Forrest Gump: um retrato singular da Deficiência Intelectual

Forrest Gump: um retrato singular da Deficiência Intelectual

A Deficiência Intelectual é retratada no filme premiado Forrest Gump

O filme de 1994 conta a história de Forrest Gump, um simpático e modesto cidadão do Alabama que possui deficiência intelectual (DI). O que torna a narrativa tão interessante é que toda a trajetória do personagem é contada por ele mesmo e, por isso, vem com a mesma leveza do personagem, resultando em uma comédia contagiante.

Durante o filme vemos todos os principais marcos da vida de Forrest, que foi particularmente impressionante, principalmente considerando que ele possui DI, condição muitas vezes vista como um impedimento para o sucesso profissional e pessoal.

Forrest mostra que com paciência e dedicação tudo é possível. Ao decorrer da narrativa, Forrest passa por todo tipo de experiência, desde servir o exército americano na Guerra do Vietnã, conhecer o presidente, ser campeão de tênis de mesa, conhecer o presidente (de novo!), atravessar o país correndo, fundar uma das maiores empresas de pesca de camarão e até servir como inspiração para a criação do smiley face.

Além de suas conquistas profissionais, o filme também mostra os marcos da sua vida pessoal. Desde seu relacionamento com a mãe, responsável pela visão leve que ele tem do mundo, às amizades que fez ao longo da vida e até o romance com sua amiga de infância, Jenny.

A forma como a história de Forrest Gump é contada deixa ele em foco e não a sua deficiência, uma ótima forma de mostrar a DI de forma leve, divertida e livre de capacitismo (Preconceito contra pessoas com deficiências). Quem assiste se deleita com a sua vida cheia de grandes acontecimentos e com sua perspectiva única e cativante sobre os eventos que ocorreram nas décadas de 60 e 70.

O filme foi indicado para 13 categorias dos Oscars e ganhou seis delas, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Tom Hanks no papel de Forrest Gump. 

 

O que é Deficiência Intelectual?

A deficiência Intelectual é caracterizada por um atraso no desenvolvimento intelectual e comprometimento cognitivo que se tornam aparentes antes dos 18 anos, enquanto o cérebro ainda está se desenvolvendo. Pessoas com DI têm dificuldade para aprender e realizar tarefas do dia a dia e interagir com o meio em que vivem. Ou seja, existe um comprometimento cognitivo que prejudica suas habilidades adaptativas como resolver problemas inesperados do cotidiano, conversar com desconhecidos, nutrir relacionamentos, pagar contas, efetuar tarefas de casa, etc.

A deficiência intelectual não é uma doença, sendo definida como um distúrbio do neurodesenvolvimento. 

Pode ser causada por alterações genéticas e fazer ou não parte de uma síndrome (DI sindrômica ou DI não-sindrômica, respectivamente), pode ocorrer devido a fatores ambientais durante a gravidez ou após o nascimento como: desnutrição materna, uso de medicamentos, drogas e/ou álcool, infecções virais, prematuridade, hipóxia, entre outros.

Dentre as condições genéticas associadas à deficiência intelectual, trouxemos as principais e mais conhecidas pela população:

 

Síndrome de Down

É causada por uma alteração genética onde o indivíduo possui três cópias do cromossomo 21 (trissomia), ao invés de duas.

O nível de deficiência intelectual causada pela síndrome é variado, e pode vir acompanhada de distúrbios do comportamento como hiperatividade e depressão.

No Brasil, 1 a cada 700 pessoas possuem Síndrome de Down.

 

Síndrome do X-Frágil

É causada por uma alteração no gene FMR1 que se encontra no cromossomo X. O X é um cromossomo sexual, sendo que mulheres possuem duas cópias e homens somente uma. Ambos os sexos são afetados, mas os homens apresentam sintomas mais acentuados.

A deficiência intelectual causada pela síndrome costuma ser moderada em homens e leve em mulheres, e pode estar acompanhada de dificuldade de socialização e hiperatividade.

A síndrome afeta 1 a cada 4 mil homens e 1 a cada 7 mil mulheres no mundo.

 

Síndrome de Prader-Willi

É causada por alterações genéticas no cromossomo 15 que podem afetar diversos genes e leva à hipotonia muscular, baixo peso e pequena estatura.

