Testagem para COVID-19 nas Olimpíadas

Testagem para COVID-19 nas Olimpíadas

Você sabe como os atletas olímpicos foram testados para COVID-19?

Com a queda do número de novos casos da COVID-19, o Comitê Olímpico japonês resolveu proceder com as olimpíadas no ano de 2021. O evento quadrienal estava programado para acontecer no ano anterior mas, por conta da pandemia do novo coronavírus, precisou ser adiado.

Mesmo com a diminuição do número de casos, a pandemia ainda está em curso e, por isso, os devidos cuidados foram tomados para evitar a transmissão do vírus na Vila Olímpica de Tóquio.

Entre as medidas tomadas, uma das mais importantes foi a testagem regular em massa. Os atletas e profissionais envolvidos nas olimpíadas foram testados diariamente. Dessa forma foi possível identificar novos casos da doença rapidamente e isolá-los, evitando novos contágios.

Você pode estar se perguntando como isso foi feito, já que os testes de detecção do novo coronavírus convencionais levam cerca de 3 dias para liberar os resultados. E a resposta é simples: o teste usado não é um teste qualquer.

A comissão olímpica utilizou uma dupla testagem: primeiramente foi feito um teste de antígenos e, posteriormente, em casos positivos e inconclusivos, foi feito o teste com tecnologia RT-LAMP, seguido da RT-PCR convencional feita com swab nasofaríngeo, quando necessário.

O RT-LAMP (amplificação isotérmica mediada por loop com transcriptase reversa), é uma técnica molecular já amplamente utilizada para o diagnóstico de várias doenças infecciosas como a Influenza, Dengue, Chikungunya, Hepatite A, Zika e Ebola. 

Além do protocolo ser mais simples e rápido do que o RT-PCR convencional, o RT-LAMP não requer o uso de aparelhos laboratoriais complexos, como termociclador em tempo real ou de reagentes em falta na pandemia. 

Saiba mais sobre os diferentes tipos de testes para COVID-19 nesse artigo.

Além disso, os testes são feitos com amostras de saliva que pudem ser coletadas pelos próprios atletas.

O uso de saliva para realizar o teste trouxe muitas vantagens:

  • Auto coleta: não há necessidade de contato com outras pessoas, como médicos, enfermeiros, atendentes e outros pacientes, como aconteceria em um laboratório ou hospital.
  • Coleta rápida e indolor: a coleta é muito simples e completamente indolor.
  • Consome poucos insumos: a coleta é feita com apenas um tubo plástico (falcon). Portanto o teste não depende de insumos de alta demanda que podem se tornar escassos durante uma pandemia.

Por esses motivos, um estudo publicado na revista internacional Lancet concluiu que a saliva é o padrão ouro para testes de detecção do SARS-CoV-2 durante a pandemia. Saiba mais nesse artigo.

 

O quão eficaz está sendo a testagem na Vila Olímpica?

Desde o início dos jogos olímpicos, a capital japonesa vem registrando um aumento do número de novos casos de COVID-19. A grande maioria desses casos é referente à população que está acompanhando os jogos.

Dentro da Vila Olímpica o controle é muito mais rígido e os casos positivos são rapidamente isolados, assim como todas as pessoas que tiveram contato, minimizando a transmissão. Até o dia 04 de agosto foram registrados 491 casos positivos de pessoas envolvidas com os jogos, sendo que 34 são atletas.

O Comitê Olímpico japonês reportou uma taxa de testes positivos de 0,02%, o que mostra que a testagem foi capaz de identificar os casos a tempo de isolá-los e conter a transmissão. Os atletas que testaram positivo para a COVID-19 cumpriram o isolamento e foram impedidos de competir.

Atletas de diversos países foram desclassificados por terem testado positivo, como a equipe de nado artístico grega, um atleta americano do salto com vara, e uma skatista holandesa. Os profissionais dessas delegações que tiveram contato com os atletas contaminados também foram isolados.

 

#PARECOVID: o primeiro teste de detecção do SARS-CoV-2 por saliva e RT-LAMP do Brasil

Em junho de 2020, três meses após a Organização Mundial da Saúde declarar a COVID-19 como pandemia, a Mendelics lançou o #PARECOVID, o primeiro teste para detecção do novo coronavírus por saliva do Brasil.

O #PARECOVID utiliza a técnica RT-LAMP que possibilita resultados em até 24 horas. A simplicidade e rapidez do teste permite que o laboratório tenha capacidade para processar 110 mil testes diariamente, contribuindo para a testagem em massa no Brasil.

O teste de RT-LAMP tem especificidade superior a 99% e sensibilidade equivalente ao RT-PCR, de acordo com os dados de validação feitos em parceria com o hospital Sírio-Libanês. 

Entenda o protocolo #PARECOVID nesse artigo.

