Testagem em massa da COVID-19

Testagem em massa da COVID-19

VOCÊ SABE POR QUE A TESTAGEM EM MASSA DA COVID-19 É FUNDAMENTAL PARA O RETORNO SEGURO DE EMPRESAS E CENTROS EDUCACIONAIS?

 

O Brasil iniciou nas últimas semanas o processo de afrouxamento das medidas de isolamento social iniciadas em março, quando o número de casos da COVID-19 passou a aumentar exponencialmente. Com a epidemia ainda não controlada e sem perspectivas de vacinas nos próximos meses, muitos se perguntam nesse momento sobre a segurança do retorno às atividades sociais e econômicas. 

Já sabemos que apenas isolar pessoas com sintomas da COVID-19 não é suficiente para combater a epidemia porque assintomáticos e, principalmente, pré-sintomáticos, podem transmitir a doença. Dados preliminares sugerem que até 50% da transmissão possa ser “silenciosa” (1). 

 

Uma opção segura para o retorno 

Estudos publicados recentemente, porém, mostram um possível caminho para o retorno seguro de escolas e empresas: testagem em massa da COVID-19, com testes realizados frequentemente em curto intervalos de tempo e com rapidez na entrega dos resultados (2,3,4). Ao identificar assintomáticos e pré-sintomáticos, essa estratégia reduz a transmissão da doença e impede o surgimento de novos surtos

A testagem em massa identifica assintomáticos e pré-sintomáticos e é a melhor estratégia para reduzir a transmissão da COVID-19 e impedir novos surtos

Um desses estudos mostrou que para o controle da COVID-19, frequência de testagem e prazo de entrega dos resultados são fatores até mais importantes do que sensibilidade do teste (2).

Outro estudo demonstrou que a testagem a cada dois dias com um teste de 70% de sensibilidade seria suficiente para garantir o retorno seguro ao campus de 5.000 estudantes de uma universidade hipotética (3).

A testagem ampla deve ser aplicada também para ambientes com grupos de risco, conforme demonstrado em um estudo norte-americano que testou mais de 30.000 residentes e funcionários de asilos de Massachusetts.  Os resultados mostraram que 71% dos residentes e 92.7% dos funcionários que testaram positivo para a COVID-19 não apresentavam sintomas no momento da testagem (4).  

 

A diferença entre os testes para COVID-19

É importante ressaltar que somente testes moleculares, que identificam o RNA do vírus na amostra do paciente infectado, como testes de RT-LAMP e RT-PCR, devem ser utilizados para testagem em massa da COVID-19 (5,6). 

Os testes de anticorpo, popularmente conhecidos como “sorológicos”, analisam a resposta do organismo a um agente infeccioso, e nesse caso, identificam anticorpos IgA, IgM e IgG que o corpo produz para combater o SARS-CoV-2. Os testes de anticorpo servem para saber quem já teve COVID-19 no passado e não devem ser usados para rastreio de infecção ativa (7). Devido ao tempo que o corpo demora para produzir anticorpos contra uma infecção (janela imunológica), os testes sorológicos só conseguem detectar anticorpos entre uma a três semanas após o início dos sintomas, mas esse tempo pode variar. 

Os testes sorológicos, portanto, não são capazes de detectar uma infecção ativa. Pessoas infectadas com SARS-CoV-2 podem erroneamente interpretar um resultado negativo em um teste de anticorpo como ausência de infecção. Sendo que o resultado negativo se deu devido a características inerentes ao teste e significa apenas que não houve tempo ainda do organismo produzir anticorpos suficientes para serem detectados.

 

É possível adotar hoje no Brasil a estratégia de testagem em massa recomendada pelos estudos internacionais?

Sim. A Mendelics desenvolveu o #PARECOVID que permite que as empresas e escolas planejem e executem seu retorno às atividades de forma segura com testagens frequentes e seguindo as recomendações dos estudos internacionais. 

O teste #PARECOVID utiliza a técnica de RT-LAMP que é capaz de detectar o vírus na saliva a partir dos primeiros dias de infecção. Os resultados são liberados em até 24 horas e os infectados podem ser precocemente identificados e isolados. O teste também tem custo acessível viabilizando a testagem frequente. 

