Preciso continuar me testando após tomar a vacina contra COVID-19?

Preciso continuar me testando após tomar a vacina contra COVID-19?

O que fazer após tomar a vacina contra COVID-19?

Primeiro precisamos entender que diferentes vacinas têm diferentes efeitos, mas o importante é que todas elas são efetivas na redução de hospitalizações, óbitos e protegem a população.

 

Vacinas aplicadas no Brasil

Quadro informativo listando as diferentes vacinas para covid-19 e suas respectivas eficácias

Quadro 1: Dados de eficácia global das vacinas aplicadas no Brasil.
* WHO: World Health Organization

Vacinas a serem utilizadas nos próximos meses: Sputnik V (aprovada para importação) e Convidecia (pedido de uso emergencial em análise).

 

O que a eficácia e efetividade da vacina representam?

A eficácia da vacina refere-se ao desempenho de uma vacina em um ensaio clínico cuidadosamente controlado, enquanto a efetividade descreve seu desempenho em estudos observacionais do mundo real. 

De modo geral, as evidências demonstram que as vacinas para a COVID-19 autorizadas são eficazes na prevenção da doença COVID-19, especialmente quadros graves e morte. Além disso, também há estudos demonstrando que reduzem o risco de transmissão do vírus. Em outras palavras, ao tomar a vacina, o indivíduo diminui suas chances de ser infectado pelo vírus. 

Isso é o que chamamos de eficácia global: quais as chances de você se infectar com o vírus depois de vacinado. Mas o mais importante é que em caso de infecção, o risco de desenvolver um quadro grave ou morrer é muito baixo.

Todas as vacinas disponíveis são eficazes no controle da pandemia.

 

Por que as vacinas apresentam diferentes taxas de efetividade? 

Com o início da vacinação no mundo inteiro, vários estudos estão sendo conduzidos no intuito de entender a efetividade das vacinas nas diferentes populações. No Quadro 1 é possível observar diferentes valores para a eficácia observada nas populações. 

No Brasil, um estudo realizado pelo Instituto Butantan em Serrana (interior de São Paulo) onde quase toda a população adulta foi vacinada com CoronaVac, observou 80% de efetividade contra casos sintomáticos. E quando a vacinação chegou a 75% da população adulta, as hospitalizações reduziram em 86%, e os óbitos em 95%.

Outro estudo realizado pelo grupo Vaccine Effectiveness in Brazil Against Covid-19 com a CoronaVac em idosos em todo Estado de São Paulo, encontrou efetividade média de 42%, e observou que a taxa de efetividade reduz conforme a idade aumenta: dos 70 aos 74 anos, fica em 61,8%; dos 75 aos 79 anos fica 48,9%; e acima de 80 anos é de apenas 28%.

Já no Chile, um estudo feito com a CoronaVac em 10,5 milhões de pessoas apresentou efetividade de 67% contra casos sintomáticos.

O mesmo foi visto para a vacina Corminaty (Pfizer/BioNTech) aplicada a uma população idosa (77-90 anos de idade) na Dinamarca. A eficácia da vacina nesse grupo foi de 64%, enquanto em grupos de menor idade a eficácia pode chegar a 95%.

Vários fatores influenciam essas diferenças na efetividade das vacinas:

  • Idade – conforme envelhecemos, nosso sistema imune fica mais frágil;
  • Genética – as populações têm diferenças no DNA que podem fazer com que o sistema imune seja mais, ou menos resistente. 
  • Variantes – as novas variantes do coronavírus, que podem escapar a imunidade conferida pelas vacinas e também impactam a eficácia das vacinas em diferentes países. 

Para entender melhor as variantes, leia esse artigo.

 

Por que ainda posso pegar COVID-19 mesmo após me vacinar?

O objetivo de qualquer vacina é conseguir induzir a resposta imunológica do indivíduo, de modo que quando for de fato exposto ao vírus, seu sistema imune seja capaz de bloqueá-lo ou destruí-lo antes que ele se espalhe e cause sintomas e consequências graves. 

Contudo, a resposta imunológica de cada pessoa depende de muitos fatores como, por exemplo, a idade, a presença de doenças ou comorbidades, fatores genéticos e até estilo de vida, por isso, algumas pessoas ainda podem contrair o vírus e apresentar sintomas graves, mesmo que em uma porcentagem baixa e uma parcela de indivíduos vacinados pode ser infectado pelo vírus e não manifestar sintomas. O perigo nesse último caso é a pessoa contaminar outras pessoas não-vacinadas, mesmo que esses casos também ocorram com menos frequência.