Conheça mais sobre o #PARECOVID no nosso site e veja como proteger a sua empresa.

 


Referências

https://gtimg.tokyo2020.org/image/upload/production/mlmqnsphtv47sw0ftwbl.pdf

https://gtimg.tokyo2020.org/image/upload/production/v5dduvvfneu6yjic4n3r.pdf

https://gtimg.tokyo2020.org/image/upload/production/kaftwsexsgqz27pt1j26.pdf

https://www.cbsnews.com/news/coronavirus-pcr-testing-no-reason-japan-reasearch-says-covid-saliva-tests-as-reliable/

https://ge.globo.com/olimpiadas/noticia/covid-19-tira-equipe-de-natacao-artistica-da-grecia-das-olimpiadas.ghtml

https://www.bbc.com/portuguese/geral-58025512

Preciso continuar me testando após tomar a vacina contra COVID-19?

Preciso continuar me testando após tomar a vacina contra COVID-19?

O que fazer após tomar a vacina contra COVID-19?

Primeiro precisamos entender que diferentes vacinas têm diferentes efeitos, mas o importante é que todas elas são efetivas na redução de hospitalizações, óbitos e protegem a população.

 

Vacinas aplicadas no Brasil

Quadro informativo listando as diferentes vacinas para covid-19 e suas respectivas eficácias

Quadro 1: Dados de eficácia global das vacinas aplicadas no Brasil.
* WHO: World Health Organization

Vacinas a serem utilizadas nos próximos meses: Sputnik V (aprovada para importação) e Convidecia (pedido de uso emergencial em análise).

 

O que a eficácia e efetividade da vacina representam?

A eficácia da vacina refere-se ao desempenho de uma vacina em um ensaio clínico cuidadosamente controlado, enquanto a efetividade descreve seu desempenho em estudos observacionais do mundo real. 

De modo geral, as evidências demonstram que as vacinas para a COVID-19 autorizadas são eficazes na prevenção da doença COVID-19, especialmente quadros graves e morte. Além disso, também há estudos demonstrando que reduzem o risco de transmissão do vírus. Em outras palavras, ao tomar a vacina, o indivíduo diminui suas chances de ser infectado pelo vírus. 

Isso é o que chamamos de eficácia global: quais as chances de você se infectar com o vírus depois de vacinado. Mas o mais importante é que em caso de infecção, o risco de desenvolver um quadro grave ou morrer é muito baixo.

Todas as vacinas disponíveis são eficazes no controle da pandemia.

 

Por que as vacinas apresentam diferentes taxas de efetividade? 

Com o início da vacinação no mundo inteiro, vários estudos estão sendo conduzidos no intuito de entender a efetividade das vacinas nas diferentes populações. No Quadro 1 é possível observar diferentes valores para a eficácia observada nas populações. 

No Brasil, um estudo realizado pelo Instituto Butantan em Serrana (interior de São Paulo) onde quase toda a população adulta foi vacinada com CoronaVac, observou 80% de efetividade contra casos sintomáticos. E quando a vacinação chegou a 75% da população adulta, as hospitalizações reduziram em 86%, e os óbitos em 95%.

Outro estudo realizado pelo grupo Vaccine Effectiveness in Brazil Against Covid-19 com a CoronaVac em idosos em todo Estado de São Paulo, encontrou efetividade média de 42%, e observou que a taxa de efetividade reduz conforme a idade aumenta: dos 70 aos 74 anos, fica em 61,8%; dos 75 aos 79 anos fica 48,9%; e acima de 80 anos é de apenas 28%.

Já no Chile, um estudo feito com a CoronaVac em 10,5 milhões de pessoas apresentou efetividade de 67% contra casos sintomáticos.

O mesmo foi visto para a vacina Corminaty (Pfizer/BioNTech) aplicada a uma população idosa (77-90 anos de idade) na Dinamarca. A eficácia da vacina nesse grupo foi de 64%, enquanto em grupos de menor idade a eficácia pode chegar a 95%.

Vários fatores influenciam essas diferenças na efetividade das vacinas:

  • Idade – conforme envelhecemos, nosso sistema imune fica mais frágil;
  • Genética – as populações têm diferenças no DNA que podem fazer com que o sistema imune seja mais, ou menos resistente. 
  • Variantes – as novas variantes do coronavírus, que podem escapar a imunidade conferida pelas vacinas e também impactam a eficácia das vacinas em diferentes países. 

Para entender melhor as variantes, leia esse artigo.

 

Por que ainda posso pegar COVID-19 mesmo após me vacinar?

O objetivo de qualquer vacina é conseguir induzir a resposta imunológica do indivíduo, de modo que quando for de fato exposto ao vírus, seu sistema imune seja capaz de bloqueá-lo ou destruí-lo antes que ele se espalhe e cause sintomas e consequências graves. 

