ENTENDA AS DIFERENÇAS ENTRE OS TESTES PARA O NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19)

ENTENDA AS DIFERENÇAS ENTRE OS TESTES PARA O NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19)

VOCÊ SABE AS DIFERENÇAS ENTRE OS TESTES DO COVID-19?

Na China, em dezembro de 2019, foram identificados vários casos de pneumonia de causa desconhecida, relacionados a um mercado de frutos-do-mar na cidade de Wuhan. Essa nova doença causada por um coronavírus, SARS-CoV-2,  recebeu o nome COVID-19. 

Apenas algumas semanas após a identificação do primeiro caso da COVID-19,  vários tipos de testes foram desenvolvidos e disponibilizados por laboratórios de todo o mundo (1). 

Entenda mais sobre os testes para o novo coronavírus (COVID-19) e conheça o novo teste molecular  #PARECOVID,  que está solucionando os obstáculos da testagem no Brasil.

 

1. TESTES DE ANTICORPO

Os testes de anticorpo, popularmente conhecidos como “sorológicos”, analisam a resposta do organismo a um agente infeccioso, e nesse caso, identificam anticorpos IgA, IgM e IgG que o corpo produz para combater o SARS-CoV-2

Devido ao tempo que o corpo demora para produzir anticorpos contra uma infecção (janela imunológica), os testes para COVID-19 conseguem detectar anticorpos entre uma a três semanas após o início dos sintomas, mas esse tempo pode variar (2).

Os testes de anticorpos não detectam a doença no início da infecção (fase aguda), portanto, não é recomendado o seu uso para diagnóstico (2).  

Esses testes servem, principalmente, para saber se o paciente já teve a doença no passado e para estudos epidemiológicos populacionais. Até o momento não há evidências do tempo em que anticorpos para o SARS-CoV-2 persistem no organismo após a infecção.

 

2. TESTES DE ANTÍGENOS

Os testes de antígenos identificam fragmentos do vírus, como as proteínas da cápsula viral, no organismo do paciente.

Embora este teste possa detectar o vírus no organismo já no início da infecção, a baixa sensibilidade e especificidade da maioria dos testes disponíveis no mercado tem limitado a sua utilização (3).

 

3. TESTES MOLECULARES

Os testes moleculares ficaram conhecidos popularmente como testes de “PCR”.

O “PCR” (reação em cadeia de polimerase) é uma técnica de biologia molecular capaz de produzir milhares ou até milhões de cópias de um segmento de DNA ou RNA, em um processo conhecido como amplificação

Embora existam importantes diferenças, a depender da técnica utilizada (RT-LAMP, RT-PCR, Sequenciamento), os testes moleculares identificam segmentos específicos do genoma do vírus SARS-CoV-2 na amostra do paciente infectado, através de diferentes estratégias de amplificação.  

Estes testes informam se o indivíduo está com a doença já nos primeiros dias após o início da infecção (fase aguda da doença), sendo fundamentais para o isolamento precoce dos infectados. 

Por outro lado, o teste molecular não é capaz de identificar se a pessoa já teve a doença no passado, já que a sensibilidade é reduzida após a fase de infecção aguda devido à diminuição do vírus e do seu RNA no organismo.

 

TESTE DE RT-PCR

O teste molecular mais utilizado no mundo é o RT-PCR (Reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa) (3). 

Após o RNA do vírus ser transformado em DNA, processo conhecido como transcrição reversa (RT), sequências específicas do vírus são amplificadas. Caso haja, de fato, RNA do SARS-CoV-2 na amostra, sondas irão detectar a sua presença e emitir um sinal de resultado positivo. 

Apesar de ser um teste sensível e específico, problemas de falta de suprimento de reagentes, devido a enorme demanda mundial, e da quantidade insuficientes de equipamento de PCR em tempo real no Brasil, inviabilizaram desde o início da pandemia a aplicação desse tipo de teste em larga escala e a entrega de resultado em prazos curtos. Por isso, há um importante obstáculo para testagem de COVID-19 por RT-PCR.

Outro grande problema é que RT-PCR é feito a partir da coleta de swab nasofaríngeo, no qual um cotonete é introduzido na garganta ou no nariz do paciente. 

Além do desconforto que a coleta causa nos pacientes, há também o risco de contaminação para os profissionais de saúde. Os kits de coleta de swab também estão em falta no mercado, o que tem contribuído para a limitação da capacidade de testagem no Brasil.