Faça um paralelo com a gripe comum: muitas pessoas ficam gripadas com muita frequência e sentem sintomas como febre, dores e cansaço, enquanto outras dizem nunca ficar gripadas. Todos somos expostos aos vírus de gripe, mas nossos sistemas imunológicos reagem de forma diferente.

 

Como vacinas contra COVID-19 pode impactar o resultado de um teste para detecção do coronavírus?

Após a vacina, os indivíduos vacinados que forem infectados pelo vírus SARS-CoV-2 podem ter carga viral até 5 vezes mais baixa que pessoas não vacinadas, podendo não ser detectada por exames voltados à identificação de material genético viral.

O mesmo possivelmente ocorre em casos de reinfecção pelo SARS-CoV-2. Esses casos podem gerar resultados falso-negativos nos testes de PCR, ou seja, que detectam a infecção ativa.

Nos testes sorológicos (que detectam os anticorpos gerados em resposta à infecção) é possível que tenham resultado positivo, pois podem detectar os anticorpos gerados pela vacina. Porém, a depender do tipo da vacina e do organismo da pessoa, nem sempre esses testes serão capazes de detectar a presença de anticorpos anti-SARS-CoV-2.

 

Preciso continuar me testando mesmo após a vacina?

Até o momento, sabemos que as vacinas conseguem impedir que o vírus cause quadros graves da doença na maioria das pessoas, mas não impedem totalmente que a pessoa seja infectada e tenha a doença. Ou seja, pessoas vacinadas ainda podem se infectar e, possivelmente, ainda transmitir o vírus

As chances de uma pessoa vacinada se infectar com o vírus é inversa à eficácia global das vacinas. Considerando os valores que temos no Quadro 1, temos uma probabilidade de infecção de até 49% com CoronaVac, até 14% com a Corminaty, até 37% com a Covishield, e até 33% com a vacina da Janssen-Cilag (J&J).

Por isso, enquanto a maioria da população não estiver 100% imunizada (com todas as doses necessárias), as pessoas vacinadas devem continuar seguindo as medidas de proteção recomendadas, como usar máscara, manter distância, lavar as mãos e se testar se estiver com sintomas de COVID-19, se entrou em contato com alguém com sintomas ou confirmado e/ou se vai encontrar com outras pessoas sem distanciamento físico.

 

Alguns cenários em que o teste pode ser útil, para pessoas vacinadas ou não vacinadas.

 

  • Se você apresenta sintomas de COVID-19 (mesmo que já tenha tido COVID-19 anteriormente, ou tenha se vacinado).
  • Se você teve contato próximo com alguém com COVID-19 confirmado.
  • Se você esteve em situações de risco mais elevado e com maior exposição, como em viagens, reuniões/eventos sociais, ambientes fechados lotados ou mal ventilados.
  • Se você vai viajar para outro país ou voltar para o Brasil. A maioria dos países e companhias aéreas estão pedindo a apresentação do teste negativo para embarque/entrada no país.

 

De modo geral, qualquer pessoa com quaisquer sinais ou sintomas de COVID-19 deve fazer o teste, independentemente do estado de vacinação ou infecção anterior. 

Lembrando que você deve ficar longe de outras pessoas enquanto aguarda os resultados do teste e seguir as orientações do seu médico ou profissional de saúde pública. 

 

Meu teste PCR está negativo, o que isso quer dizer?

Um resultado de teste que detecta a infecção por SARS-CoV-2 negativo significa que o vírus não foi detectado. E isso não quer dizer que você não está infectado.

Os testes para detecção de SARS-CoV-2, assim como para outros vírus, são desenvolvidos para ter o máximo de acurácia na detecção de casos positivos reais. E o que isso significa?

Os testes não devem ter resultados falso-positivos: se uma pessoa não está contaminada, o resultado nunca deve dar positivo. Para controlar esse tipo de erro é preciso aceitar que o teste tenha resultados falso-negativos, em pequenas taxas, é claro.

Em resumo, resultados positivos são sempre reais. Resultados negativos podem ser equivocados, principalmente para vacinados, que podem apresentar uma carga viral até 5 vezes mais baixa, dificultando a detecção.

