Testes de expansão: o que são e para que servem?

Testes de expansão: o que são e para que servem?

Testes de Expansão

Testes de expansão são uma categoria de teste genético que avalia o aumento de sequências repetitivas no genoma humano. Várias doenças genéticas são conhecidamente causadas pelo aumento expressivo de sequências de nucleotídeos repetitivas.

Entenda melhor nesse artigo.

O que são doenças de expansão?

Doenças de expansão são causadas por aumento anormal de repetições de sequências repetitivas no genoma humano. Há mais de 40 doenças nessa categoria, que afetam principalmente o sistema nervoso. A maioria das doenças de expansão estão associadas a repetição de trinucleotídeos (três nucleotídeos), mas há casos de repetições tetra-, penta-, hexa- e até dodeca-nucleotídeos. 

Entre as doenças de expansão estão a distrofia miotônica tipo I (distrofia de Steinert), distrofia miotônica tipo II, esclerose lateral amiotrófica/demência frontotemporal, ataxias espinocerebelares (SCA), síndrome do X-frágil, ataxia de Friedreich e doenças de Huntington.

 

Doença de Huntington: um exemplo de doença de expansão

A doença de Huntington é exemplo que ajuda a compreender o mecanismo genético de doenças de expansão. A doença de Huntington tem como causa um aumento anormal de repetições de trinucleotídeos CAG no éxon do 1 do gene HTT (Figura 1).  

Para todas as doenças de expansão há uma faixa de tamanho de repetição considerada normal, cujo tamanho varia na população. Em pessoas clinicamente normais o número de repetições CAG no gene HTT varia de 6 a 26.  Expansões com mais 35 repetições CAG causam Huntington (conhecido como alelo expandido). 

Existe uma faixa intermediária (27 a 35 repetições CAG) que não causa a doença, porém há risco aumentado para os filhos dos portadores. Isso ocorre devido ao fenômeno chamado de antecipação no qual a expansão pode aumentar nos gametas e a geração seguinte pode herdar um alelo expandido. 

Figura 1: Ilustração representando o éxon 1 do gene HTT, que normalmente possui até 35 repetições do trinucleotídeo CAG. Quando o número de repetições CAG aumenta, a estrutura da proteína é afetada e a pessoa apresentará sintomas relacionados a doenças de Huntington.

Como diagnosticar doenças de expansão?

O diagnóstico de doenças de expansão é realizado por meio de testes genéticos específicos para cada doença conhecidos como teste de expansão. A metodologia é baseada na amplificação de DNA por PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) da região de interesse seguida por análise por fragmento. Essa estratégia é capaz de detectar o número de repetições de nucleotídeos, mas em alguns casos pode ser solicitado análises complementares com outras técnicas, como por exemplo,  Southern Blotting.

Atualmente não é possível diagnosticar doenças de repetição com técnicas como o MLPA (Multiplex Ligation-dependent Probe Amplification), microarray e NGS (Sequenciamento de Nova Geração), porque a análise de regiões repetitivas do genoma humano é ainda um grande desafio para essas técnicas.

Embora raro, doenças de expansão também podem ser causadas por Variação no Número de Cópias (CNV) ou alterações de sequência nos éxons do gene. Por isso, diante do resultado negativo do teste de expansão e permanência da suspeita clínica, o médico pode solicitar um exame complementar, como por exemplo, um Painel de NGS ou MLPA.

 

Diagnóstico genético e a Mendelics

A missão da Mendelics é oferecer exames genéticos complexos a preços acessíveis, democratizar o acesso ao diagnóstico genético e divulgar a importância dos exames genéticos entre os médicos, operadoras de saúde e pacientes.

Quer saber mais sobre os exames de diagnóstico genético da Mendelics? Leia nossos artigos sobre cariótipo, MLPA e NGS, outras importantes técnicas.