 

TESTE DE SEQUENCIAMENTO 

Em janeiro de 2020 foi publicado o primeiro estudo de sequenciamento do genoma do vírus. O estudo mostrou que a COVID-19 era causada por um vírus de RNA de fita única, com um tamanho de genoma de 29.903 bases (por comparação, o genoma humano tem 3 bilhões de bases) e que pertencia a família dos coronavírus (CoV) (7;8). 

Desde então vários pesquisadores ao redor do mundo conduzem estudos que analisam o genoma do vírus, utilizando principalmente estratégias de sequenciamento (Sanger, Sequenciamento de Nova Geração e Nanopore). 

Até o momento, no mundo todo, já foram sequenciados mais de 66.000 genomas de SARS-CoV-2 e os dados são disponibilizados nos bancos de dados públicos, como o Global Initiative on Sharing All Influenza Data (GISAID) (9).

Os dados serão fundamentais para compreendermos a origem do vírus, identificar novas mutações em seu genoma, e também para o desenvolvimento de vacinas e prevenção de novas pandemias.

Assim como testes de RT-PCR e RT-LAMP, um teste de sequenciamento do vírus pode identificar pessoas infectadas logo no início da infecção. Mas até o momento essa estratégia vem sendo pouco utilizada pelos laboratórios clínicos devido, principalmente, ao alto custo desse tipo de testagem.

 

TESTE DE RT-LAMP  (#PARECOVID)

O RT-LAMP (amplificação isotérmica mediada  por  loop  com  transcriptase  reversa), é uma técnica molecular já amplamente utilizada para o diagnóstico de várias doenças infecciosas como Dengue, Chikungunya, Hepatite A e Zika (4;5). 

Em junho a Mendelics disponibilizou um teste de RT-LAMP específico para COVID-19. O teste recebeu o nome de #PARECOVID (6).

Assim como o RT-PCR, o RT-LAMP, inclui uma etapa de transcrição reversa (RT), na qual o RNA é transformado em DNA. Em seguida, regiões específicas do vírus são amplificadas milhares de vezes, em temperatura fixa, por cerca de uma hora.

O teste de RT-LAMP, que tem especificidade superior a 99% e sensibilidade equivalente ao RT-PCR, de acordo com os dados de validação feito em parceria com o hospital Sírio-Libanês, é realizado diretamente na saliva do paciente. O tempo máximo de entrega dos resultados são 24 horas

Além do protocolo ser mais simples e rápido do que o RT-PCR, o RT-LAMP não requer o uso de aparelhos laboratoriais complexos, como termociclador em tempo real ou de reagentes em falta na pandemia. 

O #PARECOVID é o teste molecular com a maior capacidade de testagem desenvolvido até o momento no Brasil.  Lançado há poucas semanas, o #PARECOVID já vem sendo utilizado por muitas empresas em seus planos de retorno seguro ao trabalho. Por enquanto, o teste é disponibilizado apenas para empresas.

 

Tipos de Testes para o novo coronavírus COVID-19 antigeno anticorpo sequenciamento RT LAMP

(clique na imagem para ampliar)

 

Quer saber mais? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou acesse a página #PARECOVID em nosso site.

Referências:

(1) Acurácia dos testes diagnósticos registrados na ANVISA para a COVID-19. Maio/2020. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovação em Saúde – DGITIS/SCTIE

(2) Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/lab/resources/antibody-tests-guidelines.html. Acessado em 15/07/2020. 

(3) NOTA TÉCNICA COVID-19 N° 06/2020 – GEVS/SESA/ES. Avaliação técnica e aplicabilidade dos testes diagnósticos laboratoriais para COVID – 19.

(4) Notomi T et al. Loop-mediated isothermal amplification of DNA. Nucleic Acids Res. 2000;28(12):E63.

(5) Wang X, Yin F, Bi Y, et al. Rapid and sensitive detection of Zika virus by reverse transcription loop-mediated isothermal amplification. J Virol Methods. 2016;238:86‐93.4

(6) #PARECOVID. Disponível: https://www.mendelics.com/parecovid/

(7) Wu, F. et al. A new coronavirus associated with human respiratory disease in China. Nature 579, 265–269 (2020). 

(8) Zhu N, et al. A Novel Coronavirus from Patients with Pneumonia in China, 2019. N Engl J Med. 2020;382(8):727-733. doi:10.1056/NEJMoa2001017

(9) Disponível em https://www.gisaid.org/. Acessado em 16/07.