COVID-19: transmissão de SARS-COV-2 pelo ar

COVID-19: transmissão de SARS-COV-2 pelo ar

A importância da ventilação de ambientes fechados na contenção da COVID-19

Há muito já se sabe que ambientes fechados e mal ventilados favorecem a transmissão de doenças infecciosas, como as influenzas (gripes). Recentemente, um estudo demonstrou que a má ventilação foi o grande fator responsável por um surto de COVID-19 iniciado em um restaurante na cidade de Guangzhou, na China, em janeiro de 2020.

 

O surto

No início de fevereiro de 2020, 10 pessoas de três famílias diferentes testaram positivo para COVID-19 em Guangzhou. Após o rastreio desses casos, as autoridades chinesas descobriram que as três famílias haviam almoçado no mesmo restaurante no Ano Novo Chinês (24 de janeiro). (1)

Uma das famílias (família A) vivia originalmente em Wuhan, o epicentro da pandemia, e estavam em Guangzhou a passeio. O primeiro indivíduo a apresentar sintomas da infecção pertencia a essa família e, muito provavelmente, foi o caso 0 desse surto. (1)

Nenhum dos indivíduos das outras duas famílias presentes no almoço apresentava qualquer sintoma de COVID-19, ou haviam tido contato prévio com casos confirmados da doença, tão pouco com outros habitantes de Wuhan. (1)

Todas as três famílias sentaram-se em mesas adjacentes na área menos ventilada do restaurante, sendo que a família A estava alocada na mesa do meio, entre as duas outras famílias. (1)

 

Transmissão

Os pesquisadores simularam as condições de ventilação no restaurante durante o almoço para verificar se as gotículas expelidas por alguém na mesa da família A poderiam atingir os integrantes das outras duas famílias nas mesas vizinhas. (1)

Para isso, posicionaram um manequim com um aerossol de etano (um gás) na cadeira do suspeito caso 0, e mediram a concentração do gás em outras cadeiras do restaurante (1).

Com isso, conseguiram mapear por onde as gotículas contaminadas poderiam ter se espalhado e qual a importância das diferentes correntes de ar (aparelhos de ar condicionado, portas e exaustores nos banheiros) nesse processo. (1)

Os pesquisadores chegaram à algumas conclusões (1):

  • A região onde se encontravam as mesas dessas famílias, no fundo do restaurante, é a que menos recebe ventilação natural.
  • O aparelho de ar condicionado que ventila no fundo do restaurante ajuda a criar uma corrente de ar que circula somente sobre essas três mesas.
  • As câmeras de vídeo do restaurante mostram que não houve contato direto do caso 0 com o restante das mesas, indicando que a transmissão ocorreu pelo ar

 

surto covid restaurante china

Disposição das mesas e do paciente zero no restaurante. Em vermelho está representada a corrente de ar que circulou pelas três mesas onde ocorreram as infecções.

 

Em resumo, a má circulação do ar no fundo do restaurante criou um ambiente propício para a transmissão aérea do vírus SARS-Cov-2, resultando em nove novas contaminações (1).

Outras simulações também já avaliaram a transmissibilidade do vírus pelo ar em outros locais, como escolas, boates e salas de estar (2), e até em veículos (3). Além disso, esses estudos avaliaram que o uso de máscaras diminuiria em quase 50% o número de novos contágios (2).

Todos esses estudos deixam clara a importância de evitar ambientes fechados e mal ventilados, e sempre usar máscaras com uma boa vedação durante a pandemia.

Recentemente (07/05) a CDC (Center for Disease Control and Prevention), órgão americano de controle e prevenção de doenças, incluiu a transmissão por partículas no ar como um dos principais meios de contágio pelo vírus SARS-Cov-2. (4)

Cuide da sua saúde e da saúde daqueles à sua volta. Evite ambientes fechados. Use máscara e lave as mãos. Teste seus funcionários periodicamente e ajude a conter a epidemia no Brasil.