Contudo, a resposta imunológica de cada pessoa depende de muitos fatores como, por exemplo, a idade, a presença de doenças ou comorbidades, fatores genéticos e até estilo de vida, por isso, algumas pessoas ainda podem contrair o vírus e apresentar sintomas graves, mesmo que em uma porcentagem baixa e uma parcela de indivíduos vacinados pode ser infectado pelo vírus e não manifestar sintomas. O perigo nesse último caso é a pessoa contaminar outras pessoas não-vacinadas, mesmo que esses casos também ocorram com menos frequência.

Faça um paralelo com a gripe comum: muitas pessoas ficam gripadas com muita frequência e sentem sintomas como febre, dores e cansaço, enquanto outras dizem nunca ficar gripadas. Todos somos expostos aos vírus de gripe, mas nossos sistemas imunológicos reagem de forma diferente.

 

Como vacinas contra COVID-19 pode impactar o resultado de um teste para detecção do coronavírus?

Após a vacina, os indivíduos vacinados que forem infectados pelo vírus SARS-CoV-2 podem ter carga viral até 5 vezes mais baixa que pessoas não vacinadas, podendo não ser detectada por exames voltados à identificação de material genético viral.

O mesmo possivelmente ocorre em casos de reinfecção pelo SARS-CoV-2. Esses casos podem gerar resultados falso-negativos nos testes de PCR, ou seja, que detectam a infecção ativa.

Nos testes sorológicos (que detectam os anticorpos gerados em resposta à infecção) é possível que tenham resultado positivo, pois podem detectar os anticorpos gerados pela vacina. Porém, a depender do tipo da vacina e do organismo da pessoa, nem sempre esses testes serão capazes de detectar a presença de anticorpos anti-SARS-CoV-2.

 

Preciso continuar me testando mesmo após a vacina?

Até o momento, sabemos que as vacinas conseguem impedir que o vírus cause quadros graves da doença na maioria das pessoas, mas não impedem totalmente que a pessoa seja infectada e tenha a doença. Ou seja, pessoas vacinadas ainda podem se infectar e, possivelmente, ainda transmitir o vírus

As chances de uma pessoa vacinada se infectar com o vírus é inversa à eficácia global das vacinas. Considerando os valores que temos no Quadro 1, temos uma probabilidade de infecção de até 49% com CoronaVac, até 14% com a Corminaty, até 37% com a Covishield, e até 33% com a vacina da Janssen-Cilag (J&J).

Por isso, enquanto a maioria da população não estiver 100% imunizada (com todas as doses necessárias), as pessoas vacinadas devem continuar seguindo as medidas de proteção recomendadas, como usar máscara, manter distância, lavar as mãos e se testar se estiver com sintomas de COVID-19, se entrou em contato com alguém com sintomas ou confirmado e/ou se vai encontrar com outras pessoas sem distanciamento físico.

 

Alguns cenários em que o teste pode ser útil, para pessoas vacinadas ou não vacinadas.

 

  • Se você apresenta sintomas de COVID-19 (mesmo que já tenha tido COVID-19 anteriormente, ou tenha se vacinado).
  • Se você teve contato próximo com alguém com COVID-19 confirmado.
  • Se você esteve em situações de risco mais elevado e com maior exposição, como em viagens, reuniões/eventos sociais, ambientes fechados lotados ou mal ventilados.
  • Se você vai viajar para outro país ou voltar para o Brasil. A maioria dos países e companhias aéreas estão pedindo a apresentação do teste negativo para embarque/entrada no país.

 

De modo geral, qualquer pessoa com quaisquer sinais ou sintomas de COVID-19 deve fazer o teste, independentemente do estado de vacinação ou infecção anterior. 

Lembrando que você deve ficar longe de outras pessoas enquanto aguarda os resultados do teste e seguir as orientações do seu médico ou profissional de saúde pública. 

 

Meu teste PCR está negativo, o que isso quer dizer?

Um resultado de teste que detecta a infecção por SARS-CoV-2 negativo significa que o vírus não foi detectado. E isso não quer dizer que você não está infectado.

Os testes para detecção de SARS-CoV-2, assim como para outros vírus, são desenvolvidos para ter o máximo de acurácia na detecção de casos positivos reais. E o que isso significa?

Os testes não devem ter resultados falso-positivos: se uma pessoa não está contaminada, o resultado nunca deve dar positivo. Para controlar esse tipo de erro é preciso aceitar que o teste tenha resultados falso-negativos, em pequenas taxas, é claro.

Em resumo, resultados positivos são sempre reais. Resultados negativos podem ser equivocados, principalmente para vacinados, que podem apresentar uma carga viral até 5 vezes mais baixa, dificultando a detecção.