A coleta pode ser realizada na própria empresa ou centro educacional e não requer um profissional da saúde. 

A Mendelics conta uma equipe dedicada exclusivamente ao suporte de clientes #PARECOVID. Entre em contato conosco pelo telefone (11) 4637-4356 ou acesse nosso site para que possamos auxiliá-lo no retorno seguro da sua empresa ou centro educacional.

 

Glossário

TRANSMISSORES DA COVID-19

Assintomático

Indivíduo infectado com SARS-CoV-2 que não terá sintomas da doença durante todo o período da infecção.  

Pré-sintomáticos

Indivíduo infectado com SARS-CoV-2 que não exibiu sintomas até o momento da testagem, mas que terá sintoma(s) da COVID-19 em algum momento durante o período de infecção. 

Sintomáticos

Indivíduo infectado com SARS-CoV-2 que tem sintomas no momento da testagem.

 

TIPOS DE TESTES PARA COVID-19.

Teste de Anticorpo

O que detecta: anticorpos IgA, IgM e IgG que o corpo produz para combater o SARS-CoV-2

– Para que serve: para saber se a pessoa já teve a doença no passado e para estudos epidemiológicos populacionais

Teste de Antígeno

– O que detecta: fragmentos do SARS-CoV-2, como as proteínas da cápsula viral

– Para que serve: pode detectar o vírus no organismo já no início da infecção, mas a baixa sensibilidade e especificidade da maioria dos testes disponíveis no mercado têm limitado a sua utilização

Testes Moleculares

– O que detecta: segmentos específicos do genoma do SARS-CoV-2 

– Tipos de Testes moleculares: RT-PCR (Reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa), RT-LAMP (amplificação isotérmica mediada  por loop  com  transcriptase  reversa) e Sequenciamento

– Para que serve? Identifica a doença já nos primeiros dias após o início da infecção (fase ativa), sendo fundamentais para o isolamento precoce dos infectados.

 


Referências

1) Seyed M. et al.The implications of silent transmission for the control of COVID-19 outbreaks. Proceedings of the National Academy of Sciences Jul 2020, 117 (30) 17513-17515. 

2) Paltiel AD, Zheng A, Walensky RP. Assessment of SARS-CoV-2 Screening Strategies to Permit the Safe Reopening of College Campuses in the United States. JAMA Netw Open. 2020;3(7):e2016818.

3) Larremore DB, Wilder B, Lester E, et al. Test sensitivity is secondary to frequency and turnaround time for COVID-19 surveillance. Preprint. medRxiv. 2020;2020.06.22.20136309

4) Lennon, NJ et al. Comparison of viral levels in individuals with or without symptoms at time of COVID-19 testing among 32,480 residents and staff of nursing homes and assisted living facilities in Massachusetts.

5) Watson J, Whiting PF, Brush JE. Interpreting a covid-19 test result. BMJ. 2020;369:m1808, 2020.

6) Lamb LE, Bartolone SN, Ward E, Chancellor MB. Rapid detection of novel coronavirus/Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 (SARS-CoV-2) by reverse transcription-loop-mediated isothermal amplification. PLoS One. 2020;15(6):e0234682. 

7) Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/lab/resources/antibody-tests-guidelines.html. Acessado em 15/07/2020. 

 

ENTENDA AS DIFERENÇAS ENTRE OS TESTES PARA O NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19)

ENTENDA AS DIFERENÇAS ENTRE OS TESTES PARA O NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19)

VOCÊ SABE AS DIFERENÇAS ENTRE OS TESTES DO COVID-19?

Na China, em dezembro de 2019, foram identificados vários casos de pneumonia de causa desconhecida, relacionados a um mercado de frutos-do-mar na cidade de Wuhan. Essa nova doença causada por um coronavírus, SARS-CoV-2,  recebeu o nome COVID-19. 

Apenas algumas semanas após a identificação do primeiro caso da COVID-19,  vários tipos de testes foram desenvolvidos e disponibilizados por laboratórios de todo o mundo (1). 

Entenda mais sobre os testes para o novo coronavírus (COVID-19) e conheça o novo teste molecular  #PARECOVID,  que está solucionando os obstáculos da testagem no Brasil.

