O filme Meu Pai e a doença de Alzheimer

O filme Meu Pai e a doença de Alzheimer

Conheça Anthony e como é viver com demência – Filme Meu Pai 

 

Indicado para 6 Oscars em 2021 e estrelado por Anthony Hopkins e Olivia Colman, o filme Meu Pai (The Father) conta a história de Anthony, um homem de 81 anos que está com a doença de Alzheimer. 

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, uma condição neurodegenerativa que afeta pelo menos 40 milhões de pessoas no mundo.

A perda de memória costuma ser o primeiro sintoma observado, que se agrava à medida que a doença avança e é acompanhada de desorientação, mudanças de humor e comportamento, confusão sobre eventos, tempo e lugares e, em seus estágios avançados, dificuldade para falar, engolir e andar.

Diferente de outras produções – que mostram o Alzheimer sob o ponto de vista externo, de quem vê o paciente, do familiar cuidador, etc. – Meu Pai mostra os sintomas da demência e seu avanço do ponto de vista da pessoa que vive com ela.

A história se passa seguindo o raciocínio de Anthony, ou seja, colocando o espectador completamente atrás do seu ponto de vista, conforme a doença progride no seu cérebro. Anthony vive uma série de encontros confusos e ilógicos. Rostos, pessoas e linhas do tempo se misturam em sua percepção. Isso torna a narrativa do filme desconexa e ao mesmo tempo envolvente e emocionante. 

Parece uma fantasia de terror, uma terrível conspiração contra Anthony – mas é simplesmente o que seu cérebro danificado está fazendo com que ele veja, ouça e acredite.

O filme é uma imersão na realidade vivida de uma pessoa que sofre da doença de Alzheimer e, por isso, também é um apelo à empatia com quem sofre de demência. Para contribuir com a conscientização sobre essa doença, neste post descrevemos os principais pontos conhecidos sobre o Alzheimer.

 

O que é a doença de Alzheimer?

O Alzheimer é uma doença cerebral progressiva que destrói lentamente a memória e as habilidades de raciocínio e, eventualmente, a capacidade de realizar as tarefas mais simples do cotidiano. 

A doença é caracterizada por alterações no cérebro – incluindo as chamadas placas amilóides e os emaranhados neurofibrilares (ou tau) – que resultam na perda de neurônios e de suas conexões. Os neurônios transmitem mensagens entre diferentes partes do cérebro para os músculos e órgãos do corpo. Essas e outras alterações afetam a capacidade de uma pessoa de lembrar, raciocinar e, eventualmente, de viver de forma independente.

Alzheimer e demência são frequentemente usados como sinônimos, mas não são a mesma coisa. A demência é um grupo de mais de 100 doenças e o Alzheimer é uma delas. Os termos são facilmente confundidos porque Alzheimer é a causa mais comum de demência, responsável por pelo menos 60% dos casos. 

No Brasil, estima-se que existam 1,2 milhões de pessoas com Alzheimer, mas a maioria delas não possui diagnóstico.

 

Quais são os sintomas do Alzheimer?

O Alzheimer é uma doença progressiva, ou seja, os sintomas pioram gradualmente ao longo dos anos. Na maioria das pessoas afetadas, os sintomas aparecem pela primeira vez por volta dos 60 anos. 

Nos estágios iniciais a perda de memória é leve e os sintomas, que podem passar despercebidos, incluem: perda de memória recente, dificuldade para encontrar palavras, desorientação no tempo e no espaço, dificuldade para tomar decisões, perda de iniciativa e de motivação, sinais de depressão, agressividade, diminuição do interesse por atividades, entre outros.

Nos estágios mais avançados os indivíduos perdem a capacidade de manter uma conversa e responder ao ambiente, esquecem nomes de familiares e passam a depender de outras pessoas para fazer atividades básicas diárias.

Em média, uma pessoa com Alzheimer vive de 4 a 8 anos após o diagnóstico, mas pode viver até 20 anos, dependendo de outros fatores.

 

O que causa o Alzheimer?

