipo de teste pode identificar vítimas de crimes ou catástrofes, descartar ou implicar um suspeito de crime ou estabelecer relações biológicas entre as pessoas (por exemplo, paternidade).

 

Testes genéticos direto ao consumidor

Teste genético direto ao consumidor, também chamado de testes genéticos DTC (direct-to-consumer) são testes fornecidos diretamente a pessoa interessada sem necessidade de um encaminhamento por um profissional, como um médico ou aconselhador genético.

Existem testes genéticos DTC com diferentes propósitos e, modo geral, o kit de coleta da amostra, saliva ou esfregaço bucal-swab (procedimento que usa uma pequena escova ou cotonete para coletar uma amostra de células da superfície interna da bochecha), é enviado para a casa do comprador, que depois faz o reenvio para o laboratório.

A coleta é indolor e não possui riscos para o comprador. 

 Alguns tipos de testes genéticos DTC disponíveis:

  • Teste de ancestralidade
  • Teste de estilo de vida (Nutrição, exercícios físicos, hábitos de sono, consumo de medicamentos, e etc)
  • Teste de saúde ou risco a doenças
  • Teste de paternidade

O teste de ancestralidade ou genealogia genética, é uma maneira mais profunda de se estudar a história de uma família. Esse teste se baseia no fato de que certos padrões de variação genética são frequentemente compartilhados entre pessoas de origens específicas.

Quanto mais intimamente relacionados estão dois indivíduos, famílias ou populações, mais padrões de variação genética eles irão compartilhar. Portanto, a análise de padrões de variações do DNA de uma pessoa pode sugerir a origem dos seus ancestrais e sobre os relacionamentos entre as suas famílias antecessoras.