 

Então, se você tiver sintomas de COVID-19 e seu teste der negativo:

  • Você pode ter recebido um resultado de teste falso-negativo e ainda assim pode ter COVID-19.
  • Você deve fazer o isolamento por pelo menos 14 dias e seguir as recomendações de restrição. Entre em contato com um médico e informe sobre seus sintomas.

 

Se você não tem sintomas de COVID-19 mas foi exposto a uma pessoa com COVID-19 e seu teste der negativo:

  • Você pode não ter se infectado.
  • Você pode ter se infectado e estar assintomático e pode ter recebido um resultado de teste falso-negativo.
  • Você deve fazer o isolamento por pelo menos 14 dias e seguir as recomendações de restrição.

 

O teste na saliva realmente funciona? 

Diversos estudos demonstraram as vantagens do uso da amostra de saliva para detectar a infecção pelo coronavírus. Os métodos de detecção do SARS-CoV-2 feitos em amostra de saliva permitem a testagem frequente através de uma coleta simples, indolor e que não precisa de insumos caros e em falta no mercado devido à alta demanda, o que os torna mais acessíveis a toda a população.

Além disso, a saliva demonstrou ter maior carga viral e pode ajudar a identificar precocemente a gravidade da doença. Leia mais sobre a importância da saliva para a COVID-19 nesse artigo.

 

1 ano de #PARECOVID

A vacinação é a melhor solução para o controle da pandemia e proteção da população, mas enquanto ela não está disponível para todos, a testagem em massa é a melhor forma de controle.

Com a missão de contribuir para a testagem em massa e democratizar o acesso a testes para COVID-19 para todos que necessitam, em junho de 2020, a Mendelics lançou o #PARECOVID: um teste molecular de desenvolvimento próprio que, através da técnica de RT-LAMP, identifica a presença do RNA do vírus SARS-CoV-2 na saliva. 

Em junho de 2021, o #PARECOVID completa um ano de existência se consolidando como o teste molecular mais acessível, com capacidade de testagem diária de até 110.000 amostras, e resultados disponibilizados em até 24 horas. Além disso, os resultados obtidos pela Mendelics através do #PARECOVID, permitem prever a taxa de novos casos em São Paulo com uma semana de antecedência.

Um ano de pandemia: Relembre os principais acontecimentos em 1 ano da pandemia do coronavírus nesse artigo.

 


Referências
  1. Vaccine Tracker 
  2. https://blog.mendelics.com.br/abertura-de-protocolo-do-parecovid-rt-lamp/
  3. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/paf/coronavirus/vacinas
  4. https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2021.05.19.21257472v1
  5. https://www.nature.com/articles/s41591-021-01316-7
  6. Paltiel AD, Zheng A, Walensky RP. Assessment of SARS-CoV-2 Screening Strategies to Permit the Safe Reopening of College Campuses in the United States. JAMA Netw Open. 2020;3(7):e2016818.
  7. Saliva as a gold-standard sample for SARS-CoV-2 detection
  8. ANVISA – Vacinas aprovadas 
  9. Moustsen-Helms IR, Emborg H-D, Nielsen J, et al. Vaccine effectiveness after 1st and 2nd dose of the BNT162b2 mRNA Covid-19 Vaccine in long-term care facility residents and healthcare workers – a Danish cohort study. doi:10.1101/2021.03.08.21252200
  10. CDC, “Coronavirus Disease 2019 (COVID-19),” Centers for Disease Control and Prevention, Feb. 11, 2020.
  11. World Health Organization (WHO)
COVID-19: transmissão de SARS-COV-2 pelo ar

COVID-19: transmissão de SARS-COV-2 pelo ar

A importância da ventilação de ambientes fechados na contenção da COVID-19

Há muito já se sabe que ambientes fechados e mal ventilados favorecem a transmissão de doenças infecciosas, como as influenzas (gripes). Recentemente, um estudo demonstrou que a má ventilação foi o grande fator responsável por um surto de COVID-19 iniciado em um restaurante na cidade de Guangzhou, na China, em janeiro de 2020.

 

O surto

No início de fevereiro de 2020, 10 pessoas de três famílias diferentes testaram positivo para COVID-19 em Guangzhou. Após o rastreio desses casos, as autoridades chinesas descobriram que as três famílias haviam almoçado no mesmo restaurante no Ano Novo Chinês (24 de janeiro). (1)

Uma das famílias (família A) vivia originalmente em Wuhan, o epicentro da pandemia, e estavam em Guangzhou a passeio. O primeiro indivíduo a apresentar sintomas da infecção pertencia a essa família e, muito provavelmente, foi o caso 0 desse surto. (1)

Nenhum dos indivíduos das outras duas famílias presentes no almoço apresentava qualquer sintoma de COVID-19, ou haviam tido contato prévio com casos confirmados da doença, tão pouco com outros habitantes de Wuhan. (1)

Todas as três famílias sentaram-se em mesas adjacentes na área menos ventilada do restaurante, sendo que a família A estava alocada na mesa do meio, entre as duas outras famílias. (1)

 

Transmissão

Os pesquisadores simularam as condições de ventilação no restaurante durante o almoço para verificar se as gotículas expelidas por alguém na mesa da família A poderiam atingir os integrantes das outras duas famílias nas mesas vizinhas. (1)

Para isso, posicionaram um manequim com um aerossol de etano (um gás) na cadeira do suspeito caso 0, e mediram a concentração do gás em outras cadeiras do restaurante (1).