 

Então, se você tiver sintomas de COVID-19 e seu teste der negativo:

  • Você pode ter recebido um resultado de teste falso-negativo e ainda assim pode ter COVID-19.
  • Você deve fazer o isolamento por pelo menos 14 dias e seguir as recomendações de restrição. Entre em contato com um médico e informe sobre seus sintomas.

 

Se você não tem sintomas de COVID-19 mas foi exposto a uma pessoa com COVID-19 e seu teste der negativo:

  • Você pode não ter se infectado.
  • Você pode ter se infectado e estar assintomático e pode ter recebido um resultado de teste falso-negativo.
  • Você deve fazer o isolamento por pelo menos 14 dias e seguir as recomendações de restrição.

 

O teste na saliva realmente funciona? 

Diversos estudos demonstraram as vantagens do uso da amostra de saliva para detectar a infecção pelo coronavírus. Os métodos de detecção do SARS-CoV-2 feitos em amostra de saliva permitem a testagem frequente através de uma coleta simples, indolor e que não precisa de insumos caros e em falta no mercado devido à alta demanda, o que os torna mais acessíveis a toda a população.

Além disso, a saliva demonstrou ter maior carga viral e pode ajudar a identificar precocemente a gravidade da doença. Leia mais sobre a importância da saliva para a COVID-19 nesse artigo.

 

1 ano de #PARECOVID

A vacinação é a melhor solução para o controle da pandemia e proteção da população, mas enquanto ela não está disponível para todos, a testagem em massa é a melhor forma de controle.

Com a missão de contribuir para a testagem em massa e democratizar o acesso a testes para COVID-19 para todos que necessitam, em junho de 2020, a Mendelics lançou o #PARECOVID: um teste molecular de desenvolvimento próprio que, através da técnica de RT-LAMP, identifica a presença do RNA do vírus SARS-CoV-2 na saliva. 

Em junho de 2021, o #PARECOVID completa um ano de existência se consolidando como o teste molecular mais acessível, com capacidade de testagem diária de até 110.000 amostras, e resultados disponibilizados em até 24 horas. Além disso, os resultados obtidos pela Mendelics através do #PARECOVID, permitem prever a taxa de novos casos em São Paulo com uma semana de antecedência.

Um ano de pandemia: Relembre os principais acontecimentos em 1 ano da pandemia do coronavírus nesse artigo.

 


Referências
  1. Vaccine Tracker 
  2. https://blog.mendelics.com.br/abertura-de-protocolo-do-parecovid-rt-lamp/
  3. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/paf/coronavirus/vacinas
  4. https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2021.05.19.21257472v1
  5. https://www.nature.com/articles/s41591-021-01316-7
  6. Paltiel AD, Zheng A, Walensky RP. Assessment of SARS-CoV-2 Screening Strategies to Permit the Safe Reopening of College Campuses in the United States. JAMA Netw Open. 2020;3(7):e2016818.
  7. Saliva as a gold-standard sample for SARS-CoV-2 detection
  8. ANVISA – Vacinas aprovadas 
  9. Moustsen-Helms IR, Emborg H-D, Nielsen J, et al. Vaccine effectiveness after 1st and 2nd dose of the BNT162b2 mRNA Covid-19 Vaccine in long-term care facility residents and healthcare workers – a Danish cohort study. doi:10.1101/2021.03.08.21252200
  10. CDC, “Coronavirus Disease 2019 (COVID-19),” Centers for Disease Control and Prevention, Feb. 11, 2020.
  11. World Health Organization (WHO)
COVID-19: transmissão de SARS-COV-2 pelo ar

COVID-19: transmissão de SARS-COV-2 pelo ar

A importância da ventilação de ambientes fechados na contenção da COVID-19

Há muito já se sabe que ambientes fechados e mal ventilados favorecem a transmissão de doenças infecciosas, como as influenzas (gripes). Recentemente, um estudo demonstrou que a má ventilação foi o grande fator responsável por um surto de COVID-19 iniciado em um restaurante na cidade de Guangzhou, na China, em janeiro de 2020.