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Você conhece a Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

Você conhece a Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

Conheça a Epilepsia Responsiva à Piridoxina

 

A Epilepsia Responsiva à Piridoxina ou Epilepsia Piridoxina-Dependente (Pyridoxine-dependent epilepsy, PDE) é uma doença genética rara caracterizada por crises epilépticas frequentes e persistentes que surgem ao nascimento ou nos primeiros meses de vida.  Em casos atípicos a doença se manifesta entre um a três anos de idade ou até mesmo durante a gestação.

A principal característica da PDE é que as crises de epilepsia não são controladas pelos medicamentos antepilépticos comumente utilizados, mas apenas respondem à suplementação de piridoxina (vitamina B6).

Apesar de obterem piridoxina na alimentação, os portadores da PDE precisam de uma suplementação dessa vitamina por toda a vida.

A PDE é uma doença grave, os sinais clínicos variam em cada paciente e o prognóstico depende da idade do diagnóstico e início da suplementação de piridoxina, entre outros fatores. Se não tratada, provoca graves danos no sistema nervoso, afetando a habilidade intelectual e cognitiva da criança. 

Entenda mais sobre essa importante doença rara, suas causas e como o diagnóstico é realizado e mais, nesse artigo.

 

Qual a causa da Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

A PDE é uma doença genética causada por alterações nas duas cópias do gene ALDH7A1. Esse gene é responsável por produzir uma proteína (enzima) chamada antiquitina (conhecida também como desidrogenase do alfa-AASA), que atua no metabolismo do aminoácido lisina, no cérebro.

A ausência de antiquitina, causada pelas alterações no ALDH7A1, ocasionam a uma falha no metabolismo da lisina e o acúmulo de substâncias (metabólitos) que interferem no desenvolvimento e no funcionamento do cérebro.

Somente pessoas que herdaram o gene “defeituoso” da mãe e do pai desenvolvem a doença. A PDE é, portanto, uma doença genética com padrão de herança recessivo.

Quando uma pessoa herda apenas um gene alterado (do pai ou da mãe), considera-se que ela é portadora (do inglês, “carrier”). Portadores não têm sintomas da doença, porém podem transmitir o gene alterado para seus filhos. 

Muitas pessoas não sabem que são portadoras de uma  alteração no gene ALDH7A1 e só descobrem quando tem um filho com a doença. 

 

Quais são os principais sintomas da Epilepsia Responsiva à Piridoxina?

Muitos sinais e sintomas já foram descritos em pacientes com PDE, porém, crises epilépticas logo após o nascimento são os sintomas clássicos. É comum que os recém-nascidos sejam diagnosticados erroneamente por outras doenças, como a encefalopatia hipóxico-isquêmica, devido aos sintomas. 

Também é comum que os pacientes apresentem atraso no desenvolvimento e deficiência intelectual.

 

Como é feito o diagnóstico da doença?

A suspeita do diagnóstico deve ser considerada nos casos de recém-nascidos ou crianças de até 3 anos de idade que apresentam epilepsia ou encefalopatia sem causa explicada e que não respondem aos tratamentos.

A confirmação do diagnóstico se dá por dosagem bioquímica de biomarcadores no plasma ou urina e pela identificação de mutações no ALDH7A1 no teste genético.

O teste genético analisa o DNA do paciente para buscar alterações no gene  ALDH7A1.  Esse é o teste mais preciso e confiável para identificar a doença, tanto em bebês assintomáticos quanto em pacientes de qualquer idade que tenham algum sintoma da doença.  

A realização do teste genético também é altamente recomendada para pessoas que tenham histórico familiar da doença.  

A PDE é uma doença que se manifesta ao nascimento ou nos primeiros meses de vida e que precisa ser tratada o mais cedo possível. Estudos mostraram que o diagnóstico tardio e o atraso do tratamento em meses ou anos provoca alterações motoras graves com dificuldade de aprendizagem e alterações sensoriais.

A PDE não é testada no Teste do Pezinho básico do SUS e nem nas versões ampliadas e expandidas oferecidas pela rede privada. No entanto, é uma das mais de 320 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, o teste de triagem neonatal genética mais completo do Brasil.