A causa do Alzheimer ainda não é totalmente compreendida. Até o momento, entende-se que a doença é desencadeada por uma combinação de fatores de risco: mudanças no cérebro relacionadas à idade, junto a fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida

É importante lembrar que: ter um fator de risco não quer dizer que, necessariamente, terá a doença, mas que possui um risco maior de desenvolvê-la em comparação com alguém que não tem esse fator. Além disso, o impacto dos fatores de risco varia de pessoa para pessoa.  

Os principais fatores de risco são:

  • Idade

A idade avançada não causa o mal de Alzheimer, mas é o fator de risco conhecido mais importante para a doença. 

O número de pessoas com doença de Alzheimer dobra a cada 5 anos após os 65 anos. Cerca de um terço de todas as pessoas com 85 anos ou mais podem ter doença de Alzheimer. 

No entanto, a idade é apenas um fator de risco. Muitas pessoas vivem além dos 90 anos, sem nunca desenvolver demência.

Raramente, cerca de 10% dos casos, o Alzheimer ocorre em pessoas entre 30 a 60 anos, esses casos são chamados de Alzheimer prematuro ou de início precoce.

  • Histórico familiar

Pessoas que possuem familiares próximos com Alzheimer possuem um maior risco de desenvolver a doença. Isso pode ocorrer devido ao compartilhamento de alterações genéticas de risco associadas à doença e fatores do ambiente – ou ambos –  entre os familiares.

  • Genética

Tanto a doença de Alzheimer tardia como a de início precoce possuem componentes genéticos. Estudos já apontaram que variantes no gene APOE (apolipoproteína E) estão associadas a um maior risco de desenvolver a doença de início tardio

Já o Alzheimer de início precoce, visto em casos familiais, é associado à alterações nos genes APP, PSEN1 e PSEN2.

Ainda não se sabe ao certo como as alterações nesses genes causam o Alzheimer, mas, pessoas que possuem variantes de risco nesses genes possuem maior probabilidade de desenvolver a doença.

 

Como o diagnóstico é realizado?

O diagnóstico do Alzheimer é feito com base em avaliação clínica, incluindo exames neurológicos, laboratoriais e de imagem, testes cognitivos e do histórico familiar. 

O teste genético pode ser indicado para auxiliar no diagnóstico do Alzheimer de início precoce e para testar pessoas com um forte histórico familiar de Alzheimer ou uma doença neurológica relacionada.

 

O Alzheimer possui tratamento?

A doença de Alzheimer ainda não tem cura, mas existem opções de tratamentos medicamentosos e terapias não medicamentosas que ajudam a tratar os sintomas e controlar o seu avanço. 

O objetivo dos tratamentos é preservar a função mental, gerenciar sintomas comportamentais e desacelerar o avanço dos danos mentais, como a perda de memória. 

De modo geral, o diagnóstico precoce ajuda a preservar a qualidade de vida do indivíduo.

Atualmente, muitas pesquisas buscam o desenvolvimento de terapias direcionadas aos mecanismos genéticos, moleculares e celulares específicos para tratar a causa da doença.

 

Diagnóstico genético e a Mendelics

Para auxiliar os médicos, os pacientes e seus familiares em busca do diagnóstico genético do Alzheimer, a Mendelics desenvolveu o Painel de Demências e Parkinson

Utilizando a tecnologia de NGS, o Painel analisa 60 genes envolvidos em formas precoces e/ou familiais de Doença de Alzheimer e Doença de Parkinson, entre outras.

É importante lembrar que esse post tem caráter educativo e somente um médico pode avaliar os benefícios do exame genético para o paciente e definir qual exame é mais adequado. Por isso, converse com seu médico! 

Para saber mais entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site. Dúvidas? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo.  

 


Referências

  1. https://www.imdb.com/title/tt10272386/
  2. https://www.nia.nih.gov/health/alzheimers-disease-fact-sheet
  3. https://www.alz.org/alzheimers-dementia/what-is-alzheimers
  4. https://www.hcor.com.br/hcor-explica/neurologia/alzheimer-fique-atento-aos-sinais/
  5. https://abraz.org.br/2020/sobre-alzheimer/o-que-e-alzheimer-2/
Câncer hereditário

Câncer hereditário

Entenda mais sobre o câncer hereditário

Segundo o Instituto Nacional de Câncer, são estimados 625 mil novos casos de câncer em 2021, sendo que até 10% desses casos são hereditários. No entanto, segundo as Sociedades Brasileiras de Patologia e de Cirurgia Oncológica, durante a pandemia do SARS-CoV-2 o número de diagnósticos caiu 75%. Isso indica que três a cada quatro casos de câncer não foram detectados.

