Um ano de pandemia da COVID-19: O que aprendemos?

Um ano de pandemia da COVID-19: O que aprendemos?

Tópicos

1. Um ano de pandemia 
2. Um breve histórico da doença 
3. O que aprendemos?
   - Isolamento social
   - Uso de Máscaras
   - Vacinação
   - Novas variantes
   - Testagem em massa
   - Porcentagem de testes positivos para COVID-19 
   - Novas variantes x sensibilidade dos testes
4. Esperança

 

Um ano de pandemia 

Há um ano, em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarava que a COVID-19 era uma pandemia. Na mesma semana, o Brasil registrou a primeira morte pela doença e, após um ano, superamos a marca de mais de 3 mil mortes diárias (1).

Muitos estudos sobre o novo coronavírus foram realizados desde então e mais de 100 vacinas começaram a ser desenvolvidas, sendo algumas já aprovadas e em uso em diversos países.

Simultaneamente ao desenvolvimento das vacinas, novas variantes do Sars-Cov-2 surgiram, desafiando ainda mais o controle da pandemia e o nosso entendimento sobre a doença.

Hoje, o Brasil é o segundo país do mundo com mais casos e com mais mortes registradas, atrás apenas dos Estados Unidos (2). A esperança mundial está depositada sobre as vacinas, com a expectativa para um retorno ao ‘novo normal’.

 

Um breve histórico da doença

Ilustração Blog Mendelics – Timeline Covid-19

 

O que aprendemos?

A importância da testagem em massa, vacinação, uso de máscara e isolamento social

 

Isolamento social

A importância e eficácia do isolamento social no país pode ser facilmente demonstrada com a experiência de Araraquara (SP) e no Estado do Amazonas, onde houve um aumento de casos repentino, que em poucos dias causou lotação dos hospitais e a taxa de ocupação dos leitos de UTI chegou a 100%, falta de insumos, como oxigênio, e recorde de mortes. 

A prefeitura de Araraquara e o governo do Amazonas decretaram um lockdown rigoroso e após uma semana de confinamento da população geral, tanto a taxa de transmissão quanto a média móvel de casos reduziram (11).

No mundo, países como a Nova Zelândia, Austrália e Coreia do Sul adotaram o lockdown desde o início e conseguiram controlar a dispersão do vírus (2).

 

Uso de Máscaras

No primeiro semestre de 2020 ainda não estava claro a real importância do uso de máscaras. A efetividade do uso das máscaras no controle da COVID-19 foi se mostrando à medida que também compreendemos (e foi comprovado cientificamente) que pessoas assintomáticas e pré-sintomáticas são fortes disseminadores do vírus (5, 7). 

A OMS e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos publicaram no último mês (fevereiro de 2021) uma série de recomendações sobre o uso de máscaras, que incluem evidências científicas e vídeos explicativos (5, 12).

 

Vacinação

Em menos de 12 meses após o início da pandemia de COVID-19, vários centros de pesquisa enfrentaram o desafio e desenvolveram vacinas (8).

Agora, o desafio é disponibilizar essas vacinas para pessoas em todo o mundo. 

No Brasil, a vacinação começou logo após a aprovação do uso emergencial da Anvisa (10) e até o momento, cerca de 9% da população recebeu ao menos 1 dose (13). Por enquanto, duas vacinas foram aprovadas para uso emergencial e estão sendo aplicadas: a CoronaVac da Sinovac com o Instituto Butantan e a vacina desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) (10).

Recentemente, a Anvisa aprovou o pedido de registro da vacina da Pfizer/BioNTech. (10) 

Saiba mais sobre as vacinas aqui.

 

Novas variantes

Mutações em vírus acontecem o tempo todo. Quanto mais pessoas infectadas, mais variantes aparecem. O SARS-CoV-2 acumula cerca de 2 mutações por mês, mas a maioria das novas linhagens não tem impacto real na pandemia (14). 

Porém, no final de 2020, novas linhagens foram encontradas no Reino Unido (B.1.1.7) e na África do Sul (B.1.351) e mostraram ter um impacto significativo (14).

No Brasil, a linhagem SARS-CoV-2 B.1.1.28 está circulando desde fevereiro de 2020 sem grande relevância epidemiológica. Em janeiro de 2021, pesquisadores brasileiros identificaram subgrupos da B.1.1.28 com mutações na proteína S comum àquelas detectadas no Reino Unido e na África do Sul (15, 16).

Atualmente, há pelo menos três variantes que surgiram no Brasil e chamam a atenção: O subgrupo P.1, detectado pela primeira vez em viajantes japoneses retornando do Amazonas; o subgrupo P.2, detectado pela primeira vez no Rio de Janeiro; e a recentemente identificada, N9: todas possuem potenciais mutações na proteína S, a espícula viral que viabiliza a entrada do vírus na célula (15, 16). 