Quando a criança (ou pessoa de qualquer idade) tem algum sintoma de PDE recomenda-se realizar um exame genético de diagnóstico para confirmar a suspeita. A Mendelics oferece exames para o diagnóstico da PDE, incluindo o Painel de Doenças Tratáveis e o Painel de Epilepsias

Dúvidas? Deixe sua pergunta nos comentários abaixo ou entre em contato com a nossa equipe pelo telefone (11) 5096-6001 ou através do nosso site.


Referências

  • Coughlin CR 2nd. Pyridoxine-dependent epilepsy is more than just epilepsy. Dev Med Child Neurol. 2020 Mar;62(3):268. doi: 10.1111/dmcn.14405. Epub 2019 Nov 25. PMID: 31763687.
  • Jiao X, Xue J, Gong P, Wu Y, Zhang Y, Jiang Y, Yang Z. Clinical and genetic features in pyridoxine-dependent epilepsy: a Chinese cohort study. Dev Med Child Neurol. 2020 Mar;62(3):315-321. doi: 10.1111/dmcn.14385. Epub 2019 Nov 18. PMID: 31737911.

 

Vacinas para COVID-19 testadas no Brasil

Vacinas para COVID-19 testadas no Brasil

Vacinas para COVID-19

Entenda mais sobre as vacinas para COVID-19 que estão sendo testadas no Brasil. 

Até o momento, Janeiro de 2021, pesquisadores de todo o mundo estão trabalhando no desenvolvendo de mais de 200 vacinas contra o coronavírus, dessas, pelo menos 85 estão sendo testadas em animais em ensaios pré-clínicos, 65 já estão na fase de ensaios clínicos em humanos (1, 2), 8 foram aprovadas para uso emergencial e 2 foram aprovadas depois que os órgãos regulatórios analisaram os resultados de todos os ensaios.

Normalmente, vacinas exigem anos de pesquisa e testes antes de chegar à clínica, contudo na pandemia do COVID-19, cientistas, governos e indústrias uniram esforços para produzir vacinas seguras e eficazes em apenas poucos meses. 

Quer ler sobre genética e casos graves de COVID? Leia esse post em nosso blog.

 

Tipos de Vacinas desenvolvidas

Antes de saber sobre as vacinas testadas no Brasil, conheça os tipos de vacinas que estão sendo testadas para COVID-19 no mundo.

O objetivo de qualquer vacina é conseguir provocar ou induzir a resposta imune do indivíduo de modo que quando for de fato exposto ao vírus, seu sistema imune seja capaz de bloqueá-lo ou matá-lo.

As vacinas para COVID-19 em teste podem ser de 4 tipos (com 2 subtipos cada uma) (3): 

1. Vacina de vírus: o vírus é modificado para que se torne menos capaz de causar a doença.

  • Inativado
  • Enfraquecido

2. Vacina de Vetor Viral: um vírus é geneticamente modificado para produzir proteínas do  SARS-CoV-2. Alguns são capazes de se replicar dentro das células e outros não.

  • Replicante
  • Não replicante

3. Vacina de Ácido Nucleico: o  material genético do vírus é inserido nas células humanas, que produzem cópias de alguma proteína viral (exemplo: proteína spike).

  • DNA
  • RNA

4. Vacina à base de proteínas: proteínas do SARS-CoV-2 são injetadas diretamente no organismo. Também podem ser usados fragmentos de proteínas similares a estrutura do vírus.

  • Subunidade proteica
  • Partículas semelhantes a vírus

 

Vacinas em teste no Brasil

 

O processo de desenvolvimento de uma vacina inclui uma série de fases, desde o seu início no laboratório até a sua utilização na imunização da população. A primeira etapa são os ensaios pré-clínicos, onde são realizados testes em animais, e depois se inicia a etapa de ensaios clínicos em humanos, que possui várias fases.

Das 64 vacinas em ensaios clínicos em humanos no mundo, 20 estão na Fase III, que testa a eficácia da vacina em larga escala. Quatro delas estão sendo testadas no Brasil (4, 5, 6).