Com isso, conseguiram mapear por onde as gotículas contaminadas poderiam ter se espalhado e qual a importância das diferentes correntes de ar (aparelhos de ar condicionado, portas e exaustores nos banheiros) nesse processo. (1)

Os pesquisadores chegaram à algumas conclusões (1):

  • A região onde se encontravam as mesas dessas famílias, no fundo do restaurante, é a que menos recebe ventilação natural.
  • O aparelho de ar condicionado que ventila no fundo do restaurante ajuda a criar uma corrente de ar que circula somente sobre essas três mesas.
  • As câmeras de vídeo do restaurante mostram que não houve contato direto do caso 0 com o restante das mesas, indicando que a transmissão ocorreu pelo ar

 

surto covid restaurante china

Disposição das mesas e do paciente zero no restaurante. Em vermelho está representada a corrente de ar que circulou pelas três mesas onde ocorreram as infecções.

 

Em resumo, a má circulação do ar no fundo do restaurante criou um ambiente propício para a transmissão aérea do vírus SARS-Cov-2, resultando em nove novas contaminações (1).

Outras simulações também já avaliaram a transmissibilidade do vírus pelo ar em outros locais, como escolas, boates e salas de estar (2), e até em veículos (3). Além disso, esses estudos avaliaram que o uso de máscaras diminuiria em quase 50% o número de novos contágios (2).

Todos esses estudos deixam clara a importância de evitar ambientes fechados e mal ventilados, e sempre usar máscaras com uma boa vedação durante a pandemia.

Recentemente (07/05) a CDC (Center for Disease Control and Prevention), órgão americano de controle e prevenção de doenças, incluiu a transmissão por partículas no ar como um dos principais meios de contágio pelo vírus SARS-Cov-2. (4)

Cuide da sua saúde e da saúde daqueles à sua volta. Evite ambientes fechados. Use máscara e lave as mãos. Teste seus funcionários periodicamente e ajude a conter a epidemia no Brasil.

A Mendelics desenvolveu, em maio de 2020, o primeiro teste em amostra de saliva do Brasil, o #PARECOVID: o teste molecular mais acessível, com qualidade comparável ao RT-PCR, lançado no Brasil até o momento, com capacidade de testagem diária de até 110.000 amostras, e resultados disponibilizados em até 24 horas. (5)

A Mendelics conta com uma equipe dedicada exclusivamente ao suporte de clientes #PARECOVID. Entre em contato conosco pelo telefone (11) 4637-4356 ou acesse nosso site para que possamos auxiliá-lo no retorno seguro da sua empresa ou centro educacional.

 


Referências

  1. Y. Li et al., “Probable airborne transmission of SARS-CoV-2 in a poorly ventilated restaurant,” Building and Environment, vol. 196, p. 107788, Jun. 2021.
  2. M. Zafra e J. Salas, “Uma sala de estar, um bar e uma sala de aula: assim o coronavírus é transmitido pelo ar”, EL PAÍS, Oct. 26, 2020. Acesso em 28 de abril de 2021. https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-10-26/uma-sala-de-estar-um-bar-e-uma-sala-de-aula-assim-o-coronavirus-e-transmitido-pelo-ar.html
  3. M. Zafra e J. Salas, “Não respire o ar alheio: como evitar o coronavírus em ambientes fechados”, EL PAÍS, Mar. 30, 2021. Acesso em 28 de abril de 2021. https://brasil.elpais.com/ciencia/2021-03-30/nao-respire-o-ar-alheio-como-evitar-o-coronavirus-em-ambientes-fechados.html?prm=ep-app-articulo
  4. CDC, “Coronavirus disease 2019 (COVID-19),” Centers for Disease Control and Prevention, Mai. 07, 2021. Acesso em 10 de maio de 2021. https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/science/science-briefs/sars-cov-2-transmission.html#
  5. P. Asprino et al., “A scalable saliva-based, extraction-free rt-lamp protocol for sars-cov-2 diagnosis”, [preprint], Out. 2020.
A genética pode explicar os casos graves da COVID-19?

A genética pode explicar os casos graves da COVID-19?