A identificação precoce do câncer é essencial e aumenta as chances de cura. Por isso, testes genéticos para detecção de câncer hereditários são tão importantes.

 

O que é o Câncer Hereditário?

Câncer é um grupo de mais de 100 doenças causadas por alterações em genes que atuam na divisão e crescimento celular. Essas alterações fazem com que os genes não executem suas funções corretamente levando as células a se dividirem incontrolavelmente.

Imagem mostrando a diferença na multiplicação celular do tecido normal e do tecido canceroso

Figura 1: Ilustração sobre a divisão desordenada das células tumorais afetando um órgão.

 

Os tipos de câncer variam de acordo com o órgão afetado e causa, e podem ser classificados como esporádicos ou hereditários. Os cânceres esporádicos são os mais comuns, causados pelo acúmulo de várias alterações genéticas (mutações) ao longo da vida. Já os hereditários são causados por alterações genéticas passadas de uma geração para a outra, e contabilizam até 10% do total de casos de câncer.

Como as alterações são herdadas dos pais, elas estão presentes em todas as células do paciente, podendo causar diferentes tipos de câncer, em diferentes órgãos, e podem ser transmitidas para os filhos, mantendo o risco aumentado de câncer na família.

 

Quais mutações estão relacionadas ao câncer hereditário?

Já foram identificadas mutações em diversos genes associados ao desenvolvimento de mais de 50 síndromes de câncer hereditário. A tabela abaixo mostra os principais genes estudados e os tipos de câncer mais comumente associados a eles.

Tabela indicando exemplos das principais síndromes de câncer hereditário, assim como os genes relacionados

 

Importância do diagnóstico genético do câncer hereditário

Como o câncer hereditário é causado por mutações que estão presentes em todas as células do paciente, pode haver recorrência da doença.

A Síndrome de Li-Fraumeni, por exemplo, é caracterizada pelo aparecimento de múltiplos tumores em diversos tecidos do corpo. Os casos hereditários de câncer de mama também podem acometer ambas as mamas em momentos diferentes.

O diagnóstico de câncer hereditário informa o paciente de que ele deve se atentar mais aos cuidados com a saúde para identificar novos tumores o mais cedo possível, ou até evitar que eles apareçam. O exame também beneficia familiares do paciente, que podem identificar se herdaram mutações que aumentam o risco de câncer, antes mesmo que a doença se manifeste.

É importante salientar que herdar essas variantes não significa que o familiar vai, necessariamente, desenvolver câncer em algum momento da vida. As variantes conferem um risco aumentado, ou seja, indivíduos que possuem essas variantes têm maiores chances de ter câncer do que indivíduos que possuem versões não alteradas dos genes.

Alguns cuidados podem ser tomados para diminuir a contribuição de outros fatores, não genéticos, no desenvolvimento de câncer, como:

  • Ter uma alimentação balanceada e saudável
  • Praticar exercícios físicos
  • Eliminar o consumo de cigarros, cachimbos etc
  • Diminuir a exposição à fumaças (poluição, cigarro)
  • Diminuir o consumo de álcool

Além disso, medidas preventivas mais drásticas podem ser tomadas, como aconteceu no caso da atriz Angelina Jolie.

 

Caso Angelina Jolie

Em 2013, a atriz divulgou na revista americana New York Times, que havia feito uma dupla mastectomia (remoção das duas mamas) para prevenir a ocorrência de câncer de mama.

Considerando que várias outras mulheres na sua família, como a mãe, a avó e tias maternas, haviam falecido de câncer de mama ou ovário, Angelina fez um teste genético e descobriu que possuía uma alteração do gene BRCA1, que aumenta o risco de desenvolver a doença. Por isso, resolveu fazer o procedimento cirúrgico para se prevenir.

Saiba mais nesse artigo.

Na época, um exame como esse era inacessível para a maior parte da população, custando até R$14.000,00. Hoje existem muitos exames capazes de detectar alterações que aumentam o risco de diversos cânceres hereditários, por valores muito mais acessíveis. 