CoronaVac da Sinovac Biotech: vacina de vírus inativado.

  • Nome: CoronaVac
  • Dose: 2 doses, 21 dias de intervalo
  • Tipo: injeção muscular
  • Armazenagem: geladeira, 2 a 8 ºC

Em junho deste ano, a empresa Sinovac Biotech anunciou que os ensaios clínicos da Fase I e II em 743 voluntários obtiveram sucesso, a vacina produziu resposta imune, não sendo identificados efeitos adversos graves. 

Em julho, a empresa iniciou um estudo de Fase III no Brasil, em colaboração com o Instituto Butantan para testar 9 mil voluntários brasileiros.

Em janeiro de 2021, os resultados dos estudos de Fase III foram liberados e o governo do estado de São Paulo e o Instituto Butantan enviaram o pedido de autorização para o uso emergencial à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

A previsão é de que a vacinação inicie dia 25 de janeiro no Estado de São Paulo. 

 

ChAdOx1 nCoV-19 da AstraZeneca e da Universidade de Oxford: vacina de vetor viral não-replicante (adenovírus de chimpanzé).

  • Nome: AZD1222
  • Dose: 2 doses, 4 semanas de intervalo
  • Tipo: injeção muscular
  •   Armazenamento: geladeira, 2 a 8º C

 

Em 8 de dezembro, pesquisadores da Universidade de Oxford e da AstraZeneca publicaram um artigo científico com resultados de segurança e eficácia do ensaio clínico de Fase 3 da vacina, realizado no Brasil, África do Sul e Inglaterra (7).

Em 11 de dezembro a AstraZeneca anunciou que vai colaborar com os pesquisadores da vacina Sputnik V, da Rússia, que também é feita a partir de adenovírus. No dia 29 de dezembro a Anvisa recebeu o pedido para início dos estudos da Fase III da vacina  Sputnik V (8). O objetivo é testar se as duas vacinas juntas aumentam a proteção contra o vírus.

No dia 04 de janeiro de 2021, o Reino Unido começou a vacinação da população com a primeira dose da vacina. No dia 8 de janeiro foi realizado o pedido de autorização para o uso emergencial à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

BNT162 da BioNTech em colaboração com Pfizer e a Fosun Pharma: vacina de mRNA.

  • Nome: Comirnaty (tozinameran ou BNT162b2)
  • Dose: 2 doses, 3 semanas de intervalo
  • Tipo: injeção muscular
  • Armazenamento: freezer a –70 ° C

 

Em Maio, os estudos de Fase I e II foram completados com sucesso: os voluntários produziram anticorpos contra o SARS-CoV-2, bem como as células T específicas ao vírus. Em 27 de julho, as empresas anunciaram o início do estudo de Fase II e III com 30.000 voluntários nos Estados Unidos e em outros países, incluindo Argentina, Brasil e Alemanha.

Em 9 de novembro, Pfizer e BioNTech apresentaram os dados preliminares com a vacina demonstrando mais de 90% de eficácia. Em 2 de dezembro o Reino Unido deu autorização de uso de emergência da vacina e iniciou a vacinação da população inglesa dia 8 de dezembro. 

Em 11 de dezembro, a FDA (Food and Drug Administration) autorizou o uso de emergência da vacina nos Estados Unidos e iniciou a vacinação no dia 14. Vários países já concederam autorização de emergência para o uso da Comirnaty, incluindo Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, Kuwait, México, Panamá e Cingapura.

A União Europeia aprovou a vacina em 21 de dezembro. Outros países como o Bahrein, Canadá, Arábia Saudita e Suíça deram a aprovação total. 

No Brasil, os resultados dos estudos de Fase III ainda não foram liberados e o pedido de registro da vacina na ANVISA também não foi realizado. 

 

Ad26.COV2.S da Jansen-Cilag (Johnson-Johnson): vacina de vetor recombinante, não replicante, de adenovírus tipo 26 (Ad26).