A Mendelics desenvolveu, em maio de 2020, o primeiro teste em amostra de saliva do Brasil, o #PARECOVID: o teste molecular mais acessível, com qualidade comparável ao RT-PCR, lançado no Brasil até o momento, com capacidade de testagem diária de até 110.000 amostras, e resultados disponibilizados em até 24 horas. (5)

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Referências

  1. Y. Li et al., “Probable airborne transmission of SARS-CoV-2 in a poorly ventilated restaurant,” Building and Environment, vol. 196, p. 107788, Jun. 2021.
  2. M. Zafra e J. Salas, “Uma sala de estar, um bar e uma sala de aula: assim o coronavírus é transmitido pelo ar”, EL PAÍS, Oct. 26, 2020. Acesso em 28 de abril de 2021. https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-10-26/uma-sala-de-estar-um-bar-e-uma-sala-de-aula-assim-o-coronavirus-e-transmitido-pelo-ar.html
  3. M. Zafra e J. Salas, “Não respire o ar alheio: como evitar o coronavírus em ambientes fechados”, EL PAÍS, Mar. 30, 2021. Acesso em 28 de abril de 2021. https://brasil.elpais.com/ciencia/2021-03-30/nao-respire-o-ar-alheio-como-evitar-o-coronavirus-em-ambientes-fechados.html?prm=ep-app-articulo
  4. CDC, “Coronavirus disease 2019 (COVID-19),” Centers for Disease Control and Prevention, Mai. 07, 2021. Acesso em 10 de maio de 2021. https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/science/science-briefs/sars-cov-2-transmission.html#
  5. P. Asprino et al., “A scalable saliva-based, extraction-free rt-lamp protocol for sars-cov-2 diagnosis”, [preprint], Out. 2020.
Manipulação genética: a base da narrativa de Gattaca

Manipulação genética: a base da narrativa de Gattaca

O quanto o enredo de Gattaca acertou?

Os constantes avanços nas áreas de tecnologia, manipulação genética e saúde nos permitem hoje estudar mutações patogênicas (que causam doenças), diagnosticar e tratar doenças genéticas. Com isso, aumentamos a qualidade de vida de várias pessoas afetadas por doenças genéticas no mundo todo.

Mas, e se conseguíssemos evitar que as pessoas apresentem essas mutações? Será que conseguiríamos eliminar as doenças genéticas raras e diminuir as propensões a doenças comuns, como diabetes e pressão alta?

Nesse post vamos discutir o mundo futurístico apresentado no filme Gattaca, de 1997, onde a manipulação genética não é só uma possibilidade, é o padrão.

 

Gattaca

O filme se passa em “um futuro não muito distante” onde as pessoas não se reproduzem mais da maneira tradicional. Nessa realidade, quando um casal quer ter filhos ele recorre a um laboratório de inseminação artificial. 

Cientistas utilizam os espermatozoides e óvulos doados pelo casal para produzir vários embriões e, então, os embriões mais fortes, com menor propensão a desenvolver doenças, são selecionados e implantados. Dessa maneira a sociedade representada no filme é repleta de indivíduos super saudáveis e inteligentes, uma vez que nenhum deles possui variantes genéticas que comprometam o desenvolvimento físico ou intelectual.1

O enredo acompanha a trajetória de Vincent, um dos poucos nascidos ainda de maneira natural, e que sonha em ser astronauta. Porém, em Gattaca, somente indivíduos selecionados podem seguir essa profissão. Míope e propenso a ter problemas cardíacos, Vincent jamais seria admitido no programa de treinamento. Por isso, o personagem decide burlar o sistema.1

Foi aí que encontrou Jerome, um dos super saudáveis, que perdeu o movimento das pernas, e sua carreira, após um acidente automotivo. Jerome, agora considerado inválido pela sociedade, concorda em vender a sua identidade para Vincent, que consegue, então, entrar para o programa de treinamento espacial.1

O filme mostra uma realidade muito diferente, onde as pessoas são classificadas e selecionadas pelo seu material genético.