O surgimento de novas variantes classificadas como ‘variantes de preocupação (VOC: Variant of Concern) – variantes que demonstram ser mais  transmissíveis, causarem a COVID-19 mais grave e reduzirem a ação do sistema imune pós-infecção e/ou vacinação, colocaram o Brasil no foco mundial de controle da pandemia (14-17). 

 

Testagem em massa

Ainda no início em 2020, a testagem em massa se mostrava como um possível caminho para o retorno seguro de escolas e empresas. Alguns estudos demonstraram que testes realizados frequentemente em curtos intervalos de tempo e com rapidez na entrega dos resultados ajudariam a identificar assintomáticos e pré-sintomáticos, sendo uma estratégia para reduzir a transmissão da doença e impedir o surgimento de novos surtos (18, 19). 

Com a missão de democratizar o acesso a testes para COVID-19 para todos que necessitam, em junho de 2020, a Mendelics lançou um teste molecular de desenvolvimento próprio chamado #PARECOVID. Através da técnica de RT-LAMP, o teste mostra se a pessoa está infectada pela identificação do RNA do vírus SARS-CoV-2 na saliva (6, 9). 

O #PARECOVID é o teste molecular mais acessível, com qualidade comparável ao RT-PCR, lançado no Brasil até o momento, com capacidade de testagem diária de até 110.000 amostras, e resultados disponibilizados em até 24 horas (6). 

Um recente estudo comparativo publicado na revista científica Lancet Public Health (20) demonstrou que programas de testagem de SARS-CoV-2 mais frequentes e rápidos em comunidades, juntamente ao isolamento de indivíduos positivos, é essencial para mitigar a pandemia de COVID-19.

 

Tabela de porcentagem de testes positivos para COVID-19 semana a semana desde o início da testagem 

Em meados de agosto de 2020, o Brasil iniciou o processo de afrouxamento das medidas de isolamento social, iniciadas em março, quando o número de casos da COVID-19 passou a aumentar exponencialmente

Em outubro, a porcentagem de testes positivos tinha reduzido drasticamente, chegando a uma marca de 1%. Em novembro, após alguns feriados nacionais, essa porcentagem voltou a subir.

Em março de 2021, chegamos ao pior cenário da pandemia: mais de 84 mil casos e quase 4 mil mortes por dia. A taxa de resultados positivos semanal no laboratório chegou ao pico de 5%, refletindo a situação de todo o Estado de São Paulo, que chegou ao colapso nos hospitais. Com isso, o governo decretou medidas mais restritivas em todo o estado de São Paulo e, na última semana, começamos a ver uma queda nos números.

covid semana

Fonte: Dados próprios da Mendelics com base nos testes de #PARECOVID realizados frequentemente em empresas no Brasil, com maior concentração no Estado de São Paulo.

 

Novas variantes x sensibilidade dos testes

Recentemente, o FDA (Food and Drugs Administration) publicou um documento intitulado “Genetic Variants of SARS-CoV-2 May Lead to False Negative Results with Molecular Tests for Detection of SARS-CoV-2 – Letter to Clinical Laboratory Staff and Health Care Providers” (21) onde alerta sobre a capacidade das variantes novas escaparem da detecção dos testes de RT-PCR. No documento, o FDA lista três kits de testes de RT-PCR de grandes fabricantes que demonstraram este risco, dois destes muito usados por grandes laboratórios no Brasil. 

Para contornar esse problema, a Mendelics realizou um estudo aprofundado dos alvos moleculares utilizados na detecção do coronavírus e confirmou que as 3 variantes mais perigosas (B.1.1.7, B.1.351 e P.1 – Inglaterra, África do Sul e Manaus) são detectadas pelo teste #PARECOVID, sem prejuízos à especificidade/sensibilidade do teste.

 

Esperança

Após um ano de pandemia, entendemos que métodos de testagem escaláveis e econômicos, como o #PARECOVID, são uma ferramenta essencial para controlar a disseminação de SARS-CoV-2, aliado aos cuidados básicos de higiene, uso de máscaras e distanciamento social estamos atuando no controle da disseminação do vírus e impedindo novos surtos da COVID-19. 

A esperança para esse novo ano de enfrentamento da pandemia está aliado à vacinação da população.

Proteja a sua saúde e a da sua família.