Pensando em tornar o diagnóstico de câncer hereditário rápido, preciso e acessível para todos que precisam, a Mendelics oferece o Painel de Câncer de Mama e Ovário Hereditários, o Painel de Câncer Colorretal Hereditário, os Painéis de Câncer Hereditário, o Painel de Câncer de Próstata Hereditário, além de outros 30 exames para análise de genes específicos.

É importante lembrar que, mesmo com as medidas preventivas, familiares e portadores de síndromes de câncer hereditário devem fazer consultas regulares a um médico.

Consulte seu médico. Previna-se.

Veja também o boletim Genética na Saúde com Mendelics, produzido pela G-lab e divulgado na CBN.


Referências

Instituto Nacional do Câncer

National Cancer Institute 

Você sabe o que são Erros Inatos do Metabolismo?

Você sabe o que são Erros Inatos do Metabolismo?

Conheça mais sobre os Erros Inatos do Metabolismo

Os Erros Inatos do Metabolismo são doenças genéticas, hereditárias, que causam o mau funcionamento de alguma via metabólica. Com isso, o paciente apresenta níveis alterados de algumas substâncias importantes para o bom funcionamento do organismo.

Um diagnóstico precoce é essencial para essas doenças, pois o tratamento precisa ser iniciado o mais cedo possível para evitar as consequências mais graves dessas doenças. Mas como existem centenas de erros inatos, o diagnóstico pode ser bastante desafiador. 

Estima-se que cerca de 2 a cada 1.000 recém-nascidos são afetados por doenças causadas por esses erros.

 

Quais as causas dos Erros Inatos do Metabolismo?

Essas doenças são condições hereditárias causadas por alterações em um único gene, que leva ao mau funcionamento de alguma via metabólica do organismo. Cada via é responsável pelo processamento de nutrientes e produção de compostos específicos, e envolve diversas proteínas.

Essas proteínas são codificadas por seus respectivos genes. Por isso, existem diversos Erros Inatos do Metabolismo, causados por alterações em diversos genes que codificam alguma proteína envolvida nesses processos metabólicos.

A fenilcetonúria, por exemplo, é causada por alterações no gene PHEX, que codifica a proteína fenilalanina hidroxilase (PAH). Essa enzima é responsável por metabolizar o aminoácido fenilalanina, que se acumula no organismo dos pacientes com essa doença, podendo levar ao atraso de desenvolvimento neuropsicomotor e deficiência intelectual permanente.

Os Erros Inatos do Metabolismo podem ser classificados em grandes categorias dependendo do tipo de via metabólica afetada:

Quadro informativo listando os tipos de erros inatos do metabolismo e exemplos de doenças em cada grupo

 

Como essas doenças são herdadas?

Grande parte dos Erros Inatos têm padrão de herança autossômico recessivo. Isso significa que é preciso herdar cópias alteradas do gene causador da doença tanto da mãe quanto do pai.

Nesse tipo de herança, quando a pessoa possui somente uma cópia alterada (do pai ou da mãe), ela não desenvolve sintomas, mas é portadora, e tem um risco aumentado de ter filhos com doença.

 

Como é feito o diagnóstico?

Existem centenas de Erros Inatos do Metabolismo, e isso dificulta o diagnóstico.

Essas doenças se manifestam logo na infância e muitas vezes são diagnosticadas somente após meses ou anos do aparecimento dos sintomas. O que não é ideal.

Como elas afetam vias importantes no organismo, o diagnóstico precoce é essencial para que o tratamento possa ser iniciado o mais cedo possível, minimizando consequências mais graves da doença.

O Teste do Pezinho, um teste de triagem neonatal obrigatório e gratuito no Brasil, avalia algumas doenças desse grupo, como a Fenilcetonúria e a Deficiência de Biotinidase, causada por alterações no gene BTD que pode levar a distúrbios neurológicos e cutâneos.

As versões expandidas do Teste do Pezinho, disponíveis na rede privada e que analisam até 100 doenças, cobrem algumas dezenas de Erros Inatos do Metabolismo.

O Teste da Bochechinha, a triagem neonatal genética desenvolvida pela Mendelics, avalia mais de 120 doenças desse grupo dentre as mais de 320 doenças analisadas. Todas as doenças investigadas no teste são tratáveis e se desenvolvem na infância.