 Ao mesmo tempo também demonstra como outros fatores afetam a saúde ao decorrer da vida, independente da genética. Jerome era um talentoso nadador e, geneticamente falando, tinha tudo para ter sucesso na vida mas, após perder uma competição, entrou em um estado de depressão profunda que levou ao acidente.

Já de Vincent não se esperava muito, visto sua genética imperfeita, mas ele mantinha uma vida saudável e conseguiu se tornar um astronauta, como sempre sonhou. Além disso, Vincent teve um diagnóstico precoce da sua condição cardíaca, já na infância, o que permitiu que ele pudesse prevenir que ela se desenvolvesse ao longo da vida.

Gattaca apresenta uma realidade onde a seleção genética dos embriões levaram à uma sociedade quase livre de doenças, mas o quanto dessa história é realista e o quanto é ficção?

 

Manipulação genética e reprodução humana

Hoje já existem técnicas bastante sofisticadas de manipulação genética, no entanto, poucas são utilizadas para auxiliar na reprodução. Atualmente, no Brasil, é possível realizar exames diagnósticos (PGD) e triagens genéticas (PGS) em embriões antes da implantação, nos casos de reproduções assistidas por fertilização in vitro (FIV). (2)

  • Diagnóstico genético pré-implantacional  (PGD – Preimplantation Genetic Diagnostic): Testa se o embrião apresenta doenças genéticas específicas. Esse teste é recomendado nos casos em que há histórico de doenças genéticas na família. A partir do resultado do teste os embriões saudáveis são selecionados para implantação. (2)
  • Triagem genética pré-implantacional (PGS – Preimplantation genetic screening): verifica se existem alterações cromossômicas nos embriões testados. Os embriões saudáveis, sem alterações, são selecionados para implantação. (2)

Esses testes não verificam outras características do futuro bebê, como a cor dos olhos, porte físico, ou a propensão a ser atleta ou cientista. Essas características são muito complexas e dependem de muitos fatores além da genética. Portanto, é muito difícil, e ilegal em muito países, como no Brasil, selecionar os embriões se baseando nessas características.

É importante ressaltar que em ambos os casos os embriões são selecionados baseando-se na presença ou ausência de alterações cromossômicas ou genéticas que podem causar doenças graves. Não há uso de qualquer técnica de edição genética. Ou seja, os embriões selecionados são implantados sem qualquer alteração no seu material genético. 

 

Diagnóstico precoce e qualidade de vida

Hoje já existem diversos exames para o diagnóstico e triagem precoce de doenças genéticas. Esses exames permitem que o paciente possa buscar um tratamento o mais cedo possível, evitando quadros mais graves ou até prevenindo o desenvolvimento de doenças.

A Mendelics oferece diversos painéis de diagnóstico neonatal para diversas doenças de base genética, como o Painel de Doenças Tratáveis, que deve ser feito sempre que houver suspeita do bebê ter alguma doença genética.

Quando há suspeita de doenças cardíacas, como no caso de Jerome em Gattaca, existem ainda painéis específicos para diagnóstico, como o Painel de Arritmias e o Painel de Miocardiopatias, entre outros.

Além dos testes de diagnóstico, existe também o Teste da Bochechinha, um painel de triagem genética neonatal, que testa a propensão do bebê desenvolver mais de 320 doenças da primeira infância. É um teste que deve ser feito por precaução, para complementar o Teste do Pezinho.

 


Referências

1. Gattaca. Sony Pictures Releasing, 1997.

2. S. A. Neal and M. D. Werner, “The impact of contemporary preimplantation genetic screening and diagnosis on the detection of aneuploidy and inherited genetic diseases,” Birth Defects Research, vol. 110, no. 8, pp. 644–647, May 2018, doi: 10.1002/bdr2.1220.