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A‌ ‌história‌ ‌da‌ ‌descoberta‌ ‌do‌ ‌gene‌ ‌BRCA1‌ ‌-‌  ‌Decoding‌ ‌Annie‌ ‌Parker‌ ‌

20 outubro, 2020 | Genética na Cultura

Filme‌ ‌Unidas‌ ‌pela‌ ‌vida‌ ‌(Decoding‌ ‌Annie‌ ‌Parker)‌, o gene BRCA1 e o câncer de mama

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Baseado‌ ‌em‌‌ ‌fatos‌ ‌reais‌,‌ ‌o‌ ‌filme‌ ‌conta‌ ‌‌paralelamente‌ ‌‌a‌s ‌história‌s ‌‌de‌ ‌Annie‌ ‌Parker,‌ ‌uma‌ ‌mulher‌ ‌‌que‌ ‌enfrentou‌ ‌o‌ câncer‌ ‌de‌ ‌mama‌ ‌e‌ ‌tornou-se‌ ‌uma‌ ‌das‌ ‌maiores‌ ‌vozes‌ ‌conscientizadoras sobre a doença e‌ ‌da ‌Dra.‌ ‌Mary-Clarie‌ ‌King,‌ ‌a‌ cientista‌ ‌que‌  ‌identificou‌ ‌o‌ ‌gene‌ ‌‌BRCA1‌‌ ‌e‌ ‌que demostrou,‌ ‌pela‌ ‌primeira‌ ‌vez,‌ ‌que‌ existia uma forma hereditária da doença. 

Depois de perder a mãe e a irmã, muito jovens vítimas de câncer de mama, Annie (vivida por Samantha Morton) acreditava que ela também iria ter a doença algum dia, mesmo na época não existindo evidência científica/médica sobre câncer hereditário. Por crescer com essa preocupação, Annie realizava auto-exames diariamente e descobriu um caroço, em 1980, aos 29 anos. Infelizmente, um exame confirmou o diagnóstico de câncer de mama.

Após o diagnóstico, pela primeira vez, ela ouviu de seus médicos que “devido ao seu histórico familiar, seria melhor realizar uma dupla mastectomia” (cirurgia que remove as duas mamas). Mais tarde em 1987, foi diagnosticada com câncer de ovário e em 2006 com câncer no figado. Ela sobreviveu a todos os tumores.  

Paralelamente, o filme mostra a trajetória da Dra. Mary-Clarie King  (vivida por Helen Hunt), geneticista da Universidade da Califórnia que focava seus estudos na busca de uma possível causa hereditária para o câncer de mama. Naquele momento, não haviam evidências de que o câncer poderia ocorrer devido a uma alteração genética herdada. O filme demonstra isso, por exemplo, em uma cena em que um dos médicos que acompanhava a Annie Parker explica que os muitos casos de câncer na sua família deveria ser mero ‘azar’, demonstrando a falta de conhecimento sobre as causas do câncer da época.

Por esse motivo, o filme também mostra a importância dos estudos da Dra. Mary-Claire, que durante 17 anos se dedicou a estudar famílias com vários casos de câncer de mama e ovário para tentar identificar a possível causa genética que estaria sendo transmitida entre as famílias. Em 1990, enfim, seu grupo identificou o BRCA1 (Breast Cancer type 1), um gene que quando alterado aumenta o risco de câncer de mama, ovário e outros tipos de câncer. Sua descoberta revolucionou a ciência e a oncologia, mudou a forma como compreendemos o câncer e deu novas perspectivas para o diagnóstico, tratamento e prevenção da doença. 

Em 1994, Annie realizou o teste genético e identificou que realmente possui uma alteração no BRCA1. Ela escreveu um livro sobre sua história no qual o filme foi inspirado, faz palestras, tem uma fundação em seu nome que oferece suporte a pessoas com câncer de mama e lidera comunidades a favor da conscientização do câncer de mama.

A Dra. Mary-Claire continua liderando pesquisas e até hoje uma das pesquisadoras mais respeitadas nos Estados Unidos. 

 

Câncer de mama hereditário e o gene BRCA1 

O trabalho da Dra. Mary-Claire inspirou muitos pesquisadores a entender outras formas hereditárias de câncer. Hoje sabemos que cerca de 5-10% dos casos de câncer são hereditários, um tipo câncer causado por mutações herdadas dos pais em genes importantes para o crescimento celular. 

O gene BRCA1 (Breast Cancer type 1) é um dos principais genes associados ao câncer de mama e ovário hereditário. A sua importância na prevenção do câncer de mama se tornou popular também devido ao ‘Efeito Angelina’ que ocorreu após a atriz Angelina Jolie anunciar, em 2013, que fez uma cirurgia de retirada das mamas por ser portadora de mutações nesse gene. Uma história que contamos nesse post

Mas, o BRCA1 não é o único gene de risco, alterações no BRCA2, PTEN, TP53, entre outros também estão associados o aumento do risco a câncer de mama. 

Assista ao filme Decoding Annie Parker (Unidas pela vida em português), conheça a história dessas duas mulheres inspiradoras, e entenda a importância da detecção precoce do câncer de mama e como a ciência tem papel fundamental nas nossas vidas. 

 


Referências

  1.  Decoding Annie Parker, Unidas pela vida  (2013). Dirigido por Steven Bernstein, com Samantha Morton, Aaron Paul, Rashida Jones, Helen Hunt, Marley Shelton, Bradley Whitford, Maggie Grace, Kate Micucci.
  2. https://www.forbes.com/sites/elaineschattner/2015/03/29/chatting-with-annie-parker-a-patients-perspective-on-how-cancer-care-has-changed-since-the-1970s/#12b76e101b72
  3. https://www.nfcr.org/blog/pioneering-gene-work-dr-mary-claire-king/

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