Caso já exista uma suspeita de doença causada Erros Inatos do Metabolismo, a Mendelics oferece o Painel de Doenças Tratáveis para confirmação do diagnóstico clínico. Esse exame exige um encaminhamento médico.

 

Quais os tratamentos?

Os Erros Inatos do Metabolismo afetam vias metabólicas causando acúmulos ou deficiências de substâncias no organismo. Os tratamentos para essas doenças consistem na regulação dos níveis metabólicos dessas substâncias. Muitas vezes tratamentos simples como restrição ou suplementação alimentar são suficientes para que o paciente tenha uma vida saudável.

A fenilcetonúria, por exemplo, pode ser manejada evitando alimentos ricos em fenilalanina, como carnes e laticínios, dentre outros. Já a deficiência de biotinidase é tratada com suplementação oral de biotina.

Os tratamentos para os erros inatos do metabolismo são muito eficientes, principalmente se a doença foi diagnosticada precocemente.

Consulte sempre o seu médico.


Referências:

National Human Genome Research Institute

Children’s Hospital of Pittsburgh

Nova pediatria

Você conhece a hemocromatose, a doença do Felipe Neto?

Você conhece a hemocromatose, a doença do Felipe Neto?

O que é Hemocromatose?

Recentemente (18/06), o Youtuber Felipe Neto publicou em suas redes sociais que havia sido diagnosticado com hemocromatose incompleta heterozigótica. Você conhece essa doença?

Hemocromatose se refere a doenças caracterizadas pelo acúmulo de ferro em vários órgãos como o fígado, coração e pâncreas. Os altos níveis de ferro danificam esses órgãos levando ao aparecimento de vários sintomas diferentes.

A forma mais comum de hemocromatose, também conhecida como hemocromatose clássica ou hemocromatose tipo I, afeta cerca de 1 a cada 100 pessoas mundialmente, em especial no norte da Europa.

 

Quais os sinais e sintomas da Hemocromatose?

O aumento dos níveis de ferro ocorre gradativamente por toda a vida, e os sintomas geralmente surgem entre os 40 e 60 anos de idade, sendo que as mulheres começam a ter sintomas, em média, dez anos mais tarde que os homens.

Pacientes com hemocromatose podem apresentar uma ampla gama de sintomas, pois o ferro se acumula e danifica diversos órgãos. Os sintomas mais comuns são:

  • Fadiga
  • Inflamação e dor nas juntas, principalmente nas mãos e joelhos
  • Dor abdominal
  • Perda de peso
  • Mudança da coloração da pele para tons “metálicos” (acinzentado ou cobre)

Se não tratada, a doença pode levar a sintomas mais graves como cirrose, diabetes e falência cardíaca.

 

Quais as causas da hemocromatose?

A hemocromatose clássica é causada por alterações no gene HFE, responsável por codificar a proteína que atua no controle dos níveis de ferro no organismo. Nos pacientes com hemocromatose, essa proteína não funciona corretamente e o corpo absorve mais ferro que o necessário.

As mutações mais comuns do gene HFE são conhecidas como C282Y e H63D. Cerca de 90% dos casos de hemocromatose são resultantes da mutação C282Y.

A hemocromatose tipo 2, também conhecida como hemocromatose juvenil, se manifesta por volta dos 20 anos de idade e é causada por alterações nos genes HJV e HAMP.

A hemocromatose tipo 3 geralmente se manifesta um pouco mais tarde que a do tipo 2, mais ainda antes dos 30 anos, na maioria dos casos. É causada por alterações no gene TFR2.

A hemocromatose tipo 4, também conhecida como doença da ferroportina, se manifesta como a forma clássica, após os 40 anos, e é causada por alterações no gene SLC40A1.

 

Como a hemocromatose é herdada?

A hemocromatose é uma doença de padrão autossômico recessivo, o que significa que é necessário herdar cópias alteradas do gene HFE de ambos os pais para desenvolver a doença.

Quando alguém possui uma cópia saudável e uma cópia alterada de um gene, dizemos que essa pessoa é heterozigota para a alteração nesse gene. Esse é o caso do Felipe Neto.