  • Nome: Ad26.COV2.S
  • Dose: 1 dose
  • Tipo: injeção muscular
  • Armazenagem: geladeira, 2 a 8º C

 

Em julho, a Johnson & Johnson lançou os estudos de Fase I e II nos EUA e na Bélgica. Os ensaios clínicos de Fase III começaram em setembro – inicialmente de apenas 1 dose. Em novembro, a empresa anunciou que vai realizar a segunda etapa da Fase III para testar a eficácia de duas doses da vacina. Espera-se que os resultados sejam apresentados em janeiro de 2021.

Para o estudo no Brasil, o projeto prevê a inclusão de sete mil voluntários, nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Norte. 

No Brasil, os resultados dos estudos de Fase III ainda não foram liberados, bem como o pedido de registro da vacina na ANVISA. 

 


Referências

  1. https://www.nytimes.com/interactive/2020/science/coronavirus-vaccine-tracker.html
  2. https://www.who.int/publications/m/item/draft-landscape-of-covid-19-candidate-vaccines
  3. https://www.nature.com/articles/d41586-020-01221-y
  4. https://saude.abril.com.br/medicina/como-funcionam-as-vacinas-mais-avancadas-contra-o-coronavirus/
  5. https://www.saopaulo.sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/Apresentacao-CoronavirusVacina_Dr-Dimas_10_06.pdf
  6. http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/anvisa-autoriza-novo-ensaio-clinico-de-vacina-para-covid-19/219201?p_p_auth=JxOO9RPs&inheritRedirect=false&redirect=http%3A%2F%2Fportal.anvisa.gov.br%2Fnoticias%3Fp_p_auth%3DJxOO9RPs%26p_p_id%3D101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3D_118_INSTANCE_KzfwbqagUNdE__column-2%26p_p_col_count%3D2
  7. https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)32661-1/fulltext
  8. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/andamento-da-analise-das-vacinas-na-anvisa

 

2020: Notícias do ano na Ciência

2020: Notícias do ano na Ciência

2020: O ano da ciência

O ano de 2020 teve a ciência como assunto principal desde seu início. Desde as primeiras notícias sobre uma possível pandemia causada por um vírus, à identificação do vírus, o desenvolvimento de testes diagnósticos, estudos epidemiológicos e clínicos e, é claro, o assunto que está em destaque no momento: o desenvolvimento da vacina. 

Mas a pandemia pela COVID-19 não foi o único tema do ano, a edição gênica e o sequenciamento do genoma também tiveram enfoque. Confira abaixo a retrospectiva que preparamos com os temas mais discutidos pela ciência nacional.

 

Junho 

Variações no nosso DNA nos tornam mais susceptíveis à infecção pelo SARS-COV-2? 

Na tentativa de compreender a grande variabilidade de sintomas associados a infecção por SARS-CoV-2, um estudo da revista New England Journal of Medicine (NEJM) analisou cerca de 2 mil pacientes com COVID por GWAS e sugeriu uma potencial associação entre grupo sanguíneo ABO e gravidade de COVID-19.

 

Julho 

Você conhece as diferenças entre os testes para a COVID-19? 

Apenas algumas semanas após a identificação do primeiro caso da COVID-19, vários tipos de testes foram desenvolvidos e disponibilizados por laboratórios de todo o mundo. Cada teste tem sua função e é indicado para um momento específico da infecção ou até após ela ocorrer. 

 

Agosto 

Testagem em massa da COVID-19

Enquanto o Brasil iniciou o processo de afrouxamento das medidas de isolamento social, vários estudos publicados mostraram que a testagem em massa da COVID-19 seria um possível caminho para o retorno seguro de escolas e empresas. A testagem em massa identifica assintomáticos e pré-sintomáticos e é a melhor estratégia para reduzir a transmissão da COVID-19 e impedir novos surtos.

 

Outubro

CRISPR/Cas9: Prêmio Nobel de Química 2020

O mundo conheceu as vencedoras do prêmio Nobel de química de 2020. As cientistas, Dra. Jennifer Doudna e Dra. Emmanuelle Charpentier, foram laureadas pelo desenvolvimento da técnica de edição gênica CRISPR/Cas9. 