A deficiência intelectual causada pela síndrome varia de leve a moderada e pode vir acompanhada de atrasos no desenvolvimento motor e distúrbios alimentares.

A síndrome afeta pelo menos 1 a cada 15.000 pessoas no Brasil e no mundo.

 

Síndrome de Angelman

É causada por alterações genéticas no gene UBE3A, localizado no cromossomo 15, e leva a uma grande variedade de sintomas, sendo os mais comuns o atraso grave no desenvolvimento intelectual e motor, dificuldade ou ausência de fala e risos involuntários.

A deficiência intelectual causada pela síndrome costuma ser grave.

Estima-se que a síndrome afete pelo menos 1 a cada 12.000 pessoas no mundo.

 

Síndrome Williams

É causada por alterações genéticas que afetam diversos genes no cromossomo 7, e leva ao atraso no crescimento e baixa estatura, além de problemas cardíacos e níveis alterados de cálcio em alguns casos.

A deficiência intelectual causada pela síndrome varia de leve a moderada.

A síndrome afeta pelo menos 1 a cada 10.000 pessoas no mundo.

 

Diagnóstico molecular da Deficiência Intelectual

Todas as síndromes descritas, dentre outras, são detectáveis por exames genéticos oferecidos pela Mendelics. Confira a lista completa no nosso site.

Existe uma grande variedade de tipos de deficiência intelectual, com diferentes causas, o que dificulta o diagnóstico. Ao todo a DI afeta cerca de 1 a 3% da população mundial mas, infelizmente, cerca de 50% dos casos permanecem sem diagnóstico. Por isso, várias alternativas para o diagnóstico já estão sendo aplicadas.

O Sequenciamento Completo do Exoma (SCE) elevou a taxa de diagnósticos de 15% para até 68% dos casos (em comparação com as técnicas de cariótipo e microarray). A técnica avalia o exoma, que comporta todas as porções do DNA responsáveis pela produção de proteínas, ou seja, as partes do DNA que estão fortemente relacionadas com a maior parte das doenças genéticas.

A Mendelics é pioneira e líder em Exoma na América Latina e oferece o produto mais completo do mercado. O Exoma Mendelics inclui também a avaliação de CNVs (Variação do Número de Cópias) e DNA mitocondrial, sempre que necessário, sem custos adicionais, rendendo uma taxa de diagnóstico mais alta.

Entenda mais sobre a contribuição do Exoma para o Diagnóstico da deficiência intelectual nesse artigo.

Conheça o Exoma Mendelics


Referências

Instituto Jô Clemente

Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down

National Organization for Rare Disorders – Fragile X Syndrome

National Organization for Rare Disorders – Prader Willi Syndrome

Sociedade Brasileira de Pediatria – Síndrome de Prader Willi

National Organization for Rare Disorders – Angelman Syndrome

National Organization for Rare Disorders – Williams Syndrome

Associação Brasileira da Síndrome de Williams

Ilyas M., Mir A., Efthymiou S. et al. The genetics of intellectual disability: advancing technology and gene editing. F1000Res. 2020 Jan 16;9:F1000 Faculty Rev-22.

Milani D., Ronzoni L., Esposito S. Genetic Advances in Intellectual Disability. J Pediatr Genet. 2015 Sep;4(3):125-7.

Li Y., Anderson L.A., Ginns E.I. et al. Cost Effectiveness of Karyotyping, Chromosomal Microarray Analysis, and Targeted Next-Generation Sequencing of Patients with Unexplained Global Developmental Delay or Intellectual Disability. Mol Diagn Ther. 2018; 22:129–138.

Santos-Cortez R.L.P., Khan V., Khan F.S. et al. Novel candidate genes and variants underlying autosomal recessive neurodevelopmental disorders with intellectual disability. Hum Genet. 2018 Sep;137(9):735-752.

Gilissen C., Hehir-Kwa J., Thung D. et al. Genome sequencing identifies major causes of severe intellectual disability. Nature 2014; 511:344–347.

Análise Molecular da Deficiência Intelectual 

Análise Molecular da Deficiência Intelectual 

Por que o Sequenciamento Completo do Exoma é tão importante para o diagnóstico da Deficiência Intelectual?