 

O surto

No início de fevereiro de 2020, 10 pessoas de três famílias diferentes testaram positivo para COVID-19 em Guangzhou. Após o rastreio desses casos, as autoridades chinesas descobriram que as três famílias haviam almoçado no mesmo restaurante no Ano Novo Chinês (24 de janeiro). (1)

Uma das famílias (família A) vivia originalmente em Wuhan, o epicentro da pandemia, e estavam em Guangzhou a passeio. O primeiro indivíduo a apresentar sintomas da infecção pertencia a essa família e, muito provavelmente, foi o caso 0 desse surto. (1)

Nenhum dos indivíduos das outras duas famílias presentes no almoço apresentava qualquer sintoma de COVID-19, ou haviam tido contato prévio com casos confirmados da doença, tão pouco com outros habitantes de Wuhan. (1)

Todas as três famílias sentaram-se em mesas adjacentes na área menos ventilada do restaurante, sendo que a família A estava alocada na mesa do meio, entre as duas outras famílias. (1)

 

Transmissão

Os pesquisadores simularam as condições de ventilação no restaurante durante o almoço para verificar se as gotículas expelidas por alguém na mesa da família A poderiam atingir os integrantes das outras duas famílias nas mesas vizinhas. (1)

Para isso, posicionaram um manequim com um aerossol de etano (um gás) na cadeira do suspeito caso 0, e mediram a concentração do gás em outras cadeiras do restaurante (1).

Com isso, conseguiram mapear por onde as gotículas contaminadas poderiam ter se espalhado e qual a importância das diferentes correntes de ar (aparelhos de ar condicionado, portas e exaustores nos banheiros) nesse processo. (1)

Os pesquisadores chegaram à algumas conclusões (1):

  • A região onde se encontravam as mesas dessas famílias, no fundo do restaurante, é a que menos recebe ventilação natural.
  • O aparelho de ar condicionado que ventila no fundo do restaurante ajuda a criar uma corrente de ar que circula somente sobre essas três mesas.
  • As câmeras de vídeo do restaurante mostram que não houve contato direto do caso 0 com o restante das mesas, indicando que a transmissão ocorreu pelo ar

 

surto covid restaurante china

Disposição das mesas e do paciente zero no restaurante. Em vermelho está representada a corrente de ar que circulou pelas três mesas onde ocorreram as infecções.

 

Em resumo, a má circulação do ar no fundo do restaurante criou um ambiente propício para a transmissão aérea do vírus SARS-Cov-2, resultando em nove novas contaminações (1).

Outras simulações também já avaliaram a transmissibilidade do vírus pelo ar em outros locais, como escolas, boates e salas de estar (2), e até em veículos (3). Além disso, esses estudos avaliaram que o uso de máscaras diminuiria em quase 50% o número de novos contágios (2).

Todos esses estudos deixam clara a importância de evitar ambientes fechados e mal ventilados, e sempre usar máscaras com uma boa vedação durante a pandemia.

Recentemente (07/05) a CDC (Center for Disease Control and Prevention), órgão americano de controle e prevenção de doenças, incluiu a transmissão por partículas no ar como um dos principais meios de contágio pelo vírus SARS-Cov-2. (4)

Cuide da sua saúde e da saúde daqueles à sua volta. Evite ambientes fechados. Use máscara e lave as mãos. Teste seus funcionários periodicamente e ajude a conter a epidemia no Brasil.

A Mendelics desenvolveu, em maio de 2020, o primeiro teste em amostra de saliva do Brasil, o #PARECOVID: o teste molecular mais acessível, com qualidade comparável ao RT-PCR, lançado no Brasil até o momento, com capacidade de testagem diária de até 110.000 amostras, e resultados disponibilizados em até 24 horas. (5)

A Mendelics conta com uma equipe dedicada exclusivamente ao suporte de clientes #PARECOVID. Entre em contato conosco pelo telefone (11) 4637-4356 ou acesse nosso site para que possamos auxiliá-lo no retorno seguro da sua empresa ou centro educacional.

 