O prêmio foi mais que merecido. O campo para uso do CRISPR/Cas9 é vasto e promissor, tanto para humanos quanto para animais e plantas. Muitas indústrias agrícolas estão desenvolvendo sistemas de controle de pragas, ou melhoramento de plantas e muitos estudos clínicos de terapias gênicas para câncer, doenças raras e infecciosas estão sendo conduzidos.

 

Publicação do protocolo do #PARECOVID

Com a missão de democratizar o acesso a testes para COVID-19 para todos que necessitam, a Mendelics publicou o protocolo do #PARECOVID. Através da estratégia de RT-LAMP, o teste mostra se a pessoa está infectada pela identificação do RNA do vírus SARS-CoV-2 na saliva. 

O #PARECOVID é o teste de maior capacidade lançado no Brasil até o momento, com capacidade de testagem diária de 30.000 amostras, e os resultados são disponibilizados em até 24 horas. 

 

30 Anos do lançamento do Projeto Genoma Humano 

Aniversário de 30 anos do lançamento do projeto genoma humano (Human Genome Project, HGP), o projeto que desvendou pela primeira vez a complexa estrutura do genoma humano. 

Ao todo, 3 bilhões de pares de bases foram sequenciados, e mais de 20.000 genes foram identificados e mapeados. Com o auxílio das novas técnicas de sequenciamento, o estudo do genoma se tornou uma realidade, mais acessível e mais rápido permitindo uma expansão e evolução do diagnóstico genético, da prevenção até da escolha da melhor tratamento. 

A Mendelics se orgulha em fazer parte dessa história, por ser pioneira em implementar o NGS no Brasil. O aniversário do HGP é uma data especial para mundo e para nós, que temos como missão tornar o diagnóstico genético cada vez mais rápido, preciso e acessível para todos.

 

Você conhece a Deficiência da Descarboxilase dos L-Aminoácidos Aromáticos (AADC)?

Você conhece a Deficiência da Descarboxilase dos L-Aminoácidos Aromáticos (AADC)?

Conheça a Deficiência da Descarboxilase dos L-Aminoácidos Aromáticos

 

A deficiência da descarboxilase dos L-aminoácidos aromáticos (Aromatic L-Amino Acid Decarboxylase, AADC) é uma doença genética rara que ocorre por uma falha no metabolismo dos neurotransmissores (substâncias responsáveis por transmitir a mensagem dos neurônios para o corpo) afetando a comunicação entre o cérebro e algumas células do corpo.

Os sintomas da AADC começam na primeira infância, geralmente nos primeiros meses de vida. Podem variar bastante, mas geralmente, as crianças com a doença apresentam atraso no desenvolvimento, distúrbios do movimento (como distonia e hipocinesia), crises oculógiras (movimentos anormais dos olhos), hipotonia (fraqueza muscular), suor excessivo, ptose (queda da pálpebra superior), falta de energia, dificuldade de dormir, problemas gastrointestinais entre outros sintomas. 

Como é uma doença muito rara (apenas algumas centenas de casos foram registrados no mundo), o diagnóstico da AADC costuma ser difícil e pode ser confundido com outros quadros mais comuns como paralisia cerebral, epilepsia e até Transtorno do Espectro Autista

Embora os sintomas da doença já sejam evidentes nas primeiras 10 semanas de vida, o diagnóstico da doença é feito em média somente quando o paciente já tem 3 anos e meia de idade, por isso, a importância da conscientização sobre a doença. 

Saiba mais sobre essa importante doença rara nesse artigo.

 

Qual a causa da AADC?

A causa da doença são mutações no gene DDC, responsável por produzir a enzima AADC. 

Mutações no DDC reduzem ou eliminam a atividade da enzima AADC, resultando em deficiência grave combinada dos neurotransmissores serotonina, dopamina, noradrenalina e adrenalina. Esses neurotransmissores atuam na comunicação (sinalização) das células do sistema nervoso.