 

1. TESTES DE ANTICORPO

Os testes de anticorpo, popularmente conhecidos como “sorológicos”, analisam a resposta do organismo a um agente infeccioso, e nesse caso, identificam anticorpos IgA, IgM e IgG que o corpo produz para combater o SARS-CoV-2

Devido ao tempo que o corpo demora para produzir anticorpos contra uma infecção (janela imunológica), os testes para COVID-19 conseguem detectar anticorpos entre uma a três semanas após o início dos sintomas, mas esse tempo pode variar (2).

Os testes de anticorpos não detectam a doença no início da infecção (fase aguda), portanto, não é recomendado o seu uso para diagnóstico (2).  

Esses testes servem, principalmente, para saber se o paciente já teve a doença no passado e para estudos epidemiológicos populacionais. Até o momento não há evidências do tempo em que anticorpos para o SARS-CoV-2 persistem no organismo após a infecção.

 

2. TESTES DE ANTÍGENOS

Os testes de antígenos identificam fragmentos do vírus, como as proteínas da cápsula viral, no organismo do paciente.

Embora este teste possa detectar o vírus no organismo já no início da infecção, a baixa sensibilidade e especificidade da maioria dos testes disponíveis no mercado tem limitado a sua utilização (3).

 

3. TESTES MOLECULARES

Os testes moleculares ficaram conhecidos popularmente como testes de “PCR”.

O “PCR” (reação em cadeia de polimerase) é uma técnica de biologia molecular capaz de produzir milhares ou até milhões de cópias de um segmento de DNA ou RNA, em um processo conhecido como amplificação

Embora existam importantes diferenças, a depender da técnica utilizada (RT-LAMP, RT-PCR, Sequenciamento), os testes moleculares identificam segmentos específicos do genoma do vírus SARS-CoV-2 na amostra do paciente infectado, através de diferentes estratégias de amplificação.  

Estes testes informam se o indivíduo está com a doença já nos primeiros dias após o início da infecção (fase aguda da doença), sendo fundamentais para o isolamento precoce dos infectados. 

Por outro lado, o teste molecular não é capaz de identificar se a pessoa já teve a doença no passado, já que a sensibilidade é reduzida após a fase de infecção aguda devido à diminuição do vírus e do seu RNA no organismo.

 

TESTE DE RT-PCR

O teste molecular mais utilizado no mundo é o RT-PCR (Reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa) (3). 

Após o RNA do vírus ser transformado em DNA, processo conhecido como transcrição reversa (RT), sequências específicas do vírus são amplificadas. Caso haja, de fato, RNA do SARS-CoV-2 na amostra, sondas irão detectar a sua presença e emitir um sinal de resultado positivo. 

Apesar de ser um teste sensível e específico, problemas de falta de suprimento de reagentes, devido a enorme demanda mundial, e da quantidade insuficientes de equipamento de PCR em tempo real no Brasil, inviabilizaram desde o início da pandemia a aplicação desse tipo de teste em larga escala e a entrega de resultado em prazos curtos. Por isso, há um importante obstáculo para testagem de COVID-19 por RT-PCR.

Outro grande problema é que RT-PCR é feito a partir da coleta de swab nasofaríngeo, no qual um cotonete é introduzido na garganta ou no nariz do paciente. 

Além do desconforto que a coleta causa nos pacientes, há também o risco de contaminação para os profissionais de saúde. Os kits de coleta de swab também estão em falta no mercado, o que tem contribuído para a limitação da capacidade de testagem no Brasil.

 

TESTE DE SEQUENCIAMENTO 

Em janeiro de 2020 foi publicado o primeiro estudo de sequenciamento do genoma do vírus. O estudo mostrou que a COVID-19 era causada por um vírus de RNA de fita única, com um tamanho de genoma de 29.903 bases (por comparação, o genoma humano tem 3 bilhões de bases) e que pertencia a família dos coronavírus (CoV) (7;8). 

Desde então vários pesquisadores ao redor do mundo conduzem estudos que analisam o genoma do vírus, utilizando principalmente estratégias de sequenciamento (Sanger, Sequenciamento de Nova Geração e Nanopore). 

Até o momento, no mundo todo, já foram sequenciados mais de 66.000 genomas de SARS-CoV-2 e os dados são disponibilizados nos bancos de dados públicos, como o Global Initiative on Sharing All Influenza Data (GISAID) (9).