Referências

  1. Y. Li et al., “Probable airborne transmission of SARS-CoV-2 in a poorly ventilated restaurant,” Building and Environment, vol. 196, p. 107788, Jun. 2021.
  2. M. Zafra e J. Salas, “Uma sala de estar, um bar e uma sala de aula: assim o coronavírus é transmitido pelo ar”, EL PAÍS, Oct. 26, 2020. Acesso em 28 de abril de 2021. https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-10-26/uma-sala-de-estar-um-bar-e-uma-sala-de-aula-assim-o-coronavirus-e-transmitido-pelo-ar.html
  3. M. Zafra e J. Salas, “Não respire o ar alheio: como evitar o coronavírus em ambientes fechados”, EL PAÍS, Mar. 30, 2021. Acesso em 28 de abril de 2021. https://brasil.elpais.com/ciencia/2021-03-30/nao-respire-o-ar-alheio-como-evitar-o-coronavirus-em-ambientes-fechados.html?prm=ep-app-articulo
  4. CDC, “Coronavirus disease 2019 (COVID-19),” Centers for Disease Control and Prevention, Mai. 07, 2021. Acesso em 10 de maio de 2021. https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/science/science-briefs/sars-cov-2-transmission.html#
  5. P. Asprino et al., “A scalable saliva-based, extraction-free rt-lamp protocol for sars-cov-2 diagnosis”, [preprint], Out. 2020.
Vacinas para COVID-19 testadas no Brasil

Vacinas para COVID-19 testadas no Brasil

Vacinas para COVID-19

Entenda mais sobre as vacinas para COVID-19 que estão sendo testadas no Brasil. 

Até o momento, Janeiro de 2021, pesquisadores de todo o mundo estão trabalhando no desenvolvendo de mais de 200 vacinas contra o coronavírus, dessas, pelo menos 85 estão sendo testadas em animais em ensaios pré-clínicos, 65 já estão na fase de ensaios clínicos em humanos (1, 2), 8 foram aprovadas para uso emergencial e 2 foram aprovadas depois que os órgãos regulatórios analisaram os resultados de todos os ensaios.

Normalmente, vacinas exigem anos de pesquisa e testes antes de chegar à clínica, contudo na pandemia do COVID-19, cientistas, governos e indústrias uniram esforços para produzir vacinas seguras e eficazes em apenas poucos meses. 

Quer ler sobre genética e casos graves de COVID? Leia esse post em nosso blog.

 

Tipos de Vacinas desenvolvidas

Antes de saber sobre as vacinas testadas no Brasil, conheça os tipos de vacinas que estão sendo testadas para COVID-19 no mundo.

O objetivo de qualquer vacina é conseguir provocar ou induzir a resposta imune do indivíduo de modo que quando for de fato exposto ao vírus, seu sistema imune seja capaz de bloqueá-lo ou matá-lo.

As vacinas para COVID-19 em teste podem ser de 4 tipos (com 2 subtipos cada uma) (3): 

1. Vacina de vírus: o vírus é modificado para que se torne menos capaz de causar a doença.

  • Inativado
  • Enfraquecido

2. Vacina de Vetor Viral: um vírus é geneticamente modificado para produzir proteínas do  SARS-CoV-2. Alguns são capazes de se replicar dentro das células e outros não.

  • Replicante
  • Não replicante

3. Vacina de Ácido Nucleico: o  material genético do vírus é inserido nas células humanas, que produzem cópias de alguma proteína viral (exemplo: proteína spike).

  • DNA
  • RNA

4. Vacina à base de proteínas: proteínas do SARS-CoV-2 são injetadas diretamente no organismo. Também podem ser usados fragmentos de proteínas similares a estrutura do vírus.

  • Subunidade proteica
  • Partículas semelhantes a vírus

 

Vacinas em teste no Brasil

O processo de desenvolvimento de uma vacina inclui uma série de fases, desde o seu início no laboratório até a sua utilização na imunização da população. A primeira etapa são os ensaios pré-clínicos, onde são realizados testes em animais, e depois se inicia a etapa de ensaios clínicos em humanos, que possui várias fases.

Das 64 vacinas em ensaios clínicos em humanos no mundo, 20 estão na Fase III, que testa a eficácia da vacina em larga escala. Quatro delas estão sendo testadas no Brasil (4, 5, 6).

 

CoronaVac da Sinovac Biotech: vacina de vírus inativado.

  • Nome: CoronaVac
  • Dose: 2 doses, 21 dias de intervalo
  • Tipo: injeção muscular
  • Armazenagem: geladeira, 2 a 8 ºC

Em junho deste ano, a empresa Sinovac Biotech anunciou que os ensaios clínicos da Fase I e II em 743 voluntários obtiveram sucesso, a vacina produziu resposta imune, não sendo identificados efeitos adversos graves. 

Em julho, a empresa iniciou um estudo de Fase III no Brasil, em colaboração com o Instituto Butantan para testar 9 mil voluntários brasileiros.