 

Entenda a Deficiência intelectual

A deficiência intelectual (DI) é caracterizada por déficit na função intelectual e prejuízo no comportamento adaptativo, incluindo, por exemplo, as atividades sociais e habilidades práticas. Os sintomas devem se tornar evidentes durante o período de desenvolvimento e maturação cerebral, se iniciando antes dos 18 anos de idade.

Estima-se que a prevalência de DI na população geral varie entre 1 e 3%, sendo mais alta nos países em desenvolvimento e no sexo masculino (1,2).

A DI possui muitas causas, podendo ser decorrente de alterações genéticas, de fatores ambientais tais como exposição ao álcool na gestação, problemas relacionados ao parto ou desnutrição, ou ainda, pela combinação de fatores genéticos e ambientais (1).

Por possuir uma etiologia muito variada, cerca de 50% dos casos da DI permanecem sem causa definida mesmo após investigação (1,2). No entanto, a porcentagem de casos sem diagnóstico vem diminuindo, graças ao desenvolvimento de novas técnicas de investigação.

 

Investigação de Deficiência Intelectual com o Sequenciamento Completo do Exoma (SCE)

Nas últimas décadas, diferentes tecnologias foram usadas para o diagnóstico de DI de causa genética. As alterações genéticas associadas à DI são variadas e incluem: grandes alterações cromossômicas, pequenas deleções, duplicações ou inserções, e mutações de um único nucleotídeo. Por isso, quanto mais completa (abrangente) for a metodologia, maiores as chances de detectar a possível causa genética (1-3)

O primeiro exame disponível para esta finalidade, o cariótipo, investiga alterações cromossômicas numéricas e também detecta alterações estruturais de grandes dimensões, sendo capaz de elucidar a causa em 3% dos pacientes (3).

O microarray cromossômico (ou SNP-array) surgiu há pouco mais de 15 anos, permitindo avanços significativos ao identificar ganhos e perdas de longos trechos de material genético dos cromossomos, conhecidas como variações do número de cópias (ou Copy Number Variations, CNVs), que não são identificáveis pelo cariótipo, aumentando a taxa diagnóstica para 10-15% dos pacientes (2,3).

Nos últimos 10 anos, com o desenvolvimento da técnica de Sequenciamento de Nova Geração (Next-Generation Sequencing, NGS), ocorreu um grande aumento do número de genes associados à DI conhecidos. Desta forma, passou a se utilizar o Exoma na investigação da DI, que é capaz de identificar variantes que podem ser atribuídas como causa em até 68% dos casos (3-5), sendo superior ao cariótipo convencional e o microarray cromossômico (3-5). 

 

Entenda o Sequenciamento Completo do Exoma (SCE)

O que é um Exoma?

O genoma humano é composto por 3 bilhões de pares de bases (A de adenina, C de citocina, T de timina e G de guanina) que se organizam em aproximadamente 20.000 genes. Os genes são formados por éxons e íntrons, mas apenas os éxons codificam proteínas. As proteínas, por sua vez, são responsáveis por todas as informações e características para o perfeito funcionamento do corpo.

O exoma, que é o conjunto de todos os éxons, corresponde a menos de 2% do genoma humano, mas estima-se que nele estão mais de 85% das variantes que causam doenças genéticas.

 

O Sequenciamento Completo do Exoma (SCE)

O Sequenciamento Completo do Exoma (SCE), também chamado apenas de Exoma é um exame de NGS que analisa simultaneamente quase todos os éxons do genoma humano.

O NGS permite que centenas de regiões do DNA sejam sequenciadas simultaneamente, gerando resultados precisos de maneira mais rápida e econômica. Para saber mais sobre o NGS, leia esse artigo.

O Exoma é uma ferramenta poderosa para diagnosticar milhares de doenças genéticas. 

O exame pode ser solicitado para pacientes com suspeita de doença genética já conhecida (exemplo: síndromes genéticas, beta-talassemia) e para pacientes com quadros clínicos de causa desconhecida e que podem ter origem genética, como a deficiência intelectual. Também é recomendado para casos que permanecem sem diagnóstico após investigação por outros exames genéticos, como SNP-array e MLPA.