Os dados serão fundamentais para compreendermos a origem do vírus, identificar novas mutações em seu genoma, e também para o desenvolvimento de vacinas e prevenção de novas pandemias.

Assim como testes de RT-PCR e RT-LAMP, um teste de sequenciamento do vírus pode identificar pessoas infectadas logo no início da infecção. Mas até o momento essa estratégia vem sendo pouco utilizada pelos laboratórios clínicos devido, principalmente, ao alto custo desse tipo de testagem.

 

TESTE DE RT-LAMP  (#PARECOVID)

O RT-LAMP (amplificação isotérmica mediada  por  loop  com  transcriptase  reversa), é uma técnica molecular já amplamente utilizada para o diagnóstico de várias doenças infecciosas como Dengue, Chikungunya, Hepatite A e Zika (4;5). 

Em junho a Mendelics disponibilizou um teste de RT-LAMP específico para COVID-19. O teste recebeu o nome de #PARECOVID (6).

Assim como o RT-PCR, o RT-LAMP, inclui uma etapa de transcrição reversa (RT), na qual o RNA é transformado em DNA. Em seguida, regiões específicas do vírus são amplificadas milhares de vezes, em temperatura fixa, por cerca de uma hora.

O teste de RT-LAMP, que tem especificidade superior a 99% e sensibilidade equivalente ao RT-PCR, de acordo com os dados de validação feito em parceria com o hospital Sírio-Libanês, é realizado diretamente na saliva do paciente. O tempo máximo de entrega dos resultados são 24 horas

Além do protocolo ser mais simples e rápido do que o RT-PCR, o RT-LAMP não requer o uso de aparelhos laboratoriais complexos, como termociclador em tempo real ou de reagentes em falta na pandemia. 

O #PARECOVID é o teste molecular com a maior capacidade de testagem desenvolvido até o momento no Brasil.  Lançado há poucas semanas, o #PARECOVID já vem sendo utilizado por muitas empresas em seus planos de retorno seguro ao trabalho. Por enquanto, o teste é disponibilizado apenas para empresas.

 

Tipos de Testes para o novo coronavírus COVID-19 antigeno anticorpo sequenciamento RT LAMP

(clique na imagem para ampliar)

 

Quer saber mais? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou acesse a página #PARECOVID em nosso site.

Referências:

(1) Acurácia dos testes diagnósticos registrados na ANVISA para a COVID-19. Maio/2020. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovação em Saúde – DGITIS/SCTIE

(2) Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/lab/resources/antibody-tests-guidelines.html. Acessado em 15/07/2020. 

(3) NOTA TÉCNICA COVID-19 N° 06/2020 – GEVS/SESA/ES. Avaliação técnica e aplicabilidade dos testes diagnósticos laboratoriais para COVID – 19.

(4) Notomi T et al. Loop-mediated isothermal amplification of DNA. Nucleic Acids Res. 2000;28(12):E63.

(5) Wang X, Yin F, Bi Y, et al. Rapid and sensitive detection of Zika virus by reverse transcription loop-mediated isothermal amplification. J Virol Methods. 2016;238:86‐93.4

(6) #PARECOVID. Disponível: https://www.mendelics.com/parecovid/

(7) Wu, F. et al. A new coronavirus associated with human respiratory disease in China. Nature 579, 265–269 (2020). 

(8) Zhu N, et al. A Novel Coronavirus from Patients with Pneumonia in China, 2019. N Engl J Med. 2020;382(8):727-733. doi:10.1056/NEJMoa2001017

(9) Disponível em https://www.gisaid.org/. Acessado em 16/07.

ENTENDA AS DIFERENÇAS ENTRE OS TESTES PARA O NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19)

Variações genéticas, sistema ABO e COVID-19

Variações no nosso DNA nos tornam mais susceptíveis à infecção pelo SARS-COV-2?

Estudo sugere potencial associação entre grupo sanguíneo ABO e gravidade de COVID-19

Um dos maiores desafios na atual epidemia de COVID-19 é compreender a grande variabilidade de sintomas associados a infecção por SARS-CoV-2, o vírus que causa a doença. Embora, a maioria das pessoas permaneça assintomática ou desenvolva apenas sintomas leves ou moderados, 4.9% a 11.5% dos infectados  podem ter formas graves e/ou letais da doença (1). 