Em janeiro de 2021, os resultados dos estudos de Fase III foram liberados e o governo do estado de São Paulo e o Instituto Butantan enviaram o pedido de autorização para o uso emergencial à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

A previsão é de que a vacinação inicie dia 25 de janeiro no Estado de São Paulo. 

 

ChAdOx1 nCoV-19 da AstraZeneca e da Universidade de Oxford: vacina de vetor viral não-replicante (adenovírus de chimpanzé).

  • Nome: AZD1222
  • Dose: 2 doses, 4 semanas de intervalo
  • Tipo: injeção muscular
  •   Armazenamento: geladeira, 2 a 8º C

 

Em 8 de dezembro, pesquisadores da Universidade de Oxford e da AstraZeneca publicaram um artigo científico com resultados de segurança e eficácia do ensaio clínico de Fase 3 da vacina, realizado no Brasil, África do Sul e Inglaterra (7).

Em 11 de dezembro a AstraZeneca anunciou que vai colaborar com os pesquisadores da vacina Sputnik V, da Rússia, que também é feita a partir de adenovírus. No dia 29 de dezembro a Anvisa recebeu o pedido para início dos estudos da Fase III da vacina  Sputnik V (8). O objetivo é testar se as duas vacinas juntas aumentam a proteção contra o vírus.

No dia 04 de janeiro de 2021, o Reino Unido começou a vacinação da população com a primeira dose da vacina. No dia 8 de janeiro foi realizado o pedido de autorização para o uso emergencial à Anvisa. 

 

BNT162 da BioNTech em colaboração com Pfizer e a Fosun Pharma: vacina de mRNA.

  • Nome: Comirnaty (tozinameran ou BNT162b2)
  • Dose: 2 doses, 3 semanas de intervalo
  • Tipo: injeção muscular
  • Armazenamento: freezer a –70 ° C

 

Em Maio, os estudos de Fase I e II foram completados com sucesso: os voluntários produziram anticorpos contra o SARS-CoV-2, bem como as células T específicas ao vírus. Em 27 de julho, as empresas anunciaram o início do estudo de Fase II e III com 30.000 voluntários nos Estados Unidos e em outros países, incluindo Argentina, Brasil e Alemanha.

Em 9 de novembro, Pfizer e BioNTech apresentaram os dados preliminares com a vacina demonstrando mais de 90% de eficácia. Em 2 de dezembro o Reino Unido deu autorização de uso de emergência da vacina e iniciou a vacinação da população inglesa dia 8 de dezembro. 

Em 11 de dezembro, a FDA (Food and Drug Administration) autorizou o uso de emergência da vacina nos Estados Unidos e iniciou a vacinação no dia 14. Vários países já concederam autorização de emergência para o uso da Comirnaty, incluindo Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, Kuwait, México, Panamá e Cingapura.

A União Europeia aprovou a vacina em 21 de dezembro. Outros países como o Bahrein, Canadá, Arábia Saudita e Suíça deram a aprovação total. 

No Brasil, os resultados dos estudos de Fase III ainda não foram liberados e o pedido de registro da vacina na Anvisa também não foi realizado. 

 

Ad26.COV2.S da Jansen-Cilag (Johnson-Johnson): vacina de vetor recombinante, não replicante, de adenovírus tipo 26 (Ad26).

  • Nome: Ad26.COV2.S
  • Dose: 1 dose
  • Tipo: injeção muscular
  • Armazenagem: geladeira, 2 a 8º C

 

Em julho, a Johnson & Johnson lançou os estudos de Fase I e II nos EUA e na Bélgica. Os ensaios clínicos de Fase III começaram em setembro – inicialmente de apenas 1 dose. Em novembro, a empresa anunciou que vai realizar a segunda etapa da Fase III para testar a eficácia de duas doses da vacina. Espera-se que os resultados sejam apresentados em janeiro de 2021.

Para o estudo no Brasil, o projeto prevê a inclusão de sete mil voluntários, nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Norte. 

No Brasil, os resultados dos estudos de Fase III ainda não foram liberados, bem como o pedido de registro da vacina na Anvisa. 

 

#UPDATE Maio 2021

Quatro vacinas receberam autorização da Anvisa para uso no Brasil: a CoronaVac, e as vacinas das empresas AstraZeneca, Pfizer e Janssen; contudo, somente as três primeiras estão sendo utilizadas no Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, até o momento.