Mecanismo genético para a gravidade da COVID-19

COVID-19: Por que algumas pessoas possuem sintomas leves ou até mesmo não apresentam sintomas, enquanto outras evoluem com sintomas graves que levam a morte?

Existe um mecanismo genético que explica essa diferença da gravidade da COVID-19? Essa foi a pergunta que pesquisadores de vários institutos de pesquisa ao redor do mundo fizeram.

No dia 11 de dezembro, o manuscrito do artigo científico “Genetic mechanisms of critical illness in Covid-19” – Mecanismo genético da doença grave na COVID-19, foi publicado antecipadamente na Nature, uma das revistas científicas mais relevantes do mundo (1).

No estudo, 2244 pacientes com sintomas graves da COVID-19 foram analisados por uma técnica de genética chamada GWAS (Genome-Wide Association Studies). O GWAS consiste em analisar o genoma de um grupo de pessoas saudáveis e comparar com o genoma de um grupo de pessoas com alguma doença, com o objetivo de encontrar uma alteração (ou mais) genética associada à doença. Ou seja, nesse estudo, os pesquisadores buscavam marcadores genéticos associados aos casos graves de COVID-19. O grupo controle (sem a doença), foi obtido do banco de dados genômico do Reino Unido.

Os pesquisadores fizeram uma série de análises de correlação e desconsideraram fatores que causariam viés, como pessoas do grupo controle que testaram positivo para COVID-19. As análises foram replicadas em dados de outros estudos populacionais.

 

Resultados do estudo

O estudo encontrou uma associação entre baixa expressão do gene IFNAR2 e alta expressão do gene TYK2 com os casos graves. Com isso, os resultados apontaram para, pelo menos, dois mecanismos biológicos para doença grave em COVID-19: sistema imune inato, importante para a resposta imune imediata no início da infecção; e lesão pulmonar inflamatória causada pelo hospedeiro, que é um mecanismo chave da COVID-19 tardia, com risco de vida. 

 

gene IFNAR2 

O estudo demonstrou o que outros estudos já haviam observado: mutações (de perda de função) no IFNAR2 estão associadas a COVID-19 grave e a muitas outras doenças virais, como o Influenza. O gene IFNAR2 codifica uma proteína que atua como receptor de interferons alfa e beta. Os interferons são proteínas sinalizadoras que são liberadas por algumas células do sistema imune para atuar no combate a infecções virais e de outros microorganismos e também estimulam a liberação de outras células de defesa. São essenciais para a resposta inicial (imunidade inata) do hospedeiro à infecção viral. Por isso, a baixa expressão de IFNAR2 pode deixar o organismo mais suscetível ao Sars-Cov-2.

O estudo traz evidência de que o IFNAR2 pode ter um papel protetor para COVID-19 grave e sugere a administração de interferon como tratamento para reduzir a probabilidade de sintomas graves. Contudo, o estudo não conseguiu observar o melhor momento para que esse tratamento possa ser eficaz.

 

gene TYK2

O TYK2 codifica uma proteína que faz parte de uma importante família de proteínas chamadas Janus quinases (JAKs). As JAKs possuem um papel essencial no processo inflamatório e atuam na sinalização intracelular, além de também participarem da via de sinalização dos interferons. Em outras palavras, as JAKs são importantes para que as células entendam que há um processo inflamatório no organismo que precisa ser combatido. O excesso de atividade das JAKs está associado a várias doenças reumatológicas. Por isso, medicamentos anti-inflamatórios que reduzem a atividade dessa família de proteínas já existem e estão disponíveis. 

O artigo levanta o uso do Baricitinib, medicamento anti-inflamatório usado para tratar a artrite reumatóide, que inibe a proteína codificada pelo gene TYK2. Em um outro estudo publicado em 11 de dezembro no The New England Journal of Medicine, o Baricitinib demonstrou resultados promissores no tratamento de COVID-19 quando combinado com um medicamento antiviral chamado remdesivir (2).

Além do TYK2 e IFNAR2, o estudo também apontou para outros 3 genes: OAS, DPP9 e CCR2.

De modo geral, os resultados do estudo demonstraram importantes marcadores genéticos associados a forma grave da COVID-19 apontando os mecanismos por trás da doença. Ambos os mecanismos podem responder bem ao tratamento direcionado com medicamentos já existentes. Os autores, por fim, sugerem que ensaios clínicos sejam realizados antes de qualquer mudança na prática clínica.

 

Observações:

  • Em meados de  2020, estudos apontaram que o locus do grupo sanguíneo ABO estava associado a gravidade da COVID-19, contudo, nesse estudo atual, essa região genômica não foi significativa. Os autores sugerem que essa região pode estar associada à suscetibilidade a COVID-19, mas não a manifestação grave da doença. 
  • Esse é um estudo preliminar, publicado com urgência devido a pandemia de COVID-19. Os autores reforçam a necessidade de outros estudos para aprofundar os achados.