O Exoma também pode ser indicado quando há suspeita de doença causada por múltiplos genes para a qual não exista um exame de Painel com todos os genes de interesse. 

De modo geral, o Exoma permite ao médico chegar a um diagnóstico mais rápido e preciso. 

 

Sequenciamento Completo do Exoma na Mendelics

Sequenciamento Completo do Exoma  + CNVs + Análise de DNA mitocondrial

A Mendelics é pioneira e líder na América Latina em SCE (Sequenciamento Completo do Exoma). Com experiência de nove anos em diagnóstico genético utilizando NGS e tendo mais de 100 mil amostras analisadas, possui o maior banco de dados genômicos do Brasil e América Latina.

O Exoma realizado na Mendelics, além de identificar alterações sutis na constituição dos éxons, como trocas simples de nucleotídeos, também avalia variações no número de cópias (Copy Number Variations, CNVs) e, quando clinicamente indicado, pesquisa alterações no DNA mitocondrial, tudo com alta precisão e sensibilidade. 

Entenda melhor como o Exoma pode auxiliar no diagnóstico da Deficiência Intelectual na aula da Dra. Fabíola Monteiro, Médica Geneticista da Mendelics.

Saiba mais sobre o Exoma Mendelis no nosso site.

 

Novidades no diagnóstico genético da Deficiência Intelectual

No primeiro trimestre de 2021, a CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) autorizou a incorporação do Exoma na investigação da DI de causa indeterminada no SUS. A atualização do Protocolo para o Diagnóstico Etiológico da Deficiência Intelectual foi aprovada em dezembro de 2020 (6). 

Além disso, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) atualizou o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde e incluiu a cobertura obrigatória do Sequenciamento Completo do Exoma (SCE) para investigação etiológica de deficiência intelectual (DI) de causa indeterminada, após resultado negativo ou inconclusivo do microarray cromossômico (DUT 110.39) (7). 

 


Referências

  1. Ilyas M, Mir A, Efthymiou S, Houlden H. The genetics of intellectual disability: advancing technology and gene editing. F1000Res. 2020 Jan 16;9:F1000 Faculty Rev-22. doi: 10.12688/f1000research.16315.1. PMID: 31984132; PMCID: PMC6966773.
  2. Milani D, Ronzoni L, Esposito S. Genetic Advances in Intellectual Disability. J Pediatr Genet. 2015 Sep;4(3):125-7. doi: 10.1055/s-0035-1564438. PMID: 27617122; PMCID: PMC4918716.
  3. Li, Y., Anderson, L.A., Ginns, E.I. et al. Cost Effectiveness of Karyotyping, Chromosomal Microarray Analysis, and Targeted Next-Generation Sequencing of Patients with Unexplained Global Developmental Delay or Intellectual Disability. Mol Diagn Ther 22, 129–138 (2018). https://doi.org/10.1007/s40291-017-0309-5
  4. Santos-Cortez RLP, Khan V, Khan FS, Mughal ZU, Chakchouk I, Lee K, Rasheed M, Hamza R, Acharya A, Ullah E, Saqib MAN, Abbe I, Ali G, Hassan MJ, Khan S, Azeem Z, Ullah I, Bamshad MJ, Nickerson DA, Schrauwen I, Ahmad W, Ansar M, Leal SM. Novel candidate genes and variants underlying autosomal recessive neurodevelopmental disorders with intellectual disability. Hum Genet. 2018 Sep;137(9):735-752. doi: 10.1007/s00439-018-1928-6. Epub 2018 Aug 22. PMID: 30167849; PMCID: PMC6201268.
  5. Gilissen, C., Hehir-Kwa, J., Thung, D. et al. Genome sequencing identifies major causes of severe intellectual disability. Nature 511, 344–347 (2014). https://doi.org/10.1038/nature13394
  6. http://conitec.gov.br/images/Protocolos/20201203_Portaria-Conjunta_Protocolo_Deficiencia_Intelectual.pdf
  7. http://www.ans.gov.br/images/NOTA_T%C3%89CNICA_N%C2%BA_1_E_ANEXOS.pdf