 


Referências

  1. OMS declara pandemia de coronavirus 
  2. Coronavirus World Map
  3. COVID-19 no Brasil
  4. Sequenciamento do vírus no Brasil em 48h
  5. OMS indica o uso de máscaras
  6. Asprino et al. A Scalable Saliva-based, Extraction-free RT-LAMP Protocol for SARS-Cov-2 Diagnosis, https://doi.org/10.1101/2020.10.27.20220541
  7. Seyed M. et al.The implications of silent transmission for the control of COVID-19 outbreaks. Proceedings of the National Academy of Sciences Jul 2020, 117 (30) 17513-17515. 
  8. Vaccine Tracker 
  9. https://blog.mendelics.com.br/abertura-de-protocolo-do-parecovid-rt-lamp/
  10. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/paf/coronavirus/vacinas
  11. https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lockdown-medidas-restritivas-casos-covid-19-resultados-amazonas-araraquara/
  12. Guidance for Wearing Masks 
  13. https://especiais.g1.globo.com/bemestar/vacina/2021/mapa-brasil-vacina-covid/
  14. SARS-CoV-2 Variant Classifications and Definitions 
  15. Felipe Naveca, Valdinete Nascimento, Victor Souza et al. COVID-19 epidemic in the Brazilian state of Amazonas was driven by long-term persistence of endemic SARS-CoV-2 lineages and the recent emergence of the new Variant of Concern P.1, 25 February 2021, PREPRINT (Version 1) available at Research Square [https://doi.org/10.21203/rs.3.rs-275494/v1]
  16. Faria NR, et al. Genomics and epidemiology of a novel SARS-CoV-2 lineage in Manaus, Brazil. medRxiv [Preprint]. 2021 Mar 3:2021.02.26.21252554. doi: 10.1101/2021.02.26.21252554. 
  17. https://saude.abril.com.br/medicina/brasil-um-possivel-celeiro-de-novas-variantes-do-coronavirus/
  18.  Paltiel AD, Zheng A, Walensky RP. Assessment of SARS-CoV-2 Screening Strategies to Permit the Safe Reopening of College Campuses in the United States. JAMA Netw Open. 2020;3(7):e2016818.
  19. Larremore DB, Wilder B, Lester E, et al. Test sensitivity is secondary to frequency and turnaround time for COVID-19 surveillance. Preprint. medRxiv. 2020;2020.06.22.20136309
  20. Du Z, Pandey A, et al. Comparative cost-effectiveness of SARS-CoV-2 testing strategies in the USA: a modelling study. Lancet Public Health. 2021 Mar;6(3):e184-e191. doi: 10.1016/S2468-2667(21)00002-5.
  21. Genetic Variants of SARS-CoV-2 May Lead to False Negative Results with Molecular Tests for Detection of SARS-CoV-2 – Letter to Clinical Laboratory Staff and Health Care Providers 
A genética pode explicar os casos graves da COVID-19?

A genética pode explicar os casos graves da COVID-19?

Mecanismo genético para a gravidade da COVID-19

COVID-19: Por que algumas pessoas possuem sintomas leves ou até mesmo não apresentam sintomas, enquanto outras evoluem com sintomas graves que levam a morte?

Existe um mecanismo genético que explica essa diferença da gravidade da COVID-19? Essa foi a pergunta que pesquisadores de vários institutos de pesquisa ao redor do mundo fizeram.

No dia 11 de dezembro, o manuscrito do artigo científico “Genetic mechanisms of critical illness in Covid-19” – Mecanismo genético da doença grave na COVID-19, foi publicado antecipadamente na Nature, uma das revistas científicas mais relevantes do mundo (1).

No estudo, 2244 pacientes com sintomas graves da COVID-19 foram analisados por uma técnica de genética chamada GWAS (Genome-Wide Association Studies). O GWAS consiste em analisar o genoma de um grupo de pessoas saudáveis e comparar com o genoma de um grupo de pessoas com alguma doença, com o objetivo de encontrar uma alteração (ou mais) genética associada à doença. Ou seja, nesse estudo, os pesquisadores buscavam marcadores genéticos associados aos casos graves de COVID-19. O grupo controle (sem a doença), foi obtido do banco de dados genômico do Reino Unido.

Os pesquisadores fizeram uma série de análises de correlação e desconsideraram fatores que causariam viés, como pessoas do grupo controle que testaram positivo para COVID-19. As análises foram replicadas em dados de outros estudos populacionais.

 

Resultados do estudo

O estudo encontrou uma associação entre baixa expressão do gene IFNAR2 e alta expressão do gene TYK2 com os casos graves. Com isso, os resultados apontaram para, pelo menos, dois mecanismos biológicos para doença grave em COVID-19: sistema imune inato, importante para a resposta imune imediata no início da infecção; e lesão pulmonar inflamatória causada pelo hospedeiro, que é um mecanismo chave da COVID-19 tardia, com risco de vida. 

 

gene IFNAR2 

O estudo demonstrou o que outros estudos já haviam observado: mutações (de perda de função) no IFNAR2 estão associadas a COVID-19 grave e a muitas outras doenças virais, como o Influenza. O gene IFNAR2 codifica uma proteína que atua como receptor de interferons alfa e beta. Os interferons são proteínas sinalizadoras que são liberadas por algumas células do sistema imune para atuar no combate a infecções virais e de outros microorganismos e também estimulam a liberação de outras células de defesa. São essenciais para a resposta inicial (imunidade inata) do hospedeiro à infecção viral. Por isso, a baixa expressão de IFNAR2 pode deixar o organismo mais suscetível ao Sars-Cov-2.