 


Referências

  1. Pairo-Castineira, E., Clohisey, S., Klaric, L. et al. Genetic mechanisms of critical illness in Covid-19. Nature (2020). https://doi.org/10.1038/s41586-020-03065-y
  2. Kalil AC, Patterson TF, Mehta AK, Tomashek KM, Wolfe CR, Ghazaryan V, Marconi VC, Ruiz-Palacios GM, Hsieh L, Kline S, Tapson V, Iovine NM, Jain MK, Sweeney DA, El Sahly HM, Branche AR, Regalado Pineda J, Lye DC, Sandkovsky U, Luetkemeyer AF, Cohen SH, Finberg RW, Jackson PEH, Taiwo B, Paules CI, Arguinchona H, Goepfert P, Ahuja N, Frank M, Oh MD, Kim ES, Tan SY, Mularski RA, Nielsen H, Ponce PO, Taylor BS, Larson L, Rouphael NG, Saklawi Y, Cantos VD, Ko ER, Engemann JJ, Amin AN, Watanabe M, Billings J, Elie MC, Davey RT, Burgess TH, Ferreira J, Green M, Makowski M, Cardoso A, de Bono S, Bonnett T, Proschan M, Deye GA, Dempsey W, Nayak SU, Dodd LE, Beigel JH; ACTT-2 Study Group Members. Baricitinib plus Remdesivir for Hospitalized Adults with Covid-19. N Engl J Med. 2020 Dec 11:NEJMoa2031994. doi: 10.1056/NEJMoa2031994. Epub ahead of print. PMID: 33306283; PMCID: PMC7745180.
Abertura de protocolo do #PARECOVID (RT-LAMP)

Abertura de protocolo do #PARECOVID (RT-LAMP)

Entenda como o teste #PARECOVID (RT-LAMP) é realizado

Métodos de testagem escaláveis e econômicos são uma ferramenta essencial para controlar a disseminação de SARS-CoV-2 e impedir novos surtos da COVID-19. 

Com a missão de democratizar o acesso a testes para COVID-19 para todos que necessitam, desde junho, a Mendelics oferece um teste molecular de desenvolvimento próprio chamado #PARECOVID. Através da estratégia de RT-LAMP, o teste mostra se a pessoa está infectada pela identificação do RNA do vírus SARS-CoV-2 na saliva. O #PARECOVID é o teste de maior capacidade lançado no Brasil até o momento, com capacidade de testagem diária de 30.000 amostras, e os resultados são disponibilizados em até 24 horas. 

Desde 2000 o RT-LAMP já foi utilizado para o diagnóstico de Zika, Influenza, Ebola, Dengue, entre várias outras doenças infecciosas (1-4). No Brasil o RT-LAMP foi adaptado pela primeira vez para a detecção do SARS-CoV-2 pela Mendelics. O protocolo desenvolvido pelo laboratório também introduz outras duas importantes inovações: validação em amostra de saliva e não requer etapa de extração RNA do vírus.

A validação do #PARECOVID, realizada em parceria com o Hospital Sírio Libanês, foi feita com testagem paralela de RT-PCR, técnica padrão-ouro para diagnóstico da COVID-19. A comparação de resultados de amostras de 244 pacientes sintomáticos mostrou que o RT-LAMP tem sensibilidade para detecção do vírus equivalente ao RT-PCR (78,9% vs. 85,5%) e especificidade de 100%. O protocolo e as etapas da validação do teste foram publicados esta semana, em um artigo da plataforma internacional de conteúdo científico medRxiv (5). 

O teste de RT-LAMP desenvolvido pela Mendelics é rápido (o protocolo completo pode ser executado em 3 horas), preciso (detecta o vírus nos estágios iniciais da infecção) e tem custo acessível. O método depende de reagentes que não estão em falta no mercado e de equipamentos já utilizados por grande parte dos laboratórios, facilitando sua reprodução em todo o mundo.  A divulgação  do protocolo permite que outros laboratórios se juntem aos esforços para que o número de testes possa chegar a centenas de milhares por dia.

Acompanhe abaixo os principais pontos esclarecidos pela publicação do protocolo, que também pode ser acessado clicando aqui.  

Como foi feita a coleta das amostras usadas na validação do teste?

As 244 amostras usadas na validação do teste foram coletadas de pacientes do Hospital Sirio Libanês que apresentavam sintomas sugestivos de COVID-19.  As amostras foram coletadas entre um a sete dias após o início dos sintomas. 