Há muito tempo já sabemos que a susceptibilidade a patógenos pode ser influenciada por variações no nosso DNA. O melhor exemplo é a mutação “delta-32” no gene CCR5 que confere, a seus portadores, resistência ao HIV quando presente em duas cópias. Pesquisadores do mundo todo se perguntam se situação similar pode ocorrer com a COVID-19

Desde o início da pandemia vários pesquisadores ao redor do mundo conduzem estudos que analisam o DNA de pacientes que foram infectados com o vírus para identificar fatores genéticos que possam explicar a susceptibilidade a infecção e a gravidade da doença. Essas descobertas serão importantes para identificar pacientes com maior ou menor risco, e também podem contribuir para tratamentos mais eficientes e desenvolvimento de vacinas. 

 

Você conhece a COVID-19 Host Genetics Initiative?

 

Nesse contexto a colaboração internacional é fundamental. Um exemplo é o COVID-19 Host Genetics Initiative, um grande esforço de pesquisadores do mundo todo que compartilham resultados de estudos de análises genéticas de pacientes infectados por COVID-19 (2). Os resultados são disponibilizados no site da iniciativa e podem ser acessados por toda a comunidade científica (3). 

No início da pandemia especulava-se que existia relação entre variantes no gene ACE2 e a susceptibilidade à doença. O SARS-CoV-2 usa o receptor de ACE2 para entrar nas células do hospedeiro. Mas até o momento não há dados que confirmem qualquer associação com ACE2. Por outro lado, estudos  sugerem uma possível associação da doença com grupo sanguíneo ABO e outras regiões do nosso genoma. 

 

Estudo sugere potencial associação entre grupo sanguíneo ABO e gravidade de COVID-19

 

Um estudo genético publicado no mês de junho no New England Journal of Medicine (NEJM) sugere um potencial envolvimento do sistema de grupos sanguíneos ABO na COVID-19 (4). Nesse estudo, cientistas usaram uma estratégia chamada GWAS (genome wide association study) para analisar regiões específicas do genoma de 1980 pacientes com COVID-19 e compará-las com o genoma de pessoas saudáveis (grupo controle).

Os pacientes com COVID-19 apresentavam quadros respiratórios graves e estavam internados em hospitais italianos e espanhóis. Os resultados do estudo sugerem uma possível associação entre o grupo sanguíneo A e maior risco de desenvolver quadros mais graves da doença. Os resultados também sugerem um possível efeito protetor do grupo O em comparação aos outros grupos sanguíneos. Outro estudo chinês publicado anteriormente também havia identificado uma possível relação entre grupo ABO e COVID-19 (5).

É importante ressaltar que o artigo do NEJM é apenas um estudo preliminar e que mais estudos com um número maior de pacientes precisam ser publicados para confirmar uma possível associação entre grupos sanguíneos e risco de formas mais graves de COVID-19. 

O estudo também identificou uma segunda região do genoma, no cromossomo 3 (3p21.31), que também parece estar associada a quadros graves da doença e que já tinha sido previamente identificada também no COVID-19 Host Genetics Initiative. Seis genes estão localizados nessa região: SLC6A20, LZTFL1, CCR9, FYCO1, CXCR6 e XCR1. 

Este estudo do NEJM não identificou associação com complexo HLA, região do genoma importante para outras infecções virais. 

Referências

(1) Severe Outcomes Among Patients with Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) — United States, February 12–March 16, 2020. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2020;69:343-346

(2) COVID-19 Host Genetics Initiative. The COVID-19 Host Genetics Initiative, a global initiative to elucidate the role of host genetic factors in susceptibility and severity of the SARS-CoV-2 virus pandemic. Eur J Hum Genet 2020;28:715-718

(3)  https://www.covid19hg.org/

(4) Ellinghaus D, Degenhardt F, Bujanda L, et al. Genomewide Association Study of Severe Covid-19 with Respiratory Failure. N Engl J Med. 2020.

(5) Wu Y, Feng Z, Li P, Yu Q. Relationship between ABO blood group distribution and clinical characteristics in patients with COVID-19. Clin Chim Acta. 2020;509:220-223.