O estudo traz evidência de que o IFNAR2 pode ter um papel protetor para COVID-19 grave e sugere a administração de interferon como tratamento para reduzir a probabilidade de sintomas graves. Contudo, o estudo não conseguiu observar o melhor momento para que esse tratamento possa ser eficaz.

 

gene TYK2

O TYK2 codifica uma proteína que faz parte de uma importante família de proteínas chamadas Janus quinases (JAKs). As JAKs possuem um papel essencial no processo inflamatório e atuam na sinalização intracelular, além de também participarem da via de sinalização dos interferons. Em outras palavras, as JAKs são importantes para que as células entendam que há um processo inflamatório no organismo que precisa ser combatido. O excesso de atividade das JAKs está associado a várias doenças reumatológicas. Por isso, medicamentos anti-inflamatórios que reduzem a atividade dessa família de proteínas já existem e estão disponíveis. 

O artigo levanta o uso do Baricitinib, medicamento anti-inflamatório usado para tratar a artrite reumatóide, que inibe a proteína codificada pelo gene TYK2. Em um outro estudo publicado em 11 de dezembro no The New England Journal of Medicine, o Baricitinib demonstrou resultados promissores no tratamento de COVID-19 quando combinado com um medicamento antiviral chamado remdesivir (2).

Além do TYK2 e IFNAR2, o estudo também apontou para outros 3 genes: OAS, DPP9 e CCR2.

De modo geral, os resultados do estudo demonstraram importantes marcadores genéticos associados a forma grave da COVID-19 apontando os mecanismos por trás da doença. Ambos os mecanismos podem responder bem ao tratamento direcionado com medicamentos já existentes. Os autores, por fim, sugerem que ensaios clínicos sejam realizados antes de qualquer mudança na prática clínica.

 

Observações:

  • Em meados de  2020, estudos apontaram que o locus do grupo sanguíneo ABO estava associado a gravidade da COVID-19, contudo, nesse estudo atual, essa região genômica não foi significativa. Os autores sugerem que essa região pode estar associada à suscetibilidade a COVID-19, mas não a manifestação grave da doença. 
  • Esse é um estudo preliminar, publicado com urgência devido a pandemia de COVID-19. Os autores reforçam a necessidade de outros estudos para aprofundar os achados.

 


Referências

  1. Pairo-Castineira, E., Clohisey, S., Klaric, L. et al. Genetic mechanisms of critical illness in Covid-19. Nature (2020). https://doi.org/10.1038/s41586-020-03065-y
  2. Kalil AC, Patterson TF, Mehta AK, Tomashek KM, Wolfe CR, Ghazaryan V, Marconi VC, Ruiz-Palacios GM, Hsieh L, Kline S, Tapson V, Iovine NM, Jain MK, Sweeney DA, El Sahly HM, Branche AR, Regalado Pineda J, Lye DC, Sandkovsky U, Luetkemeyer AF, Cohen SH, Finberg RW, Jackson PEH, Taiwo B, Paules CI, Arguinchona H, Goepfert P, Ahuja N, Frank M, Oh MD, Kim ES, Tan SY, Mularski RA, Nielsen H, Ponce PO, Taylor BS, Larson L, Rouphael NG, Saklawi Y, Cantos VD, Ko ER, Engemann JJ, Amin AN, Watanabe M, Billings J, Elie MC, Davey RT, Burgess TH, Ferreira J, Green M, Makowski M, Cardoso A, de Bono S, Bonnett T, Proschan M, Deye GA, Dempsey W, Nayak SU, Dodd LE, Beigel JH; ACTT-2 Study Group Members. Baricitinib plus Remdesivir for Hospitalized Adults with Covid-19. N Engl J Med. 2020 Dec 11:NEJMoa2031994. doi: 10.1056/NEJMoa2031994. Epub ahead of print. PMID: 33306283; PMCID: PMC7745180.
A importância da saliva para a COVID-19

A importância da saliva para a COVID-19

Carga viral na saliva e COVID-19

De acordo com novos estudos, testes de SARS-CoV-2 na saliva são mais sensíveis e baratos dos que os testes em amostras de nasofaringe e, além disso, também podem indicar como a doença de um paciente com coronavírus irá se desenvolver. 

Teste para COVID-19

Desde o início da pandemia do SARS-CoV-2, estudos científicos demonstraram que a testar continuamente a população era a melhor forma de garantir o retorno seguro das atividades. A testagem em massa identifica assintomáticos e pré-sintomáticos e é a melhor estratégia para reduzir a transmissão da COVID-19 e impedir novos surtos.