A importação de outras duas vacinas estão sendo analisadas pela Anvisa: Convidecia (Ad5-nCoV) da empresa CanSinoBio (China) e Covaxin (BBV152 A, B, C) da empresa indiana Bharat Biotech.

Em abril a Anvisa rejeitou o pedido de importação da vacina Sputinik V (Gam-Covid-Vac) do Gamaleya Research Institute alegando ter identificado adenovírus ativos na vacina.

No momento (26 de maio de 2021) pouco mais de 20% da população brasileira já recebeu a primeira dose de vacinas contra a COVID-19. E 10% a segunda dose.

 


Referências

  1. https://www.nytimes.com/interactive/2020/science/coronavirus-vaccine-tracker.html
  2. https://www.who.int/publications/m/item/draft-landscape-of-covid-19-candidate-vaccines
  3. https://www.nature.com/articles/d41586-020-01221-y
  4. https://saude.abril.com.br/medicina/como-funcionam-as-vacinas-mais-avancadas-contra-o-coronavirus/
  5. https://www.saopaulo.sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/Apresentacao-CoronavirusVacina_Dr-Dimas_10_06.pdf
  6. Portal ANVISA – Vacinas
  7. https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)32661-1/fulltext
  8. Acompanhamento análise Vacinas –  ANVISA

 

Testagem em massa da COVID-19

Testagem em massa da COVID-19

VOCÊ SABE POR QUE A TESTAGEM EM MASSA DA COVID-19 É FUNDAMENTAL PARA O RETORNO SEGURO DE EMPRESAS E CENTROS EDUCACIONAIS?

 

O Brasil iniciou nas últimas semanas o processo de afrouxamento das medidas de isolamento social iniciadas em março, quando o número de casos da COVID-19 passou a aumentar exponencialmente. Com a epidemia ainda não controlada e sem perspectivas de vacinas nos próximos meses, muitos se perguntam nesse momento sobre a segurança do retorno às atividades sociais e econômicas. 

Já sabemos que apenas isolar pessoas com sintomas da COVID-19 não é suficiente para combater a epidemia porque assintomáticos e, principalmente, pré-sintomáticos, podem transmitir a doença. Dados preliminares sugerem que até 50% da transmissão possa ser “silenciosa” (1). 

 

Uma opção segura para o retorno 

Estudos publicados recentemente, porém, mostram um possível caminho para o retorno seguro de escolas e empresas: testagem em massa da COVID-19, com testes realizados frequentemente em curto intervalos de tempo e com rapidez na entrega dos resultados (2,3,4). Ao identificar assintomáticos e pré-sintomáticos, essa estratégia reduz a transmissão da doença e impede o surgimento de novos surtos

A testagem em massa identifica assintomáticos e pré-sintomáticos e é a melhor estratégia para reduzir a transmissão da COVID-19 e impedir novos surtos

Um desses estudos mostrou que para o controle da COVID-19, frequência de testagem e prazo de entrega dos resultados são fatores até mais importantes do que sensibilidade do teste (2).

Outro estudo demonstrou que a testagem a cada dois dias com um teste de 70% de sensibilidade seria suficiente para garantir o retorno seguro ao campus de 5.000 estudantes de uma universidade hipotética (3).

A testagem ampla deve ser aplicada também para ambientes com grupos de risco, conforme demonstrado em um estudo norte-americano que testou mais de 30.000 residentes e funcionários de asilos de Massachusetts.  Os resultados mostraram que 71% dos residentes e 92.7% dos funcionários que testaram positivo para a COVID-19 não apresentavam sintomas no momento da testagem (4).  

 

A diferença entre os testes para COVID-19

É importante ressaltar que somente testes moleculares, que identificam o RNA do vírus na amostra do paciente infectado, como testes de RT-LAMP e RT-PCR, devem ser utilizados para testagem em massa da COVID-19 (5,6). 

Os testes de anticorpo, popularmente conhecidos como “sorológicos”, analisam a resposta do organismo a um agente infeccioso, e nesse caso, identificam anticorpos IgA, IgM e IgG que o corpo produz para combater o SARS-CoV-2. Os testes de anticorpo servem para saber quem já teve COVID-19 no passado e não devem ser usados para rastreio de infecção ativa (7). Devido ao tempo que o corpo demora para produzir anticorpos contra uma infecção (janela imunológica), os testes sorológicos só conseguem detectar anticorpos entre uma a três semanas após o início dos sintomas, mas esse tempo pode variar. 