O Youtuber foi diagnosticado com hemocromatose incompleta heterozigótica. Isso significa que ele tem uma cópia alterada.

Pessoas que herdam somente uma cópia alterada desse gene são consideradas portadoras e podem não desenvolver os sintomas da doença. Os portadores têm risco aumentado de ter filhos com a doença.

Figura representando graficamente como se dá a herança recessiva

Figura 1. Padrão de herança recessiva

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico inicial é feito pela dosagem de ferritina, um exame bioquímico que mede a concentração de ferro disponível no organismo. Caso sejam detectados níveis altos de ferritina, outros exames devem ser feitos para confirmar o diagnóstico.

O exame genético pode ser feito com esse propósito e traz informações mais compreensivas sobre o quadro do paciente, pois identifica quais as mutações que estão causando a doença. Essa informação é muito importante, pois mutações diferentes causam quadros com diferentes severidades.

Um diagnóstico precoce é sempre importante, pois permite que o tratamento seja iniciado o mais cedo possível e evita as consequências mais graves da doença. Isso vale para qualquer doença. 

 

Quais são os tratamentos?

Por ser uma doença genética, não é possível curar a hemocromatose hereditária, mas é possível controlar a doença para evitar os sintomas.

O tratamento vai depender da severidade de cada caso. O objetivo é baixar os níveis de ferro e controlar para que eles permaneçam dentro de intervalos saudáveis.

Para isso, várias medidas podem ser tomadas, desde uma dieta controlada, com pouca ingestão de alimentos ricos em ferro, como carnes e grãos, até o uso de medicamentos e sangria, que funciona como uma doação de sangue, mas esse sangue é descartado.

Pacientes com casos mais graves, que já desenvolveram outras complicações como diabetes e cirrose, precisam de tratamentos específicos para cuidar desses outros problemas.

Mantendo os níveis de ferro dentro de um intervalo saudável, sendo por dieta, terapias medicamentosas ou sangria, o paciente não desenvolve os sintomas e tem uma vida normal.

 

Diagnóstico genético e a Mendelics

É importante ressaltar que exames de diagnóstico só podem ser realizados mediante solicitação e acompanhamento médico. Por isso converse com o seu médico!

Na Mendelics possuímos o Painel de Hemocromatoses, que analisa o gene HFE, e as mutações C282Y e H63D, além de outros quatro genes (HAMP, HJV, SLC40A1, TFR2), que podem causar os outros tipos de hemocromatose.

Quer saber mais sobre testes genéticos para diagnóstico das hemocromatoses? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.


Referências

https://twitter.com/felipeneto/status/1405955892655366146

https://rarediseases.org/rare-diseases/classic-hereditary-hemochromatosis/

https://medlineplus.gov/genetics/condition/hereditary-hemochromatosis/

https://www.niddk.nih.gov/health-information/liver-disease/hemochromatosis/symptoms-causes

https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-do-sangue/sobrecarga-de-ferro/hemocromatose

Junho Lilás: o mês da triagem neonatal

Junho Lilás: o mês da triagem neonatal

Mês da Conscientização da Triagem Neonatal

Dia 06 de Junho é o Dia Nacional da Conscientização da Triagem Neonatal, também chamado de Dia Nacional do Teste do Pezinho, uma data muito importante para pais e futuros pais, profissionais de saúde e para todos aqueles envolvidos na conscientização da importância do diagnóstico e tratamento precoce de doenças raras, como nós, da Mendelics.

Em referência a essa importante data e causa, o Instituto Jô Clemente e a Unisert (União Nacional dos Serviços de Referência em Triagem Neonatal) criaram a campanha Junho Lilás. Durante todo o mês, são realizadas diversas ações em prol da conscientização do Teste do Pezinho.

 

Você sabe o que é triagem neonatal? 

A palavra triagem significa seleção

Em saúde pública, triagem significa identificar indivíduos com risco de desenvolver uma doença antes do aparecimento dos  sintomas, para que possam ser implementados condutas médicas e tratamentos adequados, preventivos, capazes de alterar a história natural da doença proporcionando melhor qualidade de vida. A triagem neonatal é essa seleção realizada ainda nos primeiros dias de vida, em recém-nascidos

No Brasil, a triagem neonatal é conhecida como Teste do Pezinho e foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) no ano de 1992 (Portaria GM/MS n.º 22, de 15 de Janeiro de 1992) com uma legislação que determinava a obrigatoriedade do teste em todos os recém-nascidos vivos e incluía a avaliação para duas doenças: Fenilcetonúria e Hipotireoidismo Congênito. 