A maioria dos testes diagnósticos de COVID-19, como o RT-PCR, são feitos a partir da coleta de swab nasofaríngeo, no qual um cotonete é introduzido na garganta ou no nariz do paciente. 

Esse tipo de coleta causa desconforto nos pacientes e aumenta o risco de contaminação dos profissionais de saúde.

No início de 2020 houve uma enorme demanda mundial de testagem, o que causou a escassez do kit de coleta de swab em todo o mercado. A falta de insumos para os testes de RT-PCR por swab nasofaríngeo também contribuíram para a limitação da capacidade de testagem no Brasil.

Concomitantemente, se tornou crescente o desenvolvimento de testes de detecção do SARS-CoV-2 pela saliva. A Mendelics desenvolveu, em maio de 2020, o primeiro teste em amostra de saliva do Brasil, o #PARECOVID

O teste na saliva é mais sensível e custa menos 

A escolha da saliva foi embasada por artigos que demonstraram que a saliva é tão eficaz e sensível quanto amostras nasofaríngeas para identificar o SARS-CoV-2. 

Muitos estudos já apontaram os benefícios do teste na saliva. Recentemente, em janeiro de 2021, uma revisão sistemática e meta-análise realizada por pesquisadores da universidade de McGill, no Canadá, concluiu que testes com saliva são tão eficazes quanto com swab nasal. O grupo incluiu na pesquisa 37 estudos que incluíam ≥5 amostras pareadas de swab nasofaríngeo e saliva (1). 

Além disso, os pesquisadores analisaram os custos associados aos dois tipos de coleta (swabs, meios de transporte, recipientes e equipamentos de proteção individual). O resultado demonstrou que, além do teste na saliva ser mais sensível, também custa menos do que o teste que utiliza swab nasofaríngeo (1).

 

A saliva pode indicar gravidade da COVID-19

Desde o início da pandemia de COVID-19, um dos maiores desafios para médicos, cientistas e especialistas da área é compreender a grande variabilidade de sintomas associados à infecção por SARS-CoV-2, e identificar uma correlação clínica que explique os casos graves e a mortalidade.

Nesse ínterim, variantes genéticas em genes do sistema de grupos sanguíneos ABO e em genes associados à resposta imune inata e aos processos inflamatórios foram associadas aos casos mais graves de COVID-19. 

Outros estudos analisaram a carga viral em amostras corporais, como: nasofaringe, expectoração, saliva, plasma, urina e fezes de modo a identificar uma correlação com o desfecho clínico em cada caso. Alguns desses estudos, observaram associação entre a carga viral nasofaríngea e aspectos específicos da COVID-19. 

Na tentativa de identificar um fator clínico capaz de distinguir casos leves e graves da COVID-19, cientistas da Universidade de Yale e colaboradores buscaram possíveis associações entre a carga viral na saliva e parâmetros importantes da doença (4).

Na pesquisa científica descrita no artigo publicado na medRxiv em janeiro “Saliva viral load is a dynamic unifying correlate of COVID-19 severity and mortality”, os pesquisadores analisaram a carga viral de amostras de saliva e da nasofaringe ao longo do tempo e as correlacionaram com dados demográficos do paciente e com alguns aspectos biológicos (2). 

 

A carga viral na saliva é uma importante medida clínica

Foram incluídos no estudo, 172 pessoas com COVID-19 classificadas conforme gravidade dos sintomas, incluindo um grupo de pessoas não-hospitalizadas (109), com a doença moderada  (81), grave (42) e fatal (23 pessoas morreram durante o estudo). Como grupo controle foram incluídos 108 profissionais da saúde não infectados.

Os resultados do estudo demonstraram que a carga viral da nasofaringe não é equivalente à saliva em processos de doença na COVID-19 e que a carga viral medida pela saliva está associada a forma de apresentação da COVID-19, sua gravidade e sua mortalidade ao longo do tempo.

Os cientistas observaram que a carga viral da saliva estava significativamente maior em pacientes com fatores de risco para COVID-19, como hipertensão e doença pulmonar crônica, e que se correlacionava com níveis crescentes de gravidade da doença demonstrando ser um bom preditor de morbidade ao longo do tempo.

Ao analisar aspectos biológicos mais específicos, como fatores imunológicos e celulares, os cientistas observaram preditores de alta e baixa carga viral na saliva, que estão associados com aumento da gravidade da doença ou com melhores desfechos. 

Esses preditores são, por exemplo, marcadores de inflamação já bem conhecidos, como as interleucinas (IL-6, IL-18, IL-10 e CXCL10). No estudo, essas interleucinas se mostraram positivamente associadas a carga viral na saliva. Isto é, quanto mais vírus na saliva, mais inflamação. 