Os testes sorológicos, portanto, não são capazes de detectar uma infecção ativa. Pessoas infectadas com SARS-CoV-2 podem erroneamente interpretar um resultado negativo em um teste de anticorpo como ausência de infecção. Sendo que o resultado negativo se deu devido a características inerentes ao teste e significa apenas que não houve tempo ainda do organismo produzir anticorpos suficientes para serem detectados.

 

É possível adotar hoje no Brasil a estratégia de testagem em massa recomendada pelos estudos internacionais?

Sim. A Mendelics desenvolveu o #PARECOVID que permite que as empresas e escolas planejem e executem seu retorno às atividades de forma segura com testagens frequentes e seguindo as recomendações dos estudos internacionais. 

O teste #PARECOVID utiliza a técnica de RT-LAMP que é capaz de detectar o vírus na saliva a partir dos primeiros dias de infecção. Os resultados são liberados em até 24 horas e os infectados podem ser precocemente identificados e isolados. O teste também tem custo acessível viabilizando a testagem frequente. 

A coleta pode ser realizada na própria empresa ou centro educacional e não requer um profissional da saúde. 

A Mendelics conta uma equipe dedicada exclusivamente ao suporte de clientes #PARECOVID. Entre em contato conosco pelo telefone (11) 4637-4356 ou acesse nosso site para que possamos auxiliá-lo no retorno seguro da sua empresa ou centro educacional.

 

Glossário

TRANSMISSORES DA COVID-19

Assintomático

Indivíduo infectado com SARS-CoV-2 que não terá sintomas da doença durante todo o período da infecção.  

Pré-sintomáticos

Indivíduo infectado com SARS-CoV-2 que não exibiu sintomas até o momento da testagem, mas que terá sintoma(s) da COVID-19 em algum momento durante o período de infecção. 

Sintomáticos

Indivíduo infectado com SARS-CoV-2 que tem sintomas no momento da testagem.

 

TIPOS DE TESTES PARA COVID-19.

Teste de Anticorpo

O que detecta: anticorpos IgA, IgM e IgG que o corpo produz para combater o SARS-CoV-2

– Para que serve: para saber se a pessoa já teve a doença no passado e para estudos epidemiológicos populacionais

Teste de Antígeno

– O que detecta: fragmentos do SARS-CoV-2, como as proteínas da cápsula viral

– Para que serve: pode detectar o vírus no organismo já no início da infecção, mas a baixa sensibilidade e especificidade da maioria dos testes disponíveis no mercado têm limitado a sua utilização

Testes Moleculares

– O que detecta: segmentos específicos do genoma do SARS-CoV-2 

– Tipos de Testes moleculares: RT-PCR (Reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa), RT-LAMP (amplificação isotérmica mediada  por loop  com  transcriptase  reversa) e Sequenciamento

– Para que serve? Identifica a doença já nos primeiros dias após o início da infecção (fase ativa), sendo fundamentais para o isolamento precoce dos infectados.

 


Referências

1) Seyed M. et al.The implications of silent transmission for the control of COVID-19 outbreaks. Proceedings of the National Academy of Sciences Jul 2020, 117 (30) 17513-17515. 

2) Paltiel AD, Zheng A, Walensky RP. Assessment of SARS-CoV-2 Screening Strategies to Permit the Safe Reopening of College Campuses in the United States. JAMA Netw Open. 2020;3(7):e2016818.

3) Larremore DB, Wilder B, Lester E, et al. Test sensitivity is secondary to frequency and turnaround time for COVID-19 surveillance. Preprint. medRxiv. 2020;2020.06.22.20136309

4) Lennon, NJ et al. Comparison of viral levels in individuals with or without symptoms at time of COVID-19 testing among 32,480 residents and staff of nursing homes and assisted living facilities in Massachusetts.

5) Watson J, Whiting PF, Brush JE. Interpreting a covid-19 test result. BMJ. 2020;369:m1808, 2020.

6) Lamb LE, Bartolone SN, Ward E, Chancellor MB. Rapid detection of novel coronavirus/Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 (SARS-CoV-2) by reverse transcription-loop-mediated isothermal amplification. PLoS One. 2020;15(6):e0234682. 

7) Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/lab/resources/antibody-tests-guidelines.html. Acessado em 15/07/2020.