Nove anos depois, em 2001, o Ministério da Saúde reavaliou e reestruturou a triagem neonatal do SUS através do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) (Portaria GM/MS n.º 822, de 6 de junho de 2001), aumentando o número de doenças triadas e estruturando ações que promovam a prevenção, o tratamento e o cuidado integral. 

Atualmente, o Teste do Pezinho disponível no SUS analisa seis doenças

  1. Fenilcetonúria
  2. Hipotireoidismo congênito 
  3. Anemia falciforme 
  4. Hiperplasia adrenal congênita
  5. Fibrose cística 
  6. Deficiência de biotinidase 

No entanto, existem muitas outras doenças graves com tratamento disponível que poderiam ser triadas ainda nos primeiros dias de vida.

Visando que o Ministério da Saúde aumente o número de doenças triadas no Teste do Pezinho do SUS, várias iniciativas surgiram. 

A campanha “Pezinho no Futuro” do Instituto Vidas Raras promove a conscientização da importância da ampliação do Teste do Pezinho no SUS e coleta assinaturas em uma petição on-line, documento que precisa de 1 milhão de assinaturas para ganhar força de reivindicação junto ao governo.  

No dia 26 de maio de 2021, o Projeto de Lei 5043/20 que amplia o número de doenças rastreadas pelo Teste do Pezinho foi sancionado pelo Governo Federal. O PL estabelece uma ampliação do teste de forma escalonada em cinco etapas e passará a englobar mais de 50 doenças: 

  • 1º etapa: hiperfenilalaninemias;
  • 2º etapa: galactosemias, aminoacidopatias, distúrbios do ciclo da uréia, distúrbios da beta oxidação dos ácidos graxos;
  • 3º etapa: doenças lisossômicas;
  • 4º etapa: imunodeficiências primárias;
  • 5º etapa: atrofia muscular espinhal.

A Lei entrará em vigor em 2022.

 

Desafios do Teste do Pezinho

Além das limitações políticas e governamentais, limitações técnicas inerentes à metodologia utilizada no Teste do Pezinho, impedem que um maior número de doenças seja analisado pelo teste. 

Além disso, a data da coleta (idade do recém-nascido), cuidados no momento da coleta, o armazenamento e transporte da amostra podem afetar a amostra, gerando resultados falso-negativos ou inconclusivos que necessitam ser confirmados por outro teste. 

Centenas de doenças genéticas com tratamento não podem ser triadas pelo Teste do Pezinho, mas são identificadas através da análise do DNA.

O DNA é estável, não é alterado por fatores externos como a idade da criança, medicamentos, entre outros. 

Para contornar esses desafios, complementar o Teste do Pezinho do SUS e ampliar o número de doenças triadas ao nascimento, a Mendelics desenvolveu um teste de triagem neonatal genética chamado Teste da Bochechinha.

A triagem genética é uma abordagem que analisa diretamente o DNA em busca de alterações genéticas que predispõem o recém-nascido a desenvolver doenças tratáveis que se manifestam ainda na infância. Quanto mais cedo a doença for detectada, mais cedo o tratamento adequado pode ser iniciado, garantindo um melhor futuro para a saúde da criança. Por isso, TRIAR PARA TRATAR.

 

Teste da Bochechinha – a revolução da triagem neonatal

Através da análise genética, ou seja, diretamente no DNA do bebê, o Teste da Bochechinha é capaz de identificar mais de 320 doenças raras, graves e silenciosas que já possuem tratamento disponível.

O exame é integralmente realizado no Brasil, em uma plataforma de sequenciamento de alta tecnologia (NovaSeq, Illumina Inc.). A análise é feita com o apoio do premiado Abracadabra, software inovador de inteligência artificial e de apoio à decisão desenvolvido pela Mendelics. 

Além disso, contamos com a colaboração de mais de 15 médicos geneticistas com formação em Medicina Genômica, que estão envolvidos com a interpretação dos resultados do sequenciamento e com a elaboração dos laudos.