Outros preditores observados foram as plaquetas, linfócitos e alguns subconjuntos de células T, que diminuem progressivamente à medida que a carga viral aumenta, demonstrando um papel fundamental na resposta humoral contra a replicação do vírus.

O artigo também descreveu uma correlação negativa entre carga viral e anticorpos IgG. Pacientes com COVID-19 fatal exibiram cargas virais mais elevadas, que se correlacionaram com a diminuição da quantidade de um subgrupo de células T e produção mais baixa de níveis de alguns tipos de anticorpos IgG (anti-proteína Spike (S) e anti-domínio de ligação ao receptor (RBD)).

De modo geral, o artigo revela um importante papel da carga viral da saliva como uma medida clínica de gravidade da doença e mortalidade da COVID-19 e, também, ressalta a importância do monitoramento da carga viral desde o início dos sintomas da COVID-19.

 


Referências

  1.  Bastos ML, Perlman-Arrow S, Menzies D, Campbell JR. The Sensitivity and Costs of Testing for SARS-CoV-2 Infection With Saliva Versus Nasopharyngeal Swabs : A Systematic Review and Meta-analysis. Ann Intern Med. 2021 Jan 12. doi: 10.7326/M20-6569. Epub ahead of print. PMID: 33428446.
  2. Silva J, Lucas C, Sundaram M, Israelow B, Wong P, Klein J, Tokuyama M, Lu P, Venkataraman A, Liu F, Mao T, Oh JE, Park A, Casanovas-Massana A, Vogels CBF, Muenker CM, Zell J, Fournier JB, Campbell M, Chiorazzi M, Ruiz Fuentes E, Petrone M, Kalinich CC, Ott IM, Watkins A, Moore AJ, Nakahata MI, Grubaugh ND, Farhadian S, Dela Cruz C, Ko A, Schulz WL, Ring AM, Ma S, Omer S, Wyllie AL, Iwasaki A. Saliva viral load is a dynamic unifying correlate of COVID-19 severity and mortality. medRxiv [Preprint]. 2021 Jan 10:2021.01.04.21249236. doi: 10.1101/2021.01.04.21249236. PMID: 33442706; PMCID: PMC7805468.
Vacinas para COVID-19 testadas no Brasil

Vacinas para COVID-19 testadas no Brasil

Vacinas para COVID-19

Entenda mais sobre as vacinas para COVID-19 que estão sendo testadas no Brasil. 

Até o momento, Janeiro de 2021, pesquisadores de todo o mundo estão trabalhando no desenvolvendo de mais de 200 vacinas contra o coronavírus, dessas, pelo menos 85 estão sendo testadas em animais em ensaios pré-clínicos, 65 já estão na fase de ensaios clínicos em humanos (1, 2), 8 foram aprovadas para uso emergencial e 2 foram aprovadas depois que os órgãos regulatórios analisaram os resultados de todos os ensaios.

Normalmente, vacinas exigem anos de pesquisa e testes antes de chegar à clínica, contudo na pandemia do COVID-19, cientistas, governos e indústrias uniram esforços para produzir vacinas seguras e eficazes em apenas poucos meses. 

Quer ler sobre genética e casos graves de COVID? Leia esse post em nosso blog.

 

Tipos de Vacinas desenvolvidas

Antes de saber sobre as vacinas testadas no Brasil, conheça os tipos de vacinas que estão sendo testadas para COVID-19 no mundo.

O objetivo de qualquer vacina é conseguir provocar ou induzir a resposta imune do indivíduo de modo que quando for de fato exposto ao vírus, seu sistema imune seja capaz de bloqueá-lo ou matá-lo.

As vacinas para COVID-19 em teste podem ser de 4 tipos (com 2 subtipos cada uma) (3): 

1. Vacina de vírus: o vírus é modificado para que se torne menos capaz de causar a doença.

  • Inativado
  • Enfraquecido

2. Vacina de Vetor Viral: um vírus é geneticamente modificado para produzir proteínas do  SARS-CoV-2. Alguns são capazes de se replicar dentro das células e outros não.

  • Replicante
  • Não replicante

3. Vacina de Ácido Nucleico: o  material genético do vírus é inserido nas células humanas, que produzem cópias de alguma proteína viral (exemplo: proteína spike).

  • DNA
  • RNA

4. Vacina à base de proteínas: proteínas do SARS-CoV-2 são injetadas diretamente no organismo. Também podem ser usados fragmentos de proteínas similares a estrutura do vírus.

  • Subunidade proteica
  • Partículas semelhantes a vírus

 

Vacinas em teste no Brasil

 

O processo de desenvolvimento de uma vacina inclui uma série de fases, desde o seu início no laboratório até a sua utilização na imunização da população. A primeira etapa são os ensaios pré-clínicos, onde são realizados testes em animais, e depois se inicia a etapa de ensaios clínicos em humanos, que possui várias fases.