Para o teste de RT-PCR foi feita a coleta de amostra nasofaríngea com auxílio de swab estéril e o processamento foi realizado em laboratório clínico independente. A coleta de saliva para o RT-LAMP foi feita pelo próprio paciente e as amostras foram testadas na Mendelics por RT-LAMP entre um a três dias após a coleta. O RNA do SARS-CoV-2 foi identificado por pelo menos um dos dois métodos em 31% dos pacientes (76/244).

 

Como foi feita a etapa de RT-LAMP?

O método de RT-LAMP combina duas técnicas: a transcriptase reversa (RT) e o LAMP.  Na etapa de Transcriptase reversa (RT) o RNA do SARS-CoV-2, se presente, é transformado em cDNA (DNA complementar). A amplificação do cDNA do vírus no LAMP foi feita em temperatura fixa, por cerca de uma hora, em um termociclador convencional. O alvo da amplificação foi o gene Nucleocapsid, escolhido por apresentar um maior número de cópias que outros segmentos do genoma do vírus.  

Para amplificação da região-alvo foram usados  três pares de primers.  O uso de mais de um par de primers torna a reação mais rápida, pois forma novos sítios para início da amplificação a partir da criação de estruturas de loop.  

 

Como foi feita a análise dos resultados?

Os resultados do RT-LAMP foram analisados por fluorescência e Bioanalyzer e também foram confirmados por análise de curva de dissociação em equipamento de PCR em tempo real. A estratégia de confirmação garante a identificação de baixas cargas virais em amostras consideradas negativas na primeira análise e aumenta a especificidade de detecção do SARS-CoV-2.

 

Qual o limite de detecção do teste?

O teste é capaz de detectar o RNA do SARS-CoV-2 em concentrações de  2.5 cópias per μl, considerando 8 ml de saliva. O limite de detecção foi estabelecido na validação por meio da diluição seriada de RNA sintético do SARS-CoV-2.

 

Qual a sensibilidade e especificidade do teste?

–  O RT-LAMP identificou 60 dos 76 infectados (sensibilidade de 78.9%) 

–  Não foram identificados falsos-positivos, ou seja, todos os resultados positivos foram de pacientes infectados pela COVID-19 (especificidade de 100%). 

 

Os resultados do RT-LAMP são equivalentes ao RT-PCR?

O RT-PCR identificou 65 dos 76 pacientes infectados, por isso, apresentou  sensibilidade de 85.5% (vs os 78.9% do RT-LAMP).  Dezesseis pacientes positivos foram identificados apenas no RT-PCR e 11 pacientes positivos foram identificados apenas por RT-LAMP. 

Embora o RT-PCR tenha sensibilidade superior ao RT-LAMP, as diferenças entre as duas técnicas não foram consideradas estatisticamente significativas, conforme demonstrado na publicação.

 

Qual a vantagem de usar saliva em comparação a amostra nasofaríngea?

A maioria dos testes diagnósticos de COVID-19, como o RT-PCR, são feitos a partir da coleta de swab nasofaríngeo, no qual um cotonete é introduzido na garganta ou no nariz do paciente. Além do desconforto que a coleta causa nos pacientes, há também o risco de contaminação para os profissionais de saúde. Como resultado da enorme demanda mundial, o kit de coleta de swab também está em falta no mercado, o que contribui para a limitação da capacidade de testagem no Brasil.

A saliva é uma alternativa segura ao swab nasofaríngeo, já que a coleta não é invasiva e pode ser feita pelo próprio paciente.  A escolha da saliva foi embasada em artigos que demonstraram que a saliva é tão eficaz quanto amostras nasofaríngeas para identificar o SARS-CoV-2 (6,7,8).  

 

Por que foi importante eliminar a etapa de extração de RNA do protocolo do RT-LAMP?

A maioria dos testes diagnósticos para COVID-19 exigem uma etapa de extração do material genético do vírus que, embora contribua para o aumento de sensibilidade do teste, traz vários problemas. Além de impactar no tempo total de entrega do resultado, a extração introduz outros gargalos:  falta de reagentes, dificuldades técnicas envolvidas na extração seja ela automatizada ou manual e custos adicionais. 

A etapa laboratorial do RT-LAMP da Mendelics é realizada diretamente a partir da amostra de saliva do paciente, o que contribui para redução do custo e tempo de entrega do teste. 

 

Esse é o único protocolo de validação de RT-LAMP para COVID-19?

Não. Desde maio de 2020 vários grupos de pesquisa e alguns laboratórios clínicos também publicaram protocolos baseados em RT-LAMP para diagnóstico SARS-CoV-2 (9-19). Mas a maioria depende de coleta de amostra nasofaríngea com swab e extração de RNA, que conforme previamente destacado, são duas etapas problemáticas dos testes. 

 

A publicação do protocolo do RT-LAMP representou um grande marco para a Ciência brasileira e para o combate à pandemia no país e no mundo.

Quer saber mais sobre o teste?

 

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Referências

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