 

Como a AADC é herdada?

A AADC possui padrão de herança autossômico recessivo, isso quer dizer que bebê nasce com AADC quando herda duas cópias alteradas do gene DDC, uma do pai e outra da mãe.

Quando apenas uma cópia do gene alterado é herdada, a pessoa é chamada de “portadora”. Ela não vai ter a doença, mas pode transmitir a alteração para os filhos.

Além disso, os pais de uma criança com AADC tem 25% de chances de ter outro filho com a doença. Por isso a importância do aconselhamento genético para famílias com histórico da doença.  

 

autossomico recessivo

Figura 1: Ilustração da forma de herança autossômica recessiva da AADC.

 

Como é feito o diagnóstico da AADC?

A AADC é uma doença difícil de diagnosticar precocemente por ser rara (e consequentemente pouco conhecida) e devido aos seus sinais e sintomas se confundirem com outras doenças. 

A confirmação do diagnóstico da AADC é feito pelo exame genético que vai detectar alterações (em homozigose) no gene DDC. Nesse caso, o sequenciamento do gene DDC ou Painéis de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para doenças do neurodesenvolvimento são indicados.

Quando disponíveis em laboratórios acessíveis ao paciente, outros exames laboratoriais podem dar suporte ao diagnóstico, são eles:

  • Punção lombar (coleta do líquido cefalorraquidiano ou líquor): para medir os níveis das substâncias relacionadas a baixos níveis de dopamina e serotonina (L-dopa, 5-hidroxitriptofano (5-HTP), ácido 5-hidroxiindoleacético (5-HIAA), ácido homovanílico ácido (HVA), 3-O-metildopa (3-OMD))
  • Dosagem enzimática: para medir a atividade da enzima AADC.

 

A AADC é uma das mais de 320 doenças investigadas no Teste da Bochechinha, um teste de triagem neonatal genética. Com esse teste, que pode ser realizado assim que a criança nasce, a doença pode ser identificada antes do paciente desenvolver qualquer sintoma da doença. A AADC não é avaliada em outros testes de triagem neonatal, como o Teste do Pezinho básico do SUS e nem nas versões ampliadas e expandidas oferecidas pela rede privada.

 

Como é feito o tratamento da AADC?

Os sinais e sintomas da doença podem se manifestar diferentemente em cada pessoa, por isso, o tratamento pode variar de paciente para paciente. Atualmente a doença não tem cura, mas, em alguns casos, o tratamento pode aliviar sintomas da doença. 

Geralmente, são utilizados um conjunto de medicamentos para suprir a falta dos neurotransmissores, como agonistas do receptor de dopamina, agentes anticolinérgicos e antiepilépticos, entre outros. Além disso, é recomendado terapia ocupacional e de fala para melhorar a qualidade de vida da criança.

 

Programa MOVIMENTE 

Para dar suporte ao diagnóstico da AADC e de outros distúrbios do Neurodesenvolvimento e transtornos do Movimento, a Mendelics desenvolveu o Programa Movimente.

O Programa Movimente oferece de forma gratuita um exame de painel de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) que inclui 89 genes relacionados a distúrbios do neurodesenvolvimento e transtornos do movimento com início na primeira infância, incluindo a AADC.

Para saber mais sobre o Programa Movimente, acesse nosso site 

 


Referências

  1. https://medlineplus.gov/genetics/condition/aromatic-l-amino-acid-decarboxylase-deficiency/#causes
  2. http://www.pndassoc.org/diseases/aadc.html
  3. http://repositorio.chlc.min-saude.pt/bitstream/10400.17/2243/1/Acta%20Pediatr%20Port%202002_33_353.pdf
  4. https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/770/aromatic-l-amino-acid-decarboxylase-deficiency#ref_13586
  5. https://aadcnews.com/gene-therapy/
  6. https://ir.ptcbio.com/news-releases/news-release-details/ptc-therapeutics-announces-results-long-term-aadc-deficiency