Para saber mais sobre a triagem neonatal, Teste do Pezinho e o Teste da Bochechinha e outros testes importantes para recém-nascidos, reunimos uma série de conteúdos e te convidamos a ler e compartilhar.

 

O que é Triagem Neonatal e qual sua importância?

A triagem neonatal é uma ação preventiva de grande importância para a avaliar o risco de desenvolvimento de doenças raras de manifestação precoce e tratáveis, em recém-nascidos assintomáticos (sem sintomas). O diagnóstico precoce e o tratamento destas doenças, pode ser iniciado antes do início dos sintomas, reduzindo, ou evitando, consequências graves e irreversíveis que impactam a vida da criança.

Entenda mais neste artigo.

 

Quais exames um bebê precisa fazer ao nascer?

Dentre os exames neonatais existentes no Brasil temos pelo menos quatro obrigatórios e disponíveis no SUS: os testes do Pezinho, do olhinho, da orelhinha e do coraçãozinho. 

Além destes exames que são oferecidos pelo sistema público, existem outros testes que podem ser realizados logo após o nascimento: as versões expandidas do Teste do Pezinho, o teste de SCID e AGAMA (análise de imunodeficiências congênitas) e o Teste da Bochechinha (triagem neonatal genética). 

Esses testes de triagem neonatal investigam doenças que, se identificadas precocemente e tratadas, podem não interferir no desenvolvimento da criança ou ter seu impacto reduzido, com uma melhora significativa na expectativa e qualidade de vida.

Entenda para que servem os testes de triagem neonatal e quando eles devem ser feitos neste artigo.

 

Teste do Pezinho: Para que serve e como é feito?

No Brasil a triagem neonatal é realizada por meio do PNTN. O teste básico oferecido pelo SUS, e conhecido popularmente como “Teste do Pezinho”, tria seis doenças (fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase) e é realizado através da coleta de uma gota de sangue do calcanhar do bebê.

Entenda mais neste artigo.

 

Testes do Pezinho ampliados e expandidos

Todos os bebês nascidos no Brasil têm o direito de realizar gratuitamente, pelo SUS, o Teste do Pezinho básico que rastreia seis doenças. Porém, existem várias outras versões desse teste que são oferecidas por laboratórios e hospitais da rede privada. Esses testes diferem entre si quanto às técnicas utilizadas, o número e grupo de doenças analisadas.

Entenda mais sobre esses testes nesse artigo.

 

O que é triagem neonatal genética?

Entenda o que é a triagem neonatal genética e quais são as diferenças em relação aos demais testes de triagem neonatal nesse artigo.

 

O que é o Teste da Bochechinha?

O Teste da Bochechinha é um teste de triagem neonatal genética que pode ser realizado a partir do primeiro dia de vida do bebê. Através da uma amostra coletada da mucosa bucal, analisamos o DNA de recém-nascidos para identificar mais de 320 doenças raras que podem se manifestar na infância, todas com tratamento já disponível no Brasil.

Conheça mais sobre o Teste da Bochechinha, um produto Mendelics, no nosso Blog.

 

Diagnóstico Genético e a Triagem Genética: Entenda a diferença

Com o aumento da acessibilidade dos testes genéticos, uma dúvida se tornou comum: qual a diferença entre diagnóstico genético e testes de triagem genética. 

Existem importantes diferenças entre esses dois tipos de exames. O momento ideal de se realizar cada um deles e para quem são mais indicados, são exemplos de questões a serem consideradas na escolha. 

Esclarecemos essas e outras dúvidas nesse artigo. Continue lendo.

 

Exemplo real: conheça a história do Benício e como o Teste da Bochechinha foi fundamental para seu diagnóstico

Maria de Lourdes e Bruno são pais dos gêmeos Bruno e Benício. Ao observarem diferenças no comportamento e no desenvolvimento do Benício, em comparação com seu irmão gêmeo, começaram uma jornada em busca de alguma explicação. 

Benício passou por vários especialistas e realizou diferentes exames até que ouviram falar do Teste da Bochechinha. 

Benício possui cistinose nefropática, e nessa entrevista, seus pais contam como o Teste foi decisivo e essencial para seu diagnóstico. Continue lendo.