Das 64 vacinas em ensaios clínicos em humanos no mundo, 20 estão na Fase III, que testa a eficácia da vacina em larga escala. Quatro delas estão sendo testadas no Brasil (4, 5, 6).

CoronaVac da Sinovac Biotech: vacina de vírus inativado.

  • Nome: CoronaVac
  • Dose: 2 doses, 21 dias de intervalo
  • Tipo: injeção muscular
  • Armazenagem: geladeira, 2 a 8 ºC

Em junho deste ano, a empresa Sinovac Biotech anunciou que os ensaios clínicos da Fase I e II em 743 voluntários obtiveram sucesso, a vacina produziu resposta imune, não sendo identificados efeitos adversos graves. 

Em julho, a empresa iniciou um estudo de Fase III no Brasil, em colaboração com o Instituto Butantan para testar 9 mil voluntários brasileiros.

Em janeiro de 2021, os resultados dos estudos de Fase III foram liberados e o governo do estado de São Paulo e o Instituto Butantan enviaram o pedido de autorização para o uso emergencial à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

A previsão é de que a vacinação inicie dia 25 de janeiro no Estado de São Paulo. 

 

ChAdOx1 nCoV-19 da AstraZeneca e da Universidade de Oxford: vacina de vetor viral não-replicante (adenovírus de chimpanzé).

  • Nome: AZD1222
  • Dose: 2 doses, 4 semanas de intervalo
  • Tipo: injeção muscular
  •   Armazenamento: geladeira, 2 a 8º C

 

Em 8 de dezembro, pesquisadores da Universidade de Oxford e da AstraZeneca publicaram um artigo científico com resultados de segurança e eficácia do ensaio clínico de Fase 3 da vacina, realizado no Brasil, África do Sul e Inglaterra (7).

Em 11 de dezembro a AstraZeneca anunciou que vai colaborar com os pesquisadores da vacina Sputnik V, da Rússia, que também é feita a partir de adenovírus. No dia 29 de dezembro a Anvisa recebeu o pedido para início dos estudos da Fase III da vacina  Sputnik V (8). O objetivo é testar se as duas vacinas juntas aumentam a proteção contra o vírus.

No dia 04 de janeiro de 2021, o Reino Unido começou a vacinação da população com a primeira dose da vacina. No dia 8 de janeiro foi realizado o pedido de autorização para o uso emergencial à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

BNT162 da BioNTech em colaboração com Pfizer e a Fosun Pharma: vacina de mRNA.

  • Nome: Comirnaty (tozinameran ou BNT162b2)
  • Dose: 2 doses, 3 semanas de intervalo
  • Tipo: injeção muscular
  • Armazenamento: freezer a –70 ° C

 

Em Maio, os estudos de Fase I e II foram completados com sucesso: os voluntários produziram anticorpos contra o SARS-CoV-2, bem como as células T específicas ao vírus. Em 27 de julho, as empresas anunciaram o início do estudo de Fase II e III com 30.000 voluntários nos Estados Unidos e em outros países, incluindo Argentina, Brasil e Alemanha.

Em 9 de novembro, Pfizer e BioNTech apresentaram os dados preliminares com a vacina demonstrando mais de 90% de eficácia. Em 2 de dezembro o Reino Unido deu autorização de uso de emergência da vacina e iniciou a vacinação da população inglesa dia 8 de dezembro. 

Em 11 de dezembro, a FDA (Food and Drug Administration) autorizou o uso de emergência da vacina nos Estados Unidos e iniciou a vacinação no dia 14. Vários países já concederam autorização de emergência para o uso da Comirnaty, incluindo Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, Kuwait, México, Panamá e Cingapura.

A União Europeia aprovou a vacina em 21 de dezembro. Outros países como o Bahrein, Canadá, Arábia Saudita e Suíça deram a aprovação total. 

No Brasil, os resultados dos estudos de Fase III ainda não foram liberados e o pedido de registro da vacina na ANVISA também não foi realizado. 

 

Ad26.COV2.S da Jansen-Cilag (Johnson-Johnson): vacina de vetor recombinante, não replicante, de adenovírus tipo 26 (Ad26).

  • Nome: Ad26.COV2.S
  • Dose: 1 dose
  • Tipo: injeção muscular
  • Armazenagem: geladeira, 2 a 8º C

 

Em julho, a Johnson & Johnson lançou os estudos de Fase I e II nos EUA e na Bélgica. Os ensaios clínicos de Fase III começaram em setembro – inicialmente de apenas 1 dose. Em novembro, a empresa anunciou que vai realizar a segunda etapa da Fase III para testar a eficácia de duas doses da vacina. Espera-se que os resultados sejam apresentados em janeiro de 2021.

Para o estudo no Brasil, o projeto prevê a inclusão de sete mil voluntários, nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Norte. 

No Brasil, os resultados dos estudos de Fase III ainda não foram liberados, bem como o pedido de registro da vacina na ANVISA. 

 


Referências

  1. https://www.nytimes.com/interactive/2020/science/coronavirus-vaccine-tracker.html
  2. https://www.who.int/publications/m/item/draft-landscape-of-covid-19-candidate-vaccines
  3. https://www.nature.com/articles/d41586-020-01221-y
  4. https://saude.abril.com.br/medicina/como-funcionam-as-vacinas-mais-avancadas-contra-o-coronavirus/
  5. https://www.saopaulo.sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/Apresentacao-CoronavirusVacina_Dr-Dimas_10_06.pdf
  6. Portal ANVISA – Vacinas
  7. https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)32661-1/fulltext
  8. Acompanhamento análise Vacinas –  ANVISA

 

2020: Notícias do ano na Ciência

2020: Notícias do ano na Ciência

2020: O ano da ciência

O ano de 2020 teve a ciência como assunto principal desde seu início. Desde as primeiras notícias sobre uma possível pandemia causada por um vírus, à identificação do vírus, o desenvolvimento de testes diagnósticos, estudos epidemiológicos e clínicos e, é claro, o assunto que está em destaque no momento: o desenvolvimento da vacina. 

Mas a pandemia pela COVID-19 não foi o único tema do ano, a edição gênica e o sequenciamento do genoma também tiveram enfoque. Confira abaixo a retrospectiva que preparamos com os temas mais discutidos pela ciência nacional.

 

Junho 

Variações no nosso DNA nos tornam mais susceptíveis à infecção pelo SARS-COV-2? 

Na tentativa de compreender a grande variabilidade de sintomas associados a infecção por SARS-CoV-2, um estudo da revista New England Journal of Medicine (NEJM) analisou cerca de 2 mil pacientes com COVID por GWAS e sugeriu uma potencial associação entre grupo sanguíneo ABO e gravidade de COVID-19.

 

Julho 

Você conhece as diferenças entre os testes para a COVID-19? 

Apenas algumas semanas após a identificação do primeiro caso da COVID-19, vários tipos de testes foram desenvolvidos e disponibilizados por laboratórios de todo o mundo. Cada teste tem sua função e é indicado para um momento específico da infecção ou até após ela ocorrer. 

 

Agosto 

Testagem em massa da COVID-19

Enquanto o Brasil iniciou o processo de afrouxamento das medidas de isolamento social, vários estudos publicados mostraram que a testagem em massa da COVID-19 seria um possível caminho para o retorno seguro de escolas e empresas. A testagem em massa identifica assintomáticos e pré-sintomáticos e é a melhor estratégia para reduzir a transmissão da COVID-19 e impedir novos surtos.

 

Outubro

CRISPR/Cas9: Prêmio Nobel de Química 2020

O mundo conheceu as vencedoras do prêmio Nobel de química de 2020. As cientistas, Dra. Jennifer Doudna e Dra. Emmanuelle Charpentier, foram laureadas pelo desenvolvimento da técnica de edição gênica CRISPR/Cas9. 

O prêmio foi mais que merecido. O campo para uso do CRISPR/Cas9 é vasto e promissor, tanto para humanos quanto para animais e plantas. Muitas indústrias agrícolas estão desenvolvendo sistemas de controle de pragas, ou melhoramento de plantas e muitos estudos clínicos de terapias gênicas para câncer, doenças raras e infecciosas estão sendo conduzidos.

 

Publicação do protocolo do #PARECOVID

Com a missão de democratizar o acesso a testes para COVID-19 para todos que necessitam, a Mendelics publicou o protocolo do #PARECOVID. Através da estratégia de RT-LAMP, o teste mostra se a pessoa está infectada pela identificação do RNA do vírus SARS-CoV-2 na saliva. 

O #PARECOVID é o teste de maior capacidade lançado no Brasil até o momento, com capacidade de testagem diária de 30.000 amostras, e os resultados são disponibilizados em até 24 horas. 

 

30 Anos do lançamento do Projeto Genoma Humano 

Aniversário de 30 anos do lançamento do projeto genoma humano (Human Genome Project, HGP), o projeto que desvendou pela primeira vez a complexa estrutura do genoma humano. 

Ao todo, 3 bilhões de pares de bases foram sequenciados, e mais de 20.000 genes foram identificados e mapeados. Com o auxílio das novas técnicas de sequenciamento, o estudo do genoma se tornou uma realidade, mais acessível e mais rápido permitindo uma expansão e evolução do diagnóstico genético, da prevenção até da escolha da melhor tratamento. 

A Mendelics se orgulha em fazer parte dessa história, por ser pioneira em implementar o NGS no Brasil. O aniversário do HGP é uma data especial para mundo e para nós, que temos como missão tornar o diagnóstico genético cada vez mais rápido, preciso